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Guilherme Werneck

Embora trabalhe muito e já tenha feito a trilha de incontáveis filmes – na verdade ninguém sabe ao certo quantos, mas especula-se que o número vá de 400 a 450 – o compositor italiano Ennio Morricone não é dessas figuras que se veja regendo uma orquestra fora dos estúdios de gravação com freqüência. Dei sorte e consegui assistir a uma apresentação dele ontem, no gigantesco teatro Apollo Hammersmith, em Londres. Morricone regeu a Roma Sinfonietta Orchestra, acompanhada do Crouch Festival Chorus. Só no coro havia cerca de 100 vozes.

A música de Morricone me encanta porque consegue capturar as melodias mais leves e populares e intercalá-las a momentos puramente concretos ou minimalistas. Nos filmes, elas funcionam perfeitamente e, ao vivo, sem a mediação de uma tela de cinema, elas também conseguem emocionar e causar pequenos momentos de estranheza, principalmente quando instrumentos pouco usuais em orquestras, como guitarra, baixo elétrico, bateria e sintetizador invadem a música acústica. Claro, volta e meia, levados pela melodia, somos forçados a visitar mentalmente cenas de seus filmes mais famosos.

O concerto foi organizado em grandes blocos temáticos, começando com três peças feitas para o filme Novecento, de Bernardo Bertolucci. Depois, Morricone regeu três adágios. Até aí só participava o lado tradicional da orquestra. A partir de uma junção de peças esparsas, como “H2 S” e “Metti Una Sera a Cena”, os instrumentos elétricos foram incorporados.

Deste momento para frente, o concerto ganhou outro peso. Primeiro com a apresentação de músicas feitas para filmes de Sergio Leone, o diretor com o qual Morricone é mais identificado. Nesta parte, a execução de “The Ectasy of Gold”, do filme The Good, The Bad and The Ugly, com a soprano Susanna Rigacci, foi estupenda.
Só comparável em emoção ao final do programa com músicas do filme “A Missão”, onde eu destaco o coro forte de “In Earth as In Heaven” e o lindo solo de oboé, em “Gabriel’s Oboé”.

Morricone ainda voltaria ao palco mais três vezes, mas, se dependesse do público, que aplaudia loucamente o maestro italiano, ele poderia ter continuado a reger a orquestra noite adentro.

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Vou viajar e devo ficar um tempo sem blogar. Mas deixo esse belo vídeo da Joanna Newsom ao vivo em Boston, tocando “Sawdust and Diamonds”, do novo disco Ys. Lindo.

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Hoje eu participo de um debate sobre cultura e tecnologia. Serão levantadas questões sobre como a internet e os avanços tecnológicos estão impactando a produção cultural, os direitos autorais e os negócios na cultura.

Comigo debatem o advogado especialista em direitos autorais Claudio R. Barbosa e o o advogado especializado em desenvolvimento de negócios Eduardo Barros.

O encontro acontece às 20h na Av. Corifeu de Azevedo Marques, 5234. A entrada é franca e quem quiser aparecer é bem-vindo.

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Coisas legais do eMusic. Mês passado foi colocado no site de venda de música online o primeiro disco do Cul de Sac, banda de Boston que, salvo engano, foi a primeira a receber a classificação de “pós-rock”, termo cunhado pela The Wire nos anos 90.

Eu tinha ouvido o ECIM, que é de 1991, na casa de um amigo, em meados dos anos 90. Ainda era a época de gravar fitas K7, não de queimar discos. E eu não fiz uma coisa nem outra. Fiquei só com aquele som na memória e acompanhei a trajetória da banda a partir daí. Uma banda tão interessante que até já fez as vezes de o grupo de apoio de Damo Suzuki, o vocalista do Can, uma das principais bandas de krautrock, a grande inspiração para esse tal de pós-rock.

“ECIM” ainda hoje é um disco desafiador, bom de ouvir. E, na versão do eMusic, vem com três faixas bônus. Uma delas, “Cul de Sade”, eu deixo aqui hoje para ouvir em streaming.

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Esse sujeito sorridente aí ao lado é Doug Morris, CEO da Universal Music. Mas ele não deve estar tão feliz depois da coluna escrita por Charles Arthur hoje no Guardian. O título da coluna é o mesmo que eu coloquei neste post e lá Arthur lista as últimas ações legais da Universal contra nós, consumidores de música, contra sites de relacionamento como o MySpace, de vídeos, como o YouTube e o pulo do gato que a gravadora deu para cima da Microsoft, ao cobrar US$ 1 por cada tocador de MP3 Zune vendido. Por essa sanha judicial, vale a pergunta: “Você tem algo de bom a dizer sobre a Universal?”. Para ler o texto do jornal, clique aqui.

Via Guardian

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Foto: Igor Pessoa

Vou fugir um pouco do tema deste blog hoje. Mas é por um bom motivo Depois de uma longa e cuidadosa gestação, o longa de ficção “Fim da Linha”, que eu escrevei com o Gustavo Steinberg e ele dirigiu, começa a dar indícios de que vai entrar em trabalho de parto.

Hoje saiu o resultado do Programa de Ação Cultural (PAC), da Secretaria de Estado da Cultura, e o “Fim da Linha” foi um dos projetos vencedores na categoria de produção, finalização e veiculação de obras cinematográficas.

Agora faltam R$ 150 mil para completar o orçamento e o filme ganhar as ruas. Interessados em patrocinar o projeto nesta reta final são bem-vindos. Para saber mais sobre o filme, acesse o site da Bits Filmes.

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Ontem eu falei um pouco de Radiohead e volto ao assunto porque abre amanhã, na Iguapop Gallery, em Barcelona, uma exposição de Stanley Donwood, artista recluso que é considerado o “sexto” membro da banda por cuidar de toda a parte visual matadora dos discos e do site da banda.

Via Guardian

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21.novembro.2006 19:33:04

Radiohead retorcido

Hoje eu estava ouvindo as versões das músicas do Radiohead traduzidas para o idioma do dub pelo Easy Star All-Stars em seu Radiodread,e não pude deixar de lamentar pelo resultado. A idéia é boa, mas não convence. É uma pena porque em 2003 o mesmo Easy Star All-Stars conseguiu fazer o delicioso Dub Side of the Moon, partindo do clássico Dark Side of the Moon, do Pink Floyd.

O que esse disco me fez pensar é que o Radiohead é sem dúvida a banda mais interessante dos últimos anos, mas pouquíssimas versões de suas músicas conseguem igualar a ousadia das originais. Algumas versões de jazzistas como Dave Douglas e Brad Mehldau são instigantes, curiosas, mas não chegam a surpreender. Daí eu lembrei de um versão de Creep feita pelo Kid 606 no disco The Action Packed Mentallist Brings You the Fucking Jams, de 2002. Com ironia, ele batiza a música de “This Is not my Statement”. Até hoje para mim é o cover do Radiohead que mais faz justiça à criatividade dos ingleses. Ouça abaixo em streaming.

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Não conheço um fã dos Beatles que não odeie a Yoko Ono. Sou filho de uma beatlemaníaca e, em casa, no panteão da maldade, Yoko batia com folga de Lady Macbeth a Odete Roitman. Só que ao longo da vida eu passei a gostar mais e mais da dona Yoko. Principalmente depois de viajar com as idéias do grupo Fluxus, do qual a sra. Lennon fazia parte.

Então é com felicidade que vejo Yoko ser reabilitada por artífices hábeis do pop, como Flaming Lips, Peaches, Cat Power, Le Tigre, DJ Spooky e Antony & the Johnsons. Eles estão entre 17 artistas e grupos que vão garvar o disco Yes, I’m a Witch. Uma curiosidade é que boa parte das bandas resolveu usar os vocais da própria Yoko. Quem já a ouviu cantando, ou melhor, uivando, sabe que é uma sábia decisão.

Eis a lista das músicas, com as respectivas bandas:

‘Witch Shocktronica Intro’ – Hank Shocklee
‘Kiss Kiss Kiss’ – Peaches
‘O’Oh’ – Shitake Monkey
‘Everyman…Everywoman’ – Blow Up
‘Sisters O Sisters’ – Le Tigre
‘Death Of Samantha’ – Porcupine Tree
‘Rising’ – DJ Spooky
‘No One Can See Me Like You Do’ – Apples In Stereo
‘Yes I’m A Witch’ – The Brother Brothers
‘Revelations’ – Cat Power
‘You And I’ – Polyphonic Spree
‘Walking On Thin Ice’ – Jason Pierce (Spiritualized)
‘Toy Boat’ – Antony (Antony And The Johnsons) and Hahn Rowe
‘Cambridge 1969-2007′ – The Flaming Lips
‘I’m Moving On’ – The Sleepy Jackson
‘Witch Shocktronica Outro’ – Hank Shocklee
‘Shiranakatta (I Didn’t Know)’ – Craig Armstrong

Via NME

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Tem podcast novo no meio do feriado e desta vez o Discofonia fala de hiphop alternativo (ou não) daqui do Brasil e de fora. Rola Z’África Brasil, Mamelo Sound System, De Leve, Mzuri Sana, Kamau com Instituto, DJ Shadow, Edan, Dr Octagon (foto), Gnarls Barkley (eu sei, não é tão hiphop assim), Sadat X, Missy Elliot e mais um monte de coisa bacana.

A lista completa das músicas e links para as páginas dos artistas estão no site do podcast. Deixo aqui uma versão para streaming, mas lembro que na página do podcast é possível dar download e assiná-lo.

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