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Guga Chacra – Estadão.com.br

no twitter @gugachacra

Os judeus chegaram antes. Estavam no Recife no começo da história moderna brasileira, depois do descobrimento dos portugueses. Os árabes, sírios e libaneses, em sua maioria, vieram a partir do século 19, nos anos que se seguiram à visita de Dom Pedro II a Beirute, Damasco e outras cidades do Oriente Médio. Os dois grupos continuaram imigrando para São Paulo ao longo do século 20, com a chegada de judeus sobreviventes do Holocausto, outros antes disso também do Leste Europeu e a comunidade Sefaradi de cidades como Aleppo, Cairo e Alexandria, com sobrenomes como Safra, Duek e Lagnado.  Entre os árabes, o processo também se intensificou mais uma vez ao longo da guerra civil libanesa (1975-90), com a vinda de muçulmanos e cristãos que fugiam da violência.

Ao desembarcarem no Brasil, tanto judeus como libaneses rapidamente se envolveram no comércio e na indústria. Era a geração dos mascates. Os árabes da 25 de Março e os judeus do Bom Retiro. Por portarem inicialmente o passaporte turco-otomano, libaneses e sírios eram equivocadamente chamados de “turcos” e aos poucos esta denominação virou apelido. Entre eles, era mais comum o uso de “brimos”, com o “B” no lugar do “P”, inexistente na língua árabe.

A alta sociedade paulistana era formada pelos chamados “quatrocentões”, que seriam os equivalentes dos WASPs nos Estados Unidos. Eram emergentes, da época do café do século 19, mas agiam como se tivessem 400 anos de história e tradição nesta cidade, sendo, na visão de alguns deles, os nobres britânicos ou franceses. Esta sociedade exerceu preconceito sobre os recém chegados árabes e judeus. Uma ironia, levando em conta que muitos judeus sefaradis de Aleppo e cristãos do Líbano eram poliglotas e com uma ampla cultura geral.

A divisão de São Paulo se refletia nos clubes. Os italianos freqüentavam o Palestra Itália, hoje Palmeiras. Os alemães, o Germânia, que mudou o nome para Pinheiros. Os ingleses tinham o SPAC. Os quatrocentões eram do Paulistano. Os sírios e libaneses fundaram dois grandes clubes – o Monte Líbano e o Sírio. Os judeus ergueram a Hebraica e o Macabi.

Como é comum entre imigrantes, a primeira geração faz dinheiro. A segunda, vira doutor. Com os anos, um número enorme de advogados e médicos judeus e sírio-libaneses começaram a dominar as cadeiras da USP e da Paulista. Falo porque sou neto de um comerciante nascido em Rachaya, no vale do Beqaa, e filho de um professor-titular da Escola Paulista de Medicina, hoje UNIFESP. Estas duas comunidades construíram  dois dos melhores hospitais de São Paulo, o Einstein e o Sírio-Libanês.

Judeus e árabes também entraram na política, elegendo deputados, senadores, prefeitos e governadores em todo o Brasil. Hoje, estão totalmente integrados ao país. Tanto que o próprio clube Paulistano, da aristocracia da cidade, teve presidentes judeu e libanês, mostrando que as barreiras foram superadas, apesar de ainda existir preconceito. Certamente, bem menor do que nos anos da minha avó, impedida de estudar em um colégio de freiras em São Paulo, apesar de cristã melquita (grego-católica), com o argumento de que “batismo de bispo turco não valia”.

Com esta integração, e diante dos conflitos no Oriente Médio, o Instituto Futuro de Cultura Islâmica, a Hebraica, o Monte Líbano, o Sírio, o Pinheiros, o Centro de Cultura Judaica, o Instituto Bibliaspa de Cultura Árabe, a Congregação Israelita Paulista, a Federação Israelita de São Paulo, o Hospita Sírio-Libanês, o Hospital Albert Einstein e a FAAP participarão da Corrida da Amizade, organizado pelos Caminhos de Abraão, uma entidade que busca a paz no Oriente Médio. O percurso será de 7k, entre o Monte Líbano e a Hebraica.

As inscrições podem ser feitas aqui

Obs. Mais tarde, comentarei sobre os indiciamentos de acusados no assassinato de Rafik Hariri

Obs2. Sigo de férias, mas em NY mesmo

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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no twitter @gugachacra

“Diferentemente de outras flotilhas, esta incluirá uma embarcação com a bandeira dos Estados Unidos, levando apenas passageiros americanos. Embora condenemos esta provocação irresponsável e reconheçamos o direito de Israel manter o bloqueio naval contra Gaza, controlada pelo Hamas, estamos preocupados com uma confrontação entre as forças israelenses e cidadãos americanos que poderiam afetar deteriorar as relações EUA-Israel, que é exatamente o que os organizadores da flotilha querem. Assim, pedimos ao governo israelense que ignore esta provocação e permita aos navios que sigam em direção a Gaza, desde que sejam inspecionados por pessoas com credibilidade para verificar se não há armas a bordo.”

A recomendação acima é da AIPAC, o poderoso lobby pró-Israel dos Estados Unidos. A organização raramente discorda de Israel. Desta vez, eles acham equivocada a postura do premiê Benjamin Netanyahu, de impedir a ida dos barcos. Concordo com a AIPAC. Deixe a flotilha passar que a provocação perde efeito. Talvez inclusive fortaleça a imagem internacional de Israel. Os israelenses não podem cair nesta armadilha de relações públicas montada por supostos defensores dos palestinos (vocês sabem que eu divido os envolvidos no conflito em três grupos – os anti-Israel, anti-Palestina e pró-Israel&Palestina. No caso, a Flotilha é anti-Israel).

Nos últimos anos, o governo israelense começou a perder a guerra de propaganda para os palestinos. Cerca de dez anos atrás, isso era impossível. A mudança ocorreu tanto por um avanço do lado árabe, como por uma piora na forma de os israelenses fazerem “hasbara”, ou relações públicas. Já escrevi sobre isso antes, quando listei os erros e acertos dos árabes (não apenas os palestinos) e os erros de Israel. Acrescentarei alguns e retirarei outros, que ficaram ultrapassados.

Primeiro, vamos aos erros de Israel. 1) Israel não desenvolveu uma mídia internacional capaz de confrontar a árabe. O diário “Haaretz”, o mais lido por estrangeiros que querem informações sobre Israel, é considerado de esquerda no espectro político israelense, sendo muitas vezes visto como “anti-Israel” por conservadores locais. 3) Israel não consegue mais exercer a influência que possuía anos atrás nos meios acadêmicos americanos e europeus, com redução no número de professores pró-Israel. 4) Por mais que tenha tentado, Israel fracassou em mostrar ao mundo o que acontecia em Sderot e outras cidades do sul do país, atingidas por foguetes do Hamas. 5) Israel passou a ser associado ao governo de George W. Bush, um dos mais odiados em todo o mundo (incluindo Europa, Ásia e América Latina) em toda a história. 6) Ficou inteiramente dependente dos americanos no campo diplomático, ignorando os outros países. Deixou de ter uma estratégia. 7) Os israelenses se focam muito na atração de judeus para conhecer o país, mas são fracos ao convencer pessoas de outras religiões a viver e estudar em Israel 8 – Usam pessoas com reputação ruim na imprensa para os defender, como a Fox News nos EUA e apresentadores como Glenn Beck

Agora, vamos aos acertos dos árabes. 1) Desenvolveram órgãos de imprensa como a rede de TV Al Jazeera, que supera em muitos casos a cobertura de canais europeus e americanos. Seus jornalistas são das mais variadas origens. Mostra lados do conflito que jamais uma rede de TV ocidental exibiu. Seus repórteres têm PhDs nas melhores universidades americanas e, pasmem, com o perfil “Wasp”  (brancos, protestantes, americanos, saxões). Além de outros craques que fizeram sucesso na CNN, como o iemenita Riz Khan. 2) Os árabes colocam porta-vozes com inglês impecável para dar entrevistas. 3) Os árabes e muçulmanos nos EUA têm assumido elevados postos na academia e no jornalismo 4) Os árabes se desenvolveram na diplomacia. Sabem agir. Vejam a iniciativa para o reconhecimento do Estado palestino no Brasil e outros países da América do Sul 5) Jovens americanos e europeus viajam para os países árabes para estudar a língua. Isso já acontece há uns 15, 20 anos e se intensificou. Eles retornam a seus países com uma imagem diferente dos árabes. Descobrem que não são fanáticos. Na verdade, são bem parecidos com eles. Descobrem que em Beirute, na Universidade Americana, o clima é mais livre do que em muitos campi dos EUA. Alguns poucos que estiveram no Líbano e em Israel, sabem que Beirute é uma cidade mais cosmopolita e liberal do que Jerusalém e talvez tanto quanto Tel Aviv. Sem falar que há Gerogetown, NYU, Cornell, Columbia e outras universidades com filiais no golfo e na Jordânia. 6) Os árabes sabem usar melhor as novas tecnologias como o Youtube, o Facebook, o Twitter 7) Para completar, com a Primavera Árabe, a imagem do povo da região melhorou. Os americanos vêem sírios e líbios arriscando a vida pela democracia. Centenas de milhares nas ruas do Cairo, liderados por um executivo do Google. Os árabes aos poucos deixam de ser vistos como terroristas

No episódio da Flotilha, Israel pode, se seguir o conselho da AIPAC, que é a sua maior protetora no mundo, a reduzir esta deterioração na image. Basta deixar que os barcos passem. Depois de duas semanas, ninguém mais se lembrará. Já se houver confrontação, todos sabem o que vai acontecer

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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A comunidade internacional está assombrada com os 10 mil refugiados sírios na Turquia. A secretária de Estado, Hillary Clinton, elogiou o governo turco por receber as pessoas que fogem da repressão de Bashar al Assad. Mas quase ninguém fala que o Paquistão, o Irã e a Síria são os países que mais recebem refugiados do mundo. E a maior parte destes refugiados são do Afeganistão e do Iraque. 

Atualmente, há 1,9 milhão de refugiados no Paquistão. A maioria deles é do Afeganistão. A Síria recebe 1 milhão de iraquianos, concedendo a eles educação e saúde. O Irã tem em seu território 1,1 milhão de refugiados iraquianos e afegãos. Cerca de 3 milhões de afegãos e 1,7 milhão de iraquianos foram obrigados a deixar suas casas. Os Estados Unidos, que realizam as ações militares nestes países, dão abrigo a uma fração deles e não ofereceram ajuda para Damasco, Teerã e Islamabad. Hillary tampouco diz que estes governos estejam fazendo um bom trabalho.

Temos que criticar o Irã por desrespeitar os direitos das mulheres e de minorias religiosas, por não colaborar com as inspeções da Agência Intenacional de Energia Atômica e por fornecer armas para os braços militares da do Hamas e do Hezbollah. Temos que condenar duramente o regime sírio por ter matado 1.400 pessoas apenas neste ano na repressão contra a oposição. E temos que repudiar a aliança do serviço de inteligência do Paquistão com a Al Qaeda.

Mas não podemos esquecer que estas nações sofrem consequências das ações americanas no Iraque e Afeganistão. Assim como também sofrem ainda mais os afegãos e os iraquianos.

Obs3. Sigo de férias do jornal na Califórnia

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios 

  

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O River Plate caiu para a Segunda Divisão da Argentina. Foi o nakba do equivalente do São Paulo do futebol argentino. A maior tragédia em 110 anos de história. Sei bem a sensação porque vi meu Palmeiras ser defenestrado de forma humilhante da Séria A do Brasileiro em 2002. Dá vergonha, a mesma de quando vi meu time perder para Inter de Limeira na final de 1986, naquela jogada desastrada do Dênis que o Tato fez o segundo gol. Também tem o inesquecível 3 a 0 para o Bragantino em 1989, no feriado de “porcos tristes”, como diziam. Cresci escutando o “Cala  Boca Palemeirense, você nunca viu o seu time ser campeão”. Nasci em 1976, quando começou a fila suspensa apenas nos anos da Parmalat.

Nestas horas de sofrimento, os adversários celebram o seu luto. Hoje, os torcedores do Boca, do Racing e do Independiente estão comemorando. Morei em Buenos Aires. Eles amam muito mais o futebol do que nós brasileiros Mas o que estes torcedores rivais não percebem é que a queda do River prejudica a todos. O nakba da equipe de Nuñez tirará a chance de assistirmos a um Boca-River no próximo campeonato. Menos dinheiro, menos emoção. No Apertura, os torcedores do Boca não terão a chance de ganhar do River. Vimos como foi nas quedas do Palmeiras e do Corinthians.

E tomo aqui a liberdade de fazer uma anologia com o Oriente Médio, onde o Boca-River seria Israel-Palestina. Muitos palestinos celebram quando Israel se dá mal em alguma iniciativa diplomática ou militar. Muitos israelenses celebram quando os palestinos se dão mal internacionalmente. O que não percebem é que, como no Boca-River, os dois acabam derrotados com o fracasso do outro. Eles seriam vencedores se os dois estivessem na Primeira Divisão, vivendo em paz.

Nesta semana, teremos o segundo turno da Flotilha. Supostos defensores dos palestinos querem que Israel mate ativistas para poder dizer que os israelenses são maus. Supostos defensores de Israel querem que os ativistas tenham armas para poder dizer que os palestinos são maus. São como torcedores do Boca torcendo para o River cair, e não para a equipe da Bombonera ser campeã. Torce pelo desastre do outro, e não pela vitória de si próprio. São anti-Israel e anti-Palestina, não pró-Israel ou pró-Palestina.

No Clausura do Mediterrâneo Oriental, o Líbano, a Síria, Israel, Palestinos e Egito estão na Segundona. Apenas quando houver paz, todos subirão para a Séria A, como a Europa depois da Segunda Guerra. Israel será ganhador quando a Palestina for ganhadora, e vice-versa. 

Voltando ao futebol, deixo aqui uma pergunta, que fiz no blog do Ariel Palacios – Por que o River Plate não se chama River Silver, se esta seria a tradução mais correta para Rio da Prata? A melhor resposta leva uma camisa do Yankees, que nunca me decepciona. Neste fim de semana, teremos subway series contra o Mets

Obs. Como odeio São Paulo e Corinthians, deixo aberto o espaço para os alvinegros comentarem os 5 a 0 de ontem contra o tricolor

Obs2. Meu pai discordou da minha comparação entre o Oriente Médio e o River

Obs3. Sigo de férias do jornal na Califórnia

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios 

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San Diego e Tijuana ajudam a entender a Israel e Palestina. A Califórnia era parte do México. Mas os americanos a conquistaram. Aos poucos, a área foi se “americanizando”. Sem, claro, perder as raízes. Inclusive nos nomes das principais cidades desta região, como Los Angeles, San Francisco e Sacramento. A culinária mexicana influencia não apenas este Estado como o restante dos Estados Unidos. Tacos e burritos são pratos comuns mesmo em territórios americanos que nunca foram colônias espanholas.

Há também uma fronteira internacional reconhecida. Claro, muitos mexicanos possuem o sonho de um dia reaver a Califórnia. Mas as instituições mexicanas aceitam as divisas. Sabemos da imigração ilegal, mas  por questões econômicas. Não há o ideal de reconquista. Milhões de mexicanos e descendentes adquiriram cidadania americana. Outros milhares nunca saíram do que hoje são os EUA. Eles têm orgulho tanto do país que os abrigou como das suas origens. São mexicanos e também americanos.

Tel Aviv, como em San Diego, tem uma parte antiga. O nome é Jaffa. Era o maior porto palestino. A cidade americana também seu Old Town, que era mexicano. Os israelenses incorporaram a culinária palestina, como o hummus. Algumas cidades de Israel possuem nomes árabes. Centenas de milhares de palestinos são cidadãos israelenses. Eles seriam como os mexicanos em status legal na Califórnia.

Mas existem diferenças e a solução para o conflito ocorrerá apenas quando os dois lados estabelecerem as suas fronteiras, como os EUA e o México. Notem que os ilegais mexicanos nos EUA são legais no México. O palestino da Cisjordânia e de Gaza não tem cidadania. Estas pesssoas precisam ser alguma coisa. Palestina precisa ser país.

Quando ocorrer um acordo de paz, que fique claro, não será a perfeição. Por isso disso que San Diego e Tijuana explicam Israel e a Palestina. Será um país de primeiro mundo ao lado de outro em desenvolvimento. Certamente palestinos buscarão empregos em Israel. E os israelenses precisaram deles. A fronteira será super reforçada. Haverá problemas de segurança. Mas Israel terá suas fronteiras reconhecidas pelo mundo. E os palestinos terão sua nação.

 Obs. Sigo de férias do jornal na Califórnia

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O comediante Jon Stewart, que apresenta o Daily Show no Commedy Central (e na CNN International), e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, foram premiados pelo Conselho de Relações Islâmico-Americanas (CAIR) e pela Universidade Berkeley pelos seus esforços na luta contra islamofobia (preconceito ou aversão aos muçulmanos). Tanto o político como o humorista são judeus. O CAIR é a maior entidade islâmica dos EUA. Entre os maiores islamofóbicos, o CAIR e Berkeley incluíram o muçulmano Osama bin Laden e a rede terrorista Al Qaeda, entre outras figuras, como o pré-candidato republicano Newt Gingrich.

Esta eleição deve servir de símbolo contra o argumento daqueles que acham que judeus e muçulmanos se odeiam ou que Bin Laden é um herói da religião islamica. Há judeus islamofóbicos? Sim. Há muçulmanos anti-semitas? Sim. Assim como em todas as outras religiões ou mesmo entre os ateus. Conforme mostra o estudo, as ações do terrorista saudita provocaram mais islamofobia do que muitas declarações de islamofóbicos. Ninguém prejudicou tanto os muçulmanos na última década como Bin Laden.

Alguns dirão que entidades judaicas não premiam muçulmanos por seus discursos contra o anti-semitismo. Não é verdade. Fareed Zakaria, comentarista da CNN e da revista Time, foi premiado pela Anti-Defamation League. Posteriormente, ele devolveu o prêmio por discordar da posição da entidade em relação ao centro esportivo e social multi-religioso coordenado por muçulmanos próximo ao Groun Zero. Sua postura era a mesma de Bloomberg, que não via problema algum na obra. O prefeito de Nova York sempre busca ao máximo entender a religião islâmica e tem como braço direito a muçulmana Fatima Shama, uma brasileira-palestina.

E no Brasil, como sabemos, cresce também a islamofobia. Muitos islamofóbicos nunca viram um muçulmano ao vivo. Odeiam tudo o que for diferente deles. São racistas. Alguns deles são também anti-semitas.

Obs. Sigo de férias do jornal na Califórnia

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