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Guga Chacra – Estadão.com.br

Nesta semana, escrevi no post sobre ditaduras no Oriente Médio e também de um documentário que defende regimes que desrespeitam a democracia em Cuba e na Venezuela. Acho impressionante que, em pleno século 21, nós jornalistas tenhamos que discutir a sucessão de figuras como Hosni Mubarak, no poder há quase três décadas no Egito. E, mais grave, deve sair apenas porque morrerá e o seu filho, Gamal, é um dos favoritos para assumir a presidência do maior país árabe do mundo.

A CBF possui o seu Mubarak, o seu Fidel. Verdade, seu presidente não é sanguinário, como ditadores do passado na América Latina. Ricardo Teixeira não pode ser comparado a Trujillo, a Somoza, a Videla. Longe disso. Apenas espanta que ele permaneça no comando da CBF por tantos anos. Já são mais de duas décadas.

Seu poder não é pequeno. Nos próximos quatro anos, todo o país estará voltado para a organização da Copa do Mundo. Serão bilhões gastos no evento. Definirão quais estádios poderão participar e quais não. O Morumbi pode ficar fora. Existe o risco de tirarem São Paulo – e eu nunca entendi porque a final precisa ser no Rio e não na capital paulista.

A cidade carioca é mais bonita e carismática. Mas Capetown, quase tão bonita quanto o Rio (talvez mais), também é na África do Sul e, ainda assim, realizaram a final na cidade mais importante e capital econômica – Johanesburgo. Por que no Brasil precisa ser diferente? Sou defensor da final em São Paulo, mas acredito que a maioria dos brasileiros prefere no Maracanã. Pois então que seja no Maracanã.

O técnico da seleção também deveria ser escolhido de uma forma mais aberta. Claro que não pelo voto popular, já que seria caro e inviável. Até o hoje, o presidente da CBF, como um líder supremo do Irã, uma espécie de aiatolá Khamanei, decide quem pode e quem não pode há seis Copas. Será o responsável de novo pela sétima vez.

Como nada mudará, se eu fosse o aiatolá da CBF, sabendo que Scolari não sairá do meu Palmeiras, indicaria para técnico da seleção Pelé. Mas como um rei, tendo como primeiro-ministro Dorival, Leonardo ou algum treinador da nova geração. Para o mundo, nosso técnico seria Pelé.

O Maradona de uma certa forma resgatou a alma argentina, como o Klissman havia feito com a Alemanha em 2006, colhendo os resultados quatro anos mais tarde. No caso brasileiro, como agora não temos grandes nomes para dirigir a seleção, a saída estaria em Pelé. Com a geração de jovens formada por Thiago Silva, Breno, Miranda, Marcelo, Lucas, Anderson, Ramires, Ganso, Neymar e Pato, Pelé poderia servir de exemplo, de mostrar como é o verdadeiro futebol brasileiro. Certamente ele saberá escalar e conhece futebol pelo menos tanto quanto Dunga ou Maradona.

O problema é que o maior jogador de todos os tempos não seria amigo do regime. Por outro lado, ajudaria na questão de patrocinadores. Não sei, mas poderia haver um acordo e Pelé ser o técnico. Esta é a minha opinião.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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Alguns dias atrás, fiz uma entrevista com Rashid Khalidi, historiador americano de origem palestina e  titular da cadeira Edward Said de Estudos Árabes da Universidade Columbia, em Nova York, onde foi meu professor. Nascido e criado nos Estados Unidos, ele passou a ser considerado o maior intelectual árabe no Ocidente, sucedendo justamente Said, que morreu em 2003. Aproveitei a oportunidade para questioná-lo sobre as dificuldades dos países do Oriente Médio conseguirem se democratizar. Ao longo dos dias, colocarei outras questões que fiz para ele

A América Latina, nos anos 1970, tinha ditaduras em quase todos os seus países. Hoje, é apenas Cuba. No mundo árabe, todos os países menos o Líbano, Iraque e Palestina poossuem ditadores ou reis absolutistas. Por que estes países não conseguem se democratizar, como outras regiões do mundo?

Khalidi – Você se esqueceu do Kuwait, onde há uma monarquia, mas cujos poderes para formar o governo e determinar o Orçamento é limitado pelo Parlamento. Não chega a ser uma monarquia constitucional ou uma real democracia. Mas certamente não é uma monarquia absolutista como Qatar, Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita ou Bahrein.

De qualquer, você tem um ponto. Não apenas a América Latina, como também o Leste Europeu, o Sudeste da Ásia, o Leste da Ásia e grande parte da África  e do sul da Ásia, que eram governados por ditaduras algumas décadas atrás, possuem hoje diferentes graus de democracia. Apenas o Oriente Médio e em particular o mundo árabe é a exceção em relação a esta tendência.

Muitos culpam o islamismo pelo déficit democrático, porém isso é um erro. Na verdade, a maior parte da população muçulmana esta fora do mundo árabe, vivendo sob governos com algum grau de democracia, como a Turquia, Nigéria, Indonésia, Malásia, Bangladesh e índia, que possui mais seguidores do islamismo do que qualquer país árabe. Eu tenho duas explicações. Primeiro, o impacto destrutivo da renda do petróleo e do gás, que fortalecem o absolutismo. Em segundo lugar, os contínuos conflitos fortalecem os serviços de segurança, o Exército e o poder Executivo em detrimento da sociedade civil. Mas eu sou a primeiro a admitir que mesmo estas explicações são parciais.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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Desculpem o atraso para postar

Nem todos os países são como o Brasil. Na Copa do Mundo, brasileiros se unem para torcer pela seleção, independentemente de gostarem do Lula ou não. E, ao vermos outros países, imaginamos que fenômenos similares ocorram. Mas algumas coisas acabam sendo ignoradas, como no título da Espanha na África do Sul.

Os espanhóis não estavam 100% unidos nesta conquista. No dia anterior à maior vitória do futebol espanhol, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Barcelona para pedir a independência da Catalunha. Xavi e Puyol, herói da semifinal contra a Alemanha, fizeram questão de carregar o tempo todo com ele a bandeira catalã.

Dois catalães e um basco me repetiram ontem em Nova York o que já cansei de ouvir – catalães torcem pelo Barcelona; os bascos se dividem entre Real Sociedad e Atlético de Bilbao. A seleção da Espanha fica em um distante segundo plano e o título chega a ser indiferente para alguns mais radicais – verdade, muitos palmeirenses não querem o Filipão na seleção, mas dificilmente um torcedor do Palmeiras deixaria de torcer para o Brasil.

Eu acho que talvez a Catalunha e o País Basco pudessem, como a Escócia e a Irlanda do Norte, ter as suas próprias seleções na Copa do Mundo. A Palestina, mesmo sem ser independente, também tem seu time. Por que os catalães, que enfrentaram o Brasil há poucos anos, também não podem? Aliás, na época do franquismo, quando os movimentos catalães eram reprimidos, os torcedores do Barça aproveitavam as partidas para gritar “Catalunha” nas partidas, especialmente contra o Real Madrid.

No Líbano, havia uma propaganda de um banco há alguns anos em que pessoas se revezavam na tela dizendo – “Anna Marouni” (Eu sou Maronita); “Anna Sunni” (Eu sou sunita); “Anna Shia” (Eu sou xiita); “Anna Dursi” (Eu sou druzo); “Anna Rom Orthodox” (Eu sou Cristão Ortodoxo). E encerrava com uma pergunta – “Quando nós seremos apenas libaneses?”. A identidade libanesa vem depois, apesar do orgulho que todas as religiões possuem da bandeira dos cedros, uma das mais bonitas do mundo.

Em maio, visitei a minha família americana do intercâmbio na Carolina do Sul. Mais uma vez, me deparei com as inúmeras bandeiras dos confederados no alto de algumas casas. Quase um século e meio depois da derrota na Guerra Civil, eles ainda tem orgulho de um sul racista e escravocrata que “o vento levou”.

No Brasil, nas eleições, apesar de diferenças óbvias entre Porto Alegre e Manaus, há uma homogeneidade de todos se considerarem brasileiros. Temos fronteira com dez países, mas não há uma única cidade dentro do nosso território que não tenha o português como primeira língua. E não deixamos nenhuma vila do outro lado da fronteira falando português em países de língua espanhola.

Falando nisso, duas coisas eu não entendi em toda a Copa do Mundo.

1) Por que o Suriname e a Guianas não participam das Eliminatórias da América do Sul?

2) O polvo alemão acertou o resultado de oito jogos na Copa. As pessoas dizem que a chance de isso ocorrer é 1 em 256. Porém eles levam em conta que sempre há duas opções de resultado em cada jogo. Na verdade, como sabemos, na primeira fase, há três – vitória, empate e derrota. Curiosamente, apresentaram ao polvo alemão apenas duas. Ele não tinha o direito de acertar caso a Alemanha empatasse. Portanto, a chance de certo dele é 1 em 864.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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Os Estados Unidos podem ter cometido uma série de erros ao longo de sua história na América do Sul e do Oriente Médio. Diversas vezes, o governo americano defendeu golpistas. Isso não apenas no passado, mas também recentemente ao apoiar a derrubada de Hugo Chávez na Venezuela, em 2002.

O problema é que, ao criticar os EUA, algumas pessoas passam a elogiar figuras como o próprio Chávez e os irmãos Castros, como se eles fossem heróis. É exatamente este raciocínio que tem o diretor Oliver Stone e grande parte da esquerda dos EUA. Em seu documentário South of the Border, o cineasta faz propaganda aberta não apenas de Chávez e dos ditadores cubanos, como também de Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo, Casal Kirchner e, em menor escala, Lula.

Os vilões são, obviamente, os EUA, o FMI, as “elites” latino-americanas e a imprensa. Na visão ingênua de Stone, estes líderes da América Latina, seguindo o exemplo de Fidel e agora de Chávez, lutam contra os “yankees” parar impor a verdadeira democracia.

O cineasta apenas esquece que Cuba é uma das mais antigas ditaduras do mundo, com prisioneiros políticos, censura à imprensa e ausência quase total de liberdade. Chávez, ainda que através do voto, tenta calar seus opositores e já se perpetua no poder. Não são exemplo de nada. Jogaram a democracia no lixo e enganam apenas figuras como Stone.

No filme, o cineasta usa cenas da Fox News com imbecilidades ditas por seus apresentadores. Realmente, este canal de TV é de um radicalismo conservador assustador. Porém isso não significa que, apenas por eles criticarem Chávez, o venezuelano passa automaticamente a ser uma figura heróica. Não, Chávez não é herói. Se eu vivesse na Venezuela ou em Cuba, não poderia escrever este post.

Esta visão, aliás, também se aplica ao Oriente Médio, onde “inimigo do meu inimigo é o meu amigo”. Muito críticos de Israel passam a defender o Hamas. Os israelenses podem cometer equívocos na região, como a construção de assentamentos na Cisjordânia. Mas isso não significa que um grupo que cometeu dezenas de atentados terroristas como o Hamas deva ser defendido. Ou que um regime como o iraniano possa ser exemplo para alguma coisa.

Os EUA devem ser criticados pelo seu apoio a ditaduras na América Latina e no Oriente Médio ao longo das últimas seis décadas. Porém não há como defender governos que, apenas por serem inimigos dos americanos, desrespeitam a democracia como Cuba, Venezuela e Irã.

Para completar, países que não optaram por uma cartilha mais radical de esquerda atravessam um cenário econômico melhor do que os governados pelos chamados “bolivarianos”. Basta comparar como a Colômbia de Álvaro Uribe avançou com a Venezuela, apesar de não ser rica em petróleo como país de Chávez. Também vale quando observados o Chile e o Brasil nas administrações de Fernando Henrique e Lula, que se desenvolveram bem mais do que os venezuelanos.

Falando em Brasil, Stone, assim como Chávez, mais uma vez coloca os brasileiros dentro do contexto do processo de independência do restante da América do Sul. Nós não tivemos nada a ver com Simon Bolívar e San Martin. A história do Brasil é diferente, mas este assunto fica para outro tópico.

E, se existe o perfeito idiota latino-americano, há também perfeito idiota americano. Oliver Stone, no seu documentário, é um deles.

Trailer do filme South of the Border - Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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A Espanha conquistou a Copa e uma cegueira coletiva parece ter tomado conta de análises ao redor do mundo. No campo futebolístico mesmo, com comentaristas dizendo que venceu o futebol ofensivo, de uma seleção que marcou apenas oito gols no torneio – número igual ao de Ronaldo em 2002, que ainda jogou uma prorrogação a menos.

Mas aqui não vou falar de futebol, já que errei na previsão de um título da Argentina ou dos EUA. Vou falar das bobagens que ligam o crescimento espanhol no futebol ao desenvolvimento econômico e à democratização. É um tremendo erro dizer que a Espanha é “boa” hoje nos esportes porque acabou o franquismo e a economia melhorou – apesar de capengar nos últimos dois anos.

Primeiro, temos que ver em quais esportes a Espanha é supostamente boa. No basquete, sempre tiveram clubes fortes em Barcelona, Madrid e Bilbao. O mesmo vale para o futebol. O Real Madrid era a melhor equipe do mundo desde a época do franquismo. O Barcelona também. A novidade foi o investimento do clube catalão nas divisões de base a partir dos anos 1990, permitindo o surgimento de uma seleção razoável como esta, que perdeu da Suíça e ganhou todos os jogos por um gol de diferença – se o paraguaio Cardozo acertasse o penalty nas quartas, a “fúria” teria sido um fiasco.

O tênis espanhol sempre teve grandes jogadores no saibro. Rafael Nadal apenas é o melhor entre os melhores e aprendeu a jogar na grama. Nada a ver com economia ou democratização. Fernando Alonso é o que se chama de “outlier”. Os espanhóis nunca ligaram para Formula 1, assim como os italianos ignoram o tênis. E surgiu um piloto fora de série por mérito próprio, como o tenista Guga Kuerten no Brasil. O pólo aquático teve seu momento na época do gênio Estiarte, mas esta atual seleção já ficou para trás. E justamente de países dos Bálcãs, que tiveram guerras, são economias atrasadas como a Sérvia ou pequenas como Montenegro. A Espanha continua medíocre na natação, atletismo, artes marciais e vôlei, apenas para citar alguns esportes que me lembrei agora.

Comunismo

Insisto, democracia tem pouco a ver com bom desempenho em esportes. Infelizmente, na época do comunismo, pequenos países da Cortina de Ferro derrotavam a Europa Ocidental nas Olimpíadas. Basta ver as medalhas da Alemanha Oriental, Romênia e Bulgária. Sem esquecermos de Cuba – totalmente decadente na última década. Mesmo hoje a China supera os EUA em medalhas de ouro. O Brasil conquistou a sua melhor Copa no governo Médici. A Argentina foi campeã com o Videla. Dois títulos italianos foram conquistados com o Mussolini, em 1934 e 38.

Portanto, ditaduras, e não democracia, podem ajudar em conquistas. E economia não necessariamente faz um campeão.

Na verdade, o mais importante é a cultura esportiva. O Brasil a tem no futebol, assim como a Espanha e a própria Holanda. Os eslavos se destacam no pólo aquático, no handball e no basquete. Mesmo no ballet ainda vemos os russos na frente – assisti a Romeu e Julieta no Lincoln Center na sexta e a bailarina principal era russa. Os americanos se destacam em uma série de esportes, mas ainda estão apenas iniciando a cultura futebolística. Em breve, serão uma das seleções mais fortes do mundo.

Oriente Médio

No Oriente Médio, os países são fracos em quase todos os esportes. Israel melhorou bastante no futebol e tem excelentes times no basquete, que também é bom na Síria e no Líbano, que já conquistou a Copa da Ásia. Os egípcios sempre vão bem na Copa da África de futebol, mas enfrentam uma “maldição” nas Eliminatórias das Copas do Mundo. Desta vez, perderam para a Argélia em jogo desempate no Sudão. Por outro lado, dominam o squash mundial e, como os sírios, produzem bons nadadores de travessia.

Os países do Golfo Pérsico são pequenos e têm investido na naturalização de atletas estrangeiros para suprir as suas deficiências. Apenas a Arábia Saudita consegue formar seleções razoáveis de futebol. O Iraque encantou o mundo com o titulo da Copa da Ásia de futebol, mas depois ficou para trás.

Pelo visto, os próximos anos continuarão assim no Oriente Médio. Apenas dá para prever que Israel talvez se classifique para a próxima Copa, mesmo disputando as complicadas Eliminatórias européias. Os países árabes desta região seguirão fracos.

E isso não tem nada a ver com as ditaduras ou regimes falidos. A Sérvia, tão caótica quanto o Líbano, é um gigante nos esportes coletivos, e derrotou até a Alemanha na Copa. A Argélia, tão ditatorial quanto o Egito e também árabe, se classificou para a Copa.

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O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, precisa parar de enrolar e se sentar de uma vez por todas com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, para negociar. Provavelmente não levará a grandes avanços. Mas o status quo tampouco traz vantagens para os palestinos. E, se não for rápido, conforme disse o presidente Barack Obama, esta janela de oportunidade irá se fechar.

Netanyahu pode ter mil defeitos. Mas o primeiro-ministro israelense conseguiu ir o mais longe possível levando em conta a composição de sua coalizão de governo, uma das mais conservadoras da história israelense. Ele não mente quando diz que a paz econômica começou a dar resultados. Basta ver como Ramallah, Nablus e outras cidades palestinas são mais seguras e modernas hoje do que meia década atrás.

O congelamento provisório dos assentamentos, que se encerra em setembro, é menos do que exigem Obama e os palestinos. Eles queriam a interrupção definitiva na construção de casas nas colônias israelenses. Netanyahu poderia até concordar, mas certamente integrantes de seu governo deixariam a coalizão e provavelmente o premiê precisaria abandonar o cargo.

O bloqueio à Faixa de Gaza foi amenizado, há menos obstáculos para a circulação dos palestinos na Cisjordânia, o líder de Israel está disposto a se sentar na mesa de negociações e Obama, presidente dos EUA, defende abertamente a criação do Estado palestino.

Verdade, a ocupação da Cisjordânia continua e Israel mantém o controle aéreo, marítimo e terrestre (dividido com o Egito) de Gaza. Mas, se Abbas ficar parado, nada irá mudar. O líder palestino precisa dialogar e mostrar qual é o seu sonho de país. Caso contrário, os palestinos, assim como em Camp David, serão culpados pelo fracasso nas negociações, ainda que não sejam os únicos responsáveis.

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