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Gustavo Chacra

Crianças costumam perguntar para os pais onde fica o prédio mais alto do mundo. Por gerações, foi o Empire State Building em Nova York. Depois, tiveram as torres gêmeas, do World Trade Center. Chicago, a eterna “second city”, passou a ocupar a liderança com a Sears Tower. Aos poucos, a disputa se moveu para a Ásia, e as Petrana Towers de Kwala Lumpur se tornaram a construção mais alta.

Agora, Dubai terá o edifício mais alto do mundo. Inicialmente, o nome seria Burj Dubai. Com a crise e dependente de Abu Dhabi, a saída foi homenagear o monarca máximo dos Emirados árabes, mudando o nome no dia de sua inauguração Burj Khalifa, mais alto do que o Empire State e o Chysler Building juntos. Acho que precisaria juntar os dez maiores de São Paulo, colocando um acima do outro, para alcançarem o Burj Khalifa, com seus 200 andares e 828 metros de altura.

O magnífico edifício, construído pelo escritório de arquitetura Skidmore, Owings and Merill, terá a mesquita e a piscina mais elevadas de todo o planeta. Boates (ou baladas, casas noturnas e discotecas, dependendo da região ou geração do leitor), bares, restaurantes, hotéis. Uma cidade, por onde devem passar cerca de 8 mil pessoas todos os dias.

Há uns dois anos, li na revista New Yorker que um dos principais obstáculos para a construção de edifícios tão altos são os elevadores. Obviamente, como acontece em Nova York e até mesmo em alguns prédios de São Paulo, há subdivisões de acordo com o andar. Um elevador leva do 20 ao 40, outro do 40 ao 60 e assim por diante. Em alguns casos, é preciso fazer baldeação. Também usam um dispositivo no qual a pessoa digita o andar que pretende ir. De acordo com a demanda daquele momento, ela será direcionada para um determinado elevador.

No Oriente Médio, as cidades buscam uma marca. Beirute vendeu sempre a imagem de Suíça ou de Paris da região. Sem dúvida, é a capital mais liberal do mundo árabe, mas deve ser comparada a metrópoles Mediterrâneas ou mesma beira-mar, como o Rio. Desde 1975, passou a ser sinônimo de guerra, até perder o posto para Bagdá. O Cairo sempre teve as pirâmides e o Nilo, facilitando a vida. Damasco é a história viva, de livros e religiões que aprendemos desde que nascemos. Riad sempre será a cidade mais conservadora. Doha se tornou conhecida por ser a sede da Al Jazeera. Amã… Bom, aquela cidade simpática árabe que um israelense pode visitar sem correr riscos. Mas, convenhamos, e que me perdoe a leitora Fatima, que junto com o marido me mostrou a cidade onde mora, não é dos destinos mais atraentes da região.

Dubai virou o símbolo da modernidade, do futuro, e de centro do mundo de uma certa forma, no meio do caminho da Europa para Ásia, servindo de conexão para americanos que voam para a China, e de chineses que voam para os EUA. O problema é que a crise recente ofuscou esta imagem e Dubai terá que lutar para levantá-la – sem falar na fama de cafona ou Las Vegas do oriente. Dependerá da ajuda de Abu Dhabi, que preferiu ser a cidade rica e reservada, que investe em educação. Em vez construir um prédio mais alto do que o Empire State, atraiu a NYU (Universidade de Nova York). Parece que deu mais certo. Afinal, no fim das contas, o prédio se chamará burj Khalifa.

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