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Guilherme Werneck

22.dezembro.2010 13:11:55

Os 100 melhores discos de 2010

Poucas pessoas têm a mesma disposição que eu para ouvir de composição moderna ao hypezinho indie do momento. Cantor do lendário 3 Hombres e jornalista cultural, Daniel Benevides (@the_benevides) é uma esponja. Tem uma curiosidade gigantesca, uma disposição para ir atrás de coisas diferentes, mas não é xiita. Como compartilhamos um pouco esse espírito mais aventureiro, Daniel é a dupla ideal para a lista de fim de ano do Discofonia. Quando começamos a conversar sobre os melhores discos do ano, cada um tinha ouvido um monte de coisas bacanas. Juntamos as listas, ouvimos boa parte das indicações do outro e conseguimos chegar a um acordo sobre os 100 discos do ano, num arco que vai de música de coral a noise, de artistas independentes aos de grandes gravadoras, discos para a cabeça, para o pé, ou pra botar o mundo de ponta-cabeça.

Só para não fugir da brincadeira, os melhores 25 discos aparecem organizados como uma lista tradicional: um top 25 clássico. Depois disso, essa matemática começa a ficar fraudulenta demais, então agrupamos alguns artistas em listas menores. Cada lista vai virar um podcast.

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1. Joanna NewsomHave One on Me

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2. Gil Scott-HeronI’m New Here

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3. Wyatt, Atzmon, Stephen…For the Ghosts Within

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4. LCD SoundsystemThis is Happening

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5. M.Takara 3Sobre Todas e Qualquer Coisa

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6. Oneohtrix Point Never Returnal

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7. The RootsHow I Got Over

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8. The BooksThe Way Out

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9. AutechreOversteps

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10. Philip JeckAn Ark for the Listener

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11. EmeraldsDoes it Look Like I’m Here?

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12. EmicidaEmicídio

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13. SwansMy Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky

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14. Flying LotusCosmograma

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15. Black KeysBrothers

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16. Konono no 1Assume Crash Position

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17. Antony and the Johnsons - Swanlights

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18.  VictoireCathedral City

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19. CaribouSwim

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20. Michael Formanek QuartetThe Rub and Spare Change

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21. Karina BuhrEu Menti pra Você

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22. The National High Violet

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23. Satanique Samba TrioBad Trip Simulator #2

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24. Big BoiSir Lucious Left Foot

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25.Omaar SouleymanJazeera Nights

Acústicos e transtornados

(mais…)

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07.dezembro.2010 16:09:32

Chat com Garotas Suecas

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Para conferir: comandei um bate-papo com uma das bandas paulistanas mais bacanas de agora, o Garotas Suecas, que acaba de lançar o disco Escaldante Banda.

O chat rolou aqui no estúdio do Estadão há algumas semanas  e, depois de muito tentar subir o vídeo, desisti e deixo o link para ele:

http://tv.limao.com.br/videos,BATE-PAPO-DO-LIMAO-GAROTAS-SUECAS-1,125168,0.htm

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Muito se escreveu sobre o brilhante Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil,  sem dúvida um dos melhores documentários do ano, sucesso de público e crítica.  Antes de mais nada, sou sim amigo do Ricardo, adoro o filme, mas asseguro que esse não é mais um dos famosos casos de  “ação entre amigos” da imprensa.

uma_noite_em_67.jpgFã de MPB, nasci depois da era dos festivais, mas o assunto sempre foi vivo em família. Os musicais da Record, entres os eles o festival, sempre rondaram os papos daqueles encontros de domingo, um pouco baseado naquele discurso levemente reacionário de “bom mesmo era aquele tempo da Record…”. Se não vivi esse tempo ao vivo, em P/B, nunca perdia os reprises dos clássicos da Record e, já adulto, sempre mantive uma proximidade com o tema, principalmente atarvés da leitura. E, de tudo que li, recomendo A Era dos Festivais (Editora 34), do Zuza Homem de Mello.

Foi essa bagagem de curioso de segunda mão que levei para a estreia do filme, com um medo danado de não gostar ou de achar tudo meio déjà vu. Medo absolutamente infundado. Não só as imagens originais da Record foram hiper bem tratadas e causam um impacto tremendo na tela de cinema, como o coração do filme, as entrevistas com aqueles que tomaram parte no festival, foram conduzidas de forma a surpreender não só quem assistiu aos festivais na época, como quem acompanha de perto os movimentos dessa elite da MPB que desfila na tela. Não achava possível ouvir nada de muito novo de Caetano, Gil, Chico, até mesmo de Sérgio Ricardo. Quebrei a cara. Terra e Calil conseguiram arrancar “causos” deliciosos de seus entrevistados, e montá-los no filme com maestria. E é o equilíbrio entre as imagens originais e essas “causos” rememorados mais de quarenta anos depois é o que dá força ao filme.

Para chegar a esse equilíbrio. os diretores tiveram de tomar uma decisão dura no meio do caminho: não mostrar todas as músicas que chegaram à final do festival. Escolheram as primeiras colocadas e, claro, a desclassificada. Seria impossível fazer um filme sobre a final de 67 e deixar de fora o violão quebrado por Sérgio Ricardo.

Para quem sentiu falta das apresentações de Elis Regina (“O Cantador”), Nana Caymmi (“Bom Dias”),  MPB4 (“Gabriela”), Nara Leão e Sidney Miller  (“A Estrada e o Violeiro”) e Jair Rodrigues (“Samba de Maria”), o DVD de Uma Noite em 67 traz todas essas as apresentações nos extras.

Claro, a edição dos extras é menos elaborada, mas os depoimentos deliciosos sobre as músicas aparecem lá de novo. E oO melhor vem em outra parte dos extras, nos “causos” recolhidos pela dupla de diretores durante as entrevistas. Não vou estragar a graça de quem não viu, mas há ao menos três histórias impagáveis: Chico Anysio destruindo “Ponteio”, Arnaldo Baptista com sua empolgação quase infantil contando como Rogério Duprat transformava suas imagens de desenho animado do Mutante em música no arranjo de “Domingo no Parque” e Paulo Machado de Carvalho explicando como nasceram os musicais da Record.

Nem tudo é perfeito. Por mais que a ideia seja boa,  o reencontro dos torcedores no teatro hoje fica muito aquém da qualidade do resto dos extras.  Na verdade, é o único momento em que os extras parecem sobras. Em todos os outros casos, a impressão é de mergulhar em um delicioso lado B.

Se o filme sozinho já era bom de ter em casa, com os extras se torna essencial.

Mais aqui no Estadão sobre Uma Noite em 67:

Era um, era dois, era cem e muitos mais na roda viva

“Pra não dizer que não falei da noite de 67″

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