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Flávia Guerra

Ator estrela The Hunt, filme de Thomas Vintenberg

 

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Flavia Guerra / Cannes

A escolha do dinamarquês Mads Mikkelsen para receber a Palma de Ouro de Melhor Ator causou surpresa em Cannes. “Até mesmo para mim este prêmio foi uma surpresa. Voltei ao festival porque achava que iria representar Thomas, que hoje não pôde estar aqui porque seu bebê vai nascer. Juro que só fiquei sabendo do prêmio na hora em que meu nome foi anunciado”, declarou o ator à imprensa.

 

Em The Hunt,  de Thomas Vintenberg, ele faz o papel de um homem divorciado que trabalha em um jardim de infância.  Sua rotina vira de cabeça-para-baixo qando uma das crianças da escola, a menina Klara, de cinco anos, diz que ele a molestou. A partir daí, sua vida se torna um pesadelo, já que todos acreditam que o crime ocorreu.
“Estou muito feliz. E vou dividir este prêmio com minha mulher e meus filhos, meus produtores e, claro, meu diretor. Mais de 80% deste prêmio se deve a Thomas Vintenberg. Obrigada por me convidar para fazer parte deste universo de colaboração”, declarou o ator ao receber a Palma.

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Post Tenebras Lux, de Carlos Reygadas, foi o prêmio mais polêmico da noite

Flavia Guerra/Cannes

 

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Post Tenebras Lux, de Carlos Reygadas, foi o prêmio mais polêmico da noite

O prêmio de Melhor Direção foi o mais polêmico da noite. O mexicano Carlos Reygadas, de Post Tenebras Lux, foi vaiado por alguns membros da plateia do Téathre Lumière. O filme havia recebido críticas negativas desde sua exibição. Durante coletiva de imprensa logo após a entrega dos palmares, Reygadas foi questionado se o prêmio teria sabor de revanche. “Não. Por que eu teria desejo de revanche? De me vingar. Claro que fiquei triste quando soube que algumas pessoas não gostaram, mas é impossível agradar a todos. Para falar a verdade, sou grato aos que falaram mal. Mas sou mais grato ainda aos espectadores que captaram esta obra com suas mentes e corações aberto.das pessoas que disseram coisas lindas sobre meu filme? E falo das que gostaram e das que não gostaram. Penso nos que não gostaram e penso que meu filme não é uma sequência desconexa de ações.”

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Flavia Guerra/Cannes

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Michael Haneke ganha a Palma de Ouro em Cannes 2012. O austríaco, que venceu o festival em 2010 com A Fita Branca, desta vez trouxe Amour (Love) para a Croisette. Delicada, mas forte, história de um casal que tem de lidar com a decadência da velhice, Amour bateu outros favoritos como Behind The Hills, do romeno Cristian Mungiu, que levou os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Atriz, dividido por Cristina Flutur e Cosmina Stratan

Quando questionado se desta vez ele, que é famoso por seus filmes violentos, quis fazer um filme romântico, Haneke respondeu: “A gente sempre tem que tentar expressar o que sente. As pessoas tentam dizer que somos especialistas nisso ou naquilo. E sempre dizem que eu sou especialista em violência. Mas eu faço filmes que quero ver. E faço sempre de um jeito muito aberto. Deixo que o espectador faça sempre sua interpretação.”

 

Confira todos os premiados:
Palma de Ouro
Amour, de Michael Haneke
Grande Prêmio do Júri
Reality, de Matteo Garrone
Prêmio do Júri
The Angel’s Share, de Ken Loach
Diretor
Carlos Reygadas, por Post Tenebras Lux

Atriz
Cristina Flutur e Cosmina
Stratan, por Beyond the Hills
Ator
Mads Mikkelsen, por The Hunt

Roteiro

Cristian Mungiu, por Beyond the Hills
Caméra D’OR (Melhor filme de estreante)

Beasts of the Southern Wild de Benh Zeitlin

Melhor curta-metragem
Silent, de L. Rezan Yesilbas

Prêmio Un Certain Regard
Después de Lucía, de Michel

Prêmio Vulcain de mérito técnico
Charlotte Bruus Christensen,por The Hunt

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 Além de Despues de Lucia, júri presidido por Tim Roth premiou Le Grand Soir e Children of Sarajevo

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Le Grand Soir levou o Grande Prêmio do Júri, presidido pelo ator Tim Roth

Flavia Guerra/Cannes

Aleém do mexicano Despues de Lucia, que recebeu o grande prêmio da mostra Un Certain Regard 2012, Benoit Delepine e Gustave Kervern levaram o Prêmio Especial do Júri por  Le Grand SoirChildren of Sarajevo, de  Aida Begic, levou uma Menção Especial do Júri. “Estou muito feliz com este prêmio. Em meu país, tanto o cinema quanto o teatro, os museus e outras artes correm o risco de desaparecer. Este prêmio espero que possa nos ajudar a resistir”, agradeceu Aida.

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Suzanne Clement (acima, à direita), de Lawrence Anywas, dividiu o prêmio de melhor atriz com Emilie Dequenne (de A Perdre la Raison)

O prêmio de Melhor Atriz foi dividido por Suzanne Clement e Emilie Dequenne. Suzanne tem uma performance forte e memorável em Lawrence Anyways, de Xavier Dolan. Ousado, o filme conta a história de um poeta, Lawrence, que um dia decide que vai ‘envelhecer como mulher’ e se torna um crossdresser. A decisão dele causa tantos problemas que Lawrence se vê obrigado a renunciar sua vida e reconstruir uma nova. Já Emilie Dequenne levou o prêmio por sua atuação em  A Perdre la Raison, de Joachim Lafosse.

“Esta foi uma seleção forte de filmes. Nossas deliberações foram passionais. Os cineastas deste ano não nos decepcionaram nenhuma vez! Incrível!”, declarou o presidente do júri, o ator Tim Roth sobre a premiação da mostra que começou há nove dias com a exibição de Mystery, do chinês Lou Ye, e termina hoje com a sessão de Renoir, de Gilles Bourdos.

 

 

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Último concorrente à Palma de Ouro traz Matthew McConaughey e Reezse Winterspoon

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“Para mim este filme é sobre um garoto que procurar um amor que funcione na vida real. Ele vê os amores dando errado. O dele, o dos pais, o de Mud….  E por alguma razao a gente sempre se recupera e consegue se reconstruir de novo.” Assim o diretor Jeff Nichols (de O Abrigo) definiu seu mais novo filme, Mud, o último concorrente à Palma de Ouro a ser exibido em Cannes na manhã de sábado.

Filme que já nasce clássico por sua própria linguagem e tema, Mud conta a história de um garoto de 14 anos,  Ellis (Tye Sheridan, de A Árvore da Vida). Ele vivem em uma casa-barco no Rio Mississipi, onde navega com desenvoltura em companhia do melhor amigo Neck. Em uma das explorações, à procura de um barco encalhado em uma árvore, acaba conhecendo o enigmático Mud (Matthew McConaughey). Escondido na ilha que abriga o ‘barco da árvore’, Mud espera pela namorada Juniper (Reese Witherspoon). Por um motivo que os garotos desconhecem, Mud não pode ir à cidade nem para comprar comida e pede a ajuda deles para conseguir sobreviver e consertar o barco, que o levará ao México em companhia de Juniper, com quem deve se encontrar na ilha.

A partir deste encontro inesperado, tudo mudará na vida de Ellis, principalmente sua visão do amor. Para diretor e elenco, Mud é sobretudo um filme sobre a descoberta do amor. E também sobre as grandes frustrações que o amor não correspondido, ou o ‘que não deu certo’, traz. “Este filme nos faz lembrar do primeiro amor. E me faz lembrar da minha infância também. Cresci em um universo parecido com o da história. E claro que tive meu primeiro amor e minha primeira desilusão. Quando a gente ama pela primeira vez é impossível ser racional ou pragmático. Isso só se aprende com o tempo”,  comentou  Matthew, cuja performance no filme foi calorosamente aplaudida pela imprensa internacional.

Mud não é nem de longe um candidato à Palma. Por sua convencionalidade de linguagem (ainda que isso não interfira em sua qualidade cinematográfica) não seria normalmente incluído na competição de um festival como Cannes. Mas é fato que grandes produções americanas já conquistaram seu espaço na Croisette. s,

 

 

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CANNES – Além da menção honrosa para O Duplo de Juliana Rojas, a Semana da Crítica também premiou o espanhol Aqui y Alla, que levou  o Grande Prêmio da Semana da Crítica do Festival de Cannes.   O filme é o primeiro longa do diretor espanhol Antonio Mendez Esparza.

Já o  Prêmio Revelação France 4 foi para o búlgaro Ilian Metev por Sofia’s last ambulance. Documentário que revela o cotidiano de equipe de paramédicos em Sófia, o filme é um retrato da situação de precariedade e carência da saúde pública na Bulgária.

Ainda entre as mostras paralelas, a Quinzena dos Realizadores entrega seus prêmios hoje. A brasileira Anita Rocha da Silveira concorre a melhor curta por Os Mortos Vivos.

 

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Para o ator, que estrela novo filme de David Cronenberg, esta é uma história sobre esperança

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CANNES – Robert Pattinson pode não levar a Palma de melhor ator, mas leva com folga o troféu de galã do Festival de Cannes 2012. A coletiva de imprensa de Cosmópolis, novo filme de David Cronenberg, que integra a competição oficial do festival, foi uma das mais concorridas até agora.  Antes de iniciar a batelada de questões, o moderador adverter: “Por favor, deixem a cama e os assuntos de vampiro de fora desta conversa.”

A imprensa obedeceu e o que se seguiu foram declarações contundentes do astro que cada vez mais se distancia da imagem de galã adolescente e se torna um ator de grande porte. Em Cosmópolis ele vive é Eric Packer, um jovem milionário que circula pelas ruas de Nova York refugiado em seu próprio mundo, ou melhor, em sua limusine. O longa retrata um dia na vida de Packer, que começa sua jornada com um único desejo: cortar o cabelo. Para isso, vai ter de cruzar a cidade até chegar no velho barbeiro que o conhece desde menino. Terá também de encarar uma cidade caótica, em que personagens surreais rondam as ruas, outros tantos entram e saem do microcosmo que a limusine representa, protestos anti-capitalismo.

Questionado sobre as semelhanças entre sua vida como celebridade, que o obriga muitas vezes a circular por espaços fechados e ter pouco acesso à ‘liberdade de circular’, o ator afirmou que não via muita semelhança. E ganhou a ajuda de Cronenberg para responder: “Não há semelhanças entre a vida deles porque Pattinson tem de lidar com o fato de ser uma celebridade. Já o Packer não é famoso. Ele é um cara que força todos venham par ao seu mundo.  Criou a limosine para ser seu barco, viver ali completamente isolado. Gosto da estrutura de que ele força todo mundo a fazer tudo para ele. É um cara estranho e silencioso.”

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Baseado no romance homônimo de Don DeLillo, Cosmópolis era um dos filmes mais aguardados deste festival e exigiu dedicação e empenho de Pattinson. “Era um projeto diferente de tudo que já havia feito.  Minha preparação, basicamente, foi passar duas semanas no meu hotel… Me preocupando… E aí quando a gente estava quase filmando, disse para David: Você quer falar sobre o filme?’ E chegamos à conclusão de que isso não importava. “Vamos começar a filmar  e pronto!”

Para a equipe do filme, manter a fidelidade ao livro de DeLillo era a única forma de retratar este universo em desencanto. Sensorial e sofisticada, a narrativa visual de Cronenberg traduz quase com perfeição o universo criado pelo escritor em 2007. “Eu não queria mudar nada do livro. Nem mesmo a pontuação. Quando a gente faz um filme, muitas vezes cria e acrescenta algumas coisas, mas não era preciso neste caso”, comentou Pattinson sobre sua contribuição para suas falas. “As palavras deste filme são tão perfeitas que sentia como se estivesse cantando uma canção e não fazendo um filme. Muitas vezes, mexer no que já está ótimo é até bobo. E além do mais, atuar não é algo para a qual você precisa ser inteligente.”

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Ainda que seja um universo caótico, em que Packer atravessa a cidade ao mesmo tempo em que atravessa toda sua vida, e vê no colapso de um sistema também o colapso de sua vida, tanto diretor quanto ator acreditam que Cosmópolis não é um filme pessimista.  “É sobre o fim do mundo, mas é também sobre a esperança. E eu comecei a pensar nisso… A esperança nele é representar um mundo que não faz sentido nenhum para ninguém. E o mundo financeiro é meio isso. Às vezes penso que o mundo merecia ser limpo e lavado. Pode parecer meio deprimente isso, mas é verdade.”

 

 

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O Duplo, de Juliana Rojas, levou há pouco uma menção honrosa, o Prêmio Descoberta Nikon da Semana da Crítica

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Flavia Guerra/ Cannes

O Duplo, de Juliana Rojas,  recebeu há pouco uma menção honrosa no encerramento da Semana da Crítica. O curta, que conta a história de uma professora primária que começa a ver seu duplo circular pela escola, levou o Prêmio Descoberta Nikon de Melhor Curta da Semana da Crítica.

“Estou muito feliz. É muito bom voltar aqui e ser premiada de novo. Principalmente porque, como bem diz a justificativa do prêmio, levamos por este ser um filme que explora um genero que é pouco visto no cinema nacional”, contou Juliana ao Estado, que em 2007 recebeu o mesmo prêmio. Ela está em sua quarta vez em Cannes e em 2011 seu longa (codirigido com Marco Dutra), Trabalhar Cansa, integrou a seleção da mostra Un Certain Regard.

 

 

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TV Cannes:

 
 http://tv.estadao.com.br/videos,WALTER-S…

 

Cineasta lança “Na Estrada”, baseado em romance de Jack Kerouac, e diz que prefere mostrar seus personagens ainda jovens, como fez com Che Guevara e agora com o escritor beatnik

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Cantora é um dos destaques do ousado Holy Motors, que concorre à Palma de Ouro

 

Flavia Guerra/Cannes

Kyle Minogue está vivendo um sonho. ““É como um sonho para mim estar aqui e fazer parte desta família de cinema”, declarou a cantora australiana durante a coletiva de imprensa de Holy Motors na manhã desta quarta-feira. Tudo porque estrela o filme dirigido pelo Frances Leos Carax, que concorre à Palma de Ouro em Cannes.

 

Ousado, poético e surreal, Holy Motors se revela um dos filmes mais arrojados em uma seleção que vinha morna até então. O filme, com cujo argumento o diretor sonhou, retrata a  história do senhor Oscar, que consegue viver várias vidas. Pode se tornar desde um pai de família até um ser monstruoso, passando pelo chefe de uma indústria e assassino em outra. Céline, uma loira que dirige seu carro por Paris entre uma execução e outra, é sua fiel escudeira. No elenco, também estão Denis Lavant e Edith Scob e Eva Mendes (que não veio ao festival).

 

É  de fato inesperado ver Kyle em um filme que disputa a Palma de Ouro, mas o fato é que a cantora iniciou sua carreira como atriz e diz agora estar retomando esta sua faceta. “Claro que foi amedrontador. Mas fiquei tão animada de participar desta estranha, e incrível, experiência. Foi ótimo voltar ao set. Basicamente eu abandonei toda minha equipe e meu trabalho para deixar de ser Kyle e me tornar a personagem.”

 

Quando questionado sobre o que é o filme, diante de argumento e narrativa tão surreal, o diretor não soube responder. E Kyle ajudou: “Eu não vi o filme ainda, mas posso dizer que pela minha experiência no set é sobre como a gente se representa no mundo em momentos diferentes. É algo mais profundo no filme, claro, mas acho que para começar está é uma boa resposta.”

 

Para a cantora, realizar o filme foi uma experiência tranqüila e agradável: “Menos é mais. O Carax é um diretor econômico que não quis me encher muito com palavras. Mas sim me deixar o mais livre possível para trabalhar. Ele ‘fala’ mais por mensagens de texto. E até hoje trocamos muitas.”

 

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