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Guilherme Werneck

Pois é, gostei dessa história de compartilhar minhas fotos ruins. Aqui um registro da participações no show de lançamento de Deus e o Diabo no Liquidificador, do Cérebro Eletrônico, que rolou no Studio SP na última sexta, dia 22. Tulipa Ruiz, Helinho, do Vanguart, Peri Pane, d’O Degrau e Trupe Chá de Boldo foram alguns dos convidados.

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“Cérebro eletrônico nenhum me dá socorro/ Em meu caminho inevitável para a morte”, cantava Gilberto Gil lá no fim dos anos 60, quando os computadores ainda davam medo, comandavam, mandavam e desmandavam com seus botões de ferro e olhos de vidro.

Corta para 2010. Cérebro Eletrônico, a banda, lança Deus e o Diabo no Liquidificador, mais um disco dessa turma inspirada por Gil que, com suas canções, oferece socorro no nosso caminho inevitável para a morte.

deus_diabo.jpgDeus e o Diabo é o terceiro disco do Cérebro, contando apenas os LPS, e é o mais roqueiro. No primeiro, Onda Híbrida Ressonante, havia um pé no rock eletrônico. Pareço Moderno, o segundo, mergulhava fundo na geléia geral brasileira. Era tropicalista no sentido de explorar diferentes formas e sonoridades, indo da MPB ao electro. Deus e o Diabo é menos eclético e mais guitarreiro. Fernando Maranho conseguiu trabalhar muito bem as guitarras e acerta o peso durante todo o disco. Elas têm pressão quando a música pede, mas também aparecem de forma direta e cristalina nas baladas.

Uma coisa que o Cérebro tem desde sempre é uma sacação especial em relação à melodia. Tatá Aeroplano é um grande melodista, justamente porque consegue criar linhas lindas, envolventes, sem exagerar no açúcar. Esse aspecto, digamos, dietético é um alívio para quem, como eu, não tem muita paciência com gordura, doçura e pirotecnia quando se trata de melodia.

E as guitarras seguem o mesmo padrão. Mesmo nos momentos mais leves, que pedem uma beleza mais sutil, como em Realejo em Dó , Sóbrio e Só e Cama, elas nunca soam óbvias, lacrimosas ou cafonas. Sóbrio e Só, por exemplo, lembrou-me imediatamente da guitarra de Johnny Marr, o melodista mais sensível e menos piegas que conheço. O melhor em relação às guitarras é que durante o disco todo elas não aparecem com aquele som comprimido e homogeneizante no mix. E havia espaço para isso. Basta pensar em O Fabuloso Destino do Chapeleiro Louco, um iê-iê-iê psicodélico cheio de fuzz, que poderia ser destruído por uma produção mais tradicionalmente roqueira.

Tatá fala de um universo muito particular no disco. É um romântico que tem lá seu lado mundano. Se o Tatá/narrador perde a decência, a noção, a razão e a moral com sua mulher e com o zelador em Decência, só sai da cama quando a amada disse que o ama em Cama. Se negocia de forma quase pudica um ménage a trois em Os Dados Estão Lançados, se entrega à dúvida lúcida em Sóbrio e Só.  Deus e o Diabo no Liquidificador é todo construído sobre essa oposição. O verso que serve de síntese para a ideia do disco é “Meu lado pervertido/ O outro santo adicto/ Minha filosofia não deu pé”, de Os Dados Estão Lançados.

Por mais que tenha um dos melhores letristas de hoje, desde o primeiro disco o que me atrai no Cérebro Eletrônico é como a banda dá forma às composições de Tatá Aeroplano. Em Deus e o Diabo a música é fundamental para espelhar esses paradoxos propostos nas letras. Um exemplo é a batida carnavalesca acelerada de Desestabelecerei, que no final da canção migra pra um hardcore e termina num batidão. Ou a onomatopaica Desquite, com seus chiliques embalados por um baião-roqueiro à la Tom Zé, com um interlúdio divertido como aqueles dos Mutantes da fase Ando Meio Desligado/Jardim Elétrico.

São esses elementos que fazem com que mesmo um disco aparentemente mais coeso do que Pareço Moderno se mostre absolutamente plural. A linha do rock brasileiro que sai da jovem guarda, passa pelo tropicalismo, pela psicodelia do começo dos anos 1970 e desemboca no pop rock dos anos 80 é dissecada sem alarde no disco. Não é só Deus e o Diabo que estão no liquidificador, é a própria história do rock brasileiro que é virada, mexida, triturada e entregue na forma de um grande disco.

P.S. 1: Hoje tem show de lançamento do Cérebro no Studio SP.

P.S. 2: Entrevistei o Tatá para uma matéria no Caderno 2 de Domingo passado clique na imagem abaixo para ver um PDF.

cerebro_C2.JPG

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02.abril.2009 00:00:00

Parece ibope

A internet coloca novos desafios para bandas, sejam elas indepentendentes ou não. Tem gente que acaba arriscando novas maneiras de se relacionar e garantir alguns trocados com isso. Justo. Radiohead faz isso bem, Nine Inch Nails faz isso muito bem e há mais tempo. Sempre acho válido buscar novos caminhos.

Por aqui, o Cérebro Eletrônico também arrisca. Primeiro foi o ep virtual com com remixes do Pareço Moderno, que pode ser baixado clicando no link. Agora eles querem saber quem é o seu público. Mas, conscientes de que é uma informação valiosa, têm a delicadeza de dar algo em troca.

Quem responder à pesquisa, ganha uma o download de uma nova música: ‘Marcha de Núpcias de Carnaval’, a primeira divulgada do próximo disco da banda, e ainda concorre a um Box Cerebral e alguns CDs. Parece interessante. Quem quiser participar é só clicar no banner aí embaixo.

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18.dezembro.2008 12:23:39

Antipirataria à revelia

Olha só o mundo de hoje: o novo EP do Cérebro Eletrônico, distribuído por vários blogs, inclusive este Discofonia, foi retirado do 4Shared por conta de uma ação antipirataria. Até aí, parece tudo normal neste mundo de capa e espada. Mas o caso é que o arquivo foi colocado por lá pelos detentores dos direitos, ou seja a banda e o selo Phonobase, que dizem agora que “nós não concedemos à Associação Anti-Pirataria qualquer representatividade, ou seja, eles não podem agir em nosso nome, nem retirar o que quer que seja do ar sem nos consultar”.

Se você ainda não baixou este ótimo EP, aqui vai o link novo: http://www.4shared.com/file/75030521/d5d…

Em tempo: para mim, Pareço Moderno é o disco nacional do ano…

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23.outubro.2008 10:34:10

Pareço Virtual

Além de fazer boa música, o Cérebro Eletrônico é cheio de boas idéias, entre elas a de divulgar de graça pelos blogs amigos, como este Discofonia, o seu novo EP Pareço Virtual.

Como eles mesmos dizem, “são 8 músicas da plantação recente. Começamos com ‘Pareço Moderno’ e ‘Dê’, as mais pedidas, descemos o morro com ‘Mar Morro’ e subimos aos céus com ‘Astronautas’ em versão ao vivo gravada em Rodoxland (o antro florestal de criação cerebral). As 3 últimas são presentes que ganhamos, remixes feitos por amigos e comparsas. ‘Antes Eu Tivesse Convivido Só com a Minha Guitarra’ feita por AnvilFX, ‘Dominó Tecnológico’ por Macacorama e ‘Pareço Moderno’ remixada por Gaub.

Como acho que “Pareço Moderno” é um dos discos brasileiros mais legais do ano, vale bastante a pena baixar esse EP. Curtiu a idéia, então clique aqui para baixar.

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09.maio.2008 17:37:44

Parece moderno

cerebro

Hoje rola na choperia do Sesc Pompéia, às 21h, o show de lançamento do disco Pareço Moderno, novo do Cérebro Eletrônico. Não ouvi o disco todo ainda, embora adore o álbum de estréia deles. Consegui ouvir algumas faixas no MySpace da banda e achei muito boas.

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