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Gustavo Chacra

Estrangeiros quando chegam a São Paulo sempre notam a enorme quantidade de muros ao redor dos prédios e casas. Não apenas dos mais caros, como também os de classe média. Para entrar na garagem de edifícios modernos em bairros que podem ir da Vila Nova ao Jardim Anália Franco, passando por Jardins, Higienópolis e Santana, somos obrigados muitas vezes a cruzar dois portões com nossos carros. Porteiros ficam dentro de guaritas à prova de bala com monitores para observar tudo o que ocorre dentro e fora do prédio. Estas medidas são necessárias pois, mesmo com elas, ainda ocorrem assaltos contra edifícios na capital paulista.

Já em Bogotá as portas dos prédios de bairros sofisticados como Rosales, Chicó e alguns ao redor da badalada Zona T possuem portas de vidro que abrem direto para jardins que se estendem até as arborizadas calçadas. Sem muro e muitas vezes sem porteiro, estes edifícios de tijolinhos, que são uma tradição local, demonstram que a sensação de insegurança na capital colombiana é menor do que em São Paulo, pelo menos nas áreas mais caras. Tampouco nas ruas do centro, perto do palácio Nariño ou da praça Simon Bolívar, parece haver risco de que roubem nossos celulares ou carteiras. Bem diferente de Caracas, por exemplo, onde uma caminhada de dois quarteirões pode significar um assalto.

A violência na Colômbia também se reduziu no interior durante os anos do governo Uribe. As FARC nunca estiveram tão enfraquecidas, apesar do atentado de ontem. Cali e Medelín não estão mais nas mãos dos traficantes de drogas, apesar de o país ainda ser o maior produtor de cocaína do mundo. Isto é, melhorou, pelo menos na superfície, mas ainda não é perfeito. Agora, achar que a Colômbia seja apenas uma teia de traficantes de droga e plantadores de café é um equívoco grave. Uma visita a Cartagena nos leva para dentro dos livros de Garcia Marquez. E Bogotá, sem dúvida, surpreende positivamente tanto quanto São Paulo e a Cidade do México. É uma metrópole cosmopolita, sofisticada e verde. Apesar de apresentar problemas como todas as grandes cidades com milhões de habitantes, está longe de ser como Caracas ou La Paz.

A Colômbia não é apenas tráfico de drogas, café, Garcia Marquez, Botero e Shakira – apesar de os quatro últimos valorizarem o país. Assim como o Brasil não é apenas futebol, carnaval e Lula.

ENCONTRO DE LEITORES NO SÁBADO – Quem quiser participar pode enviar um comentário com o nome e email

Sigo na Colômbia, de onde escreverei posts nos próximos dias, antes de retornar a Nova York

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009

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Estou em Cartagena, na Colômbia. Mas, como escrevi, estive antes em Sanaa, no Yemen. E nestes dias publicarei alguns textos sobre a minha viagem. Além disso, consegui publicar fotos no novo sistema. As mulheres de preto e os homens são de Sanaa. A menina sozinha estuda na Universidade Americana de Beirute. O objetivo, além de relatar a história abaixo, é mostrar que o mundo árabe é bem heterogêneo. Escrever generalizações como árabes odeiam os judeus ou todas as mulheres usam burkas é uma burrice. Há árabes que odeiam judeus sim, assim como WASPs nos EUA e quatrocentões de São Paulo. Sem falar em alguns alemães. São os famosos anti-semitas. Não sei se a menina patricinha de Beirute odeia ou não. Muito menos as duas de Sanaa, que sequer sei a idade. Apenas posso garantir que quem diz que todos os árabes odeiam e perseguem judeus é anti-árabe.

Os homens iemenitas são tradicionalistas. Vestem roupas brancas com facões na cintura. Seria o equivalente do terno e gravata no Brasil. As facas possuem diferentes modelos e materiais. Algumas, importadas da China, podem ser compradas por US$ 20. As melhores são fabricadas no mercado antigo da cidade. Quanto mais antigas, mais caras. E podem alcançar os milhares de dólares. Ironicamente, o presidente Ali Abdullah Saleh prefere se vestir de terno e gravata.

As mulheres de Sanaa se cobrem inteiramente de preto, incluindo o rosto. Nada a ver com as libanesas, que adoram usar biquíni. São raras as que usam até mesmo apenas um lenço na cabeça, como no Cairo ou em Damasco. Tampouco usam véus caros, como as de Dubai. Estão mais para as sauditas. Apesar disso, diferentemente do que ocorre na Arábia Saudita, elas dirigem e podem andar sozinhas e sem a companhia do marido. Nos restaurantes, há divisão. Uma sala para mulheres, outra para homens. Mas famílias podem comer juntas, o que é comum nas quintas e sextas, durante o fim de semana iemenita.

O jornalista Gustavo Chacra, 33, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano e do Terremoto no Haiti. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009

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Acabei de chegar na terra que mataram Santiago Nassar e me hospedei no hotel localizado no antigo mosteiro onde Sierva Maria de Todos Los Angeles foi encontrada morta. Na segunda, irei para Bogotá e relatarei um pouco da Colômbia que se prepara para era pós-Uribe. Sei que meu foco é Oriente Médio, onde vivi, e Nova York, onde moro atualmente. Até o nome do blog indica que os temas devem ser entre Beirute e Nova York. Porém já escrevi antes sobre Honduras, quando cobri a crise em Tegucigalpa, e Haito, para onde viajei no dia seguinte ao terremoto.

Desta vez, a viagem é para um casamento de um casal de amigos colombianos. E os fanáticos do Oriente Médio podem ficar tranquilos. No meio tempo, também publicarei textos sobre outros assuntos, inclusive da minha viagem ao Yemen. Afinal, tenho muito material da semana que passei naquele país no mês passado e também em Dubai. Sem falar que Cartagena, segundo consta, tem a maior comunidade sírio-libanesa do Caribe. Tanto que Gabriel Garcia Marquez sempre conta dos “turcos” nos seus livros, incluindo o protagonista de Crônica de Uma Morte Anunciada (obs – o escritor é de Aracataca, que teria servido de inspiração para Macondo)

O debate sobre Israel está aberto no tópico anterior. E podem falar da viagem do Lula. Aliás, com o novo formato, os posts ficam abertas indefinidamente.

Obs. Neste sábado, às 16 horas, haverá uma palestra sobre a imigração árabe no Brasil, ministrada pelo professor Osvaldo Truzzi. Já li seu livro, mas não tive o prazer de conhecê-lo. Será no Clube Sírio, localizado na Avenida Indianápolis, 1192 (São Paulo). Se alguém tiver alguma dica de cursos, palestras ou livros (em português) sobre o Oriente Médio ou mesmo política internacional, me envie que publicarei aqui

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