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Um segundo turno entre o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi, e o ex-premiê e militar Ahmad Shafik, ligado ao antigo regime, é o pior dos cenários para a estabilidade do Egito no curto prazo. Os dois polarizarão a sociedade egípcia nas próximas semanas, com elevado risco de violência e choques nas ruas das principais cidades do maior país árabe do mundo.
A cosultoria de risco político Eurasia, por meio de seu analista e meu amigo Hani Sabra, acabou de publicar relatório com título na mesma linha que o meu.
De um lado, estarão os que temem o aumento do conservadorismo religioso no país com a vitória de Morsi. Egípcios laicos e cristãos não querem o Cairo e Alexandria se parecendo com Riad ou Jeddah, onde as mulheres e as minorias possuem menos ou nenhum direito.
Para completar, as poderosas Forças Armadas precisariam aceitar a Irmandade controlando o Parlamento e o Poder Executivo, praticamente dominando o país e reduzindo exponencialmente a força dos militares.
Do outro lado, se posicionam os egípcios que repudiam a eleição de um integrante do regime de Hosni Mubarak. Será o fracasso da revolução porque o objetivo de retirar os militares do poder não terá sido atingido. Mesmo antes dos levantes na praça Tahrir, Shafik já era cotado como sucessor de Mubarak.
A tendência, nas próximas semanas, será de agravamento nas tensões no Cairo. Mesmo depois da votação, os dois lados devem provocar instabilidade. O poder teria ficado mais balanceado com a vitória do ex-diplomata Amr Mousa.
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Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
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Quantos iranianos estiveram envolvidos no 11 de Setembro? E sauditas?
Quantos xiitas estiveram envolvidos no 11 de Setembro? E sunitas?
Qual país não permite a ida de mulheres para as Olimpíadas, Irã ou Arábia Saudita?
Onde não há eleições para absolutamente nada, Irã ou Arábia Saudita?
Quando foi o último atentado suicida em que um iraniano se matou? E saudita?
Cite uma cineasta iraniana. Cite uma saudita
Quantos atentados suicidas o Hezbollah (xiita) cometeu dentro de Israel?
Quantos atentados suicidas o Hamas (sunita) cometeu dentro de Israel?
A Al Qaeda é sunita ou xiita? E Bin Laden?
Qual país islâmico tem arma nuclear, Irã ou Paquistão? Qual é xiita? Qual é sunita?
Bin Laden estava escondido no Paquistão ou no Irã?
Agora, responda rápido, você tem mais medo do Hezbollah ou da Al Qaeda na Península Arábica? Por que?
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As eleições do Egito hoje lembram as do Brasil em 1989. Há candidatos para todos os gostos, de antigos integrantes do regime a ex-perseguidos políticos. A população festeja a chance de votar e escolher seu líder. Mais importante, o medo persiste sobre como será o futuro do país depois de décadas sem liberdade.
A criminalidade, com seqüestros e roubos, no Cairo atual não se diferencia da de São Paulo e do Rio de 23 anos atrás. Os egípcios ainda vivem em uma época em que é natural jogar lixo pela janela dos carros e desrespeitar a faixa de pedestres. Nós também éramos assim. A economia enfrenta uma grave crise desde a eclosão da Primavera Árabe, ainda que sem uma estagflação como a brasileira na década de 1980.
No Brasil, em 1989, muitos votaram contra Lula e Brizola porque temiam que o país seguisse o mesmo rumo de Cuba. Hoje, no Cairo e em Alexandria, votam contra Mohamad Morsi, da irmandade, e Abou Fotouh, supostamente um islamista liberal, porque temem que eles transformem o Egito em uma Arábia Saudita. Não faltam nem “Mario Amatos” na terra dos faraós.
Outros brasileiros também votaram contra Paulo Maluf, Aureliano Chaves e Fernando Collor por suas ligações com o regime militar. O mesmo se aplica aos egípcios anti-Mubarak, que não querem o ex-secretário-geral da Liga Árabe Amr Mousa e o ex-premiê Ahmad Shafik.
Figuras históricas a favor da democracia como Ulisses Guimarães tiveram as suas candidaturas cristianizadas. Mohammad El Baradei, no caso egípcio, sequer conseguiu ser candidato.
O Egito de hoje é o Brasil de ontem.
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Basta observar as divisões no Líbano para entender como anda o conflito na Síria. Os recentes choques em Beirute e Trípoli deixam claro que temos, de um lado, os sunitas. De outro, a favor de Bashar al Assad, as demais religiões presentes nestes países. No caso libanês, xiitas e cristãos. No caso sírio, alauítas e cristãos.
Nas ruas de Beirute, hoje, virou moda observar as pessoas barbadas e dizer que são salafistas prontos para irem lutar na Síria a favor da oposição. E é verdade. Estes grupos seqüestraram uma causa justa, de derrubar uma ditadura sanguinária. São como o Hamas. A organização palestina roubou um ideal, de ter um país, para impor suas regras e usar o terrorismo contra o adversário.
Ao mesmo tempo, o Hezbollah e seus aliados cristãos são hipócritas ao se posicionarem ao lado dos sírios. O grupo xiita libanês sempre se descreveu como “uma resistência contra a ocupação israelense”. Até 2000, sem dúvida, pois Israel ocupava ilegalmente o sul do Líbano. Mas se retirou, a não ser por Ghajar e Shebaa.
Os cristãos de Michel Aoun tem o argumento real de que correm o risco de desaparecer e, por este motivo, precisam se aliar ao antigo algoz Assad. Entendo o medo deles. Mas é um erro defender a ditadura vizinha. Apoiar a democracia e respeitar as diferenças religiosas seria a melhor alternativa. Tratem os sunitas da mesma forma que tratam os xiitas, como amigos.
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Hoje participo do programa Globo News Em Pauta, às 20 horas. Assista aqui uma das minhas participações na semana passada
No mesmo dia em que dezenas de milhares de judeus ortodoxos homens se reuniram no estádio do Mets em Nova York para discutir os riscos da internet, em evento em que as mulheres receberam apenas autorização para assistir à distância pela TV, o vice-prefeito de Tel Aviv deu uma entrevista bebendo uma cerveja depois de uma balada em Israel para a rede de TV CBS.
São duas cenas tão antagônicas que ajudam qualquer pessoa a entender o quão diverso é o judaísmo, Israel e mesmo as demais religiões. Dá para visitar Jerusalém e voltar apenas falando do conservadorismo do bairro de Meah Shearim. Assim como dá para ir a Tel Aviv e falar dos encantos deste que é o segundo maior hub de tecnologia do mundo, atrás apenas do Vale do Silício, e de sua cada vez mais proeminente indústria farmacêutica, além de ser uma capital gay.
Um desavisado, que nunca viajou para o mundo árabe ou islâmico, pode achar que os muçulmanos são todos ultra-conservadores, como os wahabitas. Mas, se por acaso, no vôo para Riad, o avião precisou fazer uma parada técnica em Beirute, ele pode achar que o islã permite álcool e sexo antes do casamento.
No momento, os mórmons são os que sofrem preconceito. Em vez de criticarem Mitt Romney por suas idéias, das quais se pode discordar ou concordar, optam por atacar a sua religião repetindo clichês absurdos. O republicano também é alvo por ser rico, como se isso fosse um crime – não há uma acusação de corrupção contra ele, que fez dinheiro sozinho.
Vamos deixar de lado estes preconceitos. Até o comediante Jon Stewart, a quem sempre admirei, passou do ponto ao colocar um símbolo do catolicismo em uma vagina para criticar os que são contra o direito ao aborto. Dava para fazer a mesma crítica, de maneira ainda mais engraçada, sem ofender ninguém. E, mais importante, respeitando quem pensa de forma diferente.
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Veja como funciona o novo sistema de comentários dos blogs do Estadão.com.br
Na noite de ontem, Yan Gomes, nascido em São Paulo, foi o primeiro brasileiro a jogar na Major League Baseball, ou o campeonato americano de basebol. De cara, este jovem de 24 anos enfrentou o Yankees, maior time dos Estados Unidos e do mundo.
Finalmente o preconceito bobo dos brasileiros com o basebol é deixado de lado. E os americanos faz tempo que começaram a admirar o nosso futebol. Com a TV a cabo e o videogame, uma nova geração cresce nos dois países interessada nos dois esportes.
São cada vez mais comuns os brasileiros que, como eu, tem um time no futebol e outro no basebol. Sou Palmeiras e Yankees. Nos EUA, há muitos que se dividem entre equipes como o Red Sox e o Manchester United, A febre Neymar pode até criar alguns santistas em Ohio. Não duvidem disso.
E, se vocês ainda têm preconceito com o basebol, pensem em uma disputa de pênaltis. Sabemos que alguns goleiros são melhores, como o Marcos. Jogadores como o Branco batiam forte na bola. Outros a colocavam, como o Marcelinho. No basebol é similar. Os arremessadores e os rebatedores têm as suas características e isso gera toda a emoção. Existem ainda as posições defesa. De verdade, assistam na TV. Mas antes vejam as regras. Certamente, comprarão uma camisa do Yankees quando vierem a Nova York.
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