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Guilherme Werneck

ornette

“Lonely Woman” é a primeira faixa do lado A de The Shape of Jazz to Come, o disco seminal de Ornette Coleman de 1959. Fascinado por John Coltrane, cheguei ao Ornette pela via mais torta, um LP de Free Jazz. Não entendi nada. Demorei um bom tempo para conseguir entrar na viagem de dois quartetos tocando juntos uma música que, num primeiro momento, me pareceu aleatória e caótica.

A única experiência sonora similar que tinha tido até então havia sido a tentativa de tocar dois Quadrophenia, do The Who, em dois sons diferentes ao mesmo tempo para tentar chegar ao tal efeito quadrifônico. Pura perda de tempo, claro. O resultado foi uma maçaroca sonora, cheia de ecos e delays, muito similar a que anos mais tarde identificaria no meu primeiro contato com o Ornette.

Ainda bem que não desisto fácil das coisas que me parecem estranhas, porque o segundo disco do saxofonista que tentei ouvir foi The Shape of Jazz to Come, e me apaixonei de cara pela primeira faixa. “Lonely Woman” pode ser considerada hoje um standard, uma canção que entrou definitivamente para o rol das mais gravadas do jazz, principalmente do jazz de vanguarda. O que me atraiu para ela foi justamente a combinação de tristeza e dramaticidade, e também o senso de espaço e de improvisação desse grande quarteto formado pelo Ornette com Billy Higgins, Charlie Haden e Don Cherry.

Graças a dica do amigo Luiz Junqueira, descobri um blog sobre free jazz que lista mais de 90 versões de “Lonely Woman”, um tesouro para obsessivos. Só que o meu gosto não bate nem um pouco com o do autor do blog. Uma das versões que ele detesta é a da Diamanda Galás, do disco La Sepernta Canta. É só ela e o piano numa interpretação tão emocionante quanto a original, que, aliás, ganhou só 4 estrelas do nosso blogueiro Stef. Por isso recomento a lista, mas não a edição.

Aqui deixo as duas músicas para comparação:

Download “Lonely Woman” – Ornette Coleman Quartet – The Shape of Jazz to Come

Download “Lonely Woman” – Diamanda Galás - La Serpenta Canta

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29.abril.2008 18:15:23

Encontro monstruoso

monstrous

Quando eu estava em Portland, indo para o show do Acid Mothers Temple, pedi informação sobre o ponto do ônibus para um garoto, Alex. Batemos um papo rápido e descobrimos que estavamos indo para o mesmo show. Mais papo e ele me disse que era baterista de uma banda indie, formada com seus dois irmãos. Kenny, o mais velho, baixista, estava fazendo aniversário naquele dia e seu presente era ver os japs. De volta ao Brasil, demorei um pouco para ouvir o som dos caras. Na verdade, quando eles me falaram que era uma mistura de Beatles e Nirvana, fiquei meio com o pé atrás… Mas lembrei de outros papos que tivemos e me animei. Eles são da mesma turma do Dandy Warhols, gravam no estúdio deles e freqüentam umas festas que parecem bem animadas num galpão dos Dandys afastado da cidade e, dois fins de semana antes de nossa conversa, tinham feito uma jam com J Macis, do Dinosaur Jr, por lá. Bom, eram credenciais legais o suficiente para checar o som do Monstrous. Isso sem falar do papos bizarros sobre as eleições americanas – nenhum deles vota – e de como a moçada vive mal sem seguro saúde nos EUA, comprando drogas (da indústria farmacêutica) de traficantes, nas ruas. Uma coisa meio estranha que eu não sabia que rolava tão freqüentemente. Política de lado, gostei muito de uma música deles, chamada ‘Mother Nature’s Slave’ (qualquer semelhança com Beatles não é mera coincidência), mas essa eles não disponibilizam para download no Myspace, só dá para ouvir. Então, recomendo uma ida ao Myspace dos caras para ouvi-las.

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