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Al Qaeda explode inimigos; ISIS corta o pênis, estupra a mulher e crucifica seus rivais

Gustavo Chacra

11 junho 2014 | 17:32

O ISIS e a Al Qaeda não são a mesma organização, embora ambos sejam extremistas sunitas. E tampouco são aliados. Na verdade, o ISIS inicialmente representava a rede terrorista para lutar no Iraque contra a ocupação americana e seus aliados xiitas do governo em Bagdá. Perderam força com o surge americano e a prática dos EUA de pagar mesadas a líderes tribais sunitas, adotada por Bush em 2006.

Com a retirada dos EUA e o fim do pagamento das mesadas, o ISIS voltou a se fortalecer. Ao mesmo tempo, na Síria, eclodiu a Guerra Civil e surgiu outra organização ligada à Al Qaeda, chamada Frente Nusrah. A Al Qaeda queria que o ISIS respeitasse a autoridade da Frente Nusrah na Síria. O ISIS, porém, queria o inverso. Os dois romperam, mas, mesmo rivais, se mantém como principais grupos rebeldes na luta contra o regime de Assad – sim, esta é a oposição mais relevante na Síria.

A Al Qaeda também discorda do radicalismo do ISIS, por mais surreal e absurdo isso possa parecer. A organização de Bin Laden considera os xiitas seus maiores inimigos, mas avalia que o ISIS exagera na violência contra a população civil. Basicamente, a Al Qaeda explode seus inimigos. O ISIS corta o pênis, estupra a mulher e depois crucifica vivos seus adversários até eles morrerem apodrecidos.

E, nunca é demais lembrar, o ISIS  tem avançado no Iraque e na Síria. A única forma de derrotá-lo será o Irã apoiar abertamente o governo do Iraque e o regime de Assad na Síria, contar com a ajuda dos hábeis militantes do Hezbollah, e toda as informações disponíveis de inteligência dos EUA, israel e Arábia Saudita. Enfim, uma coordenação global envolvendo inimigos históricos. Antes que me esqueça, muitos dos membros do ISIS são cidadãos de países ocidentais, incluindo EUA, França e Inglaterra. O ataque contra judeus em Bruxelas foi de um europeu membro do ISIS.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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