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Flip

10.julho.2011 17:44:25

Curador diz que Lanzmann teve atitude nazista ao recusar debate

No final da entrevista coletiva de balanço da 9ª Flip, o curador do evento, Manuel da Costa Pinto, comparou o posicionamento do cineasta Claude Lanzmann, durante sua mesa na noite de sexta-feira em Paraty, com a atitude de um nazista. Na conversa, mediada pelo estudioso da literatura de testemunho Márcio Seligmann-Silva, Lanzmann se recusou a responder questões que não fossem diretamente relacionadas a histórias relatadas em seu livro de memórias, A Lebre da Patagônia (Companhia das Letras), e acusou Seligmann-Silva de não tê-lo lido. “Se você continuar me tratando como um débil mental, eu me levanto e vou embora”, chegou a dizer.

Judeu, Lanzmann foi o diretor de Shoah (1985), documentário de nove horas e meia com entrevistas sobre o Holocausto, e integrou a resistência contra os alemães na 2ª Guerra. Ele participou da Flip para falar de histórias como essas, presentes no livro.

Na coletiva, Costa Pinto disse considerar “decepcionante que um autor do porte dele, que foi um dos grandes intelectuais do século 20 e conviveu como figuras como Sartre, rejeite perguntas de natureza intelectual”. E completou: “Essa postura que ele teve contra um debate intelectual foi uma coisa nazista. É grave isso. Ele rejeitou o debate em nome da espetacularização.”

Não demorou para que a afirmação chegasse aos ouvidos de Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, que avisou Costa Pinto de que teria de se pronunciar a respeito. “Há dois equívocos nesse fato. Um é que Manuel é um excelente crítico, mas está aqui na função de curador, então entendo que ele confundiu os papéis. O outro está na escolha dos termos. Foi uma terminologia muito inapropriada, levando a consideração o histórico de Lanzmann.”

Mais tarde, Manuel da Costa Pinto esclareceu sua afirmação: “O que quis ressaltar foi justamente o fato de ser um cara que combateu o nazismo, que é um regime anti-intelectual por excelência, mas que ali teve aquela atitude anti-intelectual de recusa ao debate. Não disse que ele é nazista. Me decepcionou isso, que ele dissesse que, se não estivesse no livro, não era algo sobre o que ele quisesse falar. Ele era um dos convidados em quem coloquei mais expectativas.”

Costa Pinto admitiu, no entanto, que talvez tenha confundido os papéis de curador e de jornalista. “Ali me coloquei como jornalista, e como um jornalista que já se envolveu muito com essa questão. Quando editava a revista Cult, fiz com Seligmann um dossiê sobre a literatura de testemunho.

Lanzmann deixou Paraty no começo da tarde de ontem, mais ou menos no mesmo horário em que Costa Pinto dava a declaração na entrevista coletiva. Luiz demonstrou preocupação com a possibilidade de a notícia chegar até o autor – esta Flip estava repleta de jornalistas estrangeiros – e disse que a situação o coloca numa posição delicada, na próxima vez em que tentar convidar autores da casa para a Flip.

Luiz Schwarcz ressaltou ter considerado bom o trabalho de Manuel da Costa Pinto nesta estreia com curador da Flip. “Espero que não prejudique (a permanência dele na função; o curador de 2012 será anunciado em setembro), mas que haja uma reflexão. Ele está começando um trabalho, acho que teve muita coisa interessante (nesta edição).”

Comentários (18)| Comente!

18 Comentários Comente também
  • 10/07/2011 - 18:52
    Enviado por: Organização da Flip lamenta “palavra inadequada” « Flip

    [...] Comunidado da Casa Azul sobre o comentário do curador Manuel da Costa Pinto a respeito de Lanzmann. [...]

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    • 10/07/2011 - 21:07
      Enviado por: José Miguel arias Neto

      Penso que o Lanzmann merece nota zero pelo tratamento ao Seligman Silva, fato que a Casa Azul “esqueceu” de mencionar na nota. É preciso trazer pessoas interessadas em dialogar com os participantes do Evento e não apenas fazer a propaganda do livro novo. A atitude do Lanzmann merece reprovação e ele não deve mais ser convidado e financiado com o dinheiro do contribuinte para vir fazer esta palhaçada no Brasil.

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  • 10/07/2011 - 19:17
    Enviado por: Matheus

    primeiro é o lars von trier que é nazista, agora o lanzmann. que moda hein

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  • 10/07/2011 - 19:44
    Enviado por: meier

    Ultimamente quando se quer ofender um judeu e nao se tem argumentos basta chama-lo de nazista. Sou judeu e dependendo de quem profere a ofensa, para mim eh uma honra recebe-la. Mas eh perda de tempo fazer uma polemica disso. Eh soh comparar quem ofende com quem foi ofendido. Um eh genio.O outro apenas um criticuzinho.

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  • 10/07/2011 - 19:44
    Enviado por: Gilberto braga

    São todas primas-donas cheias de idiossincrasias e egos inflamados. Tanto judeus quanto nazistas, quando se trata de aparecer e do dinheiro no bolso, chafurdam na mesma lama. O que os diferencia é o cardápio, somente.

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    • 10/07/2011 - 21:05
      Enviado por: sliberdade

      Ah, tambem os experimentos, torturas e assassinatos dos nao germanicos (gays e ciganos por exemplo), tudo igualzinho, a invasao da Europa, batalha de Stalingrado, realmente tudo igualzinho. Estude um pouco de historia do mundo antes de fazer suas comparacoes racistas e absurdas e que hoje sao consideradas criminosas na propria Alemanha envergonhada de seu passado.

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    • 10/07/2011 - 23:07
      Enviado por: Mauro

      Gilberto, até cretinice tem limite. A sua não. Maior que a sua cretinice só mesmo a sua ignorancia.

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  • 10/07/2011 - 19:48
    Enviado por: hermes

    O comportamento reles, a postura servil e deslumbrada de muitos brasileiros diante de estrangeiros, da motivo p’ra qualquer desconhecido se sentir importante, arrogante e tratar como insolente impertinencia as questões que um pobre diabo do mato pretenda debater. O ultimo paragrafo do artigo mostra muito bem como ser um cara baixo, abjeto sem a minima auto-estima. Deve ter muita imprensa estrangeira do Paraguai e de Angola nesse fabuloso evento.

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  • 10/07/2011 - 20:35
    Enviado por: José Miguel arias Neto

    Nota zero para o arrogante Lanzmann. Destratou o Seligman-Silva um dos nossos melhores da teoria literaria de modo imperdoável. Aliás de quem foi a idéia de trazer este cara para a FLIP. É perda de tempo e de dinheiro. Que leiam a crítica bem fundada que faz TzvetanTodorov ao filme Shoa, no livro “Em face do Extremo”. Fora Lanzmann. Não precisamos de você aqui!!!!!!!!!!!!!!!!

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  • 10/07/2011 - 22:10
    Enviado por: Otavio Leonídio

    Lanzmann destratou Seligmann-Silva. Costa Pinto destratou Lanzmann. Luiz Schwarcz destratou Costa Pinto. Costa Pinto pediu desculpas a Luiz Schwarcz. Lanzmann não pediu desculpas a ninguém. Ninguém pediu desculpas a Seligmann-Silva. Luiz Schwarcz, a esta altura, já deve estar pedindo desculpas a Lanzmann. Lanzman, a esta altura, já deve estar destratando todo mundo de novo. Maravilha essa Flip!

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  • 10/07/2011 - 22:16
    Enviado por: XYZ

    Ué, mas esperavam delicadeza do Lanzmann? Ele é conhecido pela grande contribuição a questão do holocausto tanto quanto pela postura pública arrogante e agressiva, os curadores e mediadores deviam estar preparados pra segurar o rojão.

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  • 10/07/2011 - 22:27
    Enviado por: Samarkand

    Achei a atitude do escritor Stalinista.
    E a atitude do Curador, infantil.
    Nazista? Ah, Nazista é quem ataca o caráter de outro – que o tenha desagradado – o igualando àquilo que mais possa ofender ao outro.
    Opa… isso quer dizer que ‘nazista’ é o curador… rsrsrs

    Não se esqueçam que quando se convida alguém, faz parte respeitá-lo… ninguém aceita um convite para ser desrespeitado, e se tal comportamento se repete, só haverá a visita de ‘cumpañeros’ que compartilhem as mesmas opiniões do anfitrião. Então não existirá a troca de idéias, fecundação e nascimento de coisas novas e sim apenas uma masturbação coletiva.

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  • 11/07/2011 - 01:10
    Enviado por: wagner

    Incrível!!!! Acusar um judeu de “nazista”!!! Só no Brasil, da Dilma-Terrorista ladra de bancos…………………………….

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  • 11/07/2011 - 01:43
    Enviado por: Carlos

    Então, deixe-me ver se entendi: numa feira literária o autor quer discutir apenas temas relacionados ao livro que escreveu e é criticado por isso. O problema não é o termo inadequado utilizado pelo curador da Feira Literária, mas a sua falta de noção do que é uma Feira Literária.

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  • 11/07/2011 - 11:47
    Enviado por: Deborah

    Assisti à palestra e venho acompanhando o debate.
    Sinceramente, acho que a questão não foi que Lezmann não aceitou perguntas complexas do mediador. Foi que o mediador não fez questões ao autor e sim mini-palestras teóricas sobre sua obra e ao final dizia “O que o senhor pensa disso?” Até observando a postura corporal do mediador, muita coisa se revela. Ele olhava para a platéia o tempo todo, ao invés de para o entrevistado. Queria ser estrela e não entrevistador ou mediador….
    Dada a estatura de Claude Lezmann, acho que ele foi muito educado, passou quase 40 minutos respondendo às “perguntas” do “mediador” e apenas ao final, quando o mediador insistia em comparar uma exposição de arte em Paris com sua obra cinematográfica, ele se encheu e disse que estava ali para falar do livro dele.
    Há de se lembrar que trata-se de um homem idoso, que já fez de tudo na vida, consagrado, que estava cansado da viagem e doente. Sabe, aquele tipo de pessoa que não tem nada a perder e nem papas na língua? Se fosse um jovem, querendo ascender no mundo da literatura, teria ficado quieto. Mas, considerei pedagógica a sua colocação.
    Acho que o conceito de mediador deve evoluir na próxima FLIP. Neste quesito, parabenizo o Rodrigo Lacerda, que entrevistou João Ubaldo Ribeiro, assim como o jornalista do Financial Times que fez várias mesas (de Pola e Victor Hugo Mãe). São pessoas brilhantes, mas que se dedicaram a fazer brilhar o entrevistado, fazendo perguntas interessantes que permitiram os autores falarem sobre suas obras, suas vidas e suas idéias.

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  • 11/07/2011 - 13:50
    Enviado por: JEAFG

    É lamentável que jovens sem um grande histórico intelectual assumam responsabilidades como o de Curador da Festa Literária Internacional de Paraty, pois se não obram na entrada, obram na saída.
    O ‘intelectual’ Costa Pinto quis fazer nome em cima do consagrado mundialmente Lanzmann e deu no que deu:
    Teve que se redimir.
    Envergonhando assim o Brasil.
    Espero que ele não volte mais a curadoria e essa seja entregue a uma pessoa mais responsável, sem desejo de aparecer nos holofotes da Literatura.
    Como a intelectualidade gosta de classificar de nazista o que não entendem????

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