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Guga Chacra – Estadão.com.br

A Primavera Árabe começa a se tornar o Campeonato Paulista, deixando de ter o impacto de uma Copa do Mundo. No ano passado, o planeta parou para ver as manifestações na Praça Tahrir, no Cairo, a queda e o assassinato de Kadafi, em Trípoli, e o início da violenta repressão de Assad, em Homs.

Agora, apenas os mais fanáticos pelo assunto acompanham o desenrolar da política doméstica do Egito. As mortes na Síria perdem a força com uma comunidade internacional resignada a mais uma guerra civil sectária no Oriente Médio. A federalização e radicalização da Líbia interessa a poucos. A possível divisão do Yemen mais uma vez em sul e norte passa ignorada.

Uma pena. É no Campeonato Paulista que descobrimos as tendências, assim como nestes momentos da Primavera Árabe sem marcos importantes. Depois, quando chega a Copa do Mundo, todos ficam surpresos.

Para quem não sabe, a situação no Iraque não para de se deteriorar, Darfur ainda existe e as negociações entre israelenses e palestinos seguem emperradas.

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Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão
publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas
que
insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos
temas
acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de
vista
diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião
do
jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente
do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br
em
Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações
Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do
Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito,
Turquia,
Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em
Honduras,
Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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O Plano de Annan para a Síria, por mais bem intencionado que seja, não dará certo. Conforme um opositor avaliou ontem em entrevista para CNN, mais como analista do que como político, a proposta visa acabar com a violência. Já o regime de Assad buscar se manter no poder. E a oposição quer derrubá-lo.

A comunidade internacional precisa começar a se acostumar com a possibilidade de Assad permanecer no poder por mais algum tempo, apesar de seus crimes contra a humanidade. Não se esqueçam que Robert Mugabe ainda governa o Zimbábue e Omar Bashir está no poder no Sudão. E, claro, a monarquia (ditadura) Al Khalifa de Bahrain também, depois do ignorado massacre da praça da Pérola

Os massacres em Darfur ainda não acabaram (não confundam Darfur com Sudão do Sul, onde também há problemas), o caos econômico e a repressão contra a oposição continua no Zimbábue. Estes assuntos apenas deixaram de chamar a atenção da opinião pública mundial – Bahrain, que concede abrigo para a Quinta Frota da Marinha americana, nunca foi..

Assad, hoje, busca ser o Saddam Hussein de 1991, pós guerra do Golfo. Ele se sustentou no poder por mais de uma década até ser deposto pela invasão americana. Não é impossível que ele consiga.

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O jornalista Gustavo Chacra,
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Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações
Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do
Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia,
Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no
Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras,
Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e
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O regime de Bashar al Assad disse que aceita cooperar com o plano de Annan para a resolução da crise síria. Isso não significa que o líder sírio irá cooperar. Na verdade, apenas usa táticas tradicionais de teoria dos jogos. No fim, assim como aconteceu com o plano da Liga Árabe, culpará a oposição pelo fracasso. A Rússia concordará e voltaremos para a estaca zero.

Pense com a cabeça de Assad, que não é a de um líder democrático, mas de um regime ditatorial baseado em cinco pilares – Partido Baath, que ao contrário do que dizem não é alauíta, mas laico nos moldes peronistas ou varguistas; nas minorias cristãs e alauítas; nas forças especiais do Exército, que são basicamente cristãs e alauítas; nas elites de Aleppo e Damasco, que são sunitas; e nas alianças externas com o Irã, Iraque, Rússia, Argélia, Venezuela, Líbano e algumas outras nações sem relevância.

Nenhum destes pilares corre risco no médio prazo. E, no longo, a maior possibilidade de ruptura seria com a Rússia e as elites de Damasco e Aleppo. Estes dois grupos, porém, estão dando tempo para Assad resolver a questão – leia-se acabar com a oposição. Aparentemente, o líder sírio teve sucesso por enquanto. Ele controla virtualmente todo o território sírio.

Em um ano de levantes, a maior gloria da oposição foi controlar o bairro de Bab Amr, em Homs. Depois de massacres e o que talvez sejam crimes contra a humanidade, segundo a ONU, as forças de Assad retomaram o controle da área. A ponto de o líder sírio visitar a cidade sem colete a prova de bolas

Apesar disso, acho que a comunidade internacional, com o Plano Annan, faz o correto se levar em conta as opcoes disponiveis. A expectativa é de que as sanções econômicas enfraqueçam Assad e seja encontrada uma solução como a do Yemen. Mas, óbvio, lá a guerra civil continua e o sul ameaça ficar independente mais uma vez.

A Síria seguirá por meses ou mesmo anos em uma guerra civil de baixa intensidade como agora independentemente de Assad permanecer ou não no poder no longo prazo.

Leiam ainda o blog Radar Global.
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Hoje estarei de folga para ir renovar o visto de jornalista no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo. Amanhã, já tem post novo. E ontem foi ótima reunião com os leitores e comentaristas do blog. Impressionante como existe um consenso entre todos em relação à Síria e às eleições americanas. Surpreendentemente, Israel e Irã não dominaram a conversa. Ainda bem. Assim não teve briga

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Ficarei uma semana em São Paulo para renovar o visto, antes de retornar para Nova York. E, aproveitando a viagem, marquei um encontro dos comentaristas e leitores do blog neste domingo, dia 25, no Empório Alto de Pinheiros. Fica na Rua Vupabussu 305, Pinheiros (exatamente ao lado da Igreja da Cruz Torta. Debateremos Síria e EUA

Abs

Guga

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no twitter @gugachacra

No último ano, eu e quase todas as pessoas que acompanhamos a Síria de perto tentamos entender o perfil psicológico de Bashar al Assad. Até mesmo um debate foi organizado em Washington para discutir o assunto. Afinal, como um oftalmologista, com residência médica em Londres, sofisticado, pinta de nerd, uma mulher que trabalhou no J.P. Morgan e bem relacionado com autoridades internacionais pode ser ao mesmo tempo o mais violento líder árabe em atividade, sendo equiparado a figuras macabras como Saddam Hussein e Muamar Kadafi?

E, depois de muito pensar e assistindo mais uma vez a Godfather (Poderoso Chefão), cheguei à conclusão de que Bashar é como Michael Corleone. Nunca foi preparado para liderar o regime sírio no lugar de seu pai, Hafez al Assad, assim como o filho caçula de Vito Corleone tampouco era o homem escolhido para ser o chefe da Máfia. Na verdade, os planos eram outros para aquele herói de guerra e para o médico sírio de Londres.

O problema é que Sonny Corleone, o filho mais velho, foi morto em uma emboscada. O primogênito de Hafez, Bassil, também morreu ainda jovem em um suspeito acidente de carro. No fim, o bonzinho e moderado “Michael” assumiu a família Corleone, com capôs como o Clemenza. Exatamente como aconteceu com Bashar. E, no filme Godfather, vimos como aquele herói de guerra se transformou em uma versão mais elegante, porém não menos sanguinária do que o pai. O mesmo ocorre agora na Síria.

As mulheres, por outro lado, podem ter uma origem comum. Kay Adams Corleone também tinha bom gosto e sofisticação como Asma al Assad. Mas, uma hora, ela não agüentou as matanças do marido. Asma, por sua vez, parece não se importar, decepcionando muitos que esperavam uma atitude mais forte da parte dela.

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