no twitter @gugachacra
Veja como funciona o novo sistema de comentários dos blogs do Estadão.com.br
Primeiro, as forças de Assad são incomparavelmente mais poderosas do que as milícias opositoras. Esta história de Free Syrian Army é exagero, segundo afirma relatório da consultoria de risco político Eurasia. Quem está lutando é uma série grupos locais desorganizados que não tem muito o que fazer diante de uma das máquinas mais repressoras do Oriente Médio. Verdade, eles estão sendo armados, mas ainda é insuficiente para enfrentar os tanques do regime.
Em segundo lugar, a oposição não domina praticamente nenhuma parte da Síria. Tirando certos bairros de Homs, que estão em guerra civil, mesmo subúrbios da capital aos poucos voltam para controle do regime. Damasco e Aleppo estão completamente nas mãos da Assad.
Terceiro, o líder sírio desfruta de enorme apoio na Síria. Verdade, grande parte se deve à propaganda oficial. Mas mesmo assim muitos sírios defendem a repressão que já deixou 6 mil mortos. Tem gente em Damasco, inclusive, que acha que Assad deveria ter agido com mais dureza, como o seu pai, Hafez, que matou 20 mil em algumas semanas no massacre de Hama, nos anos 1980. Acreditem, no mundo, muitas pessoas adoram ditadores.
Quarto, as minorias cristãs e alauítas encaram a atual crise como a de sobrevivência de suas religiões na Síria. Eles o tempo todo observam o que aconteceu com os cristãos caldeus e mesmo os sunitas no Iraque, e com os cristãos coptas no Egito.
Quinto, Assad tem o apoio da Rússia, do Iraque e do Irã. Estes países são poderosos e influentes no Oriente Médio. E, mesmo entre eles, costumamos criticar Teerã e Moscou, mas esquecemos de Bagdá. O atual governo iraquiano é quem mais está dando suporte para Assad reprimir os opositores e burlar as sanções impostas por europeus, americanos e países do Golfo.
Sexto, nenhum embaixador, general ou ministro rompeu com o regime em quase um ano. É um cenário totalmente diferente da Líbia.
As consultorias de risco político e também acadêmicos como Joshua Landis, o maior especialista em Síria dos EUA, descartam que Assad caia no curto e médio prazo. Alguns dizem que ele consegue se manter até 2013. Eu acho cedo para dizer e a situação pode mudar nos próximos meses. De qualquer forma, falar que “Assad está próximo da queda”, como faz a Casa Branca, é “wishiful thinking”, segundo disse o diretor da agência de risco Stratfor.
Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
no twitter @gugachacra
Veja como funciona o novo sistema de comentários dos blogs do Estadão.com.br
O eleitor hispânico nos Estados Unidos não está preocupado com Fidel Castro nem mesmo na Flórida. A imigração interessa, mas mesmo assim importa menos do que a situação da economia. E, para completar, pré-candidatos republicanos, como Mitt Romney e Newt Gingrich, são extremamente impopulares entre os latino-americanos.
Assim como no restante da população americana, a maioria dos hispânicos (51%) afirma que a criação de empregos e o crescimento econômico são os assuntos mais importantes. A imigração vem perto, com 46%. Já o líder cubano e a política dos EUA para a América Latina juntos estão no topo dos problemas para apenas 1% das pessoas, segundo pesquisa conjunta da ABC-Univision.
Na Flórida, a diferença entre a economia e a imigração é ainda maior, de 21 pontos percentuais. “Os latinos da Flórida não são como os latinos do resto do país. A maior parte dos hispânicos no Estado não vêm do México. Eles são cubanos. E os cubanos têm garantia de asilo se chegam aos EUA, os deixando imune às políticas republicanas de intolerância com os imigrantes sem documento”, afirma Matthew Jaffe, analista político da Univision, principal rede de TV hispânica dos EUA.
De acordo com a lei apelidada de “pé seco pé molhado”, os cubanos que pisarem em terra firme dos EUA recebem o direito de residência. Desta forma, não existem cubanos em situação ilegal. Os porto-riquenhos, que também têm força na Flórida, sempre são cidadãos americanos, vivendo em um cenário ainda mais imune a questões imigratórias.
Ao todo, um terço dos eleitores hispânicos na Flórida tem origem cubana e 28% são porto-riquenhos. No total dos EUA, apenas um em cada 20 tem origem em Cuba e 14% em Porto Rico.
Estes dois grupos tendem a ser conservadores na hora de votar. Luis Fortuño, governador de Porto Rico, é republicano e foi eleito pela maior margem da história do território em 2008, no mesmo ano em que o resto dos Estados Unidos elegeu um presidente do Partido Democrata.
O político hispânico mais popular na Flórida é o senador Marco Rubio, também republicano. Cotado para ser candidato a vice-presidente independentemente de quem seja o escolhido nas primárias, ele é tem 54% de imagem favorável ou muito favorável na Flórida.
Em outros Estados americanos, os mexicanos são majoritários (59%), apesar de serem minorias na Flórida. Assim como eles, centro-americanos e sul-americanos que entram sem documentos nos EUA não desfrutam do direito de residência, como os cubanos. Tampouco tem cidadania, como os porto-riquenhos.
Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
no twitter @gugachacra
A Rússia deve vetar mais uma resolução no Conselho de Segurança da ONU condenando o regime de Bashar al Assad caso o texto siga nos moldes atuais. E cinco são os motivos. Primeiro, Moscou simplesmente não confia no Ocidente e tampouco dará uma segunda chance depois da ação da OTAN na Líbia, quando, na visão russa, transformaram uma “zona de exclusão aérea” em uma campanha de bombardeios para derrubar um regime.
Em segundo lugar, a Rússia vende armas para a Síria, assim como os EUA vendem para a Arábia Saudita e Bahrain, que também reprimem a oposição. Desta forma, Moscou não quer abdicar das centenas de milhões de dólares que faturam anualmente com este comércio, assim como os americanos também ganham bilhões no comércio com os sauditas.
Terceiro, a Rússia tem um entreposto militar na costa da Síria. O regime de Damasco sempre foi um aliado de Moscou na Guerra Fria. Não há sentido para eles abandonarem esta parceria e ficarem sem uma base no Mediterrâneo. Não é muito diferente dos EUA, que, por possuírem uma base em Bahrain, impedem qualquer tentativa de levar a discussão da repressão da monarquia Al Khalifa contra os opositores para o Conselho de Segurança.
Quarto, a Rússia tem uma visão distinta do que acontece na Síria. E isso inclui inclusive a academia. Segundo disse ao New York Times Yevgeny Satanovsky, presidente do Instituto de Oriente Médio de Moscou, a crise síria “não é uma escolha entre o bom e o ruim. É uma escolha entre o ruim, que vivemos agora, e o apocalipse”. Apenas se o Ocidente levar em conta estes pontos, a Rússia deixará de vetar a resolução. Caso contrário, seguirá fazendo como os EUA em relação a Israel, vetando qualquer tentativa de resolução.
Por último, a Rússia avalia que o regime de Assad sairá vencedor nesta crise mesmo depois de uma guerra civil, levando em conta o apoio que ele tem em cidades como Aleppo e Damasco.
Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
no twitter @gugachacra
No debate dos pré-candidatos republicanos de ontem na Flórida, um jovem e filiado ao partido perguntou aos candidatos sobre o processo de paz no Oriente Médio, acrescentando que, diferentemente das afirmações de Newt Gingrich e Rick Santorum, ele é “palestino e existe”.
De forma bizarra, Gingrich insistiu na imbecilidade de dizer que os palestinos não existem. É deprimente ouvir isso de um candidato com condições de chegar à Casa Branca. Pior, veio com uma “tecnicalidade”, nas palavras dele, de que os palestinos na verdade são “libaneses, sírios e egípcios”. Não, não são. Eles são palestinos.
Mitt Romney, que é o mais moderado deles, atacou Barack Obama por “ter desrespeitado” Benjamin Netanyahu. Assim como Gingrich, em nenhum momento defendeu o direito de os palestinos terem um Estado. Ao contrário, os dois não criticaram os assentamentos israelenses e o tempo todo culparam a Autoridade Palestina pelo fracasso nas negociações (em parte são, mas Israel também) e deram a entender que os palestinos são um bando de terroristas.
Nas eleições de 2008, me lembro de um debate entre os dois candidatos a vice-presidente, Joe Biden e Sarah Palin, em que ambos disseram “amar Israel”. No seu discurso do Estado da União deste ano, Obama mais uma vez mencionou a relação especial dos EUA com os israelenses, sem citar nenhum outro país amigo, como o Canadá e a Inglaterra.
Entendo os EUA serem aliados de Israel por questões estratégicas e culturais. Mas o Canadá, México, Colômbia, Inglaterra e, claro, o Brasil também são. Por que não tratar os israelenses como os ingleses ou os canadenses, onde algumas vezes pode haver discordância, sem afetar as relações?
No debate de ontem, também foi triste ouvir as políticas deles América Latina. Os quatro candidatos não falaram o nome do Brasil. Perderam mais tempo falando do Hugo Chávez, de Honduras, de Cuba e, por incrível que pareça, de radicalismo islâmico na América Latina. Depois, reclamam da presença da China como parceira comercial de gigantes como os brasileiros, que têm aquecido a economia da Flórida, especialmente no mercado imobiliário.
A não ser, claro, o libertário Ron Paul, que defendeu o livre comércio com toda a região, sem a necessidade de os EUA se intrometer nos assuntos internos de outros países, como quer o islamofóbico e homofóbico Rick Santorum. Paul tampouco teve tempo de falar de Israel, mas ele defende o fim da ajuda militar aos israelenses.
Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
no twitter @gugachacra
O Irã teria concordado em retomar as negociações sobre o programa nuclear depois de ser alvo de sanções impostas pelos EUA e a União Européia. Mas, mais uma vez, o diálogo não funcionará. O regime de Teerã seguirá adiante em sua busca de desenvolver uma bomba atômica (ou a capacidade de desenvolver uma, ficando no mesmo patamar do Brasil e do Japão), por mais que suas autoridades neguem.
Países que pretendem ter armas atômicas sempre mantêm esta prática de ceder ocasionalmente para ganhar tempo quando necessário para, depois, endurecer de novo. Cada mês a mais é precioso para os iranianos, pois os aproximam da bomba. Abrir canais diplomáticos tiram da mesa, por mais um tempo, o risco de uma ação militar israelense.
Não há, porém, nenhum incentivo para o regime de Teerã deixar de lado os seus planos nucleares. Basta olhar para o mundo. Ninguém tem coragem de mexer com a Coréia do Norte e o Paquistão porque estas duas nações possuem bombas atômicas. Saddam Hussein e Muamar Kadafi, que não tinha, foram derrubados do poder justamente pelo Ocidente que tenta convencer os iranianos de supostas vantagens de não ter estes armamentos.
Teerã, com ou sem este regime, seguirá com seus planos de ter uma bomba atômica. Mesmo os maiores opositores do regime são a favor do programa nuclear. Faz parte do orgulho persa. Afinal, ao redor deles, o Paquistão, Rússia e Israel estão armados, sem falar no Afeganistão ocupado pelos EUA. Por que o Irã não se armaria?
Os israelenses e os sauditas, por sua vez, não querem saber de um Irã nuclear porque isso mudaria a balança de poder definitivamente na região. E estas nações sabem que apenas uma ação armada demoveria os iranianos deste objetivo. Porém levam os custos de um conflito que pode facilmente se transformar em uma terceira guerra mundial.
Não adianta insistir em solução diplomática com o Irã. Há duas opções. Primeiro, como faz o candidato libertário Ron Paul, pode se aceitar um Irã nuclear, pois a Teoria da Mutua Destruição assegurada impediria Teerã de atacar um vizinho. Ou, em segundo lugar, pode-se atacar as instalações iranianas com resultados incertos.
Agora, aplique estas duas opções imaginando 1) Que você mora em Tel Aviv ou Riad; 2) Que você mora em Teerã
Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
no twitter @gugachacra
Se tiver problemas para comentar, leia texto em laranja no final
Os Estados Unidos venderam US$ 60 bilhões em armas no ano passado para a Arábia Saudita, na maior transação da história militar do mundo. Dias atrás, a Rússia enviou um carregamento com armamentos para o porto de Tartus, na Síria. Os americanos condenaram abertamente a ação. Moscou se defendeu dizendo que tudo está dentro da legislação internacional, afinal não existe nenhuma resolução da ONU impondo qualquer forma de sanções ao regime de Bashar al Assad – obviamente, porque eles próprios vetam.
Tanto Washington quanto os russos não cometeram ilegalidades nestas vendas. Tampouco a Síria e a Arábia Saudita desrespeitaram qualquer lei ao adquirir os arsenais para as suas forças de segurança. Mas, convenhamos, não deixa de ser deprimente ver as duas nações mais poderosas do mundo, em questões militares, armando regimes deploráveis como o sírio e o saudita.
Assad iniciou uma violenta repressão contra a oposição que resultou na morte de 5 mil pessoas. Estas ações levaram os opositores a se armarem e formarem milícias com o apoio do Qatar e da Arábia Saudita. Atualmente, partes da Síria estão em guerra civil. E as armas russas apenas contribuirão para o agravamento do cenário.
Os EUA ficam com razão bradando dos perigos de Assad, mas sempre fecham os olhos para os seus aliados no Golfo Pérsico, como a monarquia em Bahrain, que reprime violentamente os opositores. Claro, os americanos têm interesses, assim como Moscou em Damasco. Aliás, as situações são quase idênticas.
De um lado, os americanos precisam de Bahrain para manter a sua presença militar no Golfo Pérsico, afinal o pequeno país é sede da Quinta Frota americana na região. Os russos, por sua vez, necessitam de Tartus na Síria, sua única base militar no Mediterrâneo.
Para completar, antes que me esqueça, os US$ 60 bilhões em armas dos EUA foram para um regime que trata as mulheres como animais. Elas não podem sequer circular sem um acompanhante pelas ruas. Estrangeiros são escravizados em Riad. Muçulmanos xiitas e cristãos são tratados como segunda classe. Judeus, nem se fala. Se pisarem no país, correm risco de vida.
_____________________
Muitos leitores estão com problemas para comentar. Estamos tentando resolver estas dificuldades técnicas o quanto antes. Tanto eu como o Ariel Palacios estamos dando início a esta nova era de comentários no Portal do Estadão. Por enquanto, vocês podem comentar através de um perfil no Facebook ou do email do Hotmail. O segundo caso facilita muito para quem não quiser se expor. Obviamente, o número de comentário diminuiu no novo sistema. Ao mesmo tempo, a qualidade dos debates melhorou. Os ataques anti-semitas e islamofóbicos praticamente desapareceram
Quem tiver problemas, por favor, me escreva no gchacra at hotmail.com. Também podem enviar comentários para este email que eu publico com o nome de vocês no espaço destinado ao meu comentário
Mais uma vez, desculpem os problemas
abs
Guga
______________________
Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
2013
2012
2011
2010
2009
2008