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Flávia Guerra

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No site da BBC, ‘pequenas susans’ fazem campanha pela conterrânea Susan na cidade natal da cantora, em Blackburn

Ou Susan Boyle perdeu ou ganhou porque ‘é feia’?

London

A derrota de Susan Boyle para o grupo de street dance Diversity no último sábado rendeu às bancas de apostas britânicas cerca de 5 milhões de libras (que não foram gastas pagando quem apostou na cantora escocesa que virou febre no youtube há sete semanas).

Minutos depois da derrota de Susan, transmitida ao vivo pelo ITV (canal britânico que exibe o Britain’s Got Talent, algo como Os britânicos tem talento), o assunto de mesa de pub era: “Susan perdeu porque seu lugar no show business já está mais do que garantido ou porque o Diversity é mesmo melhor?”

Há quem aposte que ela ‘perdeu porque é feia’. “Garanto que se fosse uma mocinha loirinha, novinha e que cantasse tão bem quanto, teria levado. Ela, mesmo com tantas críticas e sendo acusada de ser só um golpe de marketing, mostrou que tem uma voz linda e que sabe perder”, defendeu uma advogada que assistiu a final do programa no ‘pub da esquina’ da Liverpool Street com a Bishop’s Gate Avenue.

Há quem diga que ela ‘só chegou tão longe porque é feia’. “E eu garanto que se ela não fosse tão feia assim teria ido lá, cantado bem, mas não teria feito todo aquele alarde. Ela só chamou tanta atenção porque subiu ao palco como uma caipira sem estilo que foi já considerada por todos uma looser”, rebateu a estudante de moda.

O amigo ‘funcionário de banco’ acrescentou: “E quando viu que ela cantava tão bem, todo mundo ficou culpado e surpreso, mas a voz dela não é nada de extraordinário. Basta ir a uma ópera para ver quantos talentos incríveis como ela existem.”

Em tempos em que a virgindade de Susan (que afirmara que, aos 47 anos, nunca havia sido sequer beijada) vira mercadoria para empresas de ‘filmes adultos’, em que seu talento (que de fato é notável) seja medido pelo seu ‘grau de feiúra’ e que seu valor seja calculado de acordo com ‘o quanto as bolsas de apostas lucraram com a vitória da zebra’, talvez seja hora de perguntar: Britain’s Got Talent ou Britain’s Got Tedius?

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Londres

Passados os G20, a saraivada de críticas que o prefeito Boris Johnson recebeu por ‘gastar dinheiro demais para receber um bando de bagunceiros e de políticos’, a capital inglesa parece ter voltado a seu ritmo normal. Ou quase. Em pleno feriado prolongado (além da Good Friday – a Sexta-feira Santa –, segunda-feira também é feriado. Feriado bancário, aliás), Londres se parece mais cenário de 28 Dias (filme de Danny Boyle em que a Inglaterra é tomada por uma peste e se torna um grande deserto habitado por zumbis).

Os que não voltaram para seus países natais, tentaram formar suas famílias postiças e organizar a bacalhoada (com bacalhau fresco, o Cod Fish). Em Londres, o bacalhau não vem com sal, mas a cabeça… a cabeça continua sendo um mistério. Mais difícil que encontrar uma cabeça de cod fish, parece ser entender como funciona a lei da boa vizinhança Londrina.
Pois bem, voltemos ao Carter House. Depois de conseguir negociar com o landlord 50%/50% do novo carpete, de, heroicamente convencer o mesmo a pregar uma maçaneta na porta do quarto (afinal, para que portas precisam de maçaneta?) e de conseguir um sofá (quase) novinho em folha no freecycle (aliás, esta maravilha da vida ‘internética’ que merecerá um post exclusivo em breve), a casa parece estar em paz, certo? Errado.
Estranhas pilhas voadoras que se atiram contra as janelas double-glazed (ou seja, com vidro duplo, para evitar arrombamentos), cebolas, pedaços de Madeira… Oferendas de boas-vindas do adolescentes Bengali que habitam as outras dezenas de pingeonholes (os buracos-de-pombo) do council building.
Clash cultural ou falta do que fazer? As desperate housemates do Carter House respiraram fundo e fingiram não ligar. Tudo em paz até que uma estaca de Madeira entra, sem querer, pelo letterbox (buraco das cartas) e lá fica. Um metro e vinte da mais pura boa vizinhança entalada na porta e na garganta da brasileira acostumada a receber bolo-de-cenoura como presente de boas vindas. “Vocês querem, por acaso, oferecer flores, mas não sabem como?”, pergunta a vizinha.

Entre reclamar com a polícia ou com o Bispo, a vizinha preferiu respirar fundo e esperar até o dia seguinte. De manhã, em vez de botar a raiva, resolveu botar o lixo para fora. “Vocês fizeram uma festa ontem?”, perguntou o vizinho. “Não. Não houve festa nenhuma, mas minha porta quase foi abaixo”, respondeu ela, enquanto tentava entender a lógica do lixo reciclável. Papelão pode. Saco de plástico, não. Enfim, o vizinho se adianta: “Nós sabemos, nós sabemos. E isso não vai acontecer mais. Esta é uma vizinhança amigável. Vocês podem ficar tranquilas.”
“Se este é o lado amigável da vizinhança, não me fale do lado não amigável.”
O vizinho promete que falaria com os garotos. “Você entende… Eles são crianças ainda. Vocês são novidade…”
Neste momento, a única lembrança que uma das ‘vizinhas novas no pedaço’ tem é a do avô dizendo: “Com 14 anos, eu trabalhava na roça e sustentava uma casa.”
Com 14 anos, os vizinhos do East End, perguntam se as vizinhas fumam, bebem e se querem comprar alguma mercadoria ‘no paralelo’.
“Thanks, but no thanks.”
Por ora, depois da ‘conversa’ com os ‘meninos’, não choveu mais ‘cats and dogs’ nem pilhas, cebolas e estacas de Madeira. Por ora, a paz reina no Carter House.
Falta só resolver ainda o vazamento da máquina de lavar e pagar a TV Licence (sim, na Inglaterra, paga-se imposto para ver TV).

To be continued…

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Após tenebrosos dias de muita peleja imobiliária (real estate= algo como imóvel, propriedade, pedacinho de chão, ou de ar…), este blog ressurge dos calabouços dos porões mofados da capital inglesa para narrar, em primeira pessoa, mas sem arroubos de auto-promoção, as aventuras de se alugar uma casa em Londres.

Vamos lá. E desta vez, como manda a lei universal dos blogs, vamos tentar posts mais curtos e mais frequentes.

A começar, minha nova casa, cuja foto aqui segue:

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Esquina da Carter House. My new home, bitter-sweet, home.

Um council building (algo como a Cohab, o Cingapura daqui) de tijolinhos expostos (não há nada arquitetonicamente mais britânico que os ‘red bricks’, não é mesmo?). Na esquina, e na divisa, de Banglacity com Spitalfields Market. Seria como morar na esquina da Praça Benedito Calixto, no coração da Vila Madalena quando era ‘desabrochou’, com um possível bairro paquistanês, indiano, judeu, japonês, italiano, chinês, coreano…. A chamada modernidade fashion dos londrinos trendy (descolados, na moda, cool) convivendo harmoniosamente (ou quase) com a tradição paquistanesa que até hoje rege as cabeças que caminham à mostra e sob os véus.

‘Proibido Jogar Bola’ está escrito na parede da Carter House (como a cohabezinha é chamada). Está lá escrito. Em bom inglês e bom paquistanês (suponho que seja bom, uma vez que ainda não consigo distinguir a diferença entre os dois alfabetos – o indiano e o paquistanês- mas já consigo distinguir de longe, e de perto, a diferença entre os dois grupos de imigrantes tão presentes em Londres). Mas que nada. No sábado à tarde, o que se vê (graças!) são as crianças batendo um bolão, acertando as janelas com o mesmo bolão e rondando o prédio de bicicleta. Tudo isso a cinco minutos a pé de Liverpool Street Station, uma das mais movimentadas (e belas) estações de trem da Inglaterra.

Mas, pode-se perguntar, o que a minha odisséia imobiliária tem de relevante jornalisticamente para estar aqui narrada? A minha, pessoal, talvez não muito. A minha, como um dos exemplos de como funciona o mercado imobiliário em meio à crise mundial que corrói cada um dos canos (já em sua maioria muito enferrujados) dos imóveis e, consequentemente, da economia inglesa, e, consequentemente, mundial, muito.

É sobre esta indústria imobiliária macro, e também micro, que este blog versará nos próximos posts.

To be continued… Continua amanhã

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Capítulo 1 – O Sunday Roast

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O tradicional Sunday Roast: além do Fish&Chips e ‘primo inglês’ do ‘frangão de padaria’

Londres

Um domingo. Não no parque. Porque em tempos de pós-nevasca e pré-primavera, o inverno ainda não inspira muitos londrinos (de sangue e de criação) a dar um passeio no bosque.
E o que há no lugar do Domingo no Parque? Um domingo no Pub.
Então, lá fomos nós e nosso nariz enxerido em busca do verdadeiro English Sunday Roast. E, como manda a tradição, eles são servidos em típicos English Gastro-Pubs.

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O parque, há algumas semanas, num domingo pós-nevasca

O Sunday Roast nada mais é do que o ‘frangão assado’, daqueles de encher os olhos, e a boca, de todo cachorro de porta de padaria que se preze. A pequena diferença é que o frangão inglês é ‘ão’ mesmo. E que um pouco de tempero extra não faz mal a ninguém de paladar tropical. Servido no prato, o Sunday Roast vem acompanhado de brócolis (um ‘must’ britânico), cenoura, cebola, batata, repolho… E de uma cerveja e amigos bons.
O gastro-pub nada mais que um típico bar que serve o tradicional Fish&Chips e algumas das outras poucas iguarias famosas da dita inexistente gastronomia inglesa).
Enquanto a tal da crise mundial faz com que os restaurantes posh (digamos, mais posudos) percam sua clientela a olhos vistos, o cliente da working class (a tal da classe operária, o trabalhador, o funcionário da firma) persiste em sua busca frenética pelo verdadeiro sabor inglês ‘bom, bonito e barato’. Muito por isso, o Old Montague, pub mais que tradicional, daqueles que nos faz entender porque David Lynch existe, era a pedida perfeita.
Em uma esquina entre tantas no sul de Londres, divide sua clientela entre os que param para ver o pianista tocar em um palquinho digno de ficção do Stanley Kubric em plenos anos 80, e os que querem se sentar à mesa e discutir o quanto o `approach` (digamos, ‘jeitinho de chegar junto’) dos latinos, orientais e europeus saxões é diferente (Esta conversa merecerá, em breve, um post exclusivo).

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O Montague é a prova de que David Lynch não ‘viaja’ tanto assim

Ah, o sul. O sul fica longe na capital inglesa. Muito distante do posudo Oeste. Longe do descolado leste. A perder de vista do tradicional norte. O sul é outra Londres. O Montague mistura uma clientela de ‘beberões profissionais’, estudantes descolados das universidades locais, solitários e moradores da região.
Num pub, nada de garçon. A bebida se pega no bar. A bartender, uma lady (que de lady não tem muito) com seus bem mais de 60 anos, escolhe por você: Hoje você vai de sidra. Aceito a sugestão. Nem de longe, nem no sul e nem no norte, alcanço o profissionalismo com que o britânico sabe apreciar o fruto da cevada.
O Sunday Roast se pede na mesa. E não adianta pedir spicy (super temperado).

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Em mesa de bar, cerveja, e sidra, não podem faltar

Tempero e temperamento não se discutem. Principalmente em Londres, cada um tem o seu. A moqueca brasileira, ainda que muito apreciada pelos poucos que já a saborearam, tem gosto de exotismo (talvez porque o coentro seja artigo mais apreciado nas delis indianas). O frangão inglês, ao gosto do freguês latino (isso inclui colombianos, venezuelanos, brasileiros e chilenos), carece de um dedinho de sal.
Mas o tal do melting pot (o caldeirão de sabores e culturas) continua fervendo na capital da atual crise mundial. Enquanto dias melhores não vem, e o Carnaval não faz lá muito barulho em terras britânicas, a torre de Babel conta, em dezenas de idiomas, seus contos. E aumenta alguns pontos.

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Cartaz no metrô de Londres alerta: “Há coisas que você só faz quando está bêbado.”

Londres e Marrocos

Marrakesh – No Marrocos, a turista acidental jantava em um tradicional restaurante na praça mais famosa da cidade, Jemaa el-Fna, quando ouviu uma informação exclusiva do garçon:

- Aqui servimos álcool. E, depois das dez, também se pode fumar shisha.

A turista, acostumada a ver seus compatriotas ingleses entornar mais de três, quatro, cinco pints em uma noite, não entendeu. E perguntou ao vizinho de mesa, um norueguês acostumado a ver o governo (e somente o governo) ter permissão de controlar a venda de bebidas alcoólicas em seu país, respondeu:

- Isso. Álcool eu já sabia que era proibido em países muçulmanos, mas shisha eu achava que era como no Egito, ou até mesmo em Londres, onde qualquer pub da esquina pode botar uma mesa para seus clientes fumarem.

A amiga inglesa entendeu o boicote alcoólico, mas ficou sem saber qual era a ‘tal da shisha’.

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Horas depois, a jornalista brasileira aqui, escuta:

Você, que mora em Londres, e mora no sul, onde está cheio de gente de tudo quanto é lugar, e vive comprando docinhos árabes lá para os lados do oeste, em Marble Arch, diga aqui parra esta londrina do norte, o que é esta shisha? É haxixe em árabe? Pode fumar haxixe aqui?
- Nada disso, dear. Shisha é só mais uma forma para se dizer narguilé, water pipe, cachimbo de água. Entendeu?

- Entendi mas não compreendi. O que há de mau em fumar um inofensivo cachimbo de água que nada mais tem que um pouco de melaço, tabaco e fruta dentro? Se for assim, em Londres ninguém mais vai poder sair na rua. Todo mundo fuma naquela cidade.

A turista ocasional e londrina acidental retruca:

- Mas já não se pode Esqueceu que é expressamente proibido fumar agora até em pubs, casas noturnas e festas em locais fechados?

O jornalista árabe, que ouvia a conversa no computador ao lado, em plena sala de imprensa do Festival de Cinema de Marrakesh, o maior da África, faz questão de explicar:

- Olha, até dá para fumar haxixe e maconha na shisha. Mas o water pipe foi banido não porque seja droga. Se os chineses usavam para fumar ópio, os árabes em geral só fumam tabaco. A sociedade marroquina chegou à conclusão de que os cafés onde se fumava a shisha em geral atraía traficantes, prostitutas e era ponto de crimes e brigas. Ainda há alguns escondidos, mas são raridade. E a gente sabe o tipo de gente que freqüenta. Moça de família não vai nestes lugares.

As duas fizeram cara de “entendi”. E deixaram a shisha para fumar oficialmente em Londres. E se contentaram em tomar um bom vinho no ‘circuito alternativo’ dos restaurantes e mercados ‘especializados’.

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Londres – De volta à capital mundial da pint, o cartaz no vagão da Nothern Line (a linha norte do metrô londrino), chama atenção.
Enquanto um moço dorme abraçado à sua ‘garrafa de cerveja’ de estimação no ‘banco da praça’ e deixa à mostra suas pernas semi-nuas debaixo de uma frugal saia de bailarina. Para completar, o singelo dizer:

“Há coisas que você só faz quando está bêbado. Perder o caminho de casa não devia ser uma delas.”

Arrematando: Tome conta da sua saúde, das suas posses e da sua felicidade nesta temporada de festas de fim de ano. Planeje antes e chegue seguro em casa.

Assinado: Policia dos Transportes Britânica e Prefeitura (na verdade, espécie de sub-prefeitura) da cidade de Westminster.

Ora, ora, ora. Well, Well, Well.

Ao ver a jornalista tirar fotos com seu celular do cartaz, o cidadão, natural de Cardiff, em Gales, a cerca de quatro horas de Londres, pergunta:

- Tanto cartaz bonito no metrô. Logo ali tem um do Beckham, por que você está mais interessada no cara bêbado de sainha?

Complicou. Cultural Conundrum. Como explicar para o companheiro de vagão que já estava (quase) acostumada a ver meninas caindo de bêbadas pelas calçadas londrinas depois dos embalos de sexta e sábado à noite, mas que campanha para ‘bêbado chegar em casa direitinho depois de cinco, seis, sete.. pints na festa da firma no fim do ano` era mais pitoresco que a Troca da Guarda real.

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O moço, que desde sempre sabe que uma ‘pint’ nada mais é que a unidade métrica equivalente a aproximadamente 568 mL, ou cerca de dois chopes, emendou com uma bela bronca:

- Não sei o que tem demais. Beber é uma tradição britânica. Se a gente não toma, no mínimo, uma pint, não relaxa. E agora vem este prefeito e f…. com ‘nosso esporte nacional’. Com esta crise toda, o que vai sobrar neste país para a gente ser feliz?

A ‘nova amiga’ não soube responder. Lembrou das capas de jornais. Quando não é a crise econômica, a separação da Madonna e do Guy Ritchie, o assassinato do baby P, tudo que a imprensa britânica mais fala é “Será o fim da nossa Happy Hour?”

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Motivos não faltam. Recentemente, o governo britânico decidiu encampar uma “Guerra contra o álcool”. Proibiu a venda de bebidas em lojas de conveniência depois da meia-noite Beber no metrô, que garantia cenas de alta tensão, como bêbados à beira de despencar na linha do trem, também agora é contravenção das mais sérias.

Para completar, as tradicionais promoções foram proibidas. De agora em diante, nada de atrair clientes com as sedutoras:

“Tudo que você conseguir beber por apenas 10 libras.”

” Mulheres bebem de graça”

Oferecer bebida como prêmio para jogos também está fora de questão.

“Não se trata de moralismo. É questão de saúde. O pais gasta cerca de 25 bilhões combatendo e tratando o consumo excessivo de álcool todos os anos. O inglês precisa aprender que não precisa beber até cair toda vez que quer se divertir”, disse a porta-voz do governo.

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Como explicar isso para o ‘amigo do trem’, que bebe muito mais que 21 pints por semana, a cota recomendada pelo Ministério da Saúde.

“21 doses por semana são menos de três pints por dia. Impossível ser feliz assim. Acho que vou comprar um carro e parar de andar de metrô. Assim deixo de ficar p… com estes anúncios idiotas. E já que não dá para dirigir bêbado, compro um carro brasileiro e passo a usar álcool só no carro. Vocês botam álcool no carros no Brasil, né? Que desperdício!”, brincou o passageiro.

E arrematou: “Aposto que vocês são muito menos beberões lá no Brasil, não?”

Salva pelo gongo. “Minha estação chegou. A gente termina esta história depois de curar a ressaca de réveillon.”

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O britânico Jude Law rouba um beijo da norte-americana Norah Jones em “Um Beijo Roubado”

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Cena 1
Sala da diretoria de uma escola ‘posh’, de classe média alta, em West London.

A professora se dirige para a mãe brasileira:

- Seu filho tem melhorado muito. Ainda é extremamente agitado. Mas já está começando a parar de tocar nas pessoas quando fala com elas.

A mãe, carioca, que há 20 anos mora na capital londrina, apesar de entender, mas não necessariamente compreender, as ‘gaps’ sociais entre brasucas e brits, diz, assim, de sopetão:

- Mas isto era para ser bom?

A professora, londrina, que há 45 anos ensina a arte de fazer jus ao ‘ladies and gentlemen way of life’, responde, um tanto sem entender nem compreender a surpresa da mãe:

- Of course, indeed! Claro! Sinal de que está aprendendo a respeitar o espaço do outro.

A mãe, calada feito uma manhã de quarta-feira de cinzas, levanta e se prepara para ir embora. E, como quem dá bom dia e, em vez de um ‘not bad’ (não mal) está acostumada a devolver com um ‘good morning!’, entre um aperto de mão e outro, dá os típicos dois beijinhos no rosto da professora.

- Mãe, aqui eles não dão beijinho em quem não conhecem. Você tem que aprender. Se não, vai levar advertência por exagerar no Public Display of Affection (Demonstração Pública de Afeto), rebate o garoto de dez anos de praia e muitos anos de british culture pela frente.

É…’pão, pão (beijo, beijo) e pães é questão de opiniães, já dizia Guimarães (o Rosa)

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