
As irmãs Cassady atacam novamente. Com um novo álbum no forno, elas lançaram na web o stream de um novo single. A música chama ‘God has a voice, she speaks through me’, e vai ser lançada como picture disc em 8 de julho. Em 26 de maio, a gravadora Touch and Go promete um vídeo da nova música. As batidas são bem marcadas, mais próximas das do último disco delasThe adventures of ghosthorse and the stillborn , e complementadas por aqueles barulhinhos fantásticos e tão peculiares. Destaco um sintetizador que beira a cafonalha dos anos 80 e começa a berrar no meio da canção. Só por manter essa mistura de estranhesa sonora e vocais que vão do lírico celestial ao show de colouros do pré-primário já vale! Para ouvir a nova música em streaming, clique aqui.
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Não é só a presença de Norah Jones no papel principal nem o toque sempre certeiro de Ry Cooder na trilha sonora. Assistindo ontem no cinema a Um beijo roubado (My blueberry nights), de Wong Kar Wai, não conseguia tirar o blues da cabeça. A relação não é a mais óbvia com a trilha sonora, mas é a própria construção cinematográfica e de roteiro d0 filme que me lembraram o blues. E são muitos os pontos de conexão. Em primeiro lugar, há uma sobreposição de culturas. A despeito de sua origem, o olhar do diretor para os Estados Unidos é tudo menos estrangeiro. E o blues não poderia ser mais americano apesar de suas origens africanas. Kar Wai é um mestre ao contar histórias e pintar com a câmera, e faz isso sempre de um ponto de vista íntimo. O blues também sempre parte da intimidade, da experiência pessoal, para pintar um retrato aberto, onde podemos inferir nossos sentimentos. O filme é uma fábula enganadora sobre o amor. No fundo, seus temas são o a confiança, a morte, o vício, o abandono, a estrada, a dificuldade de cruzar os limites pessoais, de inventar uma nova persona a partir do autoconhecimento. E esses são temas clássicos do blues. Poderia enumerar uma série de músicas, mas por serem tantas, tornam-se desnecessárias. Por fim, há uma magia no fazer cinema de Kar Wai. Aí a comparação é com a escala pentatônica. A sequência das notas não é nenhuma novidade, sabemos o que esperar, mas há sempre uma nota dobrada, um acento especial, algo que transmite a alma do bluesman quando ele escolhe que notas usar da escala. Kar Wai também não sai muito da pauta. Apesar de manejar sua câmera às vezes de forma surpreendente, sabemos onde ele vai chegar desde o início, mas é como ele escolhe chegar lá, como ele enquadra a cena, o tratamento que dá para luz e grão que o tornam tão diferenciado. E isso é o blues. Em tempo: adorei a pequena e matadora participação da Cat Power no filme.

Hoje rola na choperia do Sesc Pompéia, às 21h, o show de lançamento do disco Pareço Moderno, novo do Cérebro Eletrônico. Não ouvi o disco todo ainda, embora adore o álbum de estréia deles. Consegui ouvir algumas faixas no MySpace da banda e achei muito boas.
A NME fez uma matéria supermanjada, mas sempre superdivertida (e também batida pra caramba) com as piores capas de discos de todos os tempos. Clique aqui para ler. Eu por aqui, resolvi fazer um ranking pessoal do top 5 do horror brasuca. Concorda? Discorda. Mande a sua seleção…

Norberto de Freitas – Trapalhadas do Balbino
Comunidade Nin-Jitsu – Maicou Douglas Syndrome
Genival Lacerda – O Photagráfo
Supla – O Charada Brasileiro
Sandy & Junior – Tô Ligado em Você
Lembro perfeitamente da primeira vez que ouvi Captain Beefheart and his Magic Band, sei lá, há uns 20 anos, talvez um pouco mais. Um amigo fã do Zappa dizia que era uma heresia falarem que tinha um cara mais louco do que o pai de ‘Bobby Brown’. Descolei uma fita K7 do Safe as Milk – alguém se lembra disso? – que ouvi até enrolar no toca-fitas. Coloquei a fita para tocar numa tarde, estava sozinho na casa dos meus pais, volume no máximo. Pirei. Depois que a fita se foi, fiquei anos sem ouvir. Só voltei ao Beefheart nesses tempos de internet. Safe as Milk foi um dos primeiros discos que baixei, ainda nos idos do Napster. Embora tenha alguns gigas de mp3 do Beefheart, nunca tive um disco sequer. Isso até hoje. O amigo Bruno Torturra me trouxe dos EUA um vinil lindo, novo, justamente do Safe as Milk. Confesso que fiquei emocionado. Fiquei até a fim de fugir da Trip e correr para casa e botar o bichinho pra tocar. O disco é 1967 e pode ser considerado o primeiro de estúdio com a fantástica Magic Band. Ele está, obviamente, impresso nas minhas memórias afetivas. Tem Ry Cooder na guitarra e, na maior parte do tempo, é uma viagem de blues elétrico, com pitadas de folk. Só duas músicas têm a estranhesa alucinante que tomou conta da obra de Beefheart nos anos seguintes e que fez com eu discordasse com o meu amigo: é mesmo mais doido do que Zappa. Essas músicas são ‘Abba Zaba’ e ‘Electricity’, que você pode ver nesse vídeo aí em cima. Pode aproveitar!
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A revista The Wire tem um seção pequena todo mês em que um jornalista mostra a cena underground de uma determinada cidade. Neste mês, a cidade é Vancouver. Eu, particularmente, não tinha a menor idéia do que rolava de som por lá. Foi bacana descobrir bandas como Black Mountain, Ejaculation Death Rattle e outros grupos montados ao redor de uma figura que atende pelo nome de Josh Stevenson. Só que mais legal do que ficar sabendo que esse povo existe através do artigo, foi ouvi-los. Isso porque a revista disponibiliza para download uma série de faixas. Quer ouvir também? Siga este link:http://www.thewire.co.uk/articles/952/.

Mês passado, Nasi deu uma entrevista bombástica para mim e para a Nina Lemos, publicada aqui na Trip. Nasi é um cara polêmico, mas além da briga toda dele com o Ira!, da interdição kafkiana, de seu charme com as mulheres e da história complicada com as dorgas, falamos muito de música, coisas que acabaram fora da edição final do texto. Por isso, esse podcast traz trechos inéditos da entrevista e tenta dar uma geral na carreira do senhor Marcos Valadão, tanto solo como com a banda! Para fazer esse podcast, revisitei meus velhos discos do Ira! e foi uma delícia. Depois de ouvir tudo, decidi tocar canções compostas pelo Nasi. Assim, espero ter matadi dois coelhos de uma só vez: fiz um podcast em que se pode ouvir faixas do Ira! que nunca ou muito raramente tocaram no rádio e mostrei o lado compositor do Nasi, que quase nunca é lembrado. Isso sem falar nos blues. Ouve aí:
1. Wolverine Blues – Nasi 2. Sonhar com o quê? – Ira! 3. Receita para se Fazer um Herói – Ira! 4. Advogado do Diabo – Ira! 5.Cabeças Quentes – Ira! 6. O Homem é Esperto mas a Morte é Mais – Ira! 7. Imagens de Você – Ira! 8. Correnteza – Ira! 9. O Tempo – Ira! 10.Problemas – Nasi e os Irmãos do Blues 11. Sofre – - Nasi e os Irmãos do Blues 12. Vampiro – Nasi e os Irmãos do Blues 13. Sociedade Alternativa – Nasi
Download Discofonia 70 – Nasi
“Machine Gun”, do novo disco do Portishead, está longe de ser a minha preferida. Talvez por ser a menos climática de 3. Mas parece ser a escolha daquele velho modelo da música de trabalho. Nos tempos de long tail, haja paciência para essa mentalidade datada. De qualquer forma, os clipes da banda de Bristol são sempre legais, e esse não é diferente. E, como estou viciado nesse disco nas últimas semanas, aí vai ele…
Algo de errado com o YouTube nesse vídeo. Se você não conseguiu assisti-lo, dá para ver direto no YouTube nesse link: www.youtube.com

Quando eu estava em Portland, indo para o show do Acid Mothers Temple, pedi informação sobre o ponto do ônibus para um garoto, Alex. Batemos um papo rápido e descobrimos que estavamos indo para o mesmo show. Mais papo e ele me disse que era baterista de uma banda indie, formada com seus dois irmãos. Kenny, o mais velho, baixista, estava fazendo aniversário naquele dia e seu presente era ver os japs. De volta ao Brasil, demorei um pouco para ouvir o som dos caras. Na verdade, quando eles me falaram que era uma mistura de Beatles e Nirvana, fiquei meio com o pé atrás… Mas lembrei de outros papos que tivemos e me animei. Eles são da mesma turma do Dandy Warhols, gravam no estúdio deles e freqüentam umas festas que parecem bem animadas num galpão dos Dandys afastado da cidade e, dois fins de semana antes de nossa conversa, tinham feito uma jam com J Macis, do Dinosaur Jr, por lá. Bom, eram credenciais legais o suficiente para checar o som do Monstrous. Isso sem falar do papos bizarros sobre as eleições americanas – nenhum deles vota – e de como a moçada vive mal sem seguro saúde nos EUA, comprando drogas (da indústria farmacêutica) de traficantes, nas ruas. Uma coisa meio estranha que eu não sabia que rolava tão freqüentemente. Política de lado, gostei muito de uma música deles, chamada ‘Mother Nature’s Slave’ (qualquer semelhança com Beatles não é mera coincidência), mas essa eles não disponibilizam para download no Myspace, só dá para ouvir. Então, recomendo uma ida ao Myspace dos caras para ouvi-las.
Ok, o vídeo é de doer de ruim, parece até os feitos por mim, mas vale a pena ver o Prince tocando Creep, do Radiohead. No mínimo, é creepy. Aliás, alguém entendeu por que colocaram o Prince de headliner na indielândia? O NY Times arrisca um palpite hoje. Nesse artigo, o jornal diz que é porque os indies cultuam os anos 80 e começo dos 90. Ah, tá…
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