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Flávia Guerra

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Grafite que integrou a exposição Street Art Brazil, na Galeria 32 de Londres, prova que a arte brasileira vai muito além dos estereótipos tropicais. E que a verdade está no meio. No meio da rua.

São Paulo

Prólogo, o comentário do leitor João Baroni a respeito do post anterior:

“Quando nos deparamos com tantos teóricos no estudo das diferenças culturais, me impressiona o Estado manter um blog como esse, que além de ter posts absolutamente fundados em estereótipos e com temas idióticos, coloca um post pior ainda, de uma imbecilidade tremenda.

Realmente quando nos deparamos com uma cultura nova ficamos mais atentos às nossas próprias raízes, mas, como é comum entre brasileiros no exterior (e, caio eu mesmo no tal estereótipo), eles se juntam em bando e ficam comendo goiabada que foi enviada pelo correio.

Para definir em uma palavra: mediocre”

Vamos lá:

Vejam só. O comentário do leitor João Baroni me fez pensar nas últimas semanas.
Isso porque nas últimas semanas também tenho colocado o propósito deste blog em perspectiva. Uma vez que estou em terra Brasilis, falar de Londres talvez se torne algo descabido, não?

Mas, pensando na pressuposto de que quando falando dos outros, falamos muito, na verdade, de nós mesmos, é que penso de fato que este blog, claro, é para brasileiro ler.
Mas que amargor faria um leitor destilar tamanho azedume diante do blog alheio? Eu nunca me achei lá muito dona da verdade e nem do blog. Mas o fato é que imbecilidade e estereótipos ainda dão muito o que falar no mundo.
Não seriam, justamente, os estereótipos que nos afirmam o caráter, esfregam na cara quanto ainda somos naïf sim e, muito, mas muito provincianos?

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Qual pátria é nossa?

Isso não afirma que somos ou seremos melhores ou piores que qualquer outro país. Apenas diferentes. E, de forma naïf é que afirmo que é com as diferenças que aprendo. Seja com as minhas diferenças em relação aos ‘estrangeiros’, seja em relação aos próprios conterrâneos. Muitos compartilham a visão da Vanessa. Outros preferem o Baroni. Há outros que, como eu, preferem observar em vez de julgar. Diante disso, perdoe Baroni, mas o pessoal de Goiânia que migra para Londres não compartilha a opinião dos teóricos acadêmicos. Não por ignorância orgulhosa de nem se dar ao trabalho de ouvir o que ‘o outro’ tem a dizer, mas, por pura e simples falta de educação formal, não consegue acompanhar o discurso sofisticado.
É por isso que o discurso espontâneo da Vanessa me diz tanto sobre ‘nossa própria gente’. Somo isso aí, caro Baroni. Sem tirar nem por uma vírgula sequer.
E, como também acredito que o primeiro passo para se superar uma questão é, em vez de negá-la, admiti-la, é exatamente o que tento fazer aqui a todo momento.
Este blog não se presta nem nunca se prestou a descobrir a última banda mais descolada da esquina ali de Londres dos últimos tempos da última semana. Tanto porque este estereótipo sim é fartamente alimentado por qualquer veículo de imprensa britânico ou tupiniquim.
Tampouco este blog se presta às mais novas teorias revolucionárias fresquinhas baseadas em estatísticas acadêmicas. Não que os teóricos não sejam imprescindíveis para entender ao outro e a nós mesmos. Mas este blog é baseado em fatos. E muitas vezes os fatos são baseados em imbecilidades e estereótipos.
É e sempre foi por meio dos estereótipos e das imbecilidades (minhas e alheias) que sempre quis investigar, como bem diz o nome do blog, o que é para inglês e para brasileiro ler.
Se o tom não agrada a muitos, como dizia um grande brasileiro chamado Guimarães, pão e pães é questão de opiniães.

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Londres e São Paulo

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Enquanto a chuva cai em São Paulo e cobre a cidade de caos, a neve cobre Londres de branco e caos também. Mas semelhanças e diferenças não param por aí…

O BLOG DA VANESSA

A estudante brasileira Vanessa tem um blog em que escreve sobre Londres:
http://2anosemlondres.blogspot.com/

Nele, assim como eu, não consegue evitar a comparação entre as duas terras. Ela escreve muito mais que eu. Mas, assim como eu, tem um tom espontâneo, despreocupado e até mesmo naïf e descuidado de narrar o que vê, pensa e sente. Seja como for, o que importa é que seu texto é autêntico. Cara-de-pau na melhor acepção da palavra, revela muito bem como pensam e o que sentem os tantos imigrantes da nossa working class brasileira em Londres.

Este recente post dela mostra bem o que sentem tantos que vão e que vem…

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Vanessa Santos, brasileira e blogueira

2 anos em Londres

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Capítulo 28 – Refletindo sobre a volta ao Brasil

Foi vendo as fotos da viagem de uma amiga que foi a Sao Paulo que eu percebi que vai ser muito difícil minha adaptação no Brasil. Porém, também vi que vai ser muito importante ver tudo com outros olhos e que na verdade, apesar do medo, eu não vejo a hora. É uma mistura de sentimento engraçada.

A primeira foto que vi foi uma foto da avenida paulista onde eu pude ler uma placa que dizia “Bela Vista, Vila Mariana”, ao redor muitos prédios e carros seguindo pela avenida.

Meu primeiro pensamento foi: “nossa, é totalmente diferente daqui!”. É, eu vou sentir bem a diferença quando chegar lá. Poque é muito diferente! Eu já fiz um capítulo falando das diferenças de comportamento, certo, mas existem também as diferenças de estrutura.

Na Inglaterra também tem varios prédios no centro, mas é diferente. Em Londres tem menos prédio do que em São Paulo e os que tem são prédios antigos, mas muito bonitos, não pense que é igual os da praça da sé. São de tijolos vermelhos, como as casas, e não são tão altos. Os ingleses se sentem o máximo de falar que trabalham em um prédio de 7 andares. Para eles é muito alto. Mas fica mais bonito prédios de tijolinhos baixos do que um monte de prédio altão, quadradão e cobrindo a paisagem.

E como São Paulo tem gente ein. As avenidas são larguíssimas e mesmo assim ainda tem congestionamento. Eu jurei para mim mesma que quando chegar no Brasil NÃO vou comprar um carro. E pensar que em Londres eles reclamam que tem muita gente e muito trânsito. Eles não viram São Paulo ainda.

Estão vendo, vai ser difícil para mim. Mas vai ser bom. Na verdade não vejo a hora de chegar em São Paulo e ver tudo com olhos diferentes.

E até que São Paulo é chic não é? Cheio de prédios com janelas de vidro, shoppings maravilhosos, algumas avenidas arborizadas. O problema vai ser quando eu ver os mendigos, as criancas de rua…Aí vai ser complicado…

E até que São Paulo é bem atualizada culturalmente também. Podemos encontrar muita cultura! Tem o Fnac, enfim, vários lugares para adquirir cultura da mais atual. O único problema é que essa cultura toda é cara! Na Inglaterra, um livro custa em média 8 libras, enquanto que no brasil custa em torno de 30 reais. Mas tudo bem, certo? Porque eu vou ter um booom salário, eu espero.

A próxima foto foi uma foto da cidade litorânea, Peruibe. Eu sabia que era Peruibe mesmo antes de ler a legenda porque reconheci o morinho no horizonte e também o prédio branco redondo lá atrás. Dois tios meus tem apartamento e casa em Peruibe e além disso meu melhor amigo da época da adolescencia também tinha casa lá. Então Peruibe fez parte, digamos, da minha adolescencia praieira.

Foi legal ver a foto, mas eu já vi que vou me decepcionar com as praias de São Paulo. Começando com uma coisa que pode parecer besta, mas não é: as praias na Inglaterra tem sempre um Pier a beira mar. O Pier nada mais é do que um pilar de ponte que vai até consideravelmente em cima do mar que eu acredito que antigamente servia de embarcadouro, mas que hoje em dia virou centro de atrações.

Nos “piers” tem brinquedos estilo de parque de diversão, várias separações onde comerciantes vendem maça do amor, donouts, que eles amam aqui, creques, todo tipo de coisa doce que você imaginar, e claro, inclusive sorvete. Além disso tem aquelas casas de jogos, tipo de video game, maquinhinha de dança e de tentar pegar ursinho. E tem também pubs onde você pode beber uma cerveja e comer um fish & chips olhando o mar de cima.

E em Peruibe, só tem uns quiosquinhos feios. Nada contra. Na minha adolescencia eu achava Peruibe o máximo. Quando marcava de descer para Peruibe eu ficava contando os dias e não dormia pensando nisso. Na verdade, basicamente, Peruibe também tem umas casinhas de jogos, lugares onde você pode comprar docinhos gostosos, só que não é tudo junto em um Pier acima do mar. E também, pelo que me lembro, não é tão bonito.

Além disso, nas praias inglesas a areia é limpa e o mar também. Até a praia mais suja deles, que eu acho que é Brighton, a nossa equivalente Santos, ainda é muito mais limpa do que qualquer praia do litoral de São Paulo. Algumas praias na Inglaterra tem até museu marímito, navios antigos a exposição ou fortes que antigamente foram usado para guerra e a estrutura está lá até hoje para ser admirada. Se for ver, é tudo melhor!

Mas tem uma coisa que a praia brasileira tem que a praia inglesa não tem. E nisso o Brasil ganha de mil a zero. Nas praias brasileiras, faz calor. O máximo de calor que eu peguei na Inglaterra foi 25 graus! E se tratando de férias na práia, calor é muito importante. Principalmente porque sem ele simplismente não dá para entrar no mar. Então na verdade o que adianta eles terem uma praia toda cheia de atrações se o mar é frio, certo? Para ver atração eu fico em Londres mesmo. Se eu vou à praia é para entrar no mar.

Nossa. Mas foi incrível como vi que verei as coisas com olhos diferentes quando vi uma foto que mostrou uma brasileira bem de perto. Era uma moça normal para os padrões brasileiros, só que eu achei tão estranhinho o jeito que ela estava vestida. Como já disse, não era nada demais. É só que certas coisas não se fazem na Inglaterra, em relação a moda, e eu acabei que agora acho feio também.

Por exemplo, que nem a moça da foto que usava um brinco com uma estrela, que para a mulher brasileira não é nada demais, mas para a Vanessa pós Londres pareceu um exagero. Sem falar na regatinha super justa, estrangulando a mulher, com estampa de bichinho e ainda ela tinha cabelo fuá e fazia um rabão de cavalo bem cheio. Eu sei, pareceu maldade. Mas não é, vários caras brasileiros devem achar mulher assim bonita, é só que para os padrões europeus está feio.

Mas uma coisa eu tenho que reconhecer que essa moça da foto tinha bonito e que a maioria de nós brasileiras tem: a cor da pele. A pele das europeias é tudo cheio de ruga e seca. As peles das brasileiras, por mais que a mulher não se cuide e não passe creme constantemente, ela está sempre bonita. Claro, tem umas inglesas que tentam copiar fazendo bronzeamento artificial, mas não fica o mesmo.

Mas com certeza verei meus colegas de faculdade com outros olhos. Minhas primas, meus pais, meus tios, enfim, todo mundo. Porque agora eu enxergo que todos nós fazemos parte de uma coisa muito maior, entende? No brasil nós nos prendemos muito a fazer grupinhos, a falar mal dos outros etc. Quando na verdade nós todos fazemos parte de um mesmo grupo.

No fundo, não somos tão diferentes assim. Devemos amar uns aos outros! Cada um do jeito que é. E procurar ver as pessoas por dentro. Conhece-las não para dizer que tem muitos amigos, mas realmente para conhece-la. Para ve-la por dentro. Para amá-la!

O povo brasileiro tem fama de ser o mais amigável, mas, na verdade, isso não significa que um brasileiro se importa com o outro. Isso só significa que quando está tudo bem eles se reunem e fazem festa. Mas ninguem realmente quer saber de conhecer o outro, de saber se o outro está realmente vivendo feliz.

Essa minha residência de 2 anos em Londres foi essencial para ver isso. Só à distância para enxergar certas coisas. E agora, quando eu voltar, em março de 2010, eu não serei mais a mesma Vanessa que deixou o Brasil em março de 2008. A adolescente virou adulta. E eu tenho que confessar que sinto muito orgulho de mim :)

E quer saber, acho que no final eu vou acostumar rapidinho. Afinal, morei toda minha vida lá. Nao vai ser 2 anos em Londres que vai ter modificado tudo.

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Prólogo:

Caros leitores, acrescento este prólogo como resposta aos comentários postados por alguns aqui abaixo.
Sinceramente, este blog pode ser lido, e deve, como cada um bem o entender, uma vez que eu escrevo como bem entendo. Mas, muito por saber que temas como estes são explosivos, não fiz uso de grandes adjetivos e opiniões. Como bem disse, são ‘fatos e fotos’ e não opinião.
Mas, diante dos comentários, opino agora. Não acredito que um ‘eu com isso’ vai resolver nossos problemas tanto com os imigrantes que exportamos quanto com os que recebemos. Esta aldeia, ainda que em chamas, é global sim. Ainda que haja muitas porteiras espalhadas por ela. Mas somos todos parte de um organismo em desequilíbrio. E acredito que seja in Europa seja in Terra Brasilis, a questão não é ‘estrangeiro ou não’. Se há equilíbrio social, se há trabalho, honesto e digno, se o tal do estrangeiro colabora para o funcionamento do órgão local do organismo global, deve ser bem vindo. Controle é uma coisa. Xenofobia é outra. O que faz de cidades como São Paulo e Londres lugares ricos em cultura e economia é, justamente, seu passado e presente de migração e imigração.
E atire a primeira pedra o brasileiro que tem 100% de puro sangue. Aqui no Brasil, e muito menos no meu blog, igonorância, xenofobia e racismo? NÃO!

São Paulo

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Scanner, já implantado nos EUA e em estudo na Europa e outros países, revela armas, e algo mais, dos passageiros de vôos internacionais

Fatos e fotos de um mundão globalizado e sem porteira. Ou quase.

Deu no Estadão e no Guardian:
- Londres estuda a possibilidade de implantar em seus aeroportos o scanner que permite checar não só se os passageiros portam armas e outros objetos afins como também os contornos dos corpos nus. Há grupos que defendem as liberdades civis alegando que o novo método de controle, que já foi adotado nos EUA e deve ser adotado por vários outros países da Europa e do Oriente Médio, viola a privacidade dos passageiros, sobretudo a das crianças.

Deu hoje no Estadão, mas no Guardian não:
- Brasil concede anistia a 41.816 estrangeiros.
Como informou matéria do jornalista Vannildo Mendes, destes, 16.816 são bolivianos (parte desses, explorada como mão-de-obra escrava e alvo de traficantes), 5492 são chineses, 4642 são paraguaios e 1129 são coreanos. Do total, 34mil se fixou em São Paulo, 2400, no Rio, e 1500 no Paraná.
A anistia, instituída em julho de 2009 por decreto presidencial, deu direito ao benefício a quem entrou no Brasil, mesmo que por meio ilegal, até 1 de fevereiro de 2009. Todos contemplados ganham visto de permanência provisório e, após dois anos, este será convertido em definitivo, podendo se transformar em cidadania plena se o imigrante assim o quiser.
Esta é a quarta anistia que o governo brasileiro concede a imigrantes desde os anos 80. Desta vez, aliás, surpreendeu as autoridades o número de europeus que pediram o benefício: 2390. Muitos destes provenientes de países desenvolvidos. O número de europeus anistiados foi quase igual ao de africanos: 2700. Historicamente, os africanos sempre ocuparam o topo da imigração para o Brasil, ao lado dos sul-americanos. Para finalizar, 274 norte-americanos também entraram para o time dos anistiados.

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Em foto de Andre Dusek, presidente Lula participa de cerimônia de anistia a imigrantes estrangeiros no Brasil no último dia 02

Não deu no Estadão nem no Guardian:

- Enquanto isso, Maria (nome fictício, mas história real), amiga desta blogueira que vos escreve, precisou voltar ao Brasil para renovar seu visto de estudante no Reino Unido. Mesmo tendo submetido seu pedido de renovação ao Home Office inglês dentro do prazo. Salvo detalhes de documentos e declarações que são necessários, com a mudança nas leis de imigração e conceção de vistos no Reino Unido, Maria não pôde ter seu visto renovado em Londres porque a distância entre o último dia de seu visto anterior e o começo de seu novo curso foi maior que 30 dias. Por cinco dias, Maria teve de desistir do processo iniciado em Londres há meses e recomeçá-lo no Brasil. O juiz que julgou seu caso, afirmou: Entendo seu caso. Acredito que você merece estudar no Reino Unido e que seu caso seja especial. Contudo, vou recomendar você às autoridades inglesas no Brasil e acredito que você não terá problema nenhum para voltar a Londres. Nossa decisão final é somente baseada na lei. E a lei não lê casos especiais. É igual para todos.

- Enquanto isso, Max, personagem de Karl Max Way, o documentário que dirigi e estou finalizando, continua ilegal e não tem planos de voltar ao Brasil, como fez Maria, para entrar novamente na legalidade para, então, voltar a Londres. Max, assim como tantos bolivianos em São Paulo, continua trabalhando, sustentando sua família e colaborando para a dinâmica e a economia inglesa. A julgar pela lei, Max não vai ser contemplado com uma anistia geral do governo inglês. A que tudo indica, o governo britânico não tem nenhum plano semelhante ao do governo brasileiro.

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Se Londres não vai ao Brasil, o Brasil vai a Londres

Londres e São Paulo

Depois da avalanche de correria, agitação, Christmas Sales, neve e frio, desembarco em São Paulo. De volta ao Brasil após um ano, experimento a sensação que muitos, sejam proletários, retirantes, alta classe, universitários e afins, sentem. A sensação de deslocamento no tempo e no espaço. Ao mesmo tempo em que nada mudou, tudo parece diferente. Eu bem que podia gastar muitas das minhas intermináveis palavras para descrever o ‘mix of feelings’ (nada mais que a mistura de sentimentos) que atordoa quem passa um ano ralando no exterior e volta à terrinha nesta época do ano. Mas vou roubar os diálogos de conterrâneos que, como eu, esperavam pelos seus vôos no aeroporto de Heathrow há menos de uma semana.

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A picanha que aqui eu saboreio, não tem o mesmo gosto de lá

Estava eu saboreando um chá com leite (alguns vícios e qualidades a gente sempre herda de outros povos), quando um grupo de brasileiros sentou-se ao lado:

“Adoro Londres, mas esta cidade não dá. Preciso ir para São Paulo, ver a galera da Zona Sul, comer um churrasquinho, matar uma pizza de verdade”, provocou o Paulista.
“Não dá por quê? Londres é ótima. E nem vem dizer que São Paulo é melhor. Cidade mais feia, suja, poluída, um trânsito da peste, violenta..”, retrucou o amigo nordestino em seu sotaque indefectível.
“É verdade, aqui é muito melhor para trabalhar e para viver. Mas sinto falta de pegar meu carro, ir até a padaria da esquina, ser reconhecido no trajeto, parar para falar com o amigo do bar, tomar umas breja, matar umas coxinha! Meu, coxinha!! Há quanto tempo eu não como uma coxinha e tomo uma água-de-côco. Inglês é bacana, mas brasileiro é brasileiro”, explicou o Paulista num saudosismo de encher Gonçalves Dias de orgulho.
O amigo goiâno não se fez de rogado e retrucou: “Ói qui, acho tudo muito bão aqui na Londres. Aqui na Inglaterra nem mesmo a polícia é corrupta. Uma vez fui parado pela polícia e claro que o cara se ligou que eu estava ilegal. Ele teve a cara-de-pau de me liberar mas não pediu nenhuma ‘cervejinha’. No Brasil, era capaz de pedirem a minha casa para não me entregar para o Home Office. E na boa, nem tanta saudade dá. Até coxinha, picanha, farinha e requeijão a gente acha. Mas eu quero mesmo é me jogar num bailão de Goiânia, sair com as meninas, ir num rodeio, dançar muiiito! Vou lá matar a saudade depois eu volto.”
Diante dos ataques de Policarpo Quaresma indeciso do amigo, a mineira sintetizou: “É… Quando a gente tá aqui, quer estar lá. Quando está lá, quer estar aqui porque começa a sentir saudade da organização, dos políticos honestos, do eletrônicos mais baratos, dos planos para celular que não roubam a gente, do metrô que funciona e vai para tudo quanto é canto, da segurança, do salário em libras. Sabe quando eu, como cleaner (faxineira), ia ter um iphone no Brasil? Nunca.”

É… Como bem diz o ditado, the grass is always greener on the other side. Or ‘a grama é sempre mais verde no quintal do vizinho.’

HAPPY NEW YEAR! FELIZ 2010!

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Na Carter House, em pleno East End londrino, já era noite nevada às quatro da tarde

Londres

Enquanto os comerciantes comemoram o White Christmas (Natal Branco), que garante, sabe-se lá por que, muito mais empolgação dos consumidores e altas nas vendas, as companhias aéreas não têm muito o que se alegrar com a neve que tem tingindo de branco boa parte da Europa e de Londres.
A neve que não se viu em dezembro passado, desta vez presenteou os londrinos com um lindo, porém caótico, cenário de Natal. Só entre os amigos e moradores do flat 1 da Carter House (a minha casa, na foto), dois perderam seus vôos para Portugal e Berlim. Motivo: Neve e aeroportos fechados. Gatwick e Luton, no norte da capital, fecharam suas portas hoje e enlouqueceram passageiros e operadoras low-cost.
Por hora, nem sinal de outros vôos extras. E os europeus que querem voltar para casa no Natal correm o risco de terem de saborear, como eu, uma autêntica ceia inglesa. Cidra (ou cider), batata e neve, pelo menos, não vão faltar.

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Equipe de Avatar em entrevista coletiva para a imprensa mundial na capital inglesa

Londres

Caros leitores,

Interessante observar o quanto não se pode agradar jamais a gregos e troianos. Toda vez que escrevo um post mais pretensioso e sério, alguém me diz que meu blog deveria ser mais leve e descontraído e falar mais das trivialidades de Londres. Isso porque, segundo quem geralmente me diz isso, os detalhes do dia-a-dia muitas vezes contam mais sobre uma cidade que questões muito edificantes.
No entanto, toda vez que tento postar algo mais leve, trivial, fútil e bobo, alguém (desta vez foram muitos ‘alguéns’, aliás) vem me dizer (para não usar outros verbos mais pesados) que eu devia gastar meu raro espaço com temas mais edificantes, sérios que realmente revelam o que há por trás das trivialidades de uma cidade como Londres.
Bom, diante do impasse dicotômico, eu concluo que devo continuar a escrever sobre o que bem entender. Isso porque o que entendo é que este blog não é só meu. Como sempre digo, o que mais gosto ao ter um blog é da relação orgânica e direta que posso ter com meus leitores. Por isso, quando entendo que devo postar algo leve, sei que alguém vai ouvir e ter algo construtivo a dizer. E quando entendo que devo postar algo mais sério, informativo etc, alguém também terá algo construtivo a dizer. Seja negativo. Seja positivo. Nunca, jamais, deixei de postar nenhum comentário negativo em relação a meus posts. E nem vou deixar. Este espaço não é meu palanque de massagem no ego. É um canal aberto.

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Sigourney Weaver e James Cameron tentam explicar o que faz de Avatar um fenômeno mesmo antes de chegar aos cinemas

Para concluir, leitores que pedem algo mais ‘profundo, informativo, jornalístico etc’, entendo. Só deixo claro que um blog é um blog. E posts não são matérias, nem artigos, nem teses de mestrado. Posts são posts. Um híbrido de tudo isso. Um comentário, consideração, ponto de vista… E assim o devem ser. Quem ainda não entendeu a que vêm os blogs tem de começar a se acostumar com este novo veículo.
Quem prefere ler minhas matérias, artigos, mais sérios, mais bem apurados, mais informativos, leia o que publico no Estadão.

A matéria, completa, informativa, séria etc, sobre Avatar segue aqui:
 
PS: Já Shelock Holmes, que assisti no domingo, não recebeu comentários tão acalorados da crítica. É interessante observar como Guy Ritchie empresta o frescor e a ação do cinema norte-americano a um clássico tão inglês. Mas falta a atmosfera meio que emborolada (no melhor dos sentidos) da Londres vitoriana ao filme.
Futuros comentários virão. Por ora, cena da entrevista coletiva que ocorreu anteontem por aqui. Aliás, se as fotos que posto nem sempre são dignas da capa do jornal é simplesmente porque, como repórter, não sou autorizada a levar minha super câmera profissional às entrevistas (coletivas e exclusivas) que faço. Para isso, eu precisaria ser ‘repórter fotográfico’, o que não sou. Bem, não se pode ter tudo.

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Fachada do Odeon, em Leicester Square, hoje à noite depois da première mundial de Avatar

Londres

“É impossível ficar entediado em Londres”, disse-me Sarah Jessica Parker em entrevista ontem, por conta do lançamento do seu novo filme, Did You Hear About the Morgans, no qual ela divide a cena com o galã e eterno solteirão ingles Hugh Grant.

Tem razão a nova-iorquina e eterna Carrie Bradshaw. Em apenas uma semana, a capital inglesa teve nada menos que quarto grandes premières mundiais que agitaram os hotéis de Park Lane e garantiram o tumulto que os turistas tanto adoram ver em Leicester Square.

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Sarah ‘Carrie’ Jessica Parker em conversa com jornalistas para lançar novo filme em Londres

Meca dos cinéfilos londrinos, a Leicester Square (cuja pronúncia foge completamente à regra do bom senso e vira um ‘Léster Square’ de enrolar a lingual até mesmo dos nativos) está para o cinema assim como a Picadilly Circus está para o teatro. Parada obrigatória de todas as grandes produções que estréiam na capital, o completo Empire/Odeon teve a semana mais agitada do ano. Nesta semana, foram Nine (musical em homenagem a Fellini estrelado por Daniel Day Lewis), os Morgans… Anteontem Jessica Parker, Hugh Grant e cia desfilaram por lá.

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Daniel Day Lewis, Jude Dench, Penelope Cruz e Nicole Kidman lançam Nine em Londres

Hoje foi a vez de James Cameron provar porque ainda é um dos mestres do cinemão. O mais que aguardado Avatar arrasou o quarteirão da Leiscester Square. Confesso que fui à première em missão ‘crítica’ e cheguei para não gostar. Confesso que me rendi à visão que os óculos 3D descolados distribuídos aos convidados me garantiram. Em uma platéia que contava com ícones como Sigourney Weaver, Avatar prova que, de ação, efeitos e roteiros bem ao gosto do freguês do bom blockbuster Cameron entende. Se ele ainda precisava provar algo depois de Exterminador do Futuro e Titanic, agora não precisa mais. Além de garantia certa de zilhões de bilheteria, garantiu uma das quintas-feiras mais animadas da cidade em que se pode até ficar estressado, mas entediado, jamais!

Domingo tem mais. Vem aí o Sherlock Holmes de Guy Ritchie.

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Vista do Estádio Olímpico na última terça: Parque Olímpico londrino começa a tomar forma

Londres

Faltam exatamente 966 dias para as Olimpíadas de Londres 2012. Estive passeando pelo canteiro de obras do Parque Olímpico nesta semana. Fui em função jornalística, representando a imprensa brasileira em um grupo no qual eu era a única latino-americana. E, confesso, virei uma espécie de porta-voz. Não pela minha relevância brasuca, mas porque todos queriam saber tudo que os brasileiros andam sentindo em ter pela frente a oportunidade e o desafio de provar que podem, sim, hospedar uma Olimpíada e criar uma Vila Olímpica que, mais que palco da festa, seja um legado para a população e, mais difícil, melhorar a cultura esportiva e o incentivo cotidiano ao esporte olímpico no país do futebol.
Confesso que procurei ser o mais entusiasta, e, ao mesmo tempo, menos deslumbrada, possível. Tendo em vista que temos 2014 antes para cuidar, esta década reserva muita lição de casa para nosso espírito de Policarpo Quaresma. Ma, enfim…

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Do alto da casa de forças do Parque Olímpico, um grande painel explica no que se transformará o hoje imenso canteira de obras

Os mais céticos que me perdoem, mas o deslumbre ainda é fundamental. Nunca havia estado em uma Vila Olímpica antes. E tenho de confessar que há algo de maior que provoca um arrepio na espinha quando se vê, e se ouve, a palavra Estádio Olímpico.
Chega a ser estranho que um jornalista, profissional da mídia, que não deve, a priori, deslumbrar-se com construções midiáticas de qualquer natureza e manter sempre um senso crítico apurado, sinta ainda tamanha emoção ao pensar que, além da abertura, da competição, das medalhas que ali serão ganhas e perdidas, um certo Brasil irá participar da cerimônia de encerramento e começar a abrir os trabalhos para Rio 2016.

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“Em dois anos, tudo isso se transformará em legado para a população inglesa”, garante o chefe executivo das obras do Olympic Park

Por ora, a Vila Olímpica é um imenso canteiro de obras. Por ora, o que se vê é pouco mais que o esqueleto do que vai se transformar em meca do esporte dentro de dois anos. Por ora, o leste londrino, uma das regiões mais pobres da cidade, ainda não sentiu a transformação que os jogos vão provocar em suas ruas de tijolinhos aparentes. Por ora… Daqui dois anos, o canteiro se transfere para o Rio. Espera-se! Espera-se também que logo logo a Vila Olímpica inglesa recebe muitas visitas oficias brasileiras. Até agora, segundo me disse David Higgins, chefe executivo do Olympic Park, nenhuma comissão brasileira entrou em contato com ele. “Mas queremos muito colaborar e trabalhar junto com os brasileiros. O Rio 2016 tem muito o que aprender com Londres 2012. Espero que recebamos uma visita logo de representantes do seu país”, disse-me Higgins. Eu também, caro Mr. Higgins, eu também.

Quem quiser conferir como andam as obras do Parque Olímpico Londrino, pode conferir:
 http://www.estadao.com.br/noticias/espor…

ou

www.london2012.com

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30.novembro.2009 21:55:04

Pedalando

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Ciclistas pedalam livres, leves e soltos pelas ruas londrinas durante a London Naked Ride: http://www.worldnakedbikeride.org/uk/

Londres

Estava eu hoje lendo a edição especial “World in 2010′ da Economist e mais uma vez Inglaterra e Brasil ocupam lugar de destaque no tabuleiro da vida econômica e política mundial. Nas páginas e páginas de análises e previsões para o mundo no ano que virá, o Brasil entra com uma página inteira sobre ‘O que vem depois de Lula’ e a Bretanha entra com várias páginas num tom ‘E agora, José’?

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Anúncio vende para investidores a edição “The World in 2010′

E deu na Economist. Na verdade, não é nenhuma novidade. Mas, já que a Economist falou, eu aproveito o ensejo.
No dossiê ‘Inglaterra: Ser ou não ser ainda uma potência mundial’ uma meia página cheia de otimismo despretensioso me chamou atenção. ON YER BIKES é o nome do artigo. E nada mais é que uma doce previsão sobre a decisão do famigerado prefeito Boris Johnson de adotar o sistema de aluguel de bicicletas. Sistema este que já é sucesso em cidades como Paris, Barcelona, Berlim… Alugar uma bicicleta pública não requer prática nem agilidade. Funciona basicamente do mesmo jeito que ‘alugar’ um carrinho nos aeroportos. Bota-se uma moeda, leva-se a magrela. E devolve-se a mesma em algum outro ponto da cidade onde haja um ‘estacionamento’ oficial. Em uma cidade em que o metrô ameaça entrar em colapso todos os dias (comparações com a malha paulistana chegam a ser injustas e dispensáveis), sair pedalando é garantia de stress e minutos a menos gastos no trânsito ou nos túneis do Tube.

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para saber mais, acesse o London Bycicle: http://www.londonbicycle.com/

A medida vem se juntar a várias outras para transformar Londres em uma cidade mais prática e viável, capaz de hospedar com tranqüilidade eventos como as Olimpíadas 2012.

Bom, nós, brasileiros, temos alguns anos a mais, e anos luz de diferenças sociais, urbanas e históricas, para tentar transformar nossas cidades mais viáveis para hospedar a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016.

Resta saber se vamos assumir o compromisso ou simplesmente sair pedalando…

PS: Quem não leu ainda o especial da Economist sobre o Brasil, não pode perder:
 http://www.economist.com/members/survey_…

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Rachel Holmes aprende a fazer uma autêntica caipirinha no Guanabara, a casa noturna brasileira mais famosa de Londres

Londres

Prólogo:
Deu no Guardian. Um amigo no Brasil, o Zé Kley, me mandou o vídeo acima e comentou: Brasil em Londres para inglês ver. ai, ai, ai…

O vídeo completo da Rachel vai aqui:
 http://www.guardian.co.uk/travel/video/2…

Como não virar um post no blog? Impossível!

Então, aí vai:

A Brazilian noitada que muitos londrinos encaram pensando ter, assim, um taste of real
Brazil. Não que não seja o Brasil… nem que não seja real… Mas o lado picky (cricri) da colônia brasileira está cansado de ver e ser visto como a ‘Terra da Lambada”. Não que a lambada não tenha nascido no Pará antes de ganhar o ritmo caribenho que transformou o Kaoma (!!!) em fenômeno mundial. Juro, até os húngaros conhecem ‘Chorando se foi’… Não que a lambada não seja diversão garantida! Como bem definiu a Brazilian Expert, no Café Rio, Bel Groves, lambada é como Dirty Dancing, mas mais divertido.
Não que a feijoada não seja uma das nossas deliciosas ‘comfort foods’, não que a caipirinha do Guanabara não seja ótima e feita com cachaça de verdade. Não que os brasileiros que aqui sofrem de banzo (ou que estão homesicks) não se orgulhem de todos estes ‘quality labels’.

Mas, enfim, já que o Brasil está mais na moda do que nunca por conta dos ‘por vir’ Copa do Mundo e Olimpíadas, por que o Guardian não consegue descobrir o Brasil que vive em Londres além destes clássicos da terrinha? Clássicos que, de tão bons, acabam se tornando reducionistas. Só para citar um pequena lista, o Brasil londrino vai muito além do Favela Chic (o descolado point dos fãs de tudo isso acima, mas que querem uma pegada mais ‘hype’ para sua noite latina), do Festival de Cinema Brasileiro (tanto o do Barbican quanto o do Riverside Studios), do Raízes, do Guanabara…

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Supla e João Suplicy em foto de entrevista publicada no site do Guanabara: www.guanabara.co.uk

O Brasil londrino passa pelo exército de compatriotas que se espalham cada vez mais por Willesdem Junction… Pela Harrow Road… Vai desde os cleaners (os faxineiros que garantem a ordem dos escritórios da City London muito antes dos bankers chegarem ao trabalho para decidir os rumos do credit crunch), dos couriers (que, como o Karl Max, levam de cima para baixo pelas ruas de Cannary Warf documentos que eles jamais terão legalidade de ter), dos artistas gráficos que se espalham pelos estúdios de Old Street, Shoreditch, Soho, dos estudantes que ocupam os bancos de mestrado da London School of Economics, da Goldsmiths, da St. Martins…Estudantes que vão voltar para o Brasil cheios de idéias novas que tiveram no Velho Mundo. E chega até ao Forró da Brick Lane (a rua dos indianos, paquistaneses e bengalis que acabou virando uma das ruas mais descoladas do East End) e passa até pela Galeria 32, espaço anexo à prolífica Embaixada Brasileira.

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galeria de capas e site oficial da Jungle Drums: www.jungledrumsonline.com

Em dezembro, por exemplo, a 32 vai trazer a ao West Side a Experiência NeoConcreta de mestres como Amílcar de Castro, Cláudio Mello e Souza, Ferreira Gullar, Lygia Pape… E tudo isso vai parar nas páginas caprichadas da Jungle Drums. Revista que uma bela equipe de brasucas jornalistas faz a duras penas e que dita, em português e em inglês, para todos gringos lerem, que o Brasil londrino inclui também shows de Adriana Calcanhoto, Céu, e até mostra de cinema político na alternativa Bethnal Green Road. Cá entre nós, o ‘meu’ East End, onde moro, é o que há de autêntico e inovador no cenário imobiliário, cultural e fashion da capital inglesa.

Por que será que o mais do mesmo ainda vende mais? Ou será que não? Resta a nós, brasileiros de Londres, ou do Brasil mesmo, ampliar esta janela pela qual nós vemos o mundo e que, por consequência, o Velho (e o novo) Mundo nos vê. Como bem dizia um certo Oswald de Andrade, Tupi or not Tupi? That’s the question!

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