Os Estados Unidos formalizam hoje o fim das operações de combate no Iraque. Sete anos e meio depois da guerra, os americanos deixam nas mãos dos iraquianos a segurança do país, mantendo 50 mil militares para apoio logístico e treinamento – no auge, os americanos chegaram a ter 165 mil.
Inicialmente, o presidente George W. Bush atacou o Iraque com o suposto argumento de que o regime de Saddam Hussein estivesse desenvolvendo armas de destruição em massa. Não encontrou nada. A ligação com a Al Qaeda tampouco existia, pois Saddam era secular e inimigo de Bin Laden. No fim, o argumento que prevaleceu foi o de que serviria de laboratório para a democracia no Oriente Médio, mas a onda democrática não se propagou pelo mundo árabe.
Eleições legítimas foram realizadas no Iraque. A última delas em março. Até agora, cinco meses depois, os iraquianos não conseguiram formar um novo governo. Verdade, mesmo a Austrália enfrenta dificuldades para montar uma coalizão em sistema parlamentarista.
A discussão agora é se os EUA conseguirão manter a influência sobre o governo iraquiano depois da retirada das forças de combate. Segundo disse ao Estado recentemente o professor da Universidade Columbia Rashid Khalidi, “duvido que os EUA terão muita influência no Iraque no longo prazo. Na verdade, o Irã já é mais influente do que os americanos na política iraquiana”.
Marina Ottaway, do Carnegie Endowment for International Peace, concorda. “Os Estados Unidos podem dar conselho e fazer sugestões, mas não estão em uma posição para forçar Bagdá a seguir os passos desejados por Washington”, afirmou em análise.
Notem que, apesar dos mais de 4 mil americanos que morreram lutando no Iraque, quem dará as cartas em Bagdá será o regime de Teerã, justamente o maior inimigo dos EUA no mundo hoje. A guerra serviu, portanto, para ajudar a remover do poder o principal inimigo do Irã no Oriente Médio. Saddam travou uma sangrenta guerra com os iranianos em que mais de um milhão de pessoas morreram – mais do que todos os conflitos envolvendo Israel e os árabes.
Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes
O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
Mahmoud Ahmadinejad já tem seu equivalente no lado israelense. Ovadia Youssef, que já foi o rabino-chefe dos judeus sefaradis e é um dos principais líderes ortodoxos de Israel, deu uma de presidente do Irã às avessas e pediu a morte do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e de todos os palestinos em clara defesa do genocídio.
Certamente a declaração causará problemas para o premiê Benjamin Netanyahu às vésperas das negociações com os palestinos em Washington. Youssef é líder espiritual do Shas, que integra a coalizão governista. O primeiro-ministro não poderá ficar quieto sem denunciar as afirmações racistas de seu aliado ortodoxo. Caso contrário, será visto como conivente e, acima de tudo, hipócrita porque ele sempre critica lideranças palestinas moderadas por não condenarem a incitação à violência. Ao mesmo tempo, uma briga séria com Youssef pode levar ao fim de sua coalizão.
Mais importante, as declarações do líder extremista judaico deixam ainda mais claro que existem “duas” Israel. Uma liberal e cosmopolita na costa, nos charmosos boulevards de Tel Aviv com sua arquitetura Bauhaus, dos kitesurfs, dos restaurantes e da tolerância com os vizinhos árabes em lugares como Haifa e Jaffa. A Israel que mostra ao mundo como avançar na economia e na tecnologia, do judaísmo sonhado pelo movimento sionista em seu início.
O problema é que existe uma outra, religiosa e radical, ultrapassada, defensora dos assentamentos e racista, com seu coração em Jerusalém. Esta é a Israel de Youssef e do Shas. Netanyahu, para ter sucesso nas negociações de paz, deveria deixar de lado sua rivalidade com Tzipi Livni e o Kadima e se aliar com a oposição, se afastando do radicalismo do Shas e do Israel Beitenu, que apenas deterioram a imagem de Israel e dos judeus no exterior. Basicamente, Netanyahu precisar ser mais “Tel Aviv” e menos “Jerusalém”.
Israel não pode mais perder jovens empreendedores. Muitos deles partem para os Estados Unidos, enquanto judeus radicais americanos vão viver em Israel. Aqui no Upper West Side, no West Village, é comum ver jovens israelenses que desistiram de seu país e fizeram a Aliyah inversa. Certamente, declarações racistas e genocidas como a do líder do Shas contribuem na hora de eles decidirem se mudar aqui para Nova York.
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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
Os leitores estão reunidos em um bar da Vila Madalena, mas eu estou bem longe, em Nova York. Uma pena. O encontro reúne pessoas de 18 a mais de 80 anos, de ateus a judeus, de cristãos a muçulmanos, de palmeirenses a santistas, de corintianos a são-paulinos.
E, aqui dos EUA, decidi hoje questionar um tema que é tabu no debate político brasileiro. Por que a universidade pública é gratuita? Entenda, não questiono a existência de universidades públicas, mesmo porque meus pais são professores da Escola Paulista de Medicina (atual Universidade Federal de São Paulo). Apenas quero entender por que “público” precisa ser sinônimo de “gratuito”.
Uma resposta simples seria a de que pagamos impostos e os alunos teriam direito à educação superior. Justo, mas não é melhor focar na educação básica ou em pesquisas? A universidade não poderia ter ainda mais recursos com os alunos pagando mensalidade?
Nos Estados Unidos, as universidades públicas não são gratuitas. Os alunos precisam pagar uma anuidade. Se o estudante for do próprio Estado da instituição, pagará cerca de 10% do custo que pagaria se fosse a uma universidade privada. Caso seja estrangeiro, continuará pagando menos, mas a uma proporção bem menor. Um sistema parecido poderia ser usado no Brasil.
Alunos sem condições de pagar podem receber bolsa. Certamente, o percentual na USP seria elevado. Agora, todos nós sabemos que na Poli, São Francisco, FEA e Pinheiros há estudantes que pagaram fortunas durante a vida em educação particular e cursinhos. Passarão alguns anos às custas do governo e depois irão ganhar dinheiro na iniciativa privada. Como no Brasil não tempos tradição de doação, eles tampouco construirão uma biblioteca ou dormitórios para a USP, como é comum nos EUA.
Para completar, os estudantes valorizam menos algo que é gratuito. Em vez de se formarem em quatro anos em um curso de filosofia, chegam a passar seis, sete anos às custas do governo. Se pagassem, tentariam concluir a faculdade o mais rapidamente possível para evitar gastos adicionais. Sem falar naqueles como eu, que acabam abandonando os cursos – eu larguei as faculdades de economia e de ciências sociais da USP. Será que faria o mesmo se tivesse pago dois anos de mensalidade? Certamente não.
Encontro dos Leitores
Bar Tribunal
Rua Jericó 15, Vila Madalena (atrás do Forum de Pinheiros)
Fone: 3031-7311
Hoje, Sábado, dia 28 de agosto
A partir das 16 hrs
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O México – ou pelo menos o norte de seu território – aos poucos se transforma em um dos países mais perigosos do mundo. No ano passado, mais pessoas morreram em Ciudad Juarez do que em Bagdá ou Cabul. O Exército praticamente não consegue penetrar na região norte, em locais como San Fernando, onde encontraram mais de 70 corpos nesta semana. O cenário não é muito distinto do existente na fronteira do Paquistão com o Afeganistão. Talvez até mesmo pior.
Parece ironia, mas os Estados Unidos, que precisam lidar com “failed states” (Estados falidos) no Oriente Médio (Iraque e Yemen), Ásia Central (Afeganistão) e África (Somália), possuem um agora bem à sua fronteira. A prioridade da política externa americana deveria ser o México.
A saída para a questão mexicana pode estar em algo similar ao Plano Colômbia, mas ainda mais ambicioso. Em parte, o presidente Calderón está se esforçando, apesar do pouco sucesso. Além disso, passou da hora de debater mais seriamente a legalização das drogas, como já tem defendido o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Infelizmente, o mercado para cocaína sempre existirá e esta luta contra as drogas é bem mais antiga do que a contra o terrorismo.
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Vim para Albany, capital do Estado de Nova York. Sei que muitos fanáticos por Almanaque Abril como eu sempre souberam que a cidade de Nova York não era capital do próprio Estado. Assim como Miami e Orlando não são capitais da Flórida. Tampouco Dallas e Houston do Texas. Pior, a da Califórnia não é San Francisco, nem Los Angeles, nem San Diego. Cidades menores como Tallahassee (Flórida), Austin (Texas) e Sacramento (Califórnia) ocupam, assim como Albany, o posto de capitais.
Alguns países, incluindo o Brasil e os EUA, possuem capitais que não são as principais cidades. Canadá e Austrália são outros dois.
Por este motivo, não sei por que dão tanta importância para a polêmica de Jerusalém ser a capital de Israel ou do futuro Estado palestino. Na prática, Jerusalém já é a capital israelense. O Knesset e todos os prédios governamentais estão construídos há décadas e em funcionamento. Verdade, os outros países não reconhecem e ainda mantêm as suas embaixadas em Tel Aviv. Mas o próprio Lula se reuniu com Netanyahu em Jerusalém e isso de uma certa forma já pode ser considerado reconhecimento.
A capital de facto dos palestinos, devido à ocupação e outros fatores, é Ramallah. Nesta emergente cidade da Cisjordânia, está localizada a administração da Autoridade Palestina e todas as missões estrangeiras.
Nas negociações entre israelenses e palestinos, um lado terá que ceder na questão dos assentamentos (Israel) e o outro na dos refugiados (Autoridade Palestina). Sobra, como grande tema, o status final de Jerusalém.
Já escrevi aqui e repito. Não dá geograficamente mais para dividir Jerusalém. Há uma série de bairros judaicos no lado palestino, incluindo a Universidade Hebraica em Mount Scopus. Visitei uma capital dividida no Chipre e não há nada mais deprimente do que ver um muro atravessando uma cidade.
A saída estaria em manter Jerusalém unificada e, apenas para agradar, como capital dos dois países. No caso, seria na prática de Israel e apenas simbólica dos palestinos, com a sede da Presidência na tradicional Casa Oriental – a administração permaneceria em Ramallah.
Os moradores, independentemente da religião, poderiam optar pela cidadania que preferissem – palestina ou israelense. Com o direito de trabalhar em qualquer lugar da cidade.
Obs. Ainda estou nesta reportagem especial e apenas terei condições de responder aos comentários mais tarde. Mas os publicarei ao longo do dia
Encontro dos Leitores (Todos convidados, mas eu não estarei presente porque moro fora do Brasil)
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Alguns leitores do blog se reúnem há mais de um ano mensalmente em São Paulo. Eles discutem não apenas política internacional, mas também qualquer outro assunto que seja polêmico. Apesar das diferenças de opinião, surgiram amizades fortes, como a do leitor Ali, um muçulmano da Mooca, com o Gabriel, que segue um movimento judaico liberal.
Judeus, Muçulmanos, Católicos, Cristãos Ortodoxos e Ateus participam. São mais de 30 membros que não formam uma panelinha. Alguns são de esquerda, outros de direita. Tem eleitores do Serra, do Dilma, da Marina e do Plínio. Palmeirenses, Corintianos, Sãopaulinos e Santistas. O mais novo tem 16 anos. O mais velho, mais de 80.
Como moro em Nova York, não poderei ir desta vez. Por este motivo, o comando estará nas mãos do leitor Fabio Nog. Eu o conheci através do blog. Vocês certamente já leram os comentários dele. O encontro será no
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Ao chegar, pergunte pela mesa do blog. Os leitores que já participaram dos outros encontros podem relatar como foi a experiência e dar mais dicas abaixo. Lembro que muitos participantes não costumam comentar. Outros são comentaristas ativos
obs. Hoje estarei em uma cobertura especial. Publicarei os comentários durante o dia, mas apenas os responderei à noite
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