
Amanhã, 12/2, o baixista William Parker integra a banda que vai tocar com o lendário Yousef Lateef no Sesc Pompéia (os ingressos estão esgotados). Hoje, o Roberto Nascimento publicou uma matéria sobre Parker no Caderno 2 e eu fiz um texto sobre a sua importância como baixista. A entrevista ficou muito boa e o Roberto liberou a íntegra desse papo com William Parker aqui para o blog.
Além da entrevista, deixo um link para um dos primeiros podcasts Discofonia que fiz, sobre o baixista, em 2005: Discofonia sobre William Parker.
Mas o que vale mesmo é o papo com este gigante do jazz:
Fale um pouco sobre Curtis Mayfield.
Bom, por muitos anos disse na imprensa e em livros que, basicamente, todo mundo têm sua própria música e uma ideia de seu relacionamento com som. E que, para tocar a música do Duke, você precisa do Duke, para tocar Trane, você precisa do Trane. Não é o tipo de coisa que eu faço normalmente, mas decidi que queria fazer a música do Curtis Mayfield. Porque eu gostava da música dele. Não achava necessariamente que era uma música excelente para improvisar em cima, porque eu não sabia o que iria fazer com ela quando comecei o projeto, exceto que havia um questionamento de como transformar a música do Curtis Mayfield em algo maior. Daí veio a ideia de buscar a canção dentro da canção. Muito da música dele vinha dos anos 60, durante o movimento por direitos civis. Muitas delas eram centradas no orgulho negro e na ideia de liberdade, de se defender por si mesmo, de ter uma voz própria. Era político. Então a chave não era a música em si, porque todas as canções dele são em um tom só, era um fascínio pela pessoa dele cantando essas músicas. O mesmo que James Brown, o ritmo sobre o qual ele apresentava as coisas, o sabor, o colorido… Não era necessariamente desafiador musicalmente. Então o centro catalisador tinha de ser a extensão das canções, ir para dentro das músicas. Foi Amiri Baraka que pegou as pistas das letras do Curtis para ampliar as canções e fazer com que elas se transformassem em outras coisas. Porque obviamente o aspecto da improvisação era muito simples. É o que aprendemos com John Coltrane. Ele podia pegar My Favorite Things ou Chim Chim Cher-ee e basicamente usar como fonte para improvisar por horas. Essa é a parte simples. Podia ser a música de qualquer pessoa, mas escolhemos Curtis Mayfield. A ideia é de que, seja o que for que você tocar, você tem de chegar ao centro da música. Se você estiver fazendo um instrumento de madeira, como um xilofone, você encontra os nós da madeira ou os pontos onde ela vibra mais. Toda música tem um centro ou um lugar onde onde vibra mais. Você tem de conseguir encontrar esse centro.
Miranda Kassin e André Frateschi lançaram há pouco Hits do underground, um disco notável produzido pelo Plínio Profeta, que mapeia uma série de bandas que deram a cara dos anos 2000. A decisão de tocar as músicas de sua geração é absolutamente acertada.
Primeiro porque essa é uma turma de compositores muito talentosa, que detonaria se tivesse a exposição de outros tempos, mas ainda luta para sobreviver no underground, no circuto Sesc-Baixo Augusta-Vila Madalena, sem quase chegar até os meios de massa. Depois por que nos dá bons intérpretes para uma geração em que os compositores geralmente estão também nos palcos, defendendo suas crias. E, para terminar, porque dá outra dimensão para o trabalho do casal. O André apareceu como vocalista da banda Heroes, fazendo covers de David Bowie (antes de torcer o nariz, pense que a Heroes foi a banda que me fez perder o preconceito com bandas cover), e a Miranda com o projeto da Amy Winehouse. No Hits do undergound, a dupla mostra, além de versatilidade, um gosto impecável.
Para este podcast, eu conversei por telefone com o André, para falar, faixa a faixa, da seleção das músicas que compõem o disco. Então apresento algumas versões do casal e os originais, uma forma de mostrar todo o talento dessa que, na minha opinião, é a geração de compositores mais fervilhante desde os anos 1980. Vamos às músicas:
Download Ouça em streaming o Discofonia 87 – Hits do Underground
Ouça e baixe no www.discofonia.com.br
Hoje tem show do Anti-pop Consortium no Sesc Pompéia e eu acabei entrevistando o Beans para a TV Estadão.
Como o papo foi bom e nem tudo coube na edição final do vídeo, selecionei partes da entrevista e costurei com algumas das minhas músicas preferidas de três discos do Anti-pop Consortium: “Arrhythmia”, de 2002, “Anti-pop Consortium vs Matthew Shipp“, 2003, e o novo “Fluorescent Black”, que deve ser a base do show. De quebra, para terminar o podcast, botei uma do “Only”, do Beans com o William Parker e Hamid Drake para honrar a entrevista.
Essa é a lista das músicas que rolam no Discofonia:
1. Reflections
2. NY to Tokyo (featuring Roots Manuva)
3. Volcano
4. Fluorescent Black
5. Ping Pong
6. Ghostlawns
7. Human Shield
8. Staph
9. Free Hop
10. 20
Deixo o audio para ouvir em streaming aqui: Discofonia 86
Esperei terminar 2009 para ver, na real quais eram os melhores do ano. Como nem eu confio só na minha opinião chamei meu amigo Daniel Benevides para um balanço. Nós dois escolhemos, de forma totalmente independente, 50 álbuns de 2009. No final, sem nenhum arranjo prévio, 25 dos discos eram os mesmos. Claro que a vizinhança conta, mas o legal que é os outros 25 eram bem diferentes. Então resolvi que essas duas listas renderiam três podcasts. Um com músicas dos 25 álbuns que mais gostamos. Um com 15 que ficarm de fora da lista do Daniel e um com 15 da minha lista. Neste primeiro programa com as 25, a ordem é justamente a dos discos que chegaram ao topo da lista, somadas as nossas opiniões. O que eu achei legal e surpreendente, no final, foi o número de artistas brasileiros nas listas. O lado ruim é que com esses tr~es podcasts, vou encerrar o Discofonia. Depois de quase 5 anos, é hora de dar um tempo.
Mas, para terminar com o astral alto, aí vão as listas de sons deste primeiro podcast:
David Sylvian
1. Small Metal Gods – David Sylvian
2. Stillness is the Move – Dirty Projectors
3. Bubuia – Céu
4. My Girls – Animal Collective
5. Triunfo – Emicida
6. Recado pro Pio Lobato – Lucas Santtana
7. Islands – The XX
8. Criminals – Atlas Sound
9. Seven – Fever Ray
10. Deserto Vermelho – Romulo Fróes
11. Junk Magic – Craig Taborn
12. Eid Ma Clack Shaw – Bill Callahan
13. Giving Away the Bride – Califone
14. Echo Party (trecho) – Edan
15. Phonbos – Darcy James Argues’s Secret Society
16. Anti- Orgasm – Sonic Youth
17. Aquarius Sabotage – Flaming Lips
18. I Man – King Midas Sound
19. Space Mountain – Fuck Buttons
20. Drive to Dallas – Fiery Furnaces
21. Can I Get U Hi? – Sa-Ra Creative Partners
22. A Casa é Sua – Arnaldo Antunes
23. Laura Te Espera com uma Arma na Mão – Stela Campos
24. Two Weeks – Grizzly Bear
25. Música para Colocar naquele Som com Despertador – Lulina
Depois do melhor, as excentricidade de cada um, começando pelo podcast com as 15 de Daniel Benevides:
1. The Original Man – Fredo Viola
Fredo Viola
2. New Wu – Raekwon
3. Anunciação – Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz
4. Auditorium – Mos Def
5. Jealous of Roses – Bibio
6. Lips – Micachu & The Shapes
7. Marrow – St Vincent
8. Time of the Assassin – Charlotte Gainsbourg
9. Feather – Little Dragon
10. Mirrored and Reverse – White Denin
11. Three Decades – The Horrors
12. Lisztomania – Phoenix
13. Out of the Blue – Julian Casablancas
14. Cornerstone – Arctic Monkeys
15. Focus – Bill Frisell
Os 50 álbuns do Daniel:
1. Dirty Projector – Bitte Orca
2. Atlas Sound – Logos
3. Fredo Viola – The Turn
4. David Sylvian – Manafon
5. Craig Taborn – Junk Magic
6. Raekwon – Only Built 4 Cuban Linx Part II
7. Céu – Vagarosa
8. Emicida – Para Quem já Mordeu um Cachorro Por Comida, Até que eu Cheguei Longe
9. Fever Ray – Fever Ray
10. Lucas Santtana – Sem Nostalgia
11. Bill Callahan – Sometimes I Wish I Were an Eagle
12. Edan – Echo Party
13. Animal Collective – Merryweather Post Pavillion
14. The XX – XX
15. White Denin – Fits
16. Romulo Fróes – Não Chão Sem o Chão
17. Julian Casablancas – Phrazes for the Young
18. Califone – All My Friends Are Funeral Singers
19. Mos Def – Ecstatic
20. Bill Frisell – Disfarmer
21. Sa-Ra Creative Partners – Nuclear Evolution: The Age of Love
22. Micachu & The Shapes – Jewellery
23. Fuck Buttons – Tarot Sport
24. Arctic Monkeys – Humbug
25. Bibio – Ambivalence Avenue
26. Charlotte Gainsbourg – IRM
27. Leonard Cohen – Live in London
28. Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz – Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz
29. Gustavo Ceratti – Fuerza Natural
30. Stela Campos – Mustang Bar
31. Flaming Lips – Embryonic
32. Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
33. King Midas Sound – Waiting For You
34. Darcy James Argues’s Secret Society – Infernal Machines
35. Grizzly Bear – Veckatimest
36. Yeah, Yeah, Yeahs – It´s Blitz!
37. Fiery Furnaces – I´m Going Away
38. St Vincent – Actor
39. Arnaldo Antunes – Iê, Iê, Iê
40. The Horrors – Primary Colours
41. Lulina – Cristalina
42. Bruce Springsteen – Working on a Dream
43. Sonic Youth – The Eternal
44. Otto – Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos
45. Air – Love 2
46. Little Dragon – Machine Dreams
47. Rodrigo Campos – São Mateus Não é um Lugar Assim Tão Longe
48. Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures
49. Norah Jones – The Fall
50. Tiê – Sweet Jardim
E, para terminar, o programa derradeiro com as minhas 15 idiossincráticas:
1. One Million Years Ago – Broadcast & Focus Group
Broadcast
2. Untiteld 2 – Joelle Leandre & William Parker
3. Mind Games – Ivo Perelman
4. Can I Hold You for a Minute? – Fire!
5.Opaue – Hildur Gudnadóttir
6. All Day Monday and Tuesday – Richard Youngs
7. They Called Me to the Window – Josephine Foster
8. The Crying Light – Antony & the Johnsons
9. So High – Dredd Foole & Ed Yazijian
10. Underground Resistance – Black Sheep
11. Padre Baloeiro – + 2
12. Hibakúsja – Ben Frost
13. Pattern 3 – Moriz von Oswald Trio
14. Alice – Sunn O)))
15. There’s a Party – N.A.S.A
Os meus 50:
1. David Sylvian – Manafon
2. Céu – Vagarosa
3. Broadcast & Focus Group – Broadcast & Focus Group Investigate Witch Cults of the Radio Age
4. Animal Collective – Merryweather Post Pavillion
5. Dirty Projector – Bitte Orca
6. Joelle Leandre & William Parker – Live at Dunois
7. Josephine Foster – Graphic as a Star
8. Richard Youngs – Under Stellar Stream
9. + 2 – Imã
10. Hildur Gudnadottir – Without Sinking
11. Ivo Perelman – Mind Games
12. Jim O’Rourke – The Visitor
13. Sonic Youth – The Eternal
14. Fire! – You Liked Me Five Minutes Ago
15. Sunn O))) – Monoliths & Dimensions
16. Moriz von Oswald Trio – Vertical Ascent
17. Black Sheep – Kiss My Sweet Apocalypse
18. Emicida – Para Quem já Mordeu um Cachorro Por Comida, Até que eu Cheguei Longe
19. Dredd Foole & Ed Yazijian – That Lonesome Road Between Hurt and Soul
20. Darcy James Argues’s Secret Society – Infernal Machines
21. Antony & the Johnsons – The Crying Light
22. The XX – XX
23. Lucas Santtana – Sem Nostalgia
24. Ben Frost – By the Throat
25. Romulo Fróes – Não Chão Sem o Chão
26. Califone – All My Friends Are Funeral Singers
27. Flaming Lips – Embryonic
28. Fiery Furnaces – I´m Going Away
29. N.A.S.A – The Spirit of Apollo
30. Fever Ray – Fever Ray
31. King Midas Sound – Waiting For You
32. September Collective – Always Breading Monsters
33. Bill Callahan – Sometimes I Wish I Were an Eagle
34. Steve Lehman – Travail, Transformation and Flow
35. Atlas Sound – Logos
36. Japandroids – Post Nothing
37. Arnaldo Antunes – Iê, Iê, Iê
38. Ben Neil – Night Science
39. Craig Taborn – Junk Magic
40. Telefon Tel Aviv – Immolate Yourself
41. Edan – Echo Party
42. Fuck Buttons – Tarot Sport
43. Current 93 – Aleph at Hallucinatory Mountain
44. Grizzly Bear – Veckatimest
45. Jah Wobble and the Chinese Dub Orchestra – Chinese Dub
46. LSD March – Under Milk Wood
47. O Degrau – O Fantasma da Light
48. Stela Campos – Mustang Bar
49. Sa-Ra Creative Partners – Nuclear Evolution: The Age of Love
50. Lulina – Cristalina
Gabriel Werneck
Joker no ato
Acabo de voltar de viagem com a mala cheia de discos. E um monte de coisa boa de dubstep. Separei três sons que vem de dois 12′ da Tectonic, de três dos melhores produtores do estilo hoje. O legal é que as faixas foram gravadas direto do vinil. Tudo bem que perde muito ao virar MP3, mas vibe é diferente. Abro o podcast com o enfent terrible Joker com seu som mais colorido e aberto para influências da house, depois toco os pioneiros Skream e Benga, que se aproxima muito do techno nessa faixa. São os horizontes do dubstep, que até por conta do baixo forte sempre carrega uma certa claustrofobia, se alargando
1. Untitled_RSN – Joker
2. Trapped in a Dark Bubble – Skream
3. Technocal – Benga
MV & EE
Entre o acústico e o elétrico, de forma eletrizante, essas três bandas de hoje brincam com o poder do rock, do blues e do folk de maneira muito particular. Começo com uma do Barn Nova, da dupla MV&EE, depois passo para um som do All My Friends Are Funeral Singers, do Califone, e termino com a banda do Julian Cope, Black Sheep, que lançou o monolítico Kiss My Sweet Apocalypse.
Get Right Church – MV&EE
Funeral Singers – Califone
Che – Black Sheep
Divulgação
David Byrne na turnê do disco com Brian Eno
Hoje rolam 3 sons que têm a ver com o percussionista Mauro Refosco, que escreve o blog Mundo Afora aqui na Trip. Quem era ligado em música já conhecia o trabalho dele, mas ele bombou recentemente por ser o brasileiro tocando com o Thom Yorke. Provincianismo à parte, toco hoje uma do Light a Candle, novo álbum do Forro in the Dark, uma do EP Everything that Happens Will Happen on this Tour, registro da turnê recente do David Byrne na qual Mauro toca percussão, e, claro, o famoso single do Thom Yorke, Feeling Pulled Apart by Horses.
1. Feeling Pulled Apart by Horses – Thom Yorke
2. I Feel My Stuff – David Byrne
3. Perro Loco – Forro in the Dark
Amanhã rola o Festival de Política da Trip no Studio SP. Para esquentar, pedi ajuda aos universitários Fernando Luna, Daniel Benevides, Lino Bochini e Alexandre Postacheff para armar uma lista de cações de protesto. Como várias dessas músicas trazem muitas lembranças, resolvi tocar o máximo possível em vinil. Por isso, gravei o podcast como se fosse um set. Então, hoje o Discofonia é um grande mixtape de protesto, com mixagem torta e tudo.
1. Opinião – Nara Leão
2. Alegria, Alegria – Caetano Veloso
3. A Hard Rain Is Gonna Fall – Bob Dylan
4. Sueño con Serpientes – Silvio Rodriguez
5. Get Up, Stand Up – Bob Marley
6. Acorda Amor – Chico Buarque
7. Diário de um Detento – Racionais MC’s
8. Fight the Power – Public Enemy
9. Holiday in Cambodia – Dead Kennedys
10. Vou Fazer Coco – Garotos Podres
11. Até quando Esperar – Plebe Rude
12. A Cidade – Chico Science & Nação Zumbi
13. A Verdadeia Dança do Patinho – BNegão
14. Para Não Dizer que Não Falei das Flores – Geraldo Vandré
Lulina
Nesta semana eu fiquei pirado com o novo disco da Lulina, Cristalina. É aquela coisa bem low-fi, gostosa. E tem uma música com um humor fantástico, e foi essa que eu escolhi tocar. Para acompanhar a Lulina, uma bacana do Yo La Tengo, que está no Popular Songs, e a faixa que dá nome ao novo single do Múm, minha banda islandesa preferida há anos, chamado Prophecies & Reversed Memories.
1. Nothing to Hide – Yo La Tengo
2. Balada do Paulista - Lulina
3. Prophecies & Reversed Memories – Múm
+2: Moreno, Domenico, Kassin
Hoje tem o novo do Otto, Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, duas do Imã, som que o +2 fez para um balé do Grupo Corpo e um dueto do Ricardo Teté com a atriz Irène Jacob,que está no Geringonça, lançado na França em 2007 e que agora tem edição brasileira.
1. 6 Minutos – Otto
2. Sol a Pino – +2
3. Deixa Disso – +2
4. Il Ne Faut Pas Briser un Rêve – Ricardo Teté & Irène Jacob
2011
2010
2009
2008
2007
2006
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