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Gustavo Chacra

Aqui em Nova York, as pessoas mais ricas, que trabalham em Wall Street ou galerias de arte do Chelsea, viajam para os Hamptons no verão. Os porteños da Recoleta e de Belgrano, como pode melhor descrever o Ariel Palácios, variam entre Búzios, Canasvieiras, Trancoso e Punta. Os da Boca e Caballito se contentam com o “balneário sindical de Mar Del Plata”. Cariocas, israelenses de Tel Aviv e libaneses de Beirute, sejam do Leblon ou de Ashrafyieh, têm um pouco mais de sorte, já que nasceram em cidades abençoadas por areias brancas a uma rua de distância. Sorte deles, mas parisienses, berlinenses, romanos, madrilenhos e paulistanos precisam colocar as malas no carro e viajar para praias no verão. E, todos os anos, surgem novos destinos como moda. A costa croata e turca sobem, enquanto a cipriota e a grega decaem.

No Brasil, não é diferente, e o movimento de sobe e desce na praia do momento varia tanto quanto a maré na lua cheia (verão também dá direito a metáforas bregas). Veja o caso da Bahia. Nos anos 1980, Porto Seguro chegou a ser considerada uma cidade descolada, até descobrirem Arraial D’Ajuda, no fim da mesma década. Nos anos seguintes, foi a vez de Trancoso e da sua vizinha Caraíva. Boipeba e Maraú, perto de Ilhéus, eram as preferidas mais recentemente. Neste réveillon, a escolhida foi Santo André, que ironicamente leva o nome de uma cidade da Grande São Paulo.

Os paulistas sem tempo para pegar o avião e ir para o litoral baiano, até os anos 1960, veraneavam, como se dizia, em Santos. Quem podia se hospedava no Hotel Atlântico, que seria o Copacabana Palace da baixada, se equiparando ao Negresco de Nice, o Maria Cristina de San Sebastian, o Cecil de Alexandria, ou o Phoenicia de Beirute. Depois, os veranistas rumaram para o sul. Primeiro São Vicente, com o então glamuroso Ilha Porchat. Construíram casas na Praia Grande e em Itanhanhem, conhecida pela sua praia dos Sonhos. Guarujá despertou o encantamento dos paulistanos nesta mesma época. Pitangueiras e Astúrias foram divididas pelo edifício Sobre as Ondas. A Enseada, separada pelo morro do Maluf, evitou os prédios mais altos, enquanto Pernambuco permite apenas casas.

O Litoral Norte era uma faixa esquecida entre Bertioga e São Sebastião, com praias habitadas por pescadores caiçaras e algumas tribos indígenas. Meu avô comprou uma casa em Juquehy, nos anos 1950. Eu nasci duas décadas depois, quando o Palmeiras (meu time) ainda era time grande e as companhias aéreas do Brasil eram Varig, Vasp e Transbrasil. A viagem para esta região da costa paulista implicava em descer a Anchieta, entrar em Santos, pegar a balsa para o Guarujá, com fila, cruzar toda a Ilha de Santo Amaro, incluindo o Peqreque, até a segunda balsa, para Bertioga. Além disso, era preciso dirigir pela areia e estradas de terra na praia de São Lourenço, que viria a se tornar a Riviera, Itaguaré, Guaratuba, Boracéia, Engenho, Juréia e Barra do Una antes de chegar a Juquehy. Depois, vinham Praia Preta, Barra do Sahy, Baleia, Cambury, Boiçucanga, Maresias, Paúba, Santiago (impressionante a variedade de nomes), Toque-toque pequeno, Toque-toque grande, Guaecá e Baraqueçaba. Se estivesse empolgado, o turista ainda tinha – e tem – a opção de entrar em mais uma balsa para a Ilhabela. E os cariocas ainda dizem que praia de paulista é o rio Tietê…

Na escola, quando dizia que viajaria para Juquehy, perguntavam se era o hospício Juqueri, mais conhecido nos anos 1980. Hoje, a praia se tornou uma das mais badaladas no litoral. A quase deserta Baleia dos anos 1970 cresceu e teve uma página de reportagem publicada no Estadão de hoje. O curioso é que, apesar do asfalto, com o trânsito, a duração da viagem atualmente quase se equivale ao dos tempos da balsa, anteriores à construção da Rio-Santos. O progresso às vezes atrasa. A vantagem é que não há mais risco de a maré subir na Boracéia ou o carro atolar em São Lourenço.

E, apesar da demora, os paulistas são recompensados com um banho de mar, além de poder desfrutar de uma sensação que os cariocas nunca sentirão – a de deixar São Paulo para trás e, ao descer a serra, sentir a praia se aproximando. A alegria dura muito mais tempo do que o mero ato de atravessar a Vieira Souto ou a avenida Atlântica.

Para completar, enquanto em Tel Aviv praticam kitesurf, em Beirute fumam narguilé e no Rio jogam vôlei e frescobol, na costa de São Paulo, os paulistas podem ler o Estadão e ver a São Silvestre na TV, torcendo por um novo João da Mata, José João da Silva ou Rolando Veras. Já eu estou em Nova York e ontem fez menos nove graus. O Times Square, onde acontece a festa popular de réveillon, foi fechado por algumas horas agora de manhã por suspeita de atentado. Mas já está tudo bem. No ano passado, passei sozinho em um hotel de Jerusalém, escrevendo matéria, durante a guerra em Gaza – que também tem a sua praia (infelizmente, não sei porque, não consegui postar fotos)

Desejo apenas a todos um feliz ano novo e o blog continua normalmente nestes dias

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A Al Qaeda aos poucos transforma o Yemen no seu novo centro de operações, abandonando o Afeganistão e regiões fronteiriças do Paquistão. Consultorias de risco político, como a Stratfor, já alertavam desde o ano passado sobre os riscos de atentados no Ocidente ocorrerem a partir do país árabe, como talvez tenha sido o caso da ação frustrada no avião que aterrissava em Detroit. Apesar de ainda não possuir grandes campos de treinamento, a organização se aproveita da deterioração do Estado nacional iemenita, que enfrenta três conflitos internos simultaneamente.

O presidente Ali Abdallah Salih, com ajuda da Arábia Saudita, combate no norte os rebeldes Houthis, que seguem uma corrente do islamismo próxima dos xiitas – o Yemen é majoritariamente sunita. Ontem, segundo informações não confirmadas, o líder da organização Abdul Malik Al Houthi, teria sido morto em combates contra tropas do governo. Existem acusações de que o Irã ajudaria o grupo. Os rebeldes negam. “A grande preocupação dos sauditas é que o Yemen se torne, de vez, um Estado falido. Quanto à insurgência no noroeste, Riad atua fornecendo armamento e auxílio técnico-militar ao governo iemenita. Mas seria exagero achar que há uma Guerra Fria entre Arábia Saudita e Irã no Iêmen. Trata-se, sobretudo, de um conflito local”, afirma David Bender, analista da consultoria de risco político Eurasia.

No sul, o governo iemenita enfrenta separatistas. O país foi unificado em 1990. O norte havia se tornado independente quando o Império Otomano ruiu no fim da Primeira Guerra. O sul, desde a primeira metade do século 19, era controlado pelos britânicos, tendo como capita Aden, na costa. Em 1967, ficou independente da Grã Bretanha e, três anos mais tarde, se tornou comunista. Os atuais separatistas não adotam viés ideológico e são apenas integrantes de tribos que se opõem ao governo. Segundo Bender, “ao combater com firmeza a rebelião xiita no noroeste, o governo iemenita busca enviar uma mensagem inequívoca aos separatistas do sul do país: não busque as armas, ou os próximos serão vocês”.

Com os dois conflitos praticamente transformando o Yemen em uma espécie de Líbano na guerra civil, com um poder central quase inexistente e o território dividido entre facções rivais, ficou fácil para a Al Qaeda crescer. A organização, em 2000, explodiu o destroyer americano USS Cole, matando 17 marinheiros. Aliado de George W. Bush, Salih passou a reprimir duramente o grupo. A partir de 2004, a Al Qaeda ressurgiu, com muitos integrantes vindo da Arábia Saudita, incluindo antigos prisioneiros de Guantánamo. Em setembro do ano passado, dez pessoas foram mortas em explosões diante da Embaixada dos EUA em Sanaa.

Duas facções da Al Qaeda, uma da Arábia Saudita e outra do Yemen, se unificaram em janeiro sob o comando de Nasir al Wuhayshi. Hoje, segundo especialistas em terrorismo, ele se tornou mais poderosos até do que Osama Bin Laden dentro da organização, apesar de estar longe de ter o mesmo simbolismo.

Obs. Matéria minha em conjunto com Roberto Simon, publicada hoje, no Estadão

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Há um ano, eu desembarcava em Tel Aviv para cobrir o conflito entre Israel e o Hamas. Escrevi um depoimento para a edição impressa do Estadão, que segue abaixo. Também publico o texto do primeiro dia que entrei em Gaza


HOJE

Os jornalistas estrangeiros foram impedidos de entrar em Gaza durante as mais de três semanas de conflito. Israel e o Egito haviam fechado as suas fronteiras. Apenas podíamos nos aproximar a alguns quilômetros da divisa. O teatro de operações, porém, estava no território palestino, onde apenas jornalistas árabes baseados lá dentro conseguiam observar o andamento da guerra. O restante era obrigado a buscar informações por telefone, ir até a fronteira, conversar com palestinos na Cisjordânia ou se restringir à cobertura dos estragos no lado israelense. Esta limitação da cobertura, imposta por Israel e pelo Egito, impediu que os jornalistas estrangeiros pudessem verificar as informações divulgadas pelos repórteres e organizações humanitárias dentro da Faixa de Gaza.

Apenas alguns dias depois do cessar-fogo, recebemos autorização do Exército israelense para entrar em Gaza. Cada um dos repórteres ficou com sua imagem. Uma delas, certamente, era a das galinhas mortas que emanavam um cheiro de apodrecimento. Os corpos, em sua maioria, haviam sido retirados por organizações humanitárias, apesar de alguns ainda estarem sob escombros. Impressionava a quantidade de crianças. Algumas adolescentes choravam diante da destruída Escola Americana, onde estudava a elite local. Bombas deixaram suas marcas em mesquitas, prédios e até mesmo em um cemitério.

No lado israelense, a destruição não era tão visível. Algumas residências estavam danificadas em Sderot e Ashkelon. Foguetes Qassam chegaram a provocar buracos nas ruas. A maior destruição, ironicamente, ocorreu no norte de Israel, por um míssil lançado por alguma organização baseada no sul do Líbano, que destruiu um asilo em Nahariyiah. Com armas mais precárias, o Hamas foi incapaz de causar grandes estragos, diferentemente do Hezbollah, em 2006. Além disso, os israelenses, sempre depois de atentados ou ataques de foguetes, fazem o possível para eliminar qualquer vestígio do atentado com objetivo de levar a vida de volta ao normal.

UM ANO ATRÁS

Gaza tem galinhas mortas, pés de morango destruídos, crianças e militantes do Hamas

Galinhas mortas, crianças comendo morango direto do pé, muitas mulheres religiosas com o rosto coberto, poucas jovens modernas de cabelo solto, homens com barba estilo “xeque”, adolescentes com camisetas de futebol falsificadas, estradas esburacadas, prédios destruídos, praias vazias, mesquitas cheias de gente e ruas cheias de lixo. Tudo isso divide espaço com carros e caminhões da ONU e de ONGs, que circulam com ajuda humanitária para 1,5 milhão de palestinos, sobreviventes das três semanas de guerra entre o Hamas e Israel. Esta é a Faixa de Gaza, um território descrito por alguns como uma prisão; por outros, como um celeiro de terroristas.

Um lugar de onde os moradores não podem sair porque suas fronteiras estão fechadas. Muitos não têm estudo, mas sabem descrever com detalhes o armamento usado por Israel para alvejar residências supostamente usadas por militantes do Hamas, que disparavam foguetes contra cidades israelenses, como Sderot e Ashkelon. A poucos quilômetros de distância, essas cidades parecem ficar em outro planeta quando se cruza a moderna e equipada Passagem de Erez, finalmente aberta para os jornalistas estrangeiros verem a destruição dos bombardeios.

Para entrar no território palestino, depois das muralhas de concreto de Israel, é preciso mostrar o passaporte para um funcionário do que parece ser a “república islâmica de Gaza”. Ele pode ser um militante do Hamas. Não usa uniforme, apenas barba. Não faz perguntas, mas encara o jornalista antes de dizer yala (“vai”, em árabe) para o motorista.

Plantações de morango enfeitam o cenário em alguns trechos dessa faixa costeira, de cerca de 40 km de comprimento por 10 km de largura. Na ofensiva, muitos morangueiros foram arrasados por buldôzeres e tanques israelenses. Algumas estufas de flores também estão no chão. Esse era um dos poucos produtos de exportação do território – que não tem porto, nem aeroporto e depende da boa vontade de seus vizinhos para comprar e vender suas mercadorias. Nos últimos meses, houve mais má vontade.

Ayman Nimr diz que os supermercados foram abastecidos ontem. “Deve ter sido para os jornalistas verem”, afirmou. Na guerra, porém, faltava tudo. Água, energia elétrica, pão e carne. Alguns sentiram falta até de um teto, pois foram aconselhados por Israel a sair de suas casas para que os edifícios pudessem ser bombardeados sem deixar vítimas.

O desempregado Samir, de 32 anos, é um deles. Mora em conjunto habitacional no norte de Gaza, perto de Israel. São 15 edifícios, todos danificados pelos disparos israelenses. Ao lado do amigo Nasser, de 43 anos, que vive do salário da Autoridade Palestina, ele descreve entusiasmado para jornalistas como os mísseis destruíram o tanque de água que abastecia os prédios. Seis mísseis em dois bombardeios distintos, diz.

Com a trégua, as famílias voltaram a suas casas. Como em grande parte das residências de Gaza, as moradias têm muitas janelas, mas agora sem vidros, estilhaçados pelo barulho dos aviões e dos bombardeios. Após os ataques, são apenas buracos nas paredes dividindo espaço com rombos ainda maiores, provocados por morteiros.

Nas ruas empoeiradas de Gaza, dá para ver os efeitos dos dois anos de bloqueio. Sem locomoção, muitos apelaram para charretes. Alguns ainda dirigem carros velhos, como se fosse na Cuba de Fidel Castro. Parte dos veículos é dos anos 60 e 70. Taxistas mostram com orgulho suas limusines decadentes, na esperança de atrair os jornalistas ocidentais com um símbolo de riqueza que ainda persiste nesse atrasado território. As peças de reposição, assim como cimento, não podem entrar em Gaza desde que o Hamas assumiu o poder no território, ao derrubar o Fatah em 2007. O medo é que sejam usados para a construção de armamento e túneis em Rafah, na divisa com o Egito.

A Escola Americana era um dos poucos símbolos do Ocidente em Gaza, frequentada pelos filhos e filhas da elite palestina. Mas não existe mais. Foi destruída em um ataque aéreo, assim como outras 37 no território. “Não querem que os palestinos tenham educação”, diz em inglês fluente Dana, de 15 anos.

No centro da cidade, bandeiras palestinas e do Hamas adornam as ruas como se fosse festa junina. Cartazes de “mártires” estão em quase todos os espaços disponíveis, a não ser pelas poucas placas de publicidade de cigarro. Uma loja, com a foto do xeque Ahmed Yassin – fundador do Hamas morto por Israel em 2004 – na entrada, anuncia “suvenires” do grupo. Diferentemente da Cisjordânia, onde ainda se veem anúncios em inglês, em Gaza tudo é escrito em árabe.

Ali perto fica a Universidade al-Azhar, alvo de disparos, mas ainda de pé com seu objetivo de dar educação superior aos palestinos de Gaza. Há poucos prédios comerciais que não sejam lojas de frutas ou minimercados. Há um Banco da Jordânia. E um prédio da Palestinian Airlines, com as portas fechadas e a marquise despedaçada.

A área nobre da Cidade de Gaza é a orla, assim como no Rio de Janeiro, Beirute ou Tel-Aviv. A diferença são os prédios de arquitetura inexistente. A praia é de areia amarelada. O mar é verde. Não tem barcos. Há cadeiras de salva-vidas e alguns quiosques fechados. E poucas pessoas caminham diante do Mediterrâneo em uma tarde de inverno.

Zeitoun – e muitas de suas oliveiras – foi arrasada por Israel na ofensiva. Dezenas de pessoas de uma mesma família morreram nesse subúrbio de Gaza. Israel impediu que muitos feridos fossem resgatados. Hoje, escombros do que parece ter sido um conjunto de casas se misturam aos restos das plantações. Se não fosse pela descrição dos moradores, seria impossível definir o que existia no local.

A não ser pelo galinheiro. Há centenas de galinhas mortas. Algumas são um montes de penas que se amontoam como se fossem um travesseiro gigante com a fronha rasgada. Outras estão com as tripas de fora emanando um odor que espantaria a maioria das pessoas com olfato. Mas não é o caso dos moradores que sobreviveram. Eles se acostumaram com o cheiro.

A mulher de Muhammad vem em minha direção. É difícil entender o seu nome. Algo como “Abir”. Ela faz questão de afirmar que o marido agora é um shahid (“mártir”). “Bomb, bomb, yahud”, diz ela, misturando árabe e inglês para informar que virou viúva nos bombardeios “dos judeus”, que é a forma como os palestinos se referem aos israelenses.

A casa dela ficou de pé, apesar de marcas de disparos. O quintal é cheio de moscas, que sobrevoam ora galinhas e um jumento morto, ora crianças. “Abir” está de preto e deixa se fotografar ao lado das amigas. Diz que sua filha, de 3 anos, também morreu. Ao lado, um homem barrigudo com a cabeça enfaixada caminha e é cumprimentado por todos os outros palestinos. Tornou-se herói. Ele ficou ferido combatendo Israel.

Nos ataques israelenses, as mesquitas não foram poupadas. Segundo Israel, os militantes as usavam para atacar – declaração, em alguns casos, confirmada por fontes independentes. Uma delas está com os minaretes danificados. Outra foi destruída. Os palestinos juntaram-se ao redor da mesquita em ruínas onde todas as sextas-feiras, como ontem, dia sagrado para os muçulmanos, rezam em direção a Meca.

Israel argumenta que a maior parte dos bombardeios tinha como alvo lugares de onde militantes do Hamas disparavam foguetes. Há pouca dúvida de que realmente os guerrilheiros do grupo usaram instalações civis para atacar os israelenses. Mas fica difícil entender como eles dispararam de um cemitério, que hoje, além das covas, tem uma cratera provocada por um bombardeio.

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Um nigeriano conseguiu entrar com explosivos em um vôo de Amsterdã para Detroit. As 278 pessoas a bordo apenas não morreram porque ele era mais um dos patetas que decidiram ser terroristas. Como aqueles outros cinco americanos presos no Paquistão. Porém, qualquer hora, um idiota destes explodirá um avião, o metro de Paris ou o trem de Nova York para Washington, onde se pode embarcar sem passar por nenhuma checagem de segurança.

Já em aeroportos e dentro dos aviões, a segurança vai aumentar. E, mais uma vez, não adiantará nada. Uma das medidas é obrigar os passageiros a permanecerem sentados na última hora do vôo. Não entendi o motivo. O nigeriano tentou se explodir sentado. Além disso, o que o impedirá de se levantar uma hora e cinco minutos antes de pousar? Também decidiram que permitirão levar apenas uma mala de mão. Lógico, assim o terrorista deixa a outra em casa e não explode o avião. Enquanto isso, as pastas de dente continuarão indo para o lixo. As companhias aéreas aqui nos EUA, por sua vez, terão que cortar ainda mais os custos e daqui a pouco nem água vão servir – para quem não sabe, no vôo de Los Angeles para Nova York não é servido comida e ainda cobram pelo fone de ouvido para ver um filme.

Esta preocupação com a segurança nos aviões sempre me impressionou. Mais ou menos como no caso do aquecimento global. Se querem mesmo salvar vidas, por que não determinam que os carros saiam da fábrica com uma trava no motor para impedir o motorista de ultrapassar 60 km/h? Li esta idéia em algum lugar. Dezenas de milhares de vidas seriam salvas todos os anos. Praticamente todo o mundo no Brasil conhece alguém que morreu em um acidente de carro. Mas quantos conhecem uma vítima de atentado terrorista em avião? Ou que morreu por causa do aquecimento global?

Basicamente, não colocam esta trava porque teria custos econômicos enormes. A questão agora é verificar o custo-benefício de mais segurança nos aeroportos que, no fundo, não serve para muita coisa.

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As relações do Brasil com os EUA começaram bem em 2009. Lula visitou Obama, que chegou a dizer que ele era “o cara”. Depois da deposição de Manuel Zelaya, os dois governos concordaram que foi um golpe, apesar de a Constituição de Honduras dizer que o presidente havia desrespeitado o artigo 239. Mas esta discussão não interessa agora.

Aos poucos, porém, o “namoro” entre Lula e Obama começou a se deteriorar. O Brasil se irritou com a questão das bases americanas na Colômbia. E os EUA acharam exagerada e equivocada a reação brasileira. Depois, os dois lados também começaram a divergir sobre Honduras. A administração Obama passou a entender quem era Zelaya e viu na eleição presidencial a única saída para o fim do impasse. Lula e Celso Amorim se recusam a aceitar o resultado de uma votação democrática e sem suspeita de fraude – ironicamente, os dois não vêem problemas na disputa presidencial iraniana, roubada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Aliás, a visita do líder iraniano foi o terceiro ponto de discordância entre Washington e Brasília. Os americanos, assim como boa parte da comunidade internacional, acham que Lula ajudou a dar legitimidade para um líder que reprime opositores em seu país, questiona o Holocausto e desenvolve um suposto programa nuclear com o objetivo de construir uma bomba atômica. Verdade, os EUA mantêm relações com o Egito e a China, que também combatem duramente a oposição, Israel e Paquistão, que possuem bombas atômica, e com a Turquia, que rejeita a existência do genocídio armênio.

Para completar, houve o episódio do menino Sean Goldman. Neste ponto, diferentemente do que muitos alardeiam, os dois lados não divergiram. Hillary Clinton inclusive elogiou a ajuda do governo brasileiro e a Casa Branca considerou o poder judiciário o principal como responsável pela demora na devolução do filho para o pai.

Agora, os EUA também terão um embaixador no Brasil. Thomas Shannon, depois de sete meses de veto, finalmente foi aprovado pelo Senado. Fluente em português, ele morou em Brasília entre 1989 e 92 e é especialista em energia. Provavelmente, neste ano, Obama ou pelo menos Hillary visitará o Brasil. Também teremos eleições presidenciais. Abaixo, alguns comentários de especialistas em América Latina que entrevistei nos EUA

“Obama achou desnecessário o discurso de alguns líderes como Lula sobre a preocupação com as bases dos EUA” – Christopher Sabatini, diretor do Council of The Americas, em Nova York

“EUA erraram ao não consultar o Brasil” [sobre a Colômbia] – Michael Shifter, presidente do Inter-American Dialogue, em Washington

“O Brasil deixou de ser visto com seriedade” – Sabatini

“As eleições no Brasil também serão importantes, apesar de a administração de Obama não ver muitas diferenças entre os principais candidatos brasileiros” – Shifter

Obs. Zelaya ainda permanece dentro da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa

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Este blog, como no post de ontem, costuma provocar discussões pesadas entre os comentaristas. Especialmente quando o tema envolve o conflito entre israelenses e palestinos ou a política externa brasileira. Porém, mensalmente, muitos deles se reúnem em um bar da Vila Madalena para discutir questões do Oriente Médio e também cinema e futebol. Na foto, temos alguns destes participantes em encontro ocorrido no sábado.

De resto, feliz Natal aqui de Nova York e mais tarde volto com mais posts. Afinal, agora, o Sean Goldman está a caminho dos EUA com o pai para passar o Natal e o Obama segue para o Havaí depois da vitória no Senado com a aprovação da reforma no sistema de saúde. O difícil agora será para o menino se adaptar aos EUA e para o presidente americano conciliar os projetos diferentes aprovados na Câmara e no Senado

E segue, também, um vídeo da contora Fairuz, considerada a mais bela voz do Oriente Médio, cantando Jingle Bells em árabe. Assista aqui

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