ir para o conteúdo
 • 

Guilherme Werneck

uma_noite_em_67_2010_f_001.jpg

Muito se escreveu sobre o brilhante Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil,  sem dúvida um dos melhores documentários do ano, sucesso de público e crítica.  Antes de mais nada, sou sim amigo do Ricardo, adoro o filme, mas asseguro que esse não é mais um dos famosos casos de  “ação entre amigos” da imprensa.

uma_noite_em_67.jpgFã de MPB, nasci depois da era dos festivais, mas o assunto sempre foi vivo em família. Os musicais da Record, entres os eles o festival, sempre rondaram os papos daqueles encontros de domingo, um pouco baseado naquele discurso levemente reacionário de “bom mesmo era aquele tempo da Record…”. Se não vivi esse tempo ao vivo, em P/B, nunca perdia os reprises dos clássicos da Record e, já adulto, sempre mantive uma proximidade com o tema, principalmente atarvés da leitura. E, de tudo que li, recomendo A Era dos Festivais (Editora 34), do Zuza Homem de Mello.

Foi essa bagagem de curioso de segunda mão que levei para a estreia do filme, com um medo danado de não gostar ou de achar tudo meio déjà vu. Medo absolutamente infundado. Não só as imagens originais da Record foram hiper bem tratadas e causam um impacto tremendo na tela de cinema, como o coração do filme, as entrevistas com aqueles que tomaram parte no festival, foram conduzidas de forma a surpreender não só quem assistiu aos festivais na época, como quem acompanha de perto os movimentos dessa elite da MPB que desfila na tela. Não achava possível ouvir nada de muito novo de Caetano, Gil, Chico, até mesmo de Sérgio Ricardo. Quebrei a cara. Terra e Calil conseguiram arrancar “causos” deliciosos de seus entrevistados, e montá-los no filme com maestria. E é o equilíbrio entre as imagens originais e essas “causos” rememorados mais de quarenta anos depois é o que dá força ao filme.

Para chegar a esse equilíbrio. os diretores tiveram de tomar uma decisão dura no meio do caminho: não mostrar todas as músicas que chegaram à final do festival. Escolheram as primeiras colocadas e, claro, a desclassificada. Seria impossível fazer um filme sobre a final de 67 e deixar de fora o violão quebrado por Sérgio Ricardo.

Para quem sentiu falta das apresentações de Elis Regina (“O Cantador”), Nana Caymmi (“Bom Dias”),  MPB4 (“Gabriela”), Nara Leão e Sidney Miller  (“A Estrada e o Violeiro”) e Jair Rodrigues (“Samba de Maria”), o DVD de Uma Noite em 67 traz todas essas as apresentações nos extras.

Claro, a edição dos extras é menos elaborada, mas os depoimentos deliciosos sobre as músicas aparecem lá de novo. E oO melhor vem em outra parte dos extras, nos “causos” recolhidos pela dupla de diretores durante as entrevistas. Não vou estragar a graça de quem não viu, mas há ao menos três histórias impagáveis: Chico Anysio destruindo “Ponteio”, Arnaldo Baptista com sua empolgação quase infantil contando como Rogério Duprat transformava suas imagens de desenho animado do Mutante em música no arranjo de “Domingo no Parque” e Paulo Machado de Carvalho explicando como nasceram os musicais da Record.

Nem tudo é perfeito. Por mais que a ideia seja boa,  o reencontro dos torcedores no teatro hoje fica muito aquém da qualidade do resto dos extras.  Na verdade, é o único momento em que os extras parecem sobras. Em todos os outros casos, a impressão é de mergulhar em um delicioso lado B.

Se o filme sozinho já era bom de ter em casa, com os extras se torna essencial.

Mais aqui no Estadão sobre Uma Noite em 67:

Era um, era dois, era cem e muitos mais na roda viva

“Pra não dizer que não falei da noite de 67″

De conteúdos e performances

comentários (11) | comente

15.agosto.2008 18:28:56

50 fotos da Madonna

madonna.thumbnail

Para comemorar os 50 anos de La Ciccone, o Guardian mostra uma galeria de 50 fotos da popstar. Para muita gente, o melhor da Madonna é isso mesmo, o visual. Clique aqui para ver a galeria de fotos.

sem comentários | comente

isaac_hayes_1973

O mestre da soul music Isaac Hayes morreu ontem em Memphis , aos 65 anos. Sim, este blogueiro, que sempre preferiu a Stax à Motown, está de luto. De todas coisas que eu vi e li sobre a morte de Hayes, uma das mais legais foi uma compilação de vídeos do YouTube feita pelo jornal inglês The Guardian. Clique aqui para ver os filmes e aproveite.

sem comentários | comente

O blog The Consumerist, um dos mais influentes em conumo nos Estados Unidos, resolveu fazer a eleição das piores empresas dos EUA. E neste ano não tem para ninguém: a RIAA (associação ue representa as gravadoras multinacionais, que acabou com o Napster e há anos insiste em processar usuários que trocam música no computador) levou o prêmio – e olha na foto que troféu lindo ela ganhou. A votação foi feita com leitores do blog e era tipo desafio de gladiadores. Duas empresas duelavam e a que vencia avançava para a rodada sequinte. Na final, a RIAA bateu a Halliburton, mas deixou muita gente ‘boa’ pelo caminho: Walmart, Verizon, Monsanto, Exxon, Sony, U-Haul, só para citar as que foram mais longe na competição.

sem comentários | comente

20.março.2007 15:05:19

Chappa quente

Amanhã eu vou ao Rio de manhã para participar do Música Chappa Quente, um evento sobre a indústria da música pós-revolução digital, que rola às quartas até o dia 4 de abril. Eu vou participar da discussão sobre podcast e webradio de manhã e à tarde rola uma discussão sobre YouTube, MySpace e os motores da chamada web 2.0. E, claro, um encontro como esse terá cobertura online. O aúdio das palestras será transmitido pela web. Quem quiser acompanhar, amanhã começa às 9h.E será bem legal discutir sobre webradio com toda a polêmica em torno do pagamento dos royalties das músicas tocadas na internet nos Estados Unidos. No ano passado foi instituída uma taxa que as webradios precisam pagar a cada música tocada. Ela começou com 0.08 centavos de dolar em 2006 e sobre para 0,19 até 2010. Fora uma anuidade de US$ 500. Segundo rádios online como Pandora e Real, o pagamento causaria uma quebradeira generalizada. Quer saber mais sobre o assunto, leia a reportagem de ontem do NYT.

sem comentários | comente

http://www.ronnievon.com/ Ronnie Von é lembrado por muitas coisas – entre elas programas de TV de qualidade duvidosa -, mas a sua música, principalmente a produzida entre o fim dos anos 60 e começo dos anos 70, é largamente ignorada. Boa parte é culpa do próprio Ronnie Von, talvez uma das primeiras vítimas da superexposição pop por estas praias. Só que quem não conhece os dez primeiros discos dele está perdendo um capítulo fundamental do rock brasileiro. Para remediar isso e fazer uma justa homenagem a um dos pais da psicodelia pátria, a jornalista Flavia Durante organizou um projeto bem bacana, que recupera o melhor lado do Ronnie Von. é o site Tudo de Novo, um tributo ao artista no qual são disponibilizados dois discos (talvez disco não seja a palavra certa nessas épocas de download)em que bandas independentes de hoje tocam músicas desse período mais criativo do cantor. Para conferir o projeto e baixar as músicas, clique aqui. Abaixo, a lista das bandas e dos sons: Volume 1 01. OVNI – Meu Novo Cantar 02. Os Vilsos – Chega de Tudo 03. Rádio de Outono – Espelhos Quebrados Vinheta. Bar íris 04. Naiti – Sílvia 20 horas, domingo 05. Os Almeida – Menina de Traças 06. Fantastic 5 – Nada de Novo / Lábios que beijei 07. Les Sucettes – Esperança de Cantar 08. Detetives – Anarquia 09. Cactus Cream – Mil Novecentos e Além 10. Clube da Luta – Tristeza num Dia Alegre 11. Leux Perdis – Contudo, Todavia 12. Os Skywalkers – Canto da Despedida Volume 2 01. Os Insertos – Meu Bem 02. Royale – Igual a Peter Pan 03. Plato Divorak & Clepsidra – A Menina Azul 04. Astronauta Pinguim – Pra Chatear 05. Superlego – O último Homem da Terra 06. A Banda de Um Amigo Meu – De como meu herói Flash Gordon irá levar-me de volta a Alfa do Centauro, meu verdadeiro lar 07. Videodrome – Onde Foi 08. Continental Combo – Pare de Sonhar com Estrelas Distantes 09. Vini F. – Máquina Voadora 10. William Laxtons – Você de Azul 11. Batucada Valvulada – águas de Sempre 12. Ecos Falsos – Viva o Chopp Escuro 13. Profiterolis – Seu Olhar no Meu 14. Hype Quino – Continentes e Civilizações 15. Telerama – O Verão nos Chama 16. Malachai – Regina 17. Mário Broz – Aquela Mesma Canção 18. Quartzo – Eu era humano e não sabia PS: a foto é a capa do disco de 1970 de RV.

sem comentários | comente

Comentários recentes

  • Gildo Araújo: Diante dos “Silvas” não há escapatória, ou o sujeito ama ou odeia. Alain Delon aparece na capa...
  • Gildo Araújo: O vídeo de Go Outside é inspirado em Brigite Bardot e no filme Desprezo de Godard, como no Youtube...
  • Nilton: Muito bacana a entrevista. A voz da Mia é tão bonita e única. Gosto muito de “My room is...
  • Renata: Banda meia boca?Será que quem fez esse comentário já escutou as obras The Moon and Antarctica e the...
  • leonardo: vou baixar o 1°. Se for ruim nem leio o resto…

Arquivo

Twitter

Blogs do Estadão