
Foto Tasso Marcelo/AE

Preparem-se: Fernando Henrique Cardoso abrirá a programação da Flip com uma conferência e tanto. Chama-se Gilberto Freyre, perene e é trabalho de fôlego. Mergulho na obra e no autor em águas profundas. Volta em grande estilo de FHC ao universo da sociologia — ouviram? Nada de improviso, tudo pensado. Em vários momentos o conferencista deverá mencionar (e reverenciar) o mestre Florestan Fernandes e a escola paulista/uspiana de sociologia, que tanto estranhamento teve em relação a conceitos desenvolvidos por Freyre, como o da “democracia racial” e certas análises em torno da sociedade patriarcal. Pode dar um debate interessante, vamos ver…
Pois FHC destrinchará esse estranhamento, lidando ardilosamente com as palavras – ”Gilberto Freyre acreditava ter sido pioneiro em incluir nas análises sociais aspectos subjetivos (…)”. E vai longe ao dissecar seu personagem-tema. Logo no início da conferência o presidente-sociólogo dirá algo como: …”quem sabe, ao me aproximar de tão gabado Autor, me sobrem umas lasquinhas de glória…”. Ironia aplicada a si mesmo. Freyre também apelava para o humor ao rebater as críticas que lhe faziam no meio acadêmico. Dizia jamais ter feito voto de “castidade sociológica”…
Sabia que Gilberto Freyre, além de sociólogo, antropólogo, jornalista, historiador, escritor, pintor (etc etc), era caricaturista? Este lado dele poderá ser visto de perto por quem for a Paraty. Uma pequena exposição ocupará o hall de entrada da Tenda dos Autores, com alguns desses desenhos. Escrevi sobre a mostra, que também terá cartas e outros manuscritos inéditos para o público, no Caderno 2 de hoje.



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