Assisti a um pedaço da “Macumba Antropófaga”, apresentação comandada por José Celso Martinez Correa, à frente do grupo do Oficina, para marcar o encerramento da Flip. Quem conhece o trabalho do grupo, não se surpreendeu com a encenação, uma ode à antropofagia de Oswald de Andrade em uma visão muito particular. O que me causou espanto mesmo foi o público, mais saidinho e libertino que a proposta do Oficina.
Sentei em meio a um grupo de senhoras, acomodadas em cadeiras. Parecia um clube das mulheres: elas fingiam cobrir os olhos quando apareceram os primeiros atores pelados mas logo estavam gargalhando e tirando fotos sem o nenhum constrangimento. Quando o ator Marcelo Drummond foi carregado, ainda nu, elas divertiam com os movimentos vocês sabem do quê.
O melhor foi uma senhora, que disparou: “Ai que saudade do meu Zózimo!”.
Evoé baco!
Comunicado da Casa Azul sobre o comentário do curador Manuel da Costa Pinto a respeito de Lanzmann:
A Associação Casa Azul, organizadora da Flip, gostaria de esclarecer que a opinião expressa por Manuel da Costa Pinto representa uma posição pessoal.
A Associação lamenta o uso de uma palavra inadequada em relação a um convidado cuja presença engrandeceu a Flip em 2011.
A organização da Flip destaca seu habitual respeito aos escritores convidados, que representam o sucesso deste evento de celebração da literatura.
Associação Casa Azul
No final da entrevista coletiva de balanço da 9ª Flip, o curador do evento, Manuel da Costa Pinto, comparou o posicionamento do cineasta Claude Lanzmann, durante sua mesa na noite de sexta-feira em Paraty, com a atitude de um nazista. Na conversa, mediada pelo estudioso da literatura de testemunho Márcio Seligmann-Silva, Lanzmann se recusou a responder questões que não fossem diretamente relacionadas a histórias relatadas em seu livro de memórias, A Lebre da Patagônia (Companhia das Letras), e acusou Seligmann-Silva de não tê-lo lido. “Se você continuar me tratando como um débil mental, eu me levanto e vou embora”, chegou a dizer.
Judeu, Lanzmann foi o diretor de Shoah (1985), documentário de nove horas e meia com entrevistas sobre o Holocausto, e integrou a resistência contra os alemães na 2ª Guerra. Ele participou da Flip para falar de histórias como essas, presentes no livro.
Na coletiva, Costa Pinto disse considerar “decepcionante que um autor do porte dele, que foi um dos grandes intelectuais do século 20 e conviveu como figuras como Sartre, rejeite perguntas de natureza intelectual”. E completou: “Essa postura que ele teve contra um debate intelectual foi uma coisa nazista. É grave isso. Ele rejeitou o debate em nome da espetacularização.”
Não demorou para que a afirmação chegasse aos ouvidos de Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, que avisou Costa Pinto de que teria de se pronunciar a respeito. “Há dois equívocos nesse fato. Um é que Manuel é um excelente crítico, mas está aqui na função de curador, então entendo que ele confundiu os papéis. O outro está na escolha dos termos. Foi uma terminologia muito inapropriada, levando a consideração o histórico de Lanzmann.”
Mais tarde, Manuel da Costa Pinto esclareceu sua afirmação: “O que quis ressaltar foi justamente o fato de ser um cara que combateu o nazismo, que é um regime anti-intelectual por excelência, mas que ali teve aquela atitude anti-intelectual de recusa ao debate. Não disse que ele é nazista. Me decepcionou isso, que ele dissesse que, se não estivesse no livro, não era algo sobre o que ele quisesse falar. Ele era um dos convidados em quem coloquei mais expectativas.”
Costa Pinto admitiu, no entanto, que talvez tenha confundido os papéis de curador e de jornalista. “Ali me coloquei como jornalista, e como um jornalista que já se envolveu muito com essa questão. Quando editava a revista Cult, fiz com Seligmann um dossiê sobre a literatura de testemunho.
Lanzmann deixou Paraty no começo da tarde de ontem, mais ou menos no mesmo horário em que Costa Pinto dava a declaração na entrevista coletiva. Luiz demonstrou preocupação com a possibilidade de a notícia chegar até o autor – esta Flip estava repleta de jornalistas estrangeiros – e disse que a situação o coloca numa posição delicada, na próxima vez em que tentar convidar autores da casa para a Flip.
Luiz Schwarcz ressaltou ter considerado bom o trabalho de Manuel da Costa Pinto nesta estreia com curador da Flip. “Espero que não prejudique (a permanência dele na função; o curador de 2012 será anunciado em setembro), mas que haja uma reflexão. Ele está começando um trabalho, acho que teve muita coisa interessante (nesta edição).”
Raquel Cozer acompanhou a coletiva de imprensa que apresentou o balanço da edição desse ano e algumas novidades para 2012:
“O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade será o homenageado da Flip em 2012, quando o evento completa dez anos. O anúncio foi feito no domingo. As comemorações do décimo ano da festa também incluirão o lançamento de um livro com a história da Flip, organizado pelo ex-curador Flávio Moura, e a reunião de imagens em vídeo. A edição deste ano, segundo a organização, manteve o público entre 20 e 25 mil pessoas em Paraty – a pesquisa mais detalhada sai nos próximos dias.
A inglesa Liz Calder, idealizadora do evento, e Mauro Munhoz, diretor-geral da Casa Azul, ressaltaram as reformas percebidas na cidade, como a criação de um passeio ao lado do canal no centro histórico, onde ficaram todas as tendas. “O impacto na cidade ficou visível. Pudemos fazer algo que queríamos há muito tempo. Expandir e revitalizar um lado que tinha menos vida, preservando o lado histórico”, disse Munhoz. “Ganhamos mais espaço, mas mantivemos o caráter de intimidade do evento”, completou Liz.
Munhoz destacou o aumento de eventos paralelos da programação oficial (incluindo Casa da Cultura, Flipinha e Flipzona), que totalizaram 139 convidados – mas ficou clara também a expansão de atividades extraoficiais, como as programações preparadas pela Casa Sesc e a Casa do Instituto Moreira Salles. Outra característica perceptível para visitantes foi o crescimento do aspecto comercial envolvendo a Flip.
Entre as mesas, o curador Manuel da Costa Pinto disse ter se surpreendido principalmente com a convergência entre os convidados Carol Ann Duffy e Paulo Henriques Britto (a poeta inglesa, aliás, ainda não publicada no País, atraiu a atenção de ao menos três editoras), além de Kamile Samshie e Caryl Phyllips. Por outro lado, alfinetou a atuação do francês Claude Lanzmann, que criticou abertamente o mediador Márcio Seligman-Silva. Disse ter considerado a atitude de recusa ao debate equiparável à do nazismo. Costa Pinto não foi confirmado como curador: o anúncio ocorre em setembro.
David Byrne foi o último convidado da Flip a chegar – aportou aqui na sexta. No sábado, participou de uma entrevista coletiva em que deu detalhes sobre o livro Diários de Bicicleta (Editora Manole), em que relata suas observações e descobertas que fez ao rodar por diversas cidades do mundo em uma bicicleta.

Antes, uma curiosidade: nesse longo passeio, ele preferiu cidades como Londres, Amsterdã e Ferrara, na Itália, como exemplares na facilidade de acesso. Do outro lado da moeda, destacou Hong Kong. “Apesar de ser uma cidade chinesa, manteve colonizaçã britânica até há pouco tempo, o que ainda interfere nas relações sociais. Trata-se de uma cidade tomadas por grandes bancos e acredito que só quando os banqueiros sentarem em uma bicicleta é que poderemos mudar a situação lá”, disse.
Byrne lembrou Curitiba como exemplo de boa acessibilidade a bicicletas, embora nã tenha entrado em detalhes. Suas referências parecem ainda antigas, pois citava com insistência o corredor de ônibus, que já foi adotado por outras capitais brasileiras.
Perguntado se o caminho de se chegar a uma satisfatória acessibilidade implicaria em mais mortes de bicicleteiros (como acontece com certa constância no Brasil), ele disse que não, mas que a resistência é necessária. “Há cidades que, se hoje mantêm uma relação civilizada com a bicicleta, só atingiram esse estágio depois de anos de luta.”
Byrne usa a bicicleta como principal forma de locomoção em Nova York, onde mora, desde os anos 1980. Chegou a criar estações de bicicleta artísticas, em que, embora pouco funcionais, chamavam atenção pelo problema pela arte.
Ex-líder da banda Talking Heads (cuja formação não deverá se repetir, segundo ele, pois “não se volta à primeira namorada”), Byrne apontou ainda Portugal como um exemplo que poderia ser seguido pelos brasileiros. “Eles conseguiram ótimas alternativas de energia renovável, apesar de sua crise econômica.”
Um desafio, porém, Byrne não aceitou enfrentar: andar de bicicleta em São Paulo.

James Ellroy exibiu sua faceta showman na última mesa deste sábado da 9ª Festa Literária Internacional de Paraty: disparou palavrões, revelou-se arredio às inovações tecnológicas (“Vivo no vácuo”), mas, ao mesmo tempo, exibiu uma apurada avaliação do romance policial americano, além de reafirmar sua paixão desenfreada por Beethoven. Fanfarrão, o americano logo repetiu uma de suas frases de efeito preferidas (“Se eu fosse um líder religioso, seria simplesmente Deus”) para conquistar a plateia, mas, em seguida, exibiu mais profundidade.
Confessou, por exemplo, não gostar das tramas policiais de Raymond Chandler, considerado um dos papas do gênero. “Suas metáforas são cansativas e arrastam a narrativa, além de escrever sobre o homem que queria ser”, disse. “Já Dashiel Hammett descrevia o homem que temia ser: cético, pelego, capanga. É muito mais importante que Chandler.”
Apesar de não cansar de entronizar Beethoven, Ellroy dedicou palavras elogiosas também a Villa-Lobos (“Um grande compositor”) e ainda para o pugilista Eder Jofre, que foi bicampeão mundial. “Foi o lutador mais perfeito que já vi em minha vida.”
Dono de uma prosa concisa, telegráfica, ele agora prepara uma nova tetralogia sobre Los Angeles, cujo primeiro volume trará, “em tempo real”, o impacto provocado pelo ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941.

Eis o relato feito pelo repórter Antonio Gonçalves Dias que, no dia de seu aniversário, acompanhou a grande apresentação de João Ubaldo Ribeiro, na penúltima mesa de sábado, diante de um auditório completamente tomado.

“João Ubaldo Ribeiro, devoto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, já foi salvo por seu anjo da guarda, Pepe, mas ainda não conseguiu expulsar o “canalha” que mora em sua casa e não lhe dá sossego, o “pequeno” Ubaldo, que é o antípoda do “grande” João, “inteligente”, “simpático”, “educado”, “afável” e “solidário”, conforme autodefinição do criador de Sargento Getúlio. Escreveu Viva o Povo Brasileiro apenas para provar ao então seu editor Pedro Paulo de Senna Madureira que era capaz de produzir um livro grosso, que parasse em pé na estante, cumprindo o compromisso assumido consigo mesmo quando começou a escrever: virar um grande autor e, se possível, ganhar o Nobel de Literatura. Parte dessa trajetória até Estocolmo já foi cumprida: Ubaldo, colunista do Caderno 2, entrou para a Academia Brasileira de Letras, foi mimado pelos críticos, traduziu os próprios livros para o inglês, seguindo o exemplo de Conrad e Nabokov, e teve, na noite de ontem, a consagração esperada por todo escritor no Brasil, a ovação do público que lotou a Tenda dos Autores na 9ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que se levantou e aplaudiu com entusiasmo a divertida entrevista concedida a outro bom escritor, Rodrigo Lacerda.
Ubaldo não fugiu de nenhuma pergunta de Lacerda, nem mesmo sobre a impertinência da comparação com Guimarães Rosa, que reconhece ser um dos grandes escritores do Brasil, mas que não faz parte de seus afetos. O escritor não é chegado a hipérboles. Diz que a espécie humana é ruim e que seu lado animalesco prevalece, lembrando que, naquele exato momento em que conversavam, algumas atrocidades estavam sendo cometidas no mundo. “Neste instante alguém está estrangulando alguém”, disse. “Não aprendemos nada”.
Sobre os livros que escreveu, Ubaldo revelou sentir mágoa por Vila Real ter sido lido por poucas pessoas. O livro, observou Rodrigo Lacerda, dialoga com Sargento Getúlio, que o escritor se recusa a classificar de romance histórico, valendo o mesmo para Viva o Povo Brasileiro. Neste último, disse Ubaldo, ele queria apenas se colocar no lugar de um “degenerado” que tivesse poder sobre tudo e todos, mas não reescrever a história do Brasil por meio de uma alegoria sobre a ditadura. “Quem sabe o que Heródoto queria realmente dizer?”, perguntou.
A mesa Uma Ilha Chamada Brasil mostrou que Ubaldo não se preocupa apenas com o passado, mas também com o futuro. Sobre os experimentos na área de biotecnologia o escritor se mostrou cético. “Acho que esse conhecimento será usado para destruir o próximo, introduzindo uma variável na história da humanidade”. O ser humano, concluiu, evoluiu tanto que já pode até interferir na seleção natural nestes tempos pós-darwinistas de avatares e inteligência artificial.”
Em duas mesas consecutivas, patrocinadas pela revista Piauí, três personalidades comprovaram que bom jornalismo continua valendo o investimento e o risco, e que definitivamente este não é o balcão de negócios de Rupert Murdoch, hoje metido em altas encrencas.
O jornalista e escritor mexicano Enrique Krauze, cuja crítica à esquerda radical latino-americana já é conhecida, surpreendeu pela maneira ponderada com que se referiu aos desafetos de sempre. Entre eles Hugo Chávez, sobre quem dedicou um livro. Krauze acha que é preciso estudar a Venezuela a fundo (“o país está doente”), até para evitar que o mesmo modelo venha bater no México — país que viveu longas décadas sob a “ditadura perfeita” do PRI e hoje enfrenta uma violência social que beira o terror. Krauze lembrou bastante de Octavio Paz, com quem trabalhou na lendária revista literária Vuelta, revelando, en passant, que Paz, também tão crítico aos movimentos guerrilheiros do continente, chegou a entrar num discurso ambíguo quando da eclosão do movimento zapatista, nos anos 90.

John Freeman, editor da revista inglesa Granta, que dialogou na mesa com Krauze, não poupou críticas à banalização do jornalismo americano. Foi insistente a ponto de dizer que não queria “chutar por trás” o país onde nasceu. Mas, mandou ver. Foi alentador ouvi-lo falar de narrativas, de histórias dentro de seus contextos, do espaço para a imaginação, do momento para se correr atrás de uma matéria…Freeman ainda fez uma pregação em torno da “slow communication”, ou seja, o inverso do que prega o jornalismo tecnológico, convergente, em tempo real, incluindo o “vício”em email, facebook, twitter…Ele fala dessa era da dispersão em que nos enfiamos: ” O que estamos fazendo com a nossa atenção? Já imaginou 6 bilhões de pessoas contectadas, falando ao mesmo tempo? Slow down, slow down…”.
Joe Sacco, que converte o melhor jornalismo em história em quadrinhos, dominou sozinho a mesa seguinte. E, de novo, a sensação de alento ao ouvir dele como produz seu jornalismo de traço, “personally engaged”. Sacco, que esteve em lugares explosivos como Bósnia e Gaza, sempre produz desta forma: passa o tempo que for in loco entrevistando pessoas, fotografando lugares, fazendo esboços gráficos apenas. Depois volta para casa e passa seis meses escrevendo solitariamente sobre o que viu. Só depois solta o lápis, direto na página. Sente um prazer danado em desenhar. Quando o mediador disse que seu trabalho pode se assemelhar a uma story board e lhe perguntou por que não ir logo para o cinema, Sacco recusou a ideia, a comparação e defendeu o que faz”: “Não fica dever ao cinema”.

A exposição sobre Oswald de Andrade, o homenageado desta 9a. Flip, armada à entrada da tenda principal, é, no seu todo, bem interessante. Tem documentos já “clássicos” sobre a trajetória do nosso mais irreverente modernista, documentos e imagens que merecem ser vistos de novo, mas traz também achados formidáveis. Faço três recomendações para quem estiver por aqui:
1. Prestem atenção no chamado “material de campanha” de Oswald, quando ele decide tentar a política. Divertido. Diz muito sobre o “candidato” e sobre nosso país-tropicália.
2. Interessante a relação do Oswald com a dança, relação que ganha corpo (literalmente) com a filha Marília, retratada desde as primeiras sapatilhas, em fotos belíssimas.
3. Não deixem de conferir os documentos de uma viagem de Oswald e Albert Camus a Iguape, no litoral sul de SP. Aqui detalho um pouco mais: a excursão de ambos se dá em 1949. Oswald queria mostrar a Camus uma procissão do Bom Jesus de Iguape, cuja celebração ainda se repete todos os anos, sempre em agosto, atraindo romeiros especialmente do sul/sudeste. Camus fica impactado com o que vê, particularmente com a imagem de um negro de barba, dorso nu, que carrega uma pesada pedra ao longo da caminhada.
Camus então escreve um conto, por sua vez desdobrado em “O Exílio e o Reino”, livro de 1957. O curioso é que ele e Oswald se hospedam num hospital em Iguape, cidade colonial já bastante empobrecida na época da visita (Iguape foi um porto até importante, perdeu para Santos e seu conjunto arquitetônico, magnífico no passado, foi sendo depauperado ao longo do tempo). A exposição recupera a mensagem de agradecimento que Camus deixou ao hospital, traduzida pelo próprio Oswald: “Ao Hospital da Boa Lembrança, que traz tão bem o seu nome, com a homenagem calorosa a este Brasil que aboliu a pena de morte e a esta Iguape onde a gente compreende este gesto“. Grande Camus…
Um dos melhores restaurantes de Paraty, nesta Flip, o bistrô Marriah, evoca uma personagem quase mítica da cidade, mas paradoxalmente esquecida. Explico: o bistrô, com fundos para a bucólica Rua Fresca e voltado para uma das melhores vistas de Paraty, funciona justamente na casa que pertenceu a Hermínia (Baby) Cerquinho, primeira mulher do escritor, jornalista, político, historiador e um dos mais fecundos intérpretes do Brasil, Caio Prado Jr.
Até 1980, ano em que viria a falecer, Baby tomou conta pessoalmete do casarão que foi um dos endereços mais elegantes e descolados daqui, palco de almoços memoráveis incluindo artistas, políticos, gente de sociedade, visitantes estrangeiros aos montes, entre eles, Marcello Mastroiani, que lá tomou suas cachaças durante as filmagens de Gabriela. Após a morte de Baby, a casa ficou com os filhos, depois foi vendida e hoje abriga o restaurante.
Baby casou-se com Caio nos anos 20, ambos muito jovens, ricos e bem educados, teve com ele dois filhos, Yolanda (Danda) e Caio Graco da Silva Prado - também ligados à história da Editora Brasiliense, fundada por Caio. Baby enfrentou a prisão do marido no Estado Novo, a despeito do nariz torcido da sociedade paulista na época, depois, quando Caio foi finalmente libertado e se exilou na Europa, Baby viria se separar dele, causando o maior escândalo. Principalmente porque o motivo da separação seria a (longa) relação dela com dom João, que viria a ser o pai do simpático príncipe que hoje dá as boas vindas aos participantes das Flips. As casas de Baby e de dom João, já falecido também, são vizinhas, talvez não por acaso.
Além de muito bonita, Baby tinha estilo, personalidade e ajudou a colocar este lugar na rota de gente interessante. Fora isso, abalou os cânones sociais de seu tempo. Sugestão deste blog: valeria a organização da Flip e a prefeitura de Paraty recuperarem a figura desta mulher, certamente buscando junto a Danda Prado farto material existente para uma belíssima exposição.
2011
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