Maria Fernanda Rodrigues
Com um debate entre Roberto DaMatta e Suketu Mehta sobre o tema cidade e democracia às 10h deste sábado, 7, a 10.ª Festa Literária Internacional de Paraty entra na reta final. Na sequência, ao meio-dia, o britânico Ian McEwan, vencedor do Booker Prize, e Jennifer Egan, vencedora do Pulitzer de ficção, participam de uma das mesas mais aguardadas desta edição.
Zuenir Ventura, João Anzanello Carrascoza e a portuguesa Dulce Maria Cardoso sobem ao palco às 15h para falar sobre família e literatura. Às 19h30, o catalão Enrique Vila-Matas faz a conferência Música para malogrados. Ele substitui o Nobel Le Clézio, que cancelou sua vinda ao Brasil às vésperas da Flip.
No domingo, 8, destaque para o encontro, às 10h, da poeta escocesa Jackie Kay com o gaúcho Fabrício Carpinejar. Rubens Figueiredo e Francisco Dantas falam logo depois sobre o tema A imaginação engajada. Às 16h30, o americano nascido na Rússia Gary Shteyngart e o inglês filho de pai paquistanês Hanif Kureishi participam da mesa Entre Fronteiras. O encerramento da Flip será às 18h15 com os escritores convidados lendo trechos de seus livros preferidos.
A programação completa pode ser conferida aqui.
Maria Fernanda Rodrigues
E a Flip começou pelo fim, e começou com o pé direito. Foi muito feliz a ideia do curador Miguel Conde de convidar o goiano André de Leones, o gaúcho Altair Martins e o mineiro Carlos de Brito e Mello para a mesa Escritas da Finitude que, apesar do tema aparentemente pesado, fez a plateia rir umas tantas vezes. Em comum, os três jovens escritores têm o apreço pelo tema da morte, que aparece com frequência em seus livros. A mediação foi feita por João Cezar de Castro Rocha.
“Escrever, e não me matar, é o mais próximo que chego da autoajuda”, disse Leones, que cresceu em Silvânia, cidade de 10 mil habitantes no interior de Goiás que tem e um dos mais altos índices de suicídio do país. “Muitos amigos meus se mataram e no velório de um deles me assombrei pensando: por que não?”. Optou para escrever, mas a morte perpassa toda a sua obra. A confirmação vem pelo título de seus livros: ‘Hoje está um dia morto’, ‘Paz na terra entre os mortos’, ‘Como desaparecer completamente’, e o mais recente, o apocalíptico ‘Dentes Negros’. “Procuro fazer algo de que gosto enquanto não me esfarelo”, disse.
“Somos mortos ambulantes à espera do corpo ideal”, comentou Altair Martins, autor de ‘A parede no escuro’ e ‘Como água’. Aos 6 anos, Altair perdeu o pai, um jóquei morto num acidente de moto. Para ele, vivemos a morte como um leitor e tudo se passa ao redor do morto, não com ele em si. “Lemos a morte nas reações diversas das pessoas”. Completou: “Retrabalhamos os mortos quer seja em texto literário quer seja em torno de uma lembrança. Fez a plateia rir quando contou sobre seu próximo livro, que contará a história de um tradutor que funda um país num minúsculo apartamento de Porto Alegre e passa a conviver com os objetos que ali estão.
Carlos de Brito e Mello foi finalista dos principais prêmios literários de 2010 com seu ‘A passagem tensa dos corpos’. Nele, uma voz visita cidades para registrar as mortes que ocorrem lá. “Eu não queria que a morte fosse um tema, mas que tivesse força operatória, que ela operasse a narrativa”, contou. Para o autor, que lançou antes ‘O cadáver ri de seus despojos’, quando a morte acontece o que se inicia é a narrativa, que permite uma destinação para aquele fato. “Por mais irônico que possa parecer, a morte não compete ao morto. Nós que ficamos é que precisamos fazer alguma coisa, construir nossos mitos de origem e de depois.”
(trecho de matéria publicada hoje no Caderno 2)
A Festa Literária Internacional de Paraty de hoje faz lembrar muito pouco o evento que levou 6 mil pessoas e autores do porte de Eric Hobsbawm e Julian Barnes à cidade fluminense em 2003. O número de visitantes saltou para 20 mil e o clima intimista se perdeu. Mas a lista de escritores cultuados e premiados que Liz Calder, a idealizadora, conseguiu trazer nos primeiros anos e que os curadores vêm se esforçando para manter, segue o padrão e é um dos maiores atrativos da festa. Na edição que começa nesta quarta-feira, 4, à noite com uma fala de Luis Fernando Verissimo sobre os 10 anos da festa, conferência dos críticos Silviano Santiago, colunista do Sabático, e Antonio Cicero sobre Drummond e show do Lenine e Ciranda de Tarituba, estarão Ian McEwan, Hanif Kureish e Enrique Vila-Matas, que já participaram de outras edições, e ainda Adonis, James Shapiro, Stephen Greenblatt, Jonathan Franzen, Dulce Maria Cardoso, Rubens Figueiredo, Zuenir Ventura, Francisco Dantas e outros. E isso custa. A Flip, orçada em R$ 8,4 milhões, é um dos eventos literários mais caros do Brasil. Uma pequena parte desse valor, R$ 1,4 milhão, é destinada às ações da Flipinha e da Flipzona, que envolvem crianças e adolescentes de Paraty e região.
Leia na íntegra, aqui.
Por Maria Fernanda Rodrigues
Enquanto a 10ª Festa Literária Internacional de Paraty não começa – a abertura está prevista para esta quarta-feira às 19h, postamos aqui as últimas entrevistas que o Estadão fez com alguns dos autores convidados. Nossa equipe já está em Paraty, e muitas outras devem ser feitas até domingo. Acompanhe a cobertura por aqui, pelo portal Estadão ou pelo jornal impresso.
Programação principal:
Adonis - ”Estávamos apenas trocando de ditadura”, diz poeta sírio (Caderno 2, 3/7).
Jonathan Franzen – Olhar a partir da América – Americano fala de seus livros e dos impasses da escrita (Sabático, 30/6)
Silviano Santiago – Todas as faces de Drummond (Sabático, 30/6)
Zuenir Ventura – Em ‘Sagrada Família’, Zuenir une ficção e memória (Caderno 2, 22/6)
Francisco Dantas – O olhar preciso (Caderno 2, 27/5)
Enrique Vila-Matas – Vila-Matas volta ao círculo de Bartleby (Sabático, 9/6)
Alejandro Zambra – Prosa inspirada na poesia (Caderno 2, 18/5)
Jackie Kay – Identidade tecida pela poesia (Sabático, 27/4)
Programação pararela:
José Luis Peixoto – Acerto de contas com o passado, embora não vivido (Sabático, 4/2)
Annalena McCafee – McCafee trata da mídia superficial em ‘Exclusiva’ (Caderno 2, 27/6)
Efe
PARATY – Reunindo um total de 40 autores, vindo de 14 países diferentes, a 10ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) apresenta suas atividades desta quarta-feira, 4, até o próximo domingo, 8.
Entre os autores ibero-americanos convidados para essa edição do evento, que em dez anos se consolidou como a maior festa literária do país, figuram o chileno Alejandro Zambra, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, a cubana Zoé Valdés, o haitiano Dany Laferrière, o colombiano Juan Gabriel Vásquez e o espanhol Javier Cercas.
Nesta 10ª edição em Paraty – uma histórica, bucólica e turística cidade do litoral sul do Rio de Janeiro -, a Flip prestará uma homenagem especial ao poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, que será lembrado em outros eventos até outubro por conta dos 110 anos de seu nascimento.
Uma das convidadas mais esperadas este ano em Paraty é a americana Jennifer Egan, ganhadora dos principais prêmios literários de seu país, o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award, por obras como “The Invisible Circus”, “Look at Me”, “The Keep” e “A Visit From the Goon Squad”.
Outro nome que também desperta a atenção do público nesta edição é o de Jonathan Franzen, autor de “As Correções”, livro que foi ganhador do National Book Award e teve milhões de exemplares vendidos no mundo todo.
A grande ausência ficará por conta do francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, prêmio Nobel de literatura em 2008. Apesar de ter confirmado sua presença anteriormente, Le Clézio foi obrigado a cancelar sua viagem em última hora por conta de problemas de saúde.
Entre os autores que estarão pela segunda vez em Paraty, aparecem os britânicos Ian McEwan e Hanif Kureishi e o espanhol Enrique Vila-Matas, que aproveitará a ocasião para promover o livro “Aire de Dylan”, recém-lançado em português.
Os ingressos para os debates e conferências com estes convidados especiais foram todos esgotados na última semana e, por isso, os organizadores esperam que a festa receba um número recorde de participantes neste ano.
Segundo os organizadores, a 10º edição da Flip, que conta com novos patrocínios e um orçamento de R$ 7 milhões, apresentará aproximadamente 200 eventos e contará com um número recorde de escritores convidados.
A cerimônia de abertura da festa está prevista para o final da noite desta quarta-feira com uma homenagem a Drummond, que deverá contar com a participação de Luis Fernando Veríssimo e dos poetas Antonio Cícero e Silviano Santiago. Na sequência, a festa terá continuidade com um show do cantor Lenine, vencedor de cinco prêmios Grammy Latino.
Confira abaixo a programação completa da festa:
QUARTA
19h
Abertura
Flip, ano 10
Drummond 110
Luis Fernando Verissimo
Antonio Cicero
Silviano Santiago
Uma sessão dupla abre a décima edição da Flip. Em comemoração aos dez anos do evento, Luis Fernando Verissimo começa a noite falando sobre o valor da literatura, razão de ser da festa. Silviano Santiago e Antonio Cicero fazem em seguida a conferência sobre o autor homenageado da Flip 2012, Carlos Drummond de Andrade, cujo nascimento completa 110 anos em outubro. Do panorama da relação de Drummond com o século XX à leitura detalhada de um de seus poemas, Santiago e Cicero descrevem os traços fundamentais da obra de um dos maiores escritores brasileiros.
Tenda dos Autores
21h
Show de abertura
Ciranda de Tarituba
Lenine
Vencedor de cinco prêmios do Grammy Latino, o recifense Lenine é a atração principal do show de abertura da Flip 2012. O músico apresenta o show de sua turnê “Chão”, em que toca as músicas de seu novo trabalho e revisita grandes sucessos de sua carreira. Antes da apresentação de Lenine, as festas tradicionais de Paraty serão representadas na abertura da décima Flip pela Ciranda de Tarituba, fundada em 1975 e dedicada aos ritmos e danças da região.
Tenda do Telão
QUINTA
10h
Mesa 1
Escritas da finitude
Altair Martins
André de Leones
Carlos de Brito e Mello
Mediação João Cezar de Castro Rocha
Três dos mais elogiados jovens escritores brasileiros se reúnem para conversar sobre uma questão comum a eles (e a todos nós). A morte que atravessa os livros de André de Leones, Altair Martins e Carlos de Brito e Mello não é, no entanto, apenas o fato impessoal e difuso à espreita de qualquer um. Pelo contrário, a consciência do fim é algo que se impõe a cada um, como destino individual e inevitável. Daí que escape a clichês fúnebres para se tornar inesperadamente uma força criativa – razão de questionamento existencial e motivo da própria escrita.
Tenda dos Autores
11h45
Mesa Zé Kleber
A leitura no espaço público
Silvia Castrillón
Alexandre Pimentel
Mediação Écio Salles
Desde 2009, a Flip promove um evento especial para discutir a cidade e suas políticas públicas: a Mesa Zé Kleber. Batizada em homenagem ao poeta, músico e importante ativista paratiense, nesta décima Flip a mesa promove um diálogo entre as experiências das bibliotecas-parque na Colômbia, onde elas foram criadas, e no Brasil. Ao criarem um novo ambiente em áreas desprovidas de investimentos públicos, elas cumprem a função igualmente importante de melhorar a estrutura urbana dos locais onde são instaladas. Para discutir o trinômio políticas públicas, cultura e território, receberemos a bibliotecária e educadora colombiana Silvia Castrillón, cujo trabalho foi fundamental na implantação do sistema nacional de bibliotecas públicas em seu país. Ao seu lado, estará Alexandre Pimentel, diretor da Biblioteca Parque de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, projeto inaugural de bibliotecas nacionais que tem o modelo colombiano como referência.
Tenda dos Autores
15h
Mesa 2
Apenas literatura
Enrique Vila Matas
Alejandro Zambra
Mediação Paulo Roberto Pires
Se tentarmos pensar o que a literatura tem de mais próprio, descontadas as funções educativas ou sociológicas que por vezes lhe atribuem, o que sobra como justificativa do ato às vezes compulsivo de escrita ou leitura? É sobre esse estranho “resto” que conversam o chileno Alejandro Zambra e o catalão Enrique Vila-Matas. Nos livros desses dois escritores, a literatura se dobra sobre si mesma, mas, ao invés de isolar-se, afirma por meio desse movimento reflexivo uma forma peculiar de abertura e hibridismo.
Tenda dos Autores
17h15
Mesa 3
Ficção e história
Javier Cercas
Juan Gabriel Vásquez
Mediação Ángel Gurría-Quintana
Ao se voltarem para episódios violentos do passado de seus países, os livros do espanhol Javier Cercas e do colombiano Juan Gabriel Vásquez lançam também uma interrogação crítica ao presente. A história não é aí algo encerrado, que o escritor se limita a registrar num balanço final, mas uma narrativa incompleta da qual a escrita toma parte justamente para mantê-la em aberto. A possibilidade renovada de se contar outra história invalida a uniformidade dos relatos habituais e impõe a tarefa de reavaliação do momento atual.
Tenda dos Autores
19h30
Mesa 4
Autoritarismo, passado e presente
Luiz Eduardo Soares
Fernando Gabeira
Mediação Zuenir Ventura
Processos do Ministério Público contra agentes do Estado acusados de tortura e a criação de uma Comissão da Verdade para investigar crimes e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura fizeram com que a sociedade brasileira voltasse a discutir de maneira acirrada um passado que para muitos teria sido oficialmente superado com a promulgação da Lei da Anistia e a redemocratização. O autoritarismo em nosso país, no entanto, não começa em 1964 nem termina em 1985. Luiz Eduardo Soares e Fernando Gabeira discutem nossa tradição autoritária e o modo como ela se manifesta no presente.
Tenda dos Autores
SEXTA
10h
Mesa 5
Drummond – o poeta moderno
Antonio C. Secchin
Alcides Villaça
Mediação Flávio Moura
Antes mesmo de sua estreia em livro com Alguma poesia (1930), Carlos Drummond de Andrade é reconhecido e se afirma como um poeta moderno em artigos e poemas publicados em jornais e revistas. Como demonstra, no entanto, sua correspondência com Mário de Andrade, essa modernidade não implica uma adesão irrestrita ao ideário modernista. O que significa, então, ser moderno para Drummond? Alcides Villaça e Antonio Carlos Secchin discutem essa questão abordando tanto os livros mais famosos do poeta quanto escritos praticamente desconhecidos de seus anos de formação.
Tenda dos Autores
12h
Mesa 6
O mundo de Shakespeare
Stephen Greenblatt
James Shapiro
Mediação Cassiano Elek Machado
Dois dos maiores estudiosos da obra de William Shakespeare mostram como a obra do escritor inglês ultrapassa o falso dilema entre particularidade histórica e universalidade literária. Nesta conversa sobre as criações de Shakespeare e os mitos que continuam a cercar sua figura, Stephen Greenblatt e James Shapiro discutem como as peças e poesias do autor se vinculam profundamente com as circunstâncias em que foram escritas, ao mesmo tempo que, ainda hoje, continuam a atrair novas leituras, adaptações e controvérsias.
Tenda dos Autores
15h
Mesa 7
Exílio e flânerie
Teju Cole
Paloma Vidal
Mediação João Paulo Cuenca
A errância é a figura comum que aproxima as obras de Teju Cole e Paloma Vidal, dois jovens e celebrados autores. Nas caminhadas de personagens à deriva, ou nos desvios digressivos da escrita, Cole e Vidal atualizam e dão novo sentido à relação entre experiência, memória e deslocamento.
Se no começo do século XX o flâneur era o tipo moderno por excelência, circulando pelos novos espaços urbanos, os livros de Cole e Vidal sugerem que em nossa época o movimento dos seres humanos entre países e continentes produz outro tipo de olhar, ligado ao êxodo e ao exílio.
Tenda dos Autores
17h15
Mesa 8
Literatura e liberdade
Adonis
Amin Maalouf
Mediação Alexandra Lucas Coelho
Uma perspectiva moderna e humanista caracteriza o trabalho do sírio Adonis e do libanês Amin Maalouf como escritores e intelectuais. Em ensaios, poemas, estudos históricos ou livros de ficção, esses dois grandes escritores constroem o novo a partir de um olhar original sobre a tradição, em oposição direta ao fundamentalismo que, nas últimas décadas, tem marcado a vida política e cultural de muitos países do mundo árabe. Eles conversam sobre os pontos em comum de suas trajetórias, ambas marcadas pelos conflitos da região, e avaliam as promessas e os riscos do momento atual.
Tenda dos Autores
19h30
Mesa 9
Encontro com Jonathan Franzen
Mediação Ángel Gurría-Quintana
Uma conversa com o escritor norte-americano que tem sido reconhecido como um dos mais incisivos intérpretes dos dilemas da sociedade atual. Autor de ensaios e ficções que colocam com insistência a questão da relevância da escrita e da criação literária no mundo de hoje, Franzen discute sua obra e a repercussão singular de seus livros e ideias no panorama da cultura contemporânea.
Tenda dos Autores
SÁBADO
10h
Mesa 10
Cidade e democracia
Suketu Mehta
Roberto DaMatta
Mediação Guilherme Wisnik
Ao mesmo tempo que mostram o potencial de mobilização dos meios digitais, protestos recentes no mundo árabe e nos países europeus reafirmam a força da rua (e da praça) como palco de manifestação da vontade popular. O espaço urbano pode ser um local de encontro e convivência das diferenças, mas também a expressão mais visível da desigualdade social. A partir dessa contradição, o indiano, radicado nos Estados Unidos, Suketu Mehta, e o brasileiro Roberto DaMatta discutem o papel das cidades na vida democrática contemporânea.
Tenda dos Autores
12h
Mesa 11
Pelos olhos do outro
Ian McEwan
Jennifer Egan
Mediação Arthur Dapieve
Contra a ideia da imaginação como escapismo, é possível considerá-la uma faculdade que nos permite avaliar e compreender o mundo. Ao explorarem diferentes maneiras de apreender a realidade, por meio do mergulho na consciência de seus personagens, os livros de Ian McEwan e Jennifer Egan revelam que imaginar pode ser um ato de humanização. Ver pelos olhos do outro implica um duplo movimento, de distanciamento da perspectiva individual e tentativa de aproximação do alheio. Mas, em vez de um solo comum, esse esforço pode expor também diferenças inconciliáveis.
Tenda dos Autores
15h
Mesa 12
Em família
Zuenir Ventura
Dulce Maria Cardoso
João Anzanello Carrascoza
Mediação João Cezar de Castro Rocha
Das tragédias gregas aos romances de Tolstói e Thomas Mann, é longa a tradição literária do tema em torno do qual se reúnem a portuguesa Dulce Maria Cardoso e os brasileiros João Anzanello Carrascoza e Zuenir Ventura. Fechada sobre si mesma, ou permeada pelas tensões que moldam a realidade para além da porta de casa, a vida em família mobiliza afetos dos mais intensos. Mais do que a mera coincidência temática, os três autores reunidos aqui compartilham a sensibilidade para esse espectro de sentimentos elevados ao grau mais alto.
Tenda dos Autores
17h15
Mesa 13
O avesso da pátria
Zoé Valdés
Dany Laferrière
Mediação Alexandra Lucas Coelho
A formação de literaturas nacionais foi parte decisiva da constituição cultural dos países da América Latina, numa aproximação entre a escrita e a pátria que tem seu ápice no século XIX e se desdobra nos diferentes movimentos literários do continente ao longo do século XX. A cubana Zoé Valdés e o haitiano Dany Laferrière mostram que essa relação não perdeu sua atualidade, mas assume hoje novos sentidos. Em vez de participação no processo coletivo de construção nacional, a escrita se torna reação à violência e ao exílio, esforço individual de recuperação de um território perdido.
Tenda dos Autores
19h30
Mesa 14
Música para malogrados: conferência de Enrique Vila-Matas
O momento em que a literatura se reduz a um produto de mercado é também o momento de sua irrevogável extinção. Este, afirma Enrique Vila-Matas, é o momento que vivemos hoje. A partir de uma personalíssima reflexão sobre autores como Samuel Beckett, Thomas Bernhard e Roberto Bolaño, o escritor catalão defende nesta conferência o fracasso como uma forma possível de reação à trivialização da criação literária. Em seguida, leva a discussão para uma leitura da própria obra, comentando em detalhe as relações entre seus livros Ar de Dylan e História abreviada da literatura portátil.
Tenda dos Autores
21h30
Mesa Los Amigos
Quadrinhos para maiores
Angeli
Laerte Coutinho
Mediação Claudiney Ferreira
Nesse encontro entre dois artistas que mudaram de maneira definitiva a cara dos quadrinhos brasileiros, Laerte e Angeli sobem ao palco da Tenda dos Autores acompanhados por históricos decididamente nada respeitáveis de personagens inesquecíveis, como Rê Bordosa e os Piratas do Tietê. Os dois falam sobre os pontos em comum de suas trajetórias e discutem os principais elementos do caldo de referências culturais e políticas presentes em seus trabalhos, nos quais a crítica de costumes assume um viés anárquico e satírico às vezes próximo do surreal.
Tenda dos Autores
DOMINGO
10h
Mesa 15
Vidas em verso
Jackie Kay
Fabrício Carpinejar
Mediação João Paulo Cuenca
Nenhuma obra literária pode ser reduzida à biografia de seu autor, mas a criação se faz sempre a partir de um conjunto de leituras, observações e experiências que é inevitavelmente pessoal. Em poemas ou textos em prosa, a escocesa Jackie Kay e o brasileiro Fabrício Carpinejar exploram as ressonâncias entre vida e obra numa via de mão dupla. Ao mesmo tempo que evoca o vivido, o escrito se torna espaço de interrogação e invenção da própria persona do autor. Em vez de espelho da vida, o livro se torna assim mais um espaço no qual ela se cria.
Tenda dos Autores
11h45
Mesa 16
A imaginação engajada
Rubens Figueiredo
Francisco Dantas
Mediação João Cezar de Castro Rocha
Os livros de Francisco Dantas e Rubens Figueiredo, dois dos principais escritores brasileiros, mostram que a força crítica da literatura não depende da contenção do estilo nem da imaginação. É por meio da potência do texto, e não de uma adesão mimética ao real, que a obra de ambos estabelece sua relação com o mundo. Dos grandes centros urbanos ao interior rural, Figueiredo e Dantas se apropriam dos cenários habituais do imaginário nacional para desmanchar sua feição familiar, contrapondo aos generalismos do senso comum a concretude singular de suas histórias.
Tenda dos Autores
14h30
Mesa 17
Drummond – o poeta presente
Armando Freitas Filho (em vídeo)
Eucanaã Ferraz
Carlito Azevedo
Mediação Flávio Moura
Poucos autores parecem tão importantes para pensar o que se escreve hoje na poesia brasileira quanto Carlos Drummond de Andrade. Não é fácil, no entanto, precisar exatamente em que consiste essa importância e de que maneira ela se manifesta. Três poetas brasileiros exploram diferentes possibilidades de resposta a essa questão. Num depoimento em vídeo gravado por Walter Carvalho, Armando Freitas Filho fala de sua relação com Drummond, partindo de uma definição inesperada do poeta mineiro como um autor do Lado B. A mesa segue com uma discussão entre Eucanaã Ferraz e Carlito Azevedo.
Tenda dos Autores
16h30
Mesa 18
Entre fronteiras
Gary Shteyngart
Hanif Kureishi
Mediação Ángel Gurría-Quintana
Deslizando habilmente entre os pontos de vista do nativo e do estrangeiro, o norte-americano (nascido na Rússia) Gary Shteyngart e o inglês (filho de pai paquistanês) Hanif Kureishi criaram algumas das mais brilhantes sátiras da ficção contemporânea. Na obra desses dois premiados escritores, a perspectiva de viés, que mesmo ao tomar parte dos acontecimentos é capaz de considerá-los de um ponto de vista ironicamente distanciado, torna-se uma forma de expor ao mesmo tempo as tensões do mundo atual e a histeria vazia dos discursos que habitualmente pretendem descrevê-las.
Tenda dos Autores
18h15
Mesa 19
Livro de cabeceira
Autores convidados da Flip 2012 leem e comentam trechos de seus livros prediletos.
Tenda dos Autores
2012
2011
2010
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