Embora trabalhe muito e já tenha feito a trilha de incontáveis filmes – na verdade ninguém sabe ao certo quantos, mas especula-se que o número vá de 400 a 450 – o compositor italiano Ennio Morricone não é dessas figuras que se veja regendo uma orquestra fora dos estúdios de gravação com freqüência. Dei sorte e consegui assistir a uma apresentação dele ontem, no gigantesco teatro Apollo Hammersmith, em Londres. Morricone regeu a Roma Sinfonietta Orchestra, acompanhada do Crouch Festival Chorus. Só no coro havia cerca de 100 vozes.
A música de Morricone me encanta porque consegue capturar as melodias mais leves e populares e intercalá-las a momentos puramente concretos ou minimalistas. Nos filmes, elas funcionam perfeitamente e, ao vivo, sem a mediação de uma tela de cinema, elas também conseguem emocionar e causar pequenos momentos de estranheza, principalmente quando instrumentos pouco usuais em orquestras, como guitarra, baixo elétrico, bateria e sintetizador invadem a música acústica. Claro, volta e meia, levados pela melodia, somos forçados a visitar mentalmente cenas de seus filmes mais famosos.
O concerto foi organizado em grandes blocos temáticos, começando com três peças feitas para o filme Novecento, de Bernardo Bertolucci. Depois, Morricone regeu três adágios. Até aí só participava o lado tradicional da orquestra. A partir de uma junção de peças esparsas, como “H2 S” e “Metti Una Sera a Cena”, os instrumentos elétricos foram incorporados.
Deste momento para frente, o concerto ganhou outro peso. Primeiro com a apresentação de músicas feitas para filmes de Sergio Leone, o diretor com o qual Morricone é mais identificado. Nesta parte, a execução de “The Ectasy of Gold”, do filme The Good, The Bad and The Ugly, com a soprano Susanna Rigacci, foi estupenda.
Só comparável em emoção ao final do programa com músicas do filme “A Missão”, onde eu destaco o coro forte de “In Earth as In Heaven” e o lindo solo de oboé, em “Gabriel’s Oboé”.
Morricone ainda voltaria ao palco mais três vezes, mas, se dependesse do público, que aplaudia loucamente o maestro italiano, ele poderia ter continuado a reger a orquestra noite adentro.
Vou viajar e devo ficar um tempo sem blogar. Mas deixo esse belo vídeo da Joanna Newsom ao vivo em Boston, tocando “Sawdust and Diamonds”, do novo disco Ys. Lindo.
Hoje eu participo de um debate sobre cultura e tecnologia. Serão levantadas questões sobre como a internet e os avanços tecnológicos estão impactando a produção cultural, os direitos autorais e os negócios na cultura.
Comigo debatem o advogado especialista em direitos autorais Claudio R. Barbosa e o o advogado especializado em desenvolvimento de negócios Eduardo Barros.
O encontro acontece às 20h na Av. Corifeu de Azevedo Marques, 5234. A entrada é franca e quem quiser aparecer é bem-vindo.

Coisas legais do eMusic. Mês passado foi colocado no site de venda de música online o primeiro disco do Cul de Sac, banda de Boston que, salvo engano, foi a primeira a receber a classificação de “pós-rock”, termo cunhado pela The Wire nos anos 90.
Eu tinha ouvido o ECIM, que é de 1991, na casa de um amigo, em meados dos anos 90. Ainda era a época de gravar fitas K7, não de queimar discos. E eu não fiz uma coisa nem outra. Fiquei só com aquele som na memória e acompanhei a trajetória da banda a partir daí. Uma banda tão interessante que até já fez as vezes de o grupo de apoio de Damo Suzuki, o vocalista do Can, uma das principais bandas de krautrock, a grande inspiração para esse tal de pós-rock.
“ECIM” ainda hoje é um disco desafiador, bom de ouvir. E, na versão do eMusic, vem com três faixas bônus. Uma delas, “Cul de Sade”, eu deixo aqui hoje para ouvir em streaming.
Esse sujeito sorridente aí ao lado é Doug Morris, CEO da Universal Music. Mas ele não deve estar tão feliz depois da coluna escrita por Charles Arthur hoje no Guardian. O título da coluna é o mesmo que eu coloquei neste post e lá Arthur lista as últimas ações legais da Universal contra nós, consumidores de música, contra sites de relacionamento como o MySpace, de vídeos, como o YouTube e o pulo do gato que a gravadora deu para cima da Microsoft, ao cobrar US$ 1 por cada tocador de MP3 Zune vendido. Por essa sanha judicial, vale a pergunta: “Você tem algo de bom a dizer sobre a Universal?”. Para ler o texto do jornal, clique aqui.
Via Guardian

Foto: Igor Pessoa
Vou fugir um pouco do tema deste blog hoje. Mas é por um bom motivo Depois de uma longa e cuidadosa gestação, o longa de ficção “Fim da Linha”, que eu escrevei com o Gustavo Steinberg e ele dirigiu, começa a dar indícios de que vai entrar em trabalho de parto.
Hoje saiu o resultado do Programa de Ação Cultural (PAC), da Secretaria de Estado da Cultura, e o “Fim da Linha” foi um dos projetos vencedores na categoria de produção, finalização e veiculação de obras cinematográficas.
Agora faltam R$ 150 mil para completar o orçamento e o filme ganhar as ruas. Interessados em patrocinar o projeto nesta reta final são bem-vindos. Para saber mais sobre o filme, acesse o site da Bits Filmes.

Ontem eu falei um pouco de Radiohead e volto ao assunto porque abre amanhã, na Iguapop Gallery, em Barcelona, uma exposição de Stanley Donwood, artista recluso que é considerado o “sexto” membro da banda por cuidar de toda a parte visual matadora dos discos e do site da banda.
Via Guardian

Hoje eu estava ouvindo as versões das músicas do Radiohead traduzidas para o idioma do dub pelo Easy Star All-Stars em seu Radiodread,e não pude deixar de lamentar pelo resultado. A idéia é boa, mas não convence. É uma pena porque em 2003 o mesmo Easy Star All-Stars conseguiu fazer o delicioso Dub Side of the Moon, partindo do clássico Dark Side of the Moon, do Pink Floyd.
O que esse disco me fez pensar é que o Radiohead é sem dúvida a banda mais interessante dos últimos anos, mas pouquíssimas versões de suas músicas conseguem igualar a ousadia das originais. Algumas versões de jazzistas como Dave Douglas e Brad Mehldau são instigantes, curiosas, mas não chegam a surpreender. Daí eu lembrei de um versão de Creep feita pelo Kid 606 no disco The Action Packed Mentallist Brings You the Fucking Jams, de 2002. Com ironia, ele batiza a música de “This Is not my Statement”. Até hoje para mim é o cover do Radiohead que mais faz justiça à criatividade dos ingleses. Ouça abaixo em streaming.
Não conheço um fã dos Beatles que não odeie a Yoko Ono. Sou filho de uma beatlemaníaca e, em casa, no panteão da maldade, Yoko batia com folga de Lady Macbeth a Odete Roitman. Só que ao longo da vida eu passei a gostar mais e mais da dona Yoko. Principalmente depois de viajar com as idéias do grupo Fluxus, do qual a sra. Lennon fazia parte.
Então é com felicidade que vejo Yoko ser reabilitada por artífices hábeis do pop, como Flaming Lips, Peaches, Cat Power, Le Tigre, DJ Spooky e Antony & the Johnsons. Eles estão entre 17 artistas e grupos que vão garvar o disco Yes, I’m a Witch. Uma curiosidade é que boa parte das bandas resolveu usar os vocais da própria Yoko. Quem já a ouviu cantando, ou melhor, uivando, sabe que é uma sábia decisão.
Eis a lista das músicas, com as respectivas bandas:
‘Witch Shocktronica Intro’ – Hank Shocklee
‘Kiss Kiss Kiss’ – Peaches
‘O’Oh’ – Shitake Monkey
‘Everyman…Everywoman’ – Blow Up
‘Sisters O Sisters’ – Le Tigre
‘Death Of Samantha’ – Porcupine Tree
‘Rising’ – DJ Spooky
‘No One Can See Me Like You Do’ – Apples In Stereo
‘Yes I’m A Witch’ – The Brother Brothers
‘Revelations’ – Cat Power
‘You And I’ – Polyphonic Spree
‘Walking On Thin Ice’ – Jason Pierce (Spiritualized)
‘Toy Boat’ – Antony (Antony And The Johnsons) and Hahn Rowe
‘Cambridge 1969-2007′ – The Flaming Lips
‘I’m Moving On’ – The Sleepy Jackson
‘Witch Shocktronica Outro’ – Hank Shocklee
‘Shiranakatta (I Didn’t Know)’ – Craig Armstrong
Via NME

Tem podcast novo no meio do feriado e desta vez o Discofonia fala de hiphop alternativo (ou não) daqui do Brasil e de fora. Rola Z’África Brasil, Mamelo Sound System, De Leve, Mzuri Sana, Kamau com Instituto, DJ Shadow, Edan, Dr Octagon (foto), Gnarls Barkley (eu sei, não é tão hiphop assim), Sadat X, Missy Elliot e mais um monte de coisa bacana.
A lista completa das músicas e links para as páginas dos artistas estão no site do podcast. Deixo aqui uma versão para streaming, mas lembro que na página do podcast é possível dar download e assiná-lo.
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