no twitter @gugachacra
Se tiver problemas para comentar, leia texto em laranja no final
Os Estados Unidos venderam US$ 60 bilhões em armas no ano passado para a Arábia Saudita, na maior transação da história militar do mundo. Dias atrás, a Rússia enviou um carregamento com armamentos para o porto de Tartus, na Síria. Os americanos condenaram abertamente a ação. Moscou se defendeu dizendo que tudo está dentro da legislação internacional, afinal não existe nenhuma resolução da ONU impondo qualquer forma de sanções ao regime de Bashar al Assad – obviamente, porque eles próprios vetam.
Tanto Washington quanto os russos não cometeram ilegalidades nestas vendas. Tampouco a Síria e a Arábia Saudita desrespeitaram qualquer lei ao adquirir os arsenais para as suas forças de segurança. Mas, convenhamos, não deixa de ser deprimente ver as duas nações mais poderosas do mundo, em questões militares, armando regimes deploráveis como o sírio e o saudita.
Assad iniciou uma violenta repressão contra a oposição que resultou na morte de 5 mil pessoas. Estas ações levaram os opositores a se armarem e formarem milícias com o apoio do Qatar e da Arábia Saudita. Atualmente, partes da Síria estão em guerra civil. E as armas russas apenas contribuirão para o agravamento do cenário.
Os EUA ficam com razão bradando dos perigos de Assad, mas sempre fecham os olhos para os seus aliados no Golfo Pérsico, como a monarquia em Bahrain, que reprime violentamente os opositores. Claro, os americanos têm interesses, assim como Moscou em Damasco. Aliás, as situações são quase idênticas.
De um lado, os americanos precisam de Bahrain para manter a sua presença militar no Golfo Pérsico, afinal o pequeno país é sede da Quinta Frota americana na região. Os russos, por sua vez, necessitam de Tartus na Síria, sua única base militar no Mediterrâneo.
Para completar, antes que me esqueça, os US$ 60 bilhões em armas dos EUA foram para um regime que trata as mulheres como animais. Elas não podem sequer circular sem um acompanhante pelas ruas. Estrangeiros são escravizados em Riad. Muçulmanos xiitas e cristãos são tratados como segunda classe. Judeus, nem se fala. Se pisarem no país, correm risco de vida.
_____________________
Muitos leitores estão com problemas para comentar. Estamos tentando resolver estas dificuldades técnicas o quanto antes. Tanto eu como o Ariel Palacios estamos dando início a esta nova era de comentários no Portal do Estadão. Por enquanto, vocês podem comentar através de um perfil no Facebook ou do email do Hotmail. O segundo caso facilita muito para quem não quiser se expor. Obviamente, o número de comentário diminuiu no novo sistema. Ao mesmo tempo, a qualidade dos debates melhorou. Os ataques anti-semitas e islamofóbicos praticamente desapareceram
Quem tiver problemas, por favor, me escreva no gchacra at hotmail.com. Também podem enviar comentários para este email que eu publico com o nome de vocês no espaço destinado ao meu comentário
Mais uma vez, desculpem os problemas
abs
Guga
______________________
Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
Já há algum tempo, existe uma Guerra Fria no Oriente Médio para exercer um domínio ideológico sobre as populações. De um lado, o Irã, com seu regime islâmico, defende organizações hostis a Israel, como o Hamas e o Hezbollah, além de manter uma aliança com a Síria. Seus rivais eram as monarquias e ditaduras árabes próximas aos Estados Unidos, capitaneadas pela Arábia Saudita e o Egito.
Os iranianos tinham a seu favor o discurso anti-Israel, com forte eco na população local. Mas o Irã é persa e xiita, enquanto os árabes são majoritariamente sunitas. As únicas exceções são o Líbano, com elevado percentual de cristãos e xiitas, e o Iraque, também dividido em religiões. Os sauditas e egípcios levavam a vantagem de falar a mesma língua – o árabe – e, claro, serem sunitas. Perdiam por não se posicionar contra os israelenses, sendo vistos como fantoches dos Estados Unidos.
Agora, surgiu um novo ator, a Turquia. Verdade, como os iranianos, não são árabes, saindo em desvantagem em relação ao Egito e à Arábia Saudita. Mas os turcos, apesar do regime secular, são em sua maioria sunitas. E também desfrutam de uma democracia vibrante, uma economia emergente e boas relações com os EUA, sem serem subalternos, como o Cairo. Eram aliados de Israel, mas, desde a Guerra de Gaza em 2009, assumiram a linha de frente na defesa dos palestinos.
Naturalmente, como ocorreu com o Irã, a Turquia será vista como rival pelos regimes árabes. Não podemos esquecer a imagem de dominadores dos turcos, vinda do Império Otomano. Grande parte da região onde hoje estão os países árabes pertencia aos turcos até a Grande Guerra. Vamos aguardar para ver como egípcios, sauditas e jordanianos lidarão com a nova rivalidade. E, diferentemente do Irã, a Turquia desfruta de boa imagem dos EUA, seus aliados na OTAN. Os iranianos também devem ver o seu poderio ideológico cair diante da emergência turca.
E os habitantes da região também ganham, já que, finalmente, uma democracia está na linha de frente, e não regimes autoritários que reprimem as oposições e se perpetuam no poder. Antes a Turquia, com todos os seus defeitos, do que uma Arábia Saudita ou um Irã, com seus governos repugnantes.
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes
O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
Leia os blogs dos correspondentes internacionais do Estadão –
Ariel Palacios (Buenos Aires) – http://blogs.estadao.com.br/ariel-palaci… –
Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-cam… –
Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trev… –
e Adriana Carranca (pelo mundo) – http://blogs.estadao.com.br/adriana-carr… –
2012
2011
2010
2009
2008