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Guilherme Werneck

Muitos blogs depois, eis que volto para onde tudo começou.  Voltei a trabalhar no Estadão no começo do ano e agora volto a ter um blog por aqui, o que me deixa muito animado. O Discofonia foi o segundo blog criado no Estadão.com.br. Saindo do jornal em 2007, ele continuou um tempo no WordPress, foi parar no site da Trip, quando dirigi a revista, e agora volta para cá.

Esta é mais uma nova encarnação do blog do que uma volta propriamente dita. Assim como a internet, o blog mudou muito desde que foi criado em 2006. Nesta nova etapa, mais do que pinçar coisas bacanas e rápidas, quero me dedicar a fazer menos coisas, mas com mais profundidade.  Penso em usar este espaço para textos mais longos, de preferência entrevistas e reflexões. As coisas rápidas ficam para o Twitter.

O que não muda são os podcasts. O podcast Discofonia foi criado antes do blog e, depois de uma parada saudável no começo do ano, quando deixei a Trip para voltar para cá, ele também volta à ativa no www.discofonia.com.br. Mas em um ritmo relax. A ideia é, pra começar, fazer uns dois podcasts longos por mês.

Por ter uma ideia editorial diferente,  resolvi, pela primeira vez, usar meu nome num blog. Vou deixar o Discofonia só para o podcast, o que considero bem justo, já que bolei este nome na madrugada em que tentava subir meu primeiro programa, em 2005.

Outra diferença é que vou abrir um pouco a lente por qui. Sempre escrevi e falei muito de música. Agora quero escrever também de outras coisas que me são caras: internet, livros e cinema, ou qualquer assunto sobre o qual valha a pena pensar um pouco.

Antes de começar, gostaria de agradecer à Trip por me deixar importar os arquivos antigos do blog que mantive por lá até janeiro  deste ano. E também ao próprio Estadão, por regatar os posts do antigo Discofonia. Embora esse ou aquele vídeo, essa ou aquela imagem e muitas e muitas tags e alguns comentários tenham se perdido no éter da importação, acredito que há bem mais ganhos do que perdas em trazer esse passado para perto.

Agora vai…

PS:  Como essa história da cauda longa no subtítulo do blog é uma genuína private joke, se você quiser saber mais sobre que porcaria é esse tal de long tail, aqui tem a explicação da Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Cauda_Longa

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Por algum tempo, segui à risca a política pessimista do suspensório e cinto. Mantinha cá este blog como um espelho do Discofonia na Trip. A partir de agora, decidi abandoná-lo. Tava ficando meio maluco de manter ativo este WordPress, o podcast no Libsyn (www.discofonia.com) e o Discofonia na Trip, mesmo sendo igualzinho a este. Por isso, se você vê o Discofonia por aqui, troque nos favoritos por: http://www.trip.com.br/blogs/discofonia

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ornette

“Lonely Woman” é a primeira faixa do lado A de The Shape of Jazz to Come, o disco seminal de Ornette Coleman de 1959. Fascinado por John Coltrane, cheguei ao Ornette pela via mais torta, um LP de Free Jazz. Não entendi nada. Demorei um bom tempo para conseguir entrar na viagem de dois quartetos tocando juntos uma música que, num primeiro momento, me pareceu aleatória e caótica.

A única experiência sonora similar que tinha tido até então havia sido a tentativa de tocar dois Quadrophenia, do The Who, em dois sons diferentes ao mesmo tempo para tentar chegar ao tal efeito quadrifônico. Pura perda de tempo, claro. O resultado foi uma maçaroca sonora, cheia de ecos e delays, muito similar a que anos mais tarde identificaria no meu primeiro contato com o Ornette.

Ainda bem que não desisto fácil das coisas que me parecem estranhas, porque o segundo disco do saxofonista que tentei ouvir foi The Shape of Jazz to Come, e me apaixonei de cara pela primeira faixa. “Lonely Woman” pode ser considerada hoje um standard, uma canção que entrou definitivamente para o rol das mais gravadas do jazz, principalmente do jazz de vanguarda. O que me atraiu para ela foi justamente a combinação de tristeza e dramaticidade, e também o senso de espaço e de improvisação desse grande quarteto formado pelo Ornette com Billy Higgins, Charlie Haden e Don Cherry.

Graças a dica do amigo Luiz Junqueira, descobri um blog sobre free jazz que lista mais de 90 versões de “Lonely Woman”, um tesouro para obsessivos. Só que o meu gosto não bate nem um pouco com o do autor do blog. Uma das versões que ele detesta é a da Diamanda Galás, do disco La Sepernta Canta. É só ela e o piano numa interpretação tão emocionante quanto a original, que, aliás, ganhou só 4 estrelas do nosso blogueiro Stef. Por isso recomento a lista, mas não a edição.

Aqui deixo as duas músicas para comparação:

Download “Lonely Woman” – Ornette Coleman Quartet – The Shape of Jazz to Come

Download “Lonely Woman” – Diamanda Galás - La Serpenta Canta

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Pois é, depois de quase um ano com o Discofonia na geladeira, eu resolvi tomar vergonha na cara e reeditar o blog. Como é uma reedição, continuam as já clássicas notícias, as peneiras de matérias legais da web, os clipes, as resenhas de discos e livros, as dicas de shows e as entrevistas do Discofonia original, além da integração do podcast. Mas como tem blog demais falando de lançamentos e copiando coisas da web, quero dar um caráter mais pessoal para essa nova fase do Discofonia. Por isso criei uma nova seção, que chama 30 minutos de shuffle. Que nada mais é do que o óbvio: 30 minutos diários no meu computador ou no meu ipod ou numa rádio online tipo Last,fm, registrandoo que eu estou ouvindo. Das músicas tocadas separo uma para falar do som e da banda. E, claro, coloco para tocar… Boa viagem…

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