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Gustavo Chacra

Alguns brasileiros adoram rivalizar com os argentinos e criticar os americanos. Pena que a recíproca não é verdadeira. Nossos vizinhos nos adoram e os cidadãos dos Estados Unidos demonstram uma enorme simpatia e, em muitos casos, conhecimento do Brasil. Em Buenos Aires, onde vivi, sempre ouvi elogios ao nosso país. É onde os argentinos passam as férias de verão, com as memórias de seus primeiros amores na praia de Canasvieiras, Morro São Paulo e Búzios, ao som do Paralamas, do Jorge Benjor ou de uma banda de forró. É o paraíso das moças bonitas, dos capoeiristas, da comida, do sol.

Disputam sim quem é melhor no futebol, como colorados e tricolores em Porto Alegre ou palmeirenses e corintianos em São Paulo. Também competem para saber quem tem a melhor carne e o doce de leite – e o meu voto fica com a Argentina. Porém, para os argentinos, os “inimigos” de verdade são os chilenos e os ingleses. Hoje, dificilmente um argentino negará que a capital paulista supera a argentina em importância econômica e provavelmente o Ariel Palácios já falou sobre isso. Ao mesmo tempo, sabem que seus filmes levam vantagem, afinal o Campanella e o Darin nasceram do outro lado da fronteira – assim como o Maradona.

Já os americanos são acusados de não saber nada sobre o Brasil. Primeiro, há muitos que sabem e bastante sobre a nossa história e a nossa economia. Basta ir aos centros de estudos brasileiros de Columbia, Harvard, Georgetown, Duke ou Texas. Vale também visitar a coleção de livros sobre o Brasil na biblioteca de Brown, com um arquivo superior a todas escolas faculdades privadas brasileiras e onde o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lecionou. Aliás, na Columbia, dá para ler todas as edições já publicadas pelo Estadão, desde o lançamento.

Outros dizem que “os americanos não sabem a capital do Brasil” e “as escolas americanas são muito fáceis”. Vamos por partes. Há americanos que sabem que Brasília é nossa capital e muitos certamente citarão o Lula como presidente. Outros não. Mas, conforme já lancei o desafio aqui uma vez, quantos brasileiros sabem o nome do presidente do Uruguai ou do Paraguai? Ou, como escrevi naquele dia, sabem citar o nome de qualquer uruguaio ou paraguaio de todo a história? E quem governa Portugal? Quem é herói nacional do Canadá? Qual a capital da África do Sul?

As escolas tampouco são fracas. Comparam o Santa Cruz e o Bandeirantes a colégios públicos de Ohio ou da Carolina do Sul, onde fiz intercâmbio. Esquecem que a comparação deveria ser com as escolas privadas de Connecticut. E, antes de terminar, quero deixar que muitos brasileiros não possuem esta imagem equivocada da Argentina e dos EUA. Não são poucos os paulistas apaixonados por Buenos Aires e que idolatram o Maradona. Sem falar nas centenas de milhares que escolheram os Estados Unidos como casa, na maior emigração da história brasileira.

Obs. Vergonhoso o Lula não ter comparecido à posse do novo presidente chileno. A data já havia sido anunciada há quatro anos e o Chile, além de ser um país da América do Sul, acaba de sofrer um terremoto. Vai ver, na cabeça de “alguns”, não valia a pena ir porque o “Piñera é de direita”

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