José Saramago
- 18 de junho de 2010|
- 11h04|
- Por
“E se as histórias para crianças fossem de leitura obrigatória para os adultos?
Seríamos realmente capazes de aprender aquilo que há tanto tempo ensinamos?”(via Sirlene Gianotti)
Jose Patricio/AE
Estou sem palavras. Triste. Quantas coisas de Saramago viraram minhas.
Se você tem trechos favoritos de algum livro, conto, peça, deixe nos comentários deste post. Gostaria de reuni-los em um único lugar.
Há Saramagos em circulação pelo Twitter. Deixo aqui outro maior, de A Carverna, que me fala ao coração.
EM TEMPO
Vários leitores comentam a ausência de imagens de Saramago criança. Encontrei esta no excelente Elpais.com.

NO TWITTER – citações menores do que 140 caracteres
‘É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido.”
@jessicasombra
“Das habilidades que o mundo sabe, essa ainda é a que faz melhor: Dar voltas.@julianalemes
“O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas.O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas…”@CorreioAtlantic
“Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.”@leocelani
“Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo.” @robertacwendt
“Para que serve o arrependimento, se isso não muda nada do que se passou? O melhor arrependimento é, simplesmente, mudar.” @margoeidt
“As coisas que parecem ter passado são as que nunca acabam de passar”@Fabio_Carrion
“O talento ou acaso não escolhem, para manisfestar-se, nem dias nem lugares.” @leocelani
“Deixas agora a Caverna onde todos vivemos e imerges na luz que poucos conhecemos” @de_castro
“O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer” @giannipaula
“O Sr. deu-nos pernas para que andássemos e andamos, que eu saiba nunca homem algum esperou que o Sr. lhe ordenasse Caminha”@Literatura_140
“Estaríamos todos nús, não fosse a imensa dor de ser quem somos e usar as máscaras que usamos” @gabriel_alvesbr
“Penso que não cegamos. Penso que estamos cegos. Cegos que vêem. Cegos que vendo não vêem.” @marcondesavio
“Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.” @cacawerneck
“Por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o mais horrendo e cruel.” @tuliovianna
“Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.” @cecilia_galvao
“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais.”@mtdreher
“Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.” @crismoskwyn
“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.” @crismoskwyn
“Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.” @danits1
AQUI – Um de meus trechos favoritos – A Caverna (2000)
Trata-se de uma comunidade de ceramistas. Este trecho compara o saber do cérebro e o saber do fazer. O saber das mãos. Fala diretamente pra quem pinta, desenha, fotografa, esculpe, toca.
“Na verdade, são poucos os que sabem da existência de um pequeno cérebro em cada um dos dedos da mão, algures entre a falange, a falanginha e a falangeta. Aquele outro órgão a que chamamos cérebro, esse com que viemos ao mundo, esse que transportamos dentro do crânio e que nos transporta a nós para que o transportemos a ele, nunca conseguiu produzir senão intenções vagas, gerais, difusas, e sobretudo pouco variadas, acerca do que as mãos e os dedos deverão fazer. Por exemplo, se ao cérebro da cabeça lhe ocorreu a ideia de uma pintura, ou música, ou escultura, ou literatura, ou boneco de barro, o que ele faz é manifestar o desejo e ficar depois à espera, a ver o que acontece. Só porque despachou uma ordem às mãos e aos dedos, crê, ou finge crer, que isso era tudo quanto se necessitava para que o trabalho, após umas quantas operações executadas pelas extremidades dos braços, aparecesse feito. Nunca teve a curiosidade de se perguntar por que razão o resultado final dessa manipulação, sempre complexa até nas suas mais simples expressões, se assemelha tão pouco ao que havia imaginado antes de dar instruções às mãos. Note-se que, ao nascermos, os dedos ainda não têm cérebros, vão-nos formando pouco a pouco com o passar do tempo e o auxilio do que os olhos vêem. O auxilio dos olhos é importante, tanto quanto o auxílio daquilo que por eles é visto. Por isso o que os dedos sempre souberam fazer de melhor foi precisamente revelar o oculto. O que no cérebro possa ser percebido como conhecimento infuso, mágico ou sobrenatural, seja o que for que signifiquem sobrenatural, mágico e infuso, foram os dedos e os seus pequenos cérebros que lho ensinaram. Para que o cérebro da cabeça soubesse o que era a pedra, foi preciso primeiro que os dedos a tocassem, lhe sentissem a aspereza, o peso e a densidade, foi preciso que se ferissem nela. Só muito tempo depois o cérebro compreendeu que daquele pedaço de rocha se poderia fazer uma coisa a que chamaria faca e uma coisa a que chamaria ídolo. O cérebro da cabeça andou toda a vida atrasado em relação às mãos, e mesmo nestes tempos, quando nos parece que passou à frente delas, ainda são os dedos que têm de lhe explicar as investigações do tacto, o estremecimento da epiderme ao tocar o barro, a dilaceração aguda do cinzel, a mordedura do ácido na chapa, a vibração subtil de uma folha de papel estendida, a orografia das texturas, o entramado das fibras, o abecedário em relevo do mundo. E as cores. Manda a verdade que se diga que o cérebro é muito menos entendido em cores do que crê. É certo que consegue ver mais ou menos claramente visto o que os olhos lhe mostram, mas as mais das vezes sofre do que poderíamos designar por problemas de orientação sempre que chega a hora de converter em conhecimento o que viu. Graças à inconsciente segurança com que a duração da vida acabou por dotá-lo, pronuncia sem hesitar os nomes das cores a que cha ma elementares e complementárias, mas imediatamente se perde, perplexo, duvidoso, quando tenta formar palavras que possam servir de rótulos ou dísticos explicativos de algo que toca o inefável, de algo que roça o indizível, aquela cor ainda de todo não nascida que, com o assentimento, a cumplicidade, e não raro a surpresa dos próprios olhos, as mãos e os de dos vão criando e que provavelmente nunca chegará a receber o seu justo nome. Ou talvez já o tenha, mas esse só as mãos o conhecem, porque compuseram a tinta como se estivessem a decompor as partes constituintes de uma nota de música, porque se sujaram na sua cor e guardaram a mancha no interior profundo da derme, porque só com esse saber invisível dos dedos se poderá alguma vez pintar a infinita tela dos sonhos. Fiado do que os olhos julgaram ter visto, o cérebro da cabeça afirma que, segundo a luz e as sombras, o vento e a calma, a humidade e a secura, a praia é branca, ou amarela, ou dourada, ou cinzenta, ou roxa, ou qualquer coisa entre isto e aquilo, mas depois vêm os dedos e, com um movimento de recolha, como se estivessem a ceifar uma seara, levantam do chão todas as cores que há no mundo. O que parecia único era plural, o que é plural sê-lo-á ainda mais. Não é menos verdade, contudo, que na fulguração exaltada de um só tom, ou na sua musical modulação, estão presentes e vivos todos os outros, tanto os das cores que já têm nome como os das que ainda o esperam, do mesmo modo que uma extensão de aparência lisa poderá estar cobrindo, ao mesmo tempo que os manifesta, os rastos de todo o vivido e acontecido na história do mundo. Toda a arqueologia de materiais é uma arqueologia humana. O que este barro esconde e mostra é o trânsito do ser no tempo e a sua passagem pelos espaços, os sinais dos dedos, as raspaduras das unhas, as cinzas e os tições das fogueiras apagadas, os ossos próprios e alheios, os caminhos que eternamente se bifurcam e se vão distanciando e perdendo uns dos outros. Este grão que aflora à superfície é uma memória, esta depressão a marca que ficou de um corpo deitado. O cérebro perguntou e pediu, a mão respondeu e fez. Marta disse-o de outra maneira, Já lhe apanhou o jeito.”
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18/06/2010 - 12:38 Enviado por: ronaldo derly rodrigues
O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio.
José Saramago
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18/06/2010 - 12:41 Enviado por: Daniela
TODOS OS HOMENS
“Homem, não tenhas medo, a escuridão em que estás metido aqui não é maior do que a que existe dentro do teu corpo, são duas escuridões separadas por uma pele, aposto que nunca tinhas pensado nisto, tranpostas todo o tempo de um lado para outro uma escuridão (…), meu caro, tens de aprender a viver com a escuridão de fora como aprendeste a viver com a escuridão de dentro.”
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18/06/2010 - 12:49 Enviado por: Edmundo
“… A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: ‘Não há mais que ver’, sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.”
José Saramago, em Viagem a Portugal http://bit.ly/9PcCNp
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18/06/2010 - 13:01 Enviado por: Guilherme Werneck
O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro
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18/06/2010 - 13:08 Enviado por: Andréa Cerqueira
“Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.” José Saramago
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18/06/2010 - 13:10 Enviado por: Camila Micheletti
Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”.
José Saramago
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18/06/2010 - 13:33 Enviado por: Beatriz Costa
” Muito se tem falado das coincidências de que a vida é feita, tecida e composta , mas quase nada dos encontros que, dia a dia, vão acontecendo nela, e isso não obstante serem ditos encontros, quase sempre, os que a mesma vida orientam e determinam, embora, em defesa daquela percepção parcial das contingências vitais, fosse possível argumentar que um encontro é, no seu mais rigoroso sentido , uma coincidência, o que não significa , claro está, que todas as coincidencias tenham de ser encontro.” – O evangelho segundo jesus cristo
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18/06/2010 - 13:54 Enviado por: Elisangela Almeida
“Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas”.
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18/06/2010 - 14:07 Enviado por: Kay Gentile
“Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós” — Todos os Nomes
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18/06/2010 - 14:20 Enviado por: Mateus Fregonassi
“Com as palavras todo cuidado é pouco, mudam de opinião como as pessoas.” (…) “Porque as palavras, se não o sabe, movem-se muito, mudam de um dia para o outro, são instáveis como sombras, sombras elas mesmas, que tanto estão como deixaram de estar, bolas de sabão, conchas de que mal se sente a respiração, troncos cortados” (…)
- As Intermitências da Morte
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18/06/2010 - 14:23 Enviado por: Af Henriques
O escritor lusitano Souza Vidigäll cita um valioso pensamento do inolvidável José Saramago:
“Desafortunadamente, essas castas locuções foram destruídas pouco a pouco pela maledicente língua da televisão, especialista em inculcar na cabeça do povo, por replay, expressões comuns e vazias, num ‘et c’est à n’en plus finir’, isto é, para um nunca mais acabar. O escritor lusitano José Saramago, até mesmo declarou num de seus opúsculos:
“Usei palavras que tinham ficado enterradas no passado,
somos compostos de sedimentos linguísticos”.Homenagem de Af Henriques
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18/06/2010 - 14:32 Enviado por: vania
“Homens perdoai-vo, Deus não sabe o que faz”, do Livro o Evangelho Segundo Jesus Cristo, dito por Jesus durante a sua crucificação…nas palavras desse gênio ateu
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18/06/2010 - 14:57 Enviado por: elvisthepelvis
Grande Saramago … ” Nem eu posso fazer-te todas as perguntas, nem tu podes dar-me todas as respostas.”
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18/06/2010 - 15:03 Enviado por: Helvécio Dias
“Deus não veio ao bota-fora. Estava ocupado com a revisão do sistema hidráulico do planeta, verificando o estado das válvulas, apertando alguma porca mal ajustada que gotejava onde não devia, provando as diversas redes locais de distribuição, vigiando a pressão dos manómetros, além de uma infinidade de outras grandes e pequenas tarefas, cada uma delas mais importante que a anterior e que ele só, como criador, engenheiro e administrador dos mecanismos universais, estava em condições de levar a bom termo e confirmar com o seu sagrado o.k.”
do livro CAIM.
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18/06/2010 - 15:24 Enviado por: Ivan
Chorou porque o haviam machucado e assim o seria por todo o resto de sua vida (adaptação livre de trecho do Evangelio segundo Jesus Cristo)
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18/06/2010 - 15:39 Enviado por: Luiz Ywata
Saramago deve estar declamando perante a Santíssima Trindade aquele trecho do poema “The Love Song of Alfred Prufrock”:
- Se alguém, ao colocar sob a cabeça um travesseiro,
Dissesse: “Não é absolutamente isso o que quis dizer
Não é nada disso, em absoluto.”Pois é. Tudo tem um fim. Até comunistas.
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18/06/2010 - 15:42 Enviado por: Luís Reis
“Puede parecer extraño”, dice. “Nunca tuve educación religiosa. Ni en el colegio, ni en casa. No tuve crisis religiosas en la adolescencia ni cuando uno empieza a preguntarse sobre la muerte. Sinceramente, creo que la muerte es la inventora de Dios. Si fuéramos inmortales no tendríamos ningún motivo para inventar un Dios. Para qué. Nunca lo conoceríamos”
Entrevista a José Saramago em 2009 -
18/06/2010 - 16:17 Enviado por: José María Durán Gómez
“D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto da sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou. Já se murmura na corte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca, insinuação muito resguardada de orelhas e bocas delatoras e que só entre íntimos se confia. Que caiba a culpa ao rei, nem pensar, primeiro porque a esterilidade não é mal dos homens, das mulheres sim, por isso são repudiadas tantas vezes, e segundo, material prova, se necessária ela fosse, porque abundam no reino bastardos da real semente e ainda agora a procissão vai na praça.”
Memorial do Convento, 1982.
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18/06/2010 - 16:23 Enviado por: Juju
Há momentos assim na vida: descobre-se inesperadamente que a perfeição existe, que é também ela uma pequena esfera que viaja no tempo, vazia, transparente, luminosa, e que às vezes (raras vezes) vem na nossa direcção, rodeia-nos por breves instantes e continua para outras paragens e outras gentes.
Manual de Pintura e Caligrafia
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18/06/2010 - 16:49 Enviado por: Sônia R. Vasconcellos
“É o que tem o tempo, corre e não damos por ele, está uma pessoa por aí ocupada nos seus quotidianos, subitamente cai em si e exclama, meu Deus como o tempo passa, ainda agora estava o rei Salomão vivo e já lá vão três mil anos,”
História do Cerco de Lisboa
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18/06/2010 - 17:51 Enviado por: norton ferreira
“Para os jovens, a loucura e a insensatez são uma obrigação. Para os mais velhos, um direito absolutamente respeitável.” Saramago,
no livro A Caverna.Norton Ferreira
Natal/RN -
18/06/2010 - 18:15 Enviado por: fernando
… Que lastima !
Perde-se um homem de formidaveis pensamentos.
Jose Saramago, escreva-nos la d’cima e descanse em paz.. -
18/06/2010 - 19:02 Enviado por: @pattifonseca
“Existe dentro de nós uma coisa que não tem npme. Essa coisa é o que somos” (Ensaio sobre a cegueira)
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18/06/2010 - 19:06 Enviado por: Roberta
«Com as boas ideias, e às vezes também com as más, passa-se o mesmo que se passava com os átomos de demócrito ou com as cerejas da cesta, vêm enganchadas umas nas outras» Viagem do Elefante
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18/06/2010 - 19:15 Enviado por: jhonny alves
Saramago deixara saudades mas o que ele escreveu ficara para sempre.
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18/06/2010 - 19:34 Enviado por: ewaldo
de um dos livros de saramago:O trabalho do velho é pouco mas,quem subestima é louco
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18/06/2010 - 19:53 Enviado por: Gérson Antônio da Cruz
Hoje, 19 de junho de 2010, penso que seria chover no molhado comentar sobre José Saramago, o que humildemente me atrevo a dizer é que o mundo era muito pequeno para a grandeza de um homem como Saramago, basta ler suas obras e poderão identificar as coisas que tentei dizer aqui mas não tive coragem, por ser tão pouco ( mortal ) para ousar deixar algo tão expresivo, então findo esse com um “adeus”, a um grande homem que vai ser imortal pelos seus textos. Pedindo emprestado a Milan Kundera, ele disse: ” O homem pode dar fim a sua vida mas nunca a sua imortalidade.” Saramago se foi, talvez não como ele gostaria, mas partiu e vai deixar saudades.
Att.
Gérson A. Cruz -
18/06/2010 - 21:46 Enviado por: Duran
“De Deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta é mais uma delas.”De “As intermitências da Morte”
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18/06/2010 - 22:05 Enviado por: flavio bonzanini
Em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive. (José Saramago)
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18/06/2010 - 22:44 Enviado por: Daniel
Não e só um trecho, mas o primeiro capítulo do “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Mais especificamente como ele descreve a gravura da crucificação. Acredito que ele se refira a esta obra
Cruxification – Albrecht Durer
http://www.backtoclassics.com/gallery/albrechtdurer/crucifixion3/ -
18/06/2010 - 22:54 Enviado por: Denise Almeida Dias
Adoro aquele trecho no início de Caim, quando Deus percebe que todos os seres que criou são barulhentos, exceto o homem e a mulher. Então “num acesso de ira (…) correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo.”
Só podia ser José Saramago.
Saudades!
Denise Dias -
19/06/2010 - 18:07 Enviado por: FJCosta
” …Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que
fez…. ” ( O Evangelho Segundo Jesus Cristo ) -
19/06/2010 - 19:20 Enviado por: luiz
“Aqui, onde o mar acaba e a terra principia.” (O Ano da Morte de Ricardo Reis)
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19/06/2010 - 20:45 Enviado por: Flavio
Como o boieiro não sabia cavalgar, um caso flagrante, como se vê, das consequências negativas de uma excessiva especialização profissional, içou-se com dificuldade para a garupa do cavalo do sargento e lá foi, rezando, numa voz que ele próprio mal conseguia olvir, um interminável padre-nosso, oração da sua especial estima por aquilo que nela se diz de perdoar as nossas dívidas. O mal, que em tudo está, e às vezes até deixa o rabo de fora para que não tenhamos ilusões sobre a natureza do bicho, vem logo na frase seguinte, quando se diz que é obrigação nossa de cristãos perdoar aos nossos devedores.
José Saramago – A viagem do Elefante
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19/06/2010 - 22:34 Enviado por: Fernando
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
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19/06/2010 - 23:07 Enviado por: Rodrigo Trindade Batista
“É preciso ser Deus para gostar tanto de sangue”
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19/06/2010 - 23:38 Enviado por: Gilson
“Por muito tempo aqui ficarão estas árvores, e o dia chegará em que se terá perdido a memória do que aconteceu, então, dado que os homens para tudo querem explicação, falsa ou verdadeira, inventar-se-ão umas quantas histórias e lendas, ao princípio ainda conservando alguma relação com os factos, depois mais tenuemente, até tudo se transformar em pura fábula.” Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo.
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20/06/2010 - 09:03 Enviado por: Marcia Del Fiore
“Luzia o buraco, que é maneira muito pitoresca de dizer, e rural, nasceu com a telha vã, a de canudo, que com o estrago do tempo e o mau ofício do telhador abre goelas para fora, buracos para ser exacto, e é por aí que luze quando começa a amanhecer, embora o simples luzir também possa ter acontecido antes, se alguma estrela em seu viajar ali ficou presa pelos olhos de quem não consegue dormir” – Levantado do Chão
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20/06/2010 - 10:52 Enviado por: Leandro Penaroti
” Tão bom quanto a felicidade de acertar o destino é errar o caminho e vislumbrar as paisagens deixando nossos trajectos serem tomados pelo acaso” Viagem a Portugal
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20/06/2010 - 11:40 Enviado por: Marcelo
@dobermannss Ao assistir ao massacre alemão contra o povo judeu no holocausto nazista, qualquer um colocará em dúvida a existência de um ser superior neste mundo imundo, quanto mais a um Deus. Se este ser supremo e inquestionável pela maioria da humanidade existir, como permitiu tamanha atrocidade de Adolf Hitler e Cia.? Nem necessitamos ir tão longe, basta assistir às mortes diárias por desumanidade no continente africano nos atuais dias, mas novamente o ser supremo permanece omisso, apenas assisti a tudo como um telespectador em frente a uma televisão do tamanho da circunferência da terra. Será que o gênio Saramago está tão errado assim em seu livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo”? Caminhe em paz José Saramago, onde quer que esteja…
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20/06/2010 - 13:13 Enviado por: ANTÓNIO SAMOUCO-PORTUGAL
É dificil escolher, mas as obras que mais me marcaram foram: OBJECTO QUASE, O ANO DE 1993, LEVANTADO DO CHÃO, MEMORIAL DO CONVENTO, O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, A SEGUNDA VIDA DE FRANCISCO DE ASSIS, O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS, MANUAL DE PINTURA E CALIGRAFIA, HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA, ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ, TODOS OS NOMES, AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE, QUE FAREI COM ESTE LIVRO?, O HOMEM DUPLICADO e IN NOMINE DEI, apenas para citar alguns.
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20/06/2010 - 13:22 Enviado por: Gabi
oi Antonio. E tem algum pedaco que desacaria de algumas delas? Abs Gabi
responder este comentário denunciar abuso
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20/06/2010 - 13:42 Enviado por: Lucas
“A morte é um pano de fundo de deuses complacentes e risonhos, violentos por necessidade de climax.”
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20/06/2010 - 14:49 Enviado por: rodrigo
“… pois já se sabe que as palavras proferidas pelo coração não têm língua que as articule, retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se podem ler…”
“… Ouvide, ouvide, ovelhas que aí estais, ouvide o que nos vem ensinar este sábio rapaz, que não é lícito fornicar-vos, Deus não os permire, podeis estar tranquilas, mas tosquiar-vos, sim, maltratar-vos, sim, matar-vos, sim, e comer-vos, pois para isso vos criou a sua lei e vos mantém a sua providência…”
O Evangelho Segundo Jesus Cristo
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20/06/2010 - 15:19 Enviado por: Luiz Carlos Vasconcellos
“Ao contrário do que afirmam alguns ingênuos (todos o somos vez por outra), não basta dizer a verdade. De pouco ela servirá ao trato das pessoas se não crível, e talvez até devesse ser esta sua primeira qualidade. A verdade é apenas meio caminho, a outra metade chama-se credibilidade. Por isso há mentiras que passam por verdades, e verdades que são tidas por mentiras” (“Não sabia que era preciso”, in BAGAGEM DE VIAJANTE).
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20/06/2010 - 17:49 Enviado por: Jane
Em ‘O Evangelho segundo Jesus Cristo’, a cena poética de Jesus se masturbando por trás de uma árvore, ao ver Madalena, nua, se banhando no rio.
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20/06/2010 - 19:01 Enviado por: Cristina
“… Viaje segundo um seu projecto próprio, dê mínimos ouvidos à facilidade dos itinerários cômodos e de rasto pisado. Aceite enganar-se na estrada e voltar atrás, ou, pelo contrário, perseverar até inventar saídas desacostumadas para o mundo. Não terá melhor viagem. E se lho pedir a sensibilidade, resgate por sua vez o que viu e sentiu, o que disse e o que ouviu dizer. Enfim, tome esse livro como exemplo, nunca como modelo. A felicidade, fique o leitor sabendo, tem muitos rostos. Viajar é, provavelmente, um deles. Entregue as suas flores a quem sabe cuidar delas, e comece ou recomece, nenhuma viagem é definitiva.” José Saramago, Viagem a Portugal.
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20/06/2010 - 19:52 Enviado por: paulo henrique
“…avanço por este rio acima, nu, sob o sol claro, e aos lados há uma relva verde, rasteira, e árvores enormes e quietas. Não sei o que isto significa, que coisas me estão sendo murmuradas neste sonho, mas certamente o tempo futuro mo dirá. Nu, subindo as águas da corrente – caso tão poucas vezes visto, mas tão simples, como uma lei que tudo explicasse.
A bagagem do viajante.
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20/06/2010 - 23:44 Enviado por: Jamil
“O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o proprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando em sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humando seria que abraão tivesse mandado o senhor a merda, mas não foi assim”
Caim – pg 79. dois palavroes na mesma pagina (tem um fdp mais abaixo)… excelente.
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21/06/2010 - 13:26 Enviado por: monica
não posso selecionar uma frase em especial, suas idéias sobre a morte, quando diz que a morte não nada mais nem nada menos que a difença entre estar e não estar
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21/06/2010 - 16:55 Enviado por: Jáder M P C da Rocha
O que está para além da morte, nunca ninguém viu nem verá, de tantos que para lá foram, nunca nenhum voltou cá.”
José Saramago. “Todos os nomes” . São Paulo, Cia das Letras, 1997, pg. 252 -
21/06/2010 - 17:38 Enviado por: Gustavo Ca.
O senso comum é demasiado comum para ser senso. (O Homem Duplicado)
Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida, mas o dia pode chegar em que nos perguntemos Quem assinou isto por mim. (Ensaio Sobre a Lucidez)
Seria muito interessante, além de educativo, sermos uma vez por outra espectadores de nós próprios, provavelmente não gostaríamos. (A Jangada de Pedra)
Cada um de nós tem a sua própria morte, transporta-a consigo num lugar secreto desde que nasceu, ela pertence-te, tu pertence-lhe. (As Intermitências da Morte)
Deserto é tudo quanto esteja ausente dos homens, ainda que não devamos esquecer que não é raro encontrar desertos e securas mortais em meio de multidões. (O Evangelho Segundo Jesus Cristo)
O difícil não é ter que viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las. (Ensaio Sobre a Cegueira)
Duas fraquezas não fazem uma fraqueza maior, fazem uma nova força. (A Caverna)
Meu caro, tens que aprender a viver com a escuridão de fora como aprendeste a viver com a escuridão de dentro. (Todos os Nomes)
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21/06/2010 - 20:43 Enviado por: Tony Pirard
Vamos sentir saudades da sabedoria de Saramago…!O único com coragem a desafiar os dogmas e mentiras das religiões.As verdades virão e assombrarão muitos com as frases romãnticas produzidas em seus cérebros.implesment um gênio,mas,so agora que vemos,como somos cegos…!
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21/06/2010 - 23:59 Enviado por: Bruno Lupion
Gabi, no dia da morte dele folheei “O Evangelho…” e decidi escanear meu trecho favorito, para dividir com os amigos: o momento em que Jesus e Maria de Madelana transam. Está aqui http://bit.ly/cN0V05
- http://lens.blogs.nytimes.com/2010/09/27/baghdad-in-d-minor/?scp=1&sq=hondros&st=cse 2011-05-08
- abelardo morell http://ngm.nationalgeographic.com/2011/05/camera-obscura/oneill-text 2011-05-08
- Sergio Leone vs Arcade Fire http://wemadethis.typepad.com/we_made_this/2010/05/arcade-fire-sergio-leone.html 2010-10-26
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