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Guilherme Werneck

23.setembro.2010 15:28:44

De volta para o futuro?

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Ondas revivalistas acometem de tempos em tempos tanto a música popular quanto a erudita*. É um movimento natural. Querer agradar é da essência humana, e o caminho mais fácil para dar prazer ao maior número de pessoas ao mesmo tempo é evitar o risco. Daí o yin-yang entre conservadorismo e radicalismo em todo e qualquer campo das artes.

Porém, desde que comecei a gostar de música, a ouvir com atenção e estudar, nunca senti uma sensação tão grande de estagnação, de estar preso ao passado. Mesmo quando o artista tira a rede de segurança e se arrisca, o fio sobre o qual ele anda já foi pisado pelo menos um bom par de vezes por outros intrépidos equilibristas.

Essas pessoas são as que tratam o passado com respeito e criatividade. Pior é ter de conviver a todo minuto com a sobreposição mais comercial dos diferentes revivals dos mais diversos estilos. Todos ocorrendo simultaneamente em cenas underground e mainstream. Enfim, são as cópias das cópias que pululam nesta nossa redoma de naftalina.

A impressão é de que vivemos hoje no futuro imaginado por gerações anteriores e perdemos a perspectiva de nossas próprias utopias. Isso tem me intrigado mais do que qualquer outra coisa. Estamos revolvendo o passado, reciclando, copiando e recombinando por que? O que fez com que abandonássemos a vontade de olhar para a frente? Em que medida viver num presente perpétuo ancorado no passado gera uma espécie de disfunção narcotizante?

*odeio esse termo, acho pernóstico, mas é mais correto do que a inexatidão de “música clássica” e mais comunicativo do que composição moderna, meu preferido. Embora, no fundo, não haja mais razão suficiente para essa separação, a não ser mercadológica, mas isso é tema para outro post.

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25.agosto.2008 19:48:15

Bronca da Björk

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Desta vez, ela não bateu em nenhum fotógrafo, mas alguma coisa no sol que mal se põe na Islândia no momento fez a Björk sair do sério com a imprensa de música. Até o site Pitchfork, citado por ela mesma como sério, não se livrou da paulada. Basicamente, ela reclama em seu site oficial de gente que leva os créditos por seu trabalho. Depois que um jornal islandês creditou Valgeir Sigursson como produtor de Vespertine, a apimentada islandesa resolveu descascar a imprensa de música. Quem sabe como são feitas as salsichas vê logo que ela tem certa razão. Mas elevar esse fato a uma conspiração contra as mulheres que produzem música eletrônica é um pouco demais. Entre as quatro hipóteses que ela levanta sobre o erro de crédito, vem essa pérola:

“Pode ser que seja um certo grau de sexismo. M.I.A. teve de lidar com o respeitável site pitchfork.com quando eles assumiram que Diplo tinha produzido todo o seu disco Kala sem ler nenhum crédito, deveria ser, não podia ter sido a M.I.A ela mesma. Parece que ainda hoje, depois de todos esses anos, as pessoas não imaginam que uma mulher possa escrever, arranjar e produzir música eletrônica. Tive essa experiência muitas e muitas vezes, quando o que eu faço no computador é creditado a qualquer homem que esteja a 10 metros de raio durante o trabalho. As pessoas parecem aceitar que as mulheres conseguem cantar e tocar quaisquer instrumentos que elas sejam vistas tocando, mas elas não podem programar, arranjar, produzir, editar ou escrever música eletrônica.”

Veja a íntgra da nota da Björk em inglês:

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Por conta de uma série de novidades que aparecerão na próxima Trip, tive de me afastar um pouco do blog neste último mês. Volto agora com um podcast sobre o o genial compositor inglês Robert Wyatt. Seu disco mais recente, Comicopera, tem tocado sem parar em casa desde o fim do ano e, agora, numa viagem recente à Los Angeles, comprei-o em vinil, o que aumenta em muito o prazer de ouvi-lo, vê-lo, manuseá-lo. Sou fã de Wyatt há bastante tempo, principalmente atraído por suas letras, seu internacionalismo e sua ousadia ao experimentar dentro da moldura da música popular. Para dar conta de mostrar uma carreira de mais de 40 anos, tive de deixar de lado aqui todo seu trabalho como membro do Soft Machine e do Matching Mole. Quis fazer um podcast que mostrasse seus obras mais recentes, mas também que pudesse ser uma chave para entender a complexidade de sua carreira solo, dos anos 70 até hoje. Mais do que um greatest hits, esse é um programa que tenta revelar diferentes faces de sua persona musical: o letrista cético, o socialista, o cantor de voz delicada aberto às mais diferentes colaborações, o baterista de jazz que perdeu o controle das pernas.

Ouça por aqui ou baixe a partir da página do podcast: Download Discofonia 74 – Robert Wyatt

1. Be Serious – Robert Wyatt 2. I’m a Believer (extended version) – Robert Wyatt 3. Shipbuilding – Robert Wyatt 4. Strange Fruit – Robert Wyatt 5. Incensatez – Robert Wyatt 6. Just As You Are – Robert Wyatt 7. Sea Song – Robert Wyatt 8. Left On Man – Robert Wyatt 9. Red Flag – Robert Wyatt 10. Hasta Siempre Comandante – Robert Wyatt 11. Internationale – Robert Wyatt 12. Do Ya – Nick Manson and Robert Wyatt 13. For Instance (Silence) – Michael Mantler and Robert Wyatt 14. Submarine – Björk and Robert Wyatt 15. To Caravan and Brother Jim – Robert Wyatt

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