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Gustavo Chacra

Hoje é o dia que marca o Holocausto. Seis milhões de judeus e outras minorias, como ciganos (romas) e homossexuais, foram mortos em escala industrial pelo regime nazista. Algumas pessoas ainda questionam estes números como se a morte de mesmo 2 milhões fosse pouco. Não dá para entender. E, ironicamente, a data neste ano bate com a eleição presidencial de Omar Bashir no Sudão.

O Tribunal Penal Internacional indiciou o líder sudanês por crimes de guerra e contra a humanidade. Milícias com o apoio de seu governo teriam levado adiante o massacre de 300 mil pessoas, no segundo maior genocídio em andamento no mundo. Afinal, Darfur pelo menos conta com enorme simpatia internacional. Já o Congo, onde mais de um milhão morreu, poucos se interessam. Não que deveríamos diminuir nosso foco em Darfur. Mas deveríamos ampliá-lo para o Congo.

O dia do Holocausto também coincide com a convenção contra o terrorismo nuclear organizada por Barack Obama em Washington, onde estou. Talvez o maior risco de genocídio hoje no Ocidente seria o de uma organização como a Al Qaeda colocar as mãos em uma arma atômica, ainda que suja, e a utilize em grandes centros populacionais como Nova York ou Londres. Seria o genocídio imediato, com a morte de milhares de pessoas em minutos, similar ao realizado pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagazaki, e diferente do sofrido por armênios e judeus, que durou anos. Não digo que um seja pior ou melhor. São genocídios, simplesmente.

O presidente americano, conforme escrevi aqui outro dia, também poderia dar um passo adiante na luta contra o genocídio e reconhecer o Holocausto dos armênios. É inaceitável, nos dias atuais, que os EUA e outros países, incluindo Israel, tenham medo de colocar em cheque as suas relações com a Turquia e condenem o primeiro grande genocídio do século 20. O Líbano mantém ótimas relações com Ancara sem deixar de reconhecer o Holocausto armênio. O líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também deve ser condenado neste dia do Holocausto. Ele coloca em dúvida este episódio – não o nega formalmente – apenas para provocar Israel em uma ação que beira o anti-semitismo. E, claro, Bashir segue firme e forte no poder.

Obs. Peguei ontem um trem na Penn Station, em Nova York, e vim para Washington. Como sempre, não passei por detector de metal e minha bagagem não foi inspecionada por um aparelho de raio-x. Nem a minha, nem a de nenhum dos centenas de viajantes. Facilmente, quatro terroristas poderiam ter embarcado com as suas malas repletas de explosivos e os detonado no centro de uma destas cidades. Enquanto isso, Obama discute o terrorismo com outros 46 líderes internacionais, milhares de pessoas tiram os sapatos no aeroporto, outros jogam a pasta de dente no lixo e o babaca de Qatar faz piadas infelizes depois de fumar no banheiro.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

Perfil (a ferramenta ao lado não funciona) – O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009

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Os Romas, como são oficialmente conhecidos os ciganos (gypsies, em inglês), celebraram ontem a sua data nos Estados Unidos. E as comemorações não receberam atenção nenhuma, a não ser da secretária de Estado Hillary Clinton. Afinal, os ciganos são praticamente ignorados e quase ninguém no mundo luta pelos direitos deste povo. No Holocausto, eles também foram levados para campos de concentração e eliminados em escala industrial pelo regime nazista. Mas ficaram sem indenização ao perderem as suas posses e seus parentes. Não há memorial para eles. Os ciganos tampouco possuem um Estado, apesar de serem minorias expressivas em países do Leste Europeu, como a Romênia.  Não vemos movimentos internacionais como os existentes pela criação da Palestina, de Kosovo, de Timor Oriental ou do Curdistão. Os ciganos são perseguidos na Itália e na Suíça, mas poucos se preocupam em defendê-los, ao contrário do que ocorre com imigrantes ilegais de nações africanas.

Não sabemos quase nada sobre os ciganos, ou romas. Há estereótipos, como o de que eles trapaceiam ao dizer que lêem o futuro com bolas de cristais, que roubam pessoas em estações de trem, que agridem suas mulheres. Seriam também nômades que montam suas tendas por onde passam, consumindo bebidas indiscriminadamente. Os ciganos, ou romas, não são uma religião, mas um povo com uma cultura particular. Muitos se destacam nas arte, na literatura e na música, mas também existem médicos, advogados e outros profissionais.

Um dos problemas, segundo o educador alemão Mairele Krause, é que os ciganos, por sofrerem com a perseguição, estabeleceram uma cultura de segredo e proteção que torna difícil entendê-los e estudá-los. David Mayall, um acadêmico que escreveu a história dos ciganos nos últimos 500 anos, afirma ser difícil definir uma identidade para este povo, pois elas são múltiplas.

No site do Centro de Defesa de Direitos dos Romas, na Europa, fiquei sabendo que as crianças ciganas são discriminadas em escolas da Croácia, ao serem colocadas em classes separadas. O governo eslovaco também defendeu que eles estudassem em colégios a parte do restante da população. Na Hungria, foram 45 ataques violentos contra os ciganos em 2009, que também foram vítimas de agressões na Itália. Muitos foram expulsos de suas casas em Milão. A França também desrespeita o trânsito de ciganos, inclusive os que são cidadãos europeus.

Os Estados Unidos estão desenvolvendo uma série de programas para ajudar os ciganos ao redor do mundo. Afinal, como diz Hillary Clinton, “temos que nos lembrar com orgulho dos atos corajosos de homens e mulheres que se recusaram a permanecer em silêncio diante do extermínio cometido pelo regime nazista”. Aliás, os ciganos denominam o Holocausto como Porrajmos.

Artigos acadêmicos sobre os ciganos – http://romanistudies.lupjournals.org/default.aspx?content=Sample%20Issues

Centro de Defesa dos Ciganos – www.errc.org

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Perfil (a ferramenta ao lado não funciona) – O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009


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