Vários convidados da Flip foram entrevistados ao longo do último ano pelos repórteres de literatura do Estadão, Antonio Gonçalves Filho (Toninho), Ubiratan Brasil (Bira, também editor do Caderno 2) e Raquel Cozer (Raq) – que estarão em Paraty a partir de terça, cobrindo a nona edição do evento. Seguem abaixo os links das conversas, publicadas no Sabático ou no Caderno 2.
James Ellroy – Boxeador da palavra

valter hugo mae – A urgência como motor da escrita
Joe Sacco – O que não se falou sobre Gaza
Laura Restrepo – “Queria contar uma história épica sem heróis”
Andres Neuman – Memória de um mundo imaginário
Kamila Shamsie – Saga do terror da bomba atômica às torres gêmeas

Michael Sledge – Inspiradora passagem brasileira de Elizabeth Bishop

Miguel Nicolelis - A cabeça como salvação

Leia mais sobre outros convidados:
Eduardo Sterzi sobre a ‘Divina Comédia’, de Dante Alighieri, artigo de 26/02
João Cezar de Castro Rocha sobre ’O Silêncio’, do japonês Shusaku Endo, artigo de 28/05
Péter Esterházy entrevista: Mulheres, eterno enigma (Nov/2010)
Marcelo Ferroni entrevista: Quando o escritor se torna editor (mar/2011)
Mal chegou a Paraty, a escritora chilena Isabel Allende, que está lançando A Ilha Sobre o Mar, foi convidada pela editora Liz Calder a navegar junto a outros convidados pelas ilhas da região, habitada no passado por escravos, também personagens de seu novo livro, que deveria tratar das origens de New Orleans e terminou como a saga de uma escrava. Isabel veio acompanhada do marido William Gordon, também escritor, que lança na Flip seu livro O Anão.
Que mudanças o senhor observa em nossa noção de narrativa?
(…) Atualmente, os mais jovens criaram o hábito de ler pequenos blocos de texto e em grande velocidade, seja em Twitter, blogs, ou ainda na troca de mensagens recebidas em celulares e portáteis. Assim, a leitura de um livro tornou-se um ato pouco usual. Por conta disso, é possível acreditar que logo os livros serão adaptados a esse tipo de escrita, ou seja, uma prosa breve, segmentada. Isso vai influenciar decisivamente a forma de se apresentar personagens, descrever cenários, criar atmosferas, utilizar recursos narrativos. Tudo ficará achatado. É uma possibilidade. (…)
***
Trecho da entrevista que o Bira fez com o pesquisador americano Robert Darnton, convidado da Flip. Saiu no Sabático de ontem (a íntegra da conversa você pode ler aqui). Uma das duas mesas das quais ele participa será com o CEO do Penguin Group, John Makinson, com que falei neste mês, em entrevista publicada no Caderno 2. A conversa será nesta sexta-feira, às 10h.

No ano passado, quando estreei como repórter na Flip – até então, tinha ido só como público e frequentado mais os bares que as tendas, por absoluta dificuldade de comprar ingresso -, conheci a estranha logística da cobertura de um evento literário. Em geral, repórteres de jornais impressos que estejam em cobertura fora da redação podem enviar textos para o editor até a noite do dia anterior à notícia, mas os cadernos de cultura – cujas notícias dependem menos das agruras diárias que os cadernos de política, por exemplo – precisam estar prontos para ir para a gráfica mais cedo, em torno de umas 14h. É uma maneira de “desafogar” a gráfica do excesso de páginas a serem impressas à noite, quando roda o resto do jornal.
Isso significa que a cobertura se divide em dois. Não adianta cobrir as mesas para o caderno que fecha “frio” (como reza o jargão para fechamentos mais distantes do horário em que o jornal chegará às bancas), pois daria para falar só sobre as mesas da manhã. Em geral, o que a gente faz, no caderno que tem fechamento às 14h, são textos de apresentação das mesas que ainda acontecerão no dia, acompanhados de um relato menor do que aconteceu no dia que, para o leitor, será “anteontem”. É claro, se rolar algo muito curioso, bizarro ou polêmico na mesa das 19h de quinta, por exemplo, pode ser o caso de ligar no jornal e pedir espaço no caderno de cidades (que fecha à noite) para sair ainda na sexta. Porque, se você for esperar até as 14h de sexta para noticiar com destaque o que aconteceu às 19h de quinta, o leitor do jornal impresso só poderá ler o texto no sábado, quando a notícia já estiver meio murcha depois um dia inteiro na rede. No sábado pode sair esse relato menor sobre as mesas de quinta – afinal, nem todo mundo acompanha pela internet.
Hm, não sei se me fiz clara nesta explicação, mas juro que tentei.
Enfim, daí que achei ótimo a cobertura deste ano incluir o blog. Será minha primeira cobertura pelo Estadão e também a primeira vez que o jornal terá um blog específico para o período da Flip. O que significa que, além de nos dividirmos entre os textos que entram no Caderno 2, no Sabático e eventualmente no Metrópole, teremos de saber dividir também o que entra aqui e o que guardamos para o jornal impresso. O bom é que teremos esse espaço para que nada de importante passe em branco.
Eu, em particular, ainda tenho de saber o que guardar para o meu blog pessoal, mas algo que me diz que não sobrará é tempo… Porque as exíguas horas que restarem será preciso aproveitar no bar, é claro.
(A foto do painel na Tenda dos Autores sendo preparado eu roubei lá do blog da Flip)
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