KingTubby
O primeiro shuffle a gente nunca esquece. Depois de ter meu ipod furtado, comprei um novo na sexta. Foi um bom pretexto para organizar meus álbuns digitais no fim de semana, mas consegui ir só até os discos que começam com a letra f. Hoje de manhã, durante a caminhada rotineira com meu cachorro, rolou o shuffle inaugural. E começou pesado, com os japoneses psicodélicos do Acid Mothers Temple:
1. Atomic Rotary Grinding God Quicksilver Machine Head – Acid Mothers Temple
2. Long Stroke – ADC Band
3.State: June ’05 – Adriana Sá
4.Awesome Dub – The African Brothers and King Tubby
5.Ahlev de Bossa – Ahlev de Bossa

A morte de Albert Hofmann (1906-2008), descobridor do LSD, ocorreu no momento em que cientistas do mundo todo tentam reativar as pesquisas sérias sobre psicodelia. Há dois meses, o repórter aqui da Trip Bruno Torturra Nogueira foi a Basel, na Suíça, para cobrir o primeiro Fórum Psicodélico Mundial e tentar entrevistar o Dr. Hofmann. A entrevista não aconteceu, mas a viagem, em mais de um sentido, valeu muito. Primeiro uma reportagem de peso sobre o encontro, que está na edição deste mês da revista (clique aqui para ler). Depois, por servir de inspiração para este podcast, feito sob medida para entrar nesses estados alterados de percepção, mas sem cair nos clichês dos ecos e delays da música psicodélica. Juntamos nossas bagagens musicais e siderais para criar essa trilha para uma good trip.
Have a nice trip:
Download Ouça o Discofonia 73

Quando eu estava em Portland, indo para o show do Acid Mothers Temple, pedi informação sobre o ponto do ônibus para um garoto, Alex. Batemos um papo rápido e descobrimos que estavamos indo para o mesmo show. Mais papo e ele me disse que era baterista de uma banda indie, formada com seus dois irmãos. Kenny, o mais velho, baixista, estava fazendo aniversário naquele dia e seu presente era ver os japs. De volta ao Brasil, demorei um pouco para ouvir o som dos caras. Na verdade, quando eles me falaram que era uma mistura de Beatles e Nirvana, fiquei meio com o pé atrás… Mas lembrei de outros papos que tivemos e me animei. Eles são da mesma turma do Dandy Warhols, gravam no estúdio deles e freqüentam umas festas que parecem bem animadas num galpão dos Dandys afastado da cidade e, dois fins de semana antes de nossa conversa, tinham feito uma jam com J Macis, do Dinosaur Jr, por lá. Bom, eram credenciais legais o suficiente para checar o som do Monstrous. Isso sem falar do papos bizarros sobre as eleições americanas – nenhum deles vota – e de como a moçada vive mal sem seguro saúde nos EUA, comprando drogas (da indústria farmacêutica) de traficantes, nas ruas. Uma coisa meio estranha que eu não sabia que rolava tão freqüentemente. Política de lado, gostei muito de uma música deles, chamada ‘Mother Nature’s Slave’ (qualquer semelhança com Beatles não é mera coincidência), mas essa eles não disponibilizam para download no Myspace, só dá para ouvir. Então, recomendo uma ida ao Myspace dos caras para ouvi-las.
Uma das coisas legais que eu vi em Portland na semana passada foi o show da banda de rock psicodélico Acid Mothers Temple, num clube que chama Holocene. Uma casa pequena, completamente lotada na segunda-feira para ver esses japoneses chapados, que tocaram suas jams longuíssimas por quase duas horas. Foi um delírio ver ao vivo o guitarrista Makoto Kwabata, uma lenda do rock japonês. Mas o cara que me deixou mais maluco foi o baixista Tsuyama Atsushi. Ele combinava linhas complicadíssimas de baixo com momentos só de groove. E ainda cantava e tocava flauta. Dei sorte de ver a melhor formação da banda, a SWR, um quarteto com o tecladista e guitarrista Higashi Hiroshi e com o baterista Yoshida Tatsuya, que levava um toque de improvisação de jazz para a jam. Ponto alto do show, para mim, foi ouvir músicas do álbum SWR, sem dúvida o meu preferido. Dá para ouvir uns sons desse disco num podcast antigo, o Discofonia 36, só com bandas do Japão.




As fotos: Higashi Hiroshi sem camisa e, na seguinte, com Makoto Kawabata ao fundo; o baixista Tsuyama Atsushi e, na última, as baquetas na reserva, dentro das botinas de Yoshida Tatsuya. Além dessas fotos do show, fiz um vídeo tosco com o celular. Tem um pouquinho da passagem de som e o começo do show, para quem quiser se aventurar…
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