
Eles dizem ter a melhor coleção de gravações vintage do mundo. E é difícil discutir com o pessoal do Concert Vault, dica do Filipe Serrano. Fiquei maravilhado com as gravações que este site disponibiliza na web. São shows gravados dos anos 60 aos 80, direto da mesa de som de bandas como The Animals, Black Sabath, Booker T & the MGs, David Bowie, Elton John, Led Zeppelin… Bom a lista é gigante e nem vale perder tempo com ela aqui. O lance é o seguinte: se você gosta mesmo de música, corra para se cadastrar no site antes que um desses estraga-prazeres corporativos o tirem do ar.
Na seqüência da série com os melhores de 2006, chegou a vez do rock’n'roll. E neste podcast rolam sons do TV on the Radio (foto), The Raconteurs, Arctic Monkeys, The Fiery Furnaces, Alexander Tucker, Califone, Danielson, Sonic Youth, Yo La Tengo e Om. Para ver a lista das músicas e fazer o download do podcast, clique aqui. Ou ouça em streaming aí embaixo. Amanhã tem mais…
Esta semana, vou postar os programas com o melhor de 2006. Serão sempre dez artistas por categoria e, para começar, o melhor do que rolou na música brasileira neste ano. Quase sem medalhões, diga-se, porque eu estou mais interessado em novas sonoridades.
Neste podcast, terá Romulo Fróes, Mombojó, Cordel do Fogo Encantado, Tom Zé, Lucas Santtana, Max de Castro, Erasto Vasconcelos, Arnaldo Antunes, Apollo 9 e Debate.
Ouça em streaming aí embaixo ou baixe pelo site do podcast, onde também tem a lista das músicas.
Se você ficou curioso, no resto da semana saem os programas de rock, canção, black music, jazz e eletrônica.
Desde que eu ouvi o primeiro disco da Juana Molina, há alguns anos, me apaxonei por sua maneira peculiar de cantar, por suas letras delicadas e sua guitarra simples, direta, que recheia um glacê eletrônico fino. É, na minha opinião, das artistas mais interessantes na Argentina hoje. Mas, em duas vezes que eu estive em Buenos Aires nos últimos anos, dei com os burros n’água ao procurar discos dela em sua terra.
Conversando com conhecidos argentinos e outros amantes de música portenha, descobri que as pessoas achavam que ela era uma artista fabricada, pouco original. Não sei se por conta da minha condição de estrangeiro, eu não posso discordar mais. E tive discussões acaloradas por lá, defendendo a obra da moça. A principal crítica ao seu trabalho em BUenos Aires não era musical, tinha raízes num preconceito contra a cultura pop. Isso porque antes de enveredar pelos caminhos da música, Juana Molina era uma atriz de suceso, com seu próprio show (brega) na TV.
Hoje, o jornal inglês Guardian traz um perfil seu, e tece milhões de elegios à sua música. Parece que os estrangeiros estão fadados a se apaixonar sem preconceitos pela música dela. Para ler o perfil, clique aqui.
Nos anos 80, na esteira do movimento punk, um florescimento de gravadoras independentes deu início à descentralização do negócio da música como vemos hoje nestes tempos de internet. Mas essas gravadoras levaram uns bons anos para emplacar sucessos nas paradas. Com essa acelaração brutal que vemos com a internet, uma banda surgida nas entranhas da web está prestes a entrar no disputado Top 40 britânico. Os moleques da banda Koopa, de Essex, que fazem um punk açucarado (para meus ouvidos que ainda se curvam à geração dos anos 70),devem romper no próiximo domingo essa barreira com o single internético Blag, Steal & Borrow, como afirma a BBC. Isso diz menos sobre a banda e mais sobre a parada britânica. Nos anos 80, os ingleses introduziram a parada indie (bem antes de indie virar um estilo), agora, a partir de janeiro, a parada passa a levar em conta os downloads de música. O futuro já chegou.
Quem diria, o Alberto Marsicano foi selecionado com justiça para o Grammy deste ano com o CD Sitar Hendrix (clique aqui para ler a resenha). E hoje rola um show dele lá no simpático Buda, na Vila Madalena.
O Buda fica na rua Harmonia, 112. Tel. 3032-3459.

No ano em que Patti Smith foi nomeada para o Rock and Roll Hall of Fame – quem diria que velhos punks iam abraçar essa papagaiada -, ela decidiu não brindar os fãs com mais um punhado de letras cortantes. No fim de março ou no começo de abril, logo após a cerimônia do Hall of Fame, a cantora lança um disco de covers ainda sem título, fazendo versões para músicas de Jimi Hendrix, Bob Dylan, Jefferson Airplane, Neil Young, Nirvana e “mais algumas pessoas que causarão surpresa”.
À revista Billboard ela disse que se debruçar sobre essas canções foi uma verdadeira aventura. “Sempre quis fazer um disco de covers, mas não achava que tinha o alcance. Mas agora domino perfeitamente meu trabalho e estou pronta para atacar um monte de canções diferentes que tenham letras fortes e relevantes.”
O novo disco será repleto de participações especiais, como o guitarrista do Television Tom Verlaine, o baixista do Red Hot Chili Peppers, Flea, e Richard Robinson, do Black Crowes, além do dramaturgo Sam Shepard.
A conferir…
Via Billboard
Na Holanda nos anos 60, os Provos começaram a pintar bicicletas de branco. Essas bicicletas ficavam nas ruas e podiam ser usadas por quem precisasse e tivesse vontade. No começo, era uma idéia genial, libertária e anarquista. No final, as bicicletas eram roubadas e repintadas. Essa trajetória do sonho ao pesadelo diz muito sobre os anos 60, e não é à toa que Joe Boyd usou a figura das bicicletas brancas holandesas para dar título ao seu livro de memórias do período.
White Bicycles – Making Music in the 60s foi o livro de música mais interessante que eu li durante as férias. É uma autobiografia, mas, mais do que isso, é um livro que interpreta de forma brilhante as reviravoltas pelas quais a música pop passou na década.
E Joe Boyd, que queria ser uma eminência parda nesse circo, conseguiu. Era amigo de Bob Dylan, levou alguns dos principais artistas negros de jazz, blues e R&B para a Europa, e, radicado em Londres, era sócio da meca da psicodelia, o clube UFO, onde uma certa banda chamada Pink Floyd ganhou fama (e Boyd produziu o primeiro compacto deles).
Como produtor, foi o responsável por dar vazão ao melhor do folk-rock inglês e produziu bandas e cantores reverenciados até hoje como Nick Drake, Incredible String Band, Vashti Bunyan e Fairport Convention.
Só isso bastaria para dar um ótimo livro, mas a prosa solta de Boyd e as histórias impagáveis dos bastidores do mundo da música primeiro nos Estados Unidos e, depois, na Swinging London são imperdíveis.
É um daqueles livros que dão vontade de sair traduzindo…
Depois de o DJ Spooky revirar em 2006 o baú da lendária Trojan Records – o principal selo de música jamaicana, que lançou alguns dos melhores discos de dub, R&B, roots e dancehall -, no excelente álbum duplo DJ Spooky Presents – In Fine Style: 50,000 Volts of Trojan Records, agora é a vez de o guitarrista do Radiohead Jonny Greenwood revirar o baú do selo que gravou Augustos Pablo, The Upsetters, Scientist e que tais. O disco compilado pelo guitarrista será lançado em março deste ano sob o inspirado título de Jonny Greenwood Is the Controller. Incrível como o cara vai da composição moderna aos vapores do reggae em dois tempos.
Veja a lista das músicas:
01 Linval Thompson – “Dread Are the Controller”
02 Derrick Harriott – “Let Me Down Easy”
03 Marcia Aitken – “I’m Still in Love”
04 Gregory Isaacs – “Never Be Ungrateful”
05 Lee “Scratch” Perry – “Bionic Rats”
06 The Heptones – “Cool Rasta”
07 Scientist & Jammy & the Roots Radics – “Flash Gordon Meets Luke Skywalker”
08 Lee “Scratch” Perry & the Upsetters – “Black Panta”
09 Junior Byles – “Fever”
10 Desmond Dekker & the Aces – “Beautiful and Dangerous”
11 Lloyd’s All Stars – “Dread Dub (It Dread Out Deh version)”
12 Marcia Griffiths – “Gypsy Man”
13 Johnny Clarke & the Aggrovators – “A Ruffer Version”
14 The Jahlights – “Right Road to Dubland (Right Road to Zion dub)”
15 Junior Byles & Lee Perry – “Dreader Locks”
16 Delroy Wilson – “This Life Makes Me Wonder”
17 Scotty – “Clean Race”
Via Pitchfork
Hoje rola a festa Rockfellas Mod Generation, no Vegas. Com direito a especial James Brown (performer dubs), a banda Os Haxixins e Lucio Ribeiro quebrando tudo na pista.
O Vegas fica na rua Augusta, 765. Tel. 3231-3705. A balada começa às 23h.
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