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Flip

Foto Tasso Marcelo/AE

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Fernando Henrique Cardoso tinha mandado para o Estadão a íntegra do texto que falaria na conferência de abertura da Flip, só que, na hora H, páginas e páginas de discurso na mão, não as consultou nem uma vez. Preferiu fazer como o homenageado do evento, Gilberto Freyre, em quem bateu (mais que) e assoprou durante uma hora e meia de fala: argumentar com um discurso sem nada da linguagem acadêmica capaz de restringir a compreensão (“E olha que o estilo de Gilberto Freyre não é linear, nem na forma nem no andamento do raciocínio. Ele dá voltas, repete, leva o leitor a percorrer seus argumentos e suas descrições como que em espiral”, dizia o texto do ex-presidente). Com expedientes literários, o sociólogo falou o que queria aos bons entendedores. A Laura conta como foi, em texto publicado nesta quinta no Estadão.

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Preparem-se: Fernando Henrique Cardoso abrirá a programação da Flip com uma conferência e tanto. Chama-se Gilberto Freyre, perene e é trabalho de fôlego. Mergulho na obra e no autor em águas profundas. Volta em grande estilo de FHC ao universo da sociologia — ouviram? Nada de improviso, tudo pensado. Em vários momentos o conferencista deverá mencionar (e reverenciar) o mestre Florestan Fernandes e a escola paulista/uspiana de sociologia,  que tanto estranhamento teve em relação a conceitos desenvolvidos por Freyre, como o da “democracia racial” e certas análises em torno da sociedade patriarcal.  Pode dar um debate interessante, vamos ver…

Pois FHC destrinchará esse estranhamento, lidando ardilosamente com as palavras – ”Gilberto Freyre acreditava ter sido pioneiro em incluir nas análises sociais aspectos subjetivos (…)”. E vai longe ao dissecar seu personagem-tema. Logo no início da conferência o presidente-sociólogo dirá algo como: …”quem sabe, ao me aproximar de tão gabado Autor, me sobrem umas lasquinhas de glória…”. Ironia aplicada a si mesmo. Freyre também apelava para o humor ao rebater as críticas que lhe faziam no meio acadêmico. Dizia jamais ter feito voto de “castidade sociológica”…

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Sabia que Gilberto Freyre, além de sociólogo, antropólogo, jornalista, historiador, escritor, pintor (etc etc), era caricaturista? Este lado dele poderá ser visto de perto por quem for a Paraty. Uma pequena exposição ocupará o hall de entrada da Tenda dos Autores, com alguns desses desenhos. Escrevi sobre a mostra, que também terá cartas e outros manuscritos inéditos para o público, no Caderno 2 de hoje.

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