
Uma semana depois da tragédia em sua pré-estreia no Colorado, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. É filme da trilogia que começou com Batman Begins” (2005) e “Batman – O Cavaleiro das Trevas. Ainda que não haja ligações diretas do atentado com a trama do terceiro longa da trilogia de Christopher Nolan, não há como não relacionar a violência do crime real com a violência do universo de Gothan City. Como o próprio Bruce Wayne (ou Batman) diz, a máscara é só um símbolo. E não seria o filme também um símbolo do mundo violento em que estamos vivendo? Não por acaso Nolan (que se tornou cult com Amnesia e A Origem) traz desta vez uma Gotham à beira de uma revolução que, liderados pelo vilão Bane (Tom Hardy) irão promover uma revolução dos menos favorecidos contra os ricos Que, como bem diz a Mulher Gato/ Selina (Anne Hathaway), viveram sempre com tanto e deixaram tão pouco para os outros? Pois desta vez são estes outros que querem tomar o poder e gritar palavras de ordem como “Occupy Gotham”? Qualquer semelhança com Occupy Wall Street não é mera coincidência. E já que o mundo anda precisando de homens de verdade e de caráter em tempos de crise, desta vez a gente vê a implosão do Homem Morcego e a ressureição de Bruce Waine, o homem. Quer entender mais o que esta metáfora política diz, sob os barulhos de tantos tiros e explosões do filme? Não perca. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge!

O segundo destaque vai para um dos meus diretores preferidos, o italiano Paolo Sorrentino. Se você nunca viu um filme dele, não sabe o que está perdendo. Paolo é um dos cineastas mais criativos e inquietos do circuito internacional. Desde Manual do Amor até O Divo, passando por O Amigo de Família, seu cinema é daqueles que mexem com os sentidos, que fazem uma coreografia dos fatos, que são lindos e que incomodam ao mesmo tempo. E seu novo filme, Aqui é o Meu Lugar, estrelado por ninguém menos que Sean Penn, mantém sua fama. Na trama, Penn é Cheyenne, um astro de rock americano que vive isolado em Dublin, na Irlanda e tem de voltar aos Estados Unidos depois da morte do pai.
Qualquer semelhança entre a figura andrógina de Cheyenne e a do vocalista do Cure, Roberty Smith, talvez não seja mera coincidência. E o mais interessante é que esta figura até um tanto frágil vai constrastar com a dureza do conflito com que ele se depara ao descobrir que o pai, a quem ele não via há 30 anos, era obcecado por encontrar um ex carrasco nazista. Penn, que conheceu Sorrentino no Festival de Cannes, disse que queria dar um tempo no estilo cinemão de Hollywood. E isso vale para o espectador. É sempre bom refrescar o olhar com uma linguagem diferente. E o roteiro… O desfecho, bem ao gosto de Sorrentino, é surpreendente.

O último destaque vai para Além da Liberdade (The Lady). O nome em inglês do novo filme de Luc Besson, faz referência à Suu Kyi, a Dama que ousou se opor ao governo de seu país, Mianmar (a antiga Birmânia) e que ficou presa por 15 anos. Vivida por Michelle Yeoh, a ativista foi tão importante para o processo de democratização de seu país que recebeu um Nobel da Paz em 1991. Mas não foi receber, pois estava em prisão domiciliar. Depois de muita pressão internacional, Suu Kyi foi finalmente libertada em novembro do ano passado,e a atriz Michelle Yeoh pode não só conhecê-la como ver seu rosto, que não era fotografado há anos. Ótima oportunidade de conhecer um pouco da história desta grande mulher.
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Aviso aos navegantes:
Prevista para ocorrer de outubro a dezembro deste ano na Cinemateca Brasileira, a 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul abre chamada para receber (até o dia 27 deste mês) trabalhos audiovisuais para análise de sua curadoria, a cargo do cineasta Francisco Cesar Filho.
O evento celebra o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948 e destaca obras realizadas em países da América do Sul finalizadas a partir de 2010 cujo conteúdo aborde aspectos relacionados aos Direitos Humanos. Apesar das projeções serem em suporte digital, não há restrição quanto à duração, gênero ou suporte de captação/finalização. Mais informações e acesso à ficha de inscrição no site da Mostra: www.cinedireitoshumanos.org.br.
A ficha de inscrição deve ser baixada, preenchida e assinada e enviada para o e-mail contato at cinedireitoshumanos.org.br.
Quase um ano após ter sua cópia em 35mm apreendida pela Justiça do Rio e sua exibição proibida por liminar do Ministério Público Federal em função de acusações de que trazia apologia a crimes contra crianças e incentivo a práticas de pedofilia, o longa Serbian Film – Terror Sem Limites teve sua exibição liberada em todo o País. Em sua decisão, o Juiz Federal da 3ªVara da Justiça de Minas Gerais, Ricardo Machado Rabelo, considerou “que não há mais razões de natureza jurídica que impeçam a exibição do filme.”
A Serbian Film conta a história de um ator pornô obrigado a entrar em um projeto obscuro, sendo submetido a barbaridades. “Estou muito feliz e satisfeito com a decisão do MPF-MG. Fomos incluídos no processo contra a União em janeiro, quando apresentamos nossa defesa. Sempre fui bem confiante e acreditei que a Justiça Brasileira iria reconhecer que o filme não fazia apologia a pedofilia ou outras atrocidades, como alguém afirmava mesmo sem te-lo visto”, declarou Raffaele Petrini, distribuidor do filme no Brasil sobre a decisão. Agora que o filme está liberado vamos estudar uma estratégia de lançamento nas salas, já que temos festivais de cinema interessados em exibi-lo.”
No documento sobre a decisão, o juiz Rabelo fez questão de emitir sua opinião pessoal sobre o filme. “Uma palavra final: vi o filme. Do início ao fim. O filme é realmente muito forte. Verdadeiramente impactante. O enredo é crudelíssimo. Se é arte eu não sei. Pode ser para alguns, para outros não. O que sei, contudo, é que se estivesse no cinema teria me levantado e ido embora. No entanto, como juiz, não posso ser o seu censor no território nacional, como me diz a Constituição Federal. Aliás, o que me garante a Carta Constitucional – não apenas a mim, mas a todo brasileiro – é o direito de me indignar, de recusar a vê-lo ou até mesmo o direito de me levantar e deixar a sala de sessão, levando comigo as minhas conclusões e convicções acerca da natureza humana, suas dimensões, limites e idiossincrasias. Aprendi com o desassossegado Fernando Pessoa “Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura” (Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, Cia das Letras, 2012, p. 82).
Confira trecho do documento oficial:
“Em atenção ao ofício da referência informamos que a obra audiovisual “A SERBIAN FILM – TERROR SEM LIMITES” não inco…rre em nenhuma modalidade criminal, uma vez que, as cenas contidas na película não revelam atividades sexuais explícitas (reais ou simuladas) ou a exibição de órgãos genitais das crianças que participam da referida obra, não ferindo a disciplina da Lei nº 8.069/90.”
Cumprido, portanto, o provimento liminar, nos exatos termos em que deferido e tendo a Administração, por um de seus órgãos competentes, a Polícia Federal, concluído pela inocorrência dos crimes tipificados na Lei nº 8.069/90- Estatuto da Criança e Adolescente, entendo que não há mais razões de natureza jurídica que impeçam a exibição do filme “ A Serbian Film” em todo o território nacional.
Uma palavra final: vi o filme. Do início ao fim. O filme é realmente muito forte. Verdadeiramente impactante. O enredo é crudelíssimo. Se é arte eu não sei. Pode ser para alguns, para outros não. O que sei, contudo, é que se estivesse no cinema teria me levantado e ido embora. No entanto, como juiz, não posso ser o seu censor no território nacional, como me diz a Constituição Federal. Aliás, o que me garante a Carta Constitucional – não apenas a mim, mas a todo brasileiro – é o direito de me indignar, de recusar a vê-lo ou até mesmo o direito de me levantar e deixar a sala de sessão, levando comigo as minhas conclusões e convicções acerca da natureza humana, suas dimensões, limites e idiossincrasias. Aprendi com o desassossegado Fernando Pessoa “Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura” (Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, Cia das Letras, 2012, p. 82).
Fica, assim, desde já liberada a exibição do filme “A Serbian Film” no Brasil, como permite e autoriza a Constituição Federal.
RICARDO MACHADO RABELO
Juiz Federal da 3ª Vara
O Festival de Cinema de Gramado, que comemora seu 40º aniversário e será realizado de 10 a 18 de agosto, divulgou ontem a lista de concorrentes em suas quatro mostras competitivas: longa-metragem brasileiro, com sete filmes; longa estrangeiro, também com sete concorrentes; curta-metragem brasileiro, com 14 concorrentes; e curta gaúcho, com 21. Esta será uma edição simbólica do festival. Além de completar 40 edições ininterruptas, o evento passa por mudanças estruturais. Gramado está sob o comando da nova coordenadora Rosa Helena Volk, Secretária de Turismo de Gramado, e a curadoria agora fica a cargo de Rubens Ewald Filho, José Wilker e Marcos Santuário. Para Rosa, além de celebração, esta edição do festival tem como destaque a renovação. Para isso, a coordenação do evento traz novas propostas como a volta da exibição dos curtas gaúchos no Palácio dos Festivais, a oferta de ingressos a preços populares para as sessões dos longas em competição. A premiação em dinheiro é um dos maiores destaque da nova fase. Serão distribuídos R$ 350 mil em dez categorias. O melhor filme nacional leva R$ 120 mil e o melhor longa estrangeiro, R$ 80 mil. Outra mudança é a forma de fiscalização dos contratos firmados. A partir de agora, o Conselho Gestor de Eventos de Gramado cuidará do assunto enquanto a produtora UM Cultural, ao lado de diversas entidades cinematográficas, cuidará do planejamento do evento. De volta à programação, a lista de homenageados inclui o Troféu Oscarito para a atriz Betty Faria, Kikito de Cristal para o diretor argentino Juan José Campanella, Troféu Eduardo Abelin para Arnaldo Jabor e Troféu Cidade de Gramado para Eva Wilma.
Confira a lista completa de CONCORRENTES
Longa-Metragem Brasileiro
Colegas (2012) – SP
Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida (2011) – RJ
Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now! (2011) – São Paulo – Documentário
Insônia (2007) – RS
Jorge Mautner – O Filho do Holocausto (2011) – RJ
O Que Se Move (2012) – SP
O Som ao Redor (2012) – PE
Super Nada (2012) – SP
Longa-Metragem Estrangeiro
Artigas, La Redota (2011) – Uruguai
Calafate, Zoológicos Humanos (2011) – Chile
Diez Veces Venceremos (2012) – Argentina
Leontina (2012) – Chile
Vinci (2012) – Cuba
Curta- Metragem Brasileiro
# (2011) – SP
A Ballet Dialogue (2012) – RS
A Mão que Afaga (2011) – SP
A Triste História de Kid-Punhetinha (2012) – SP
Casa Afogada (2011) – RS
Di Melo – O Imorrível (2011) – SP
Diário do Não Ver (2012) – MG
Dicionário (2012) – SC
Funeral à Cigana (2012) – SP
Linear (2012) – SP
Menino do Cinco (2012) – BA
Meta (2012) – SP
O Duplo (2012) – SP
Piove, il film di Pio (2012) – SP
Curta-Metragem Gaúcho
24 Horas com Carolina (2012)
A Vida da Morte (2011)
As Irmãs Maniacci (2011)
Boa Viagem (2011)
Brisa (2012)
Casa Afogada (2011) – RS
Dr Lang e a Ciência da Metalinguagem (2011)
Elefante na Sala (2012)
Estrada (2012)
Fez A Barba E O Choro (2011)
Garry (2012)
Ignácio e Saldanha (2012)
Lobos (2012)
Noite Um (2012)
O Beijo Perfeito (2012)
Paraphilia (2012)
Quem é Rogério Carlos? (2011)
Rigor Mórtis (2012)
Rua dos Aflitos, 70 (2011)
Só isso (2012)
Todos os Meus Ídolos Estão Mortos (2012)
Em breve mais novidades sobre um dos mais belos filmes brasileiros produzidos nos últimos anos, mas por ora, informo:

Toubillon (como Girimunho, de Helvécio Marins e Clarissa Campolina) estreia na França. E Marins ganha uma retrospectiva no Festival de Vila do Conde, que começa nesta semana, dia 07, em Portugal. Será exibido Gimunho e os curtas “Nascente” e “Trecho”, “Nem marcha nem chouta”, “2 Homens” e a vídeo-instalação “Alma Nua”.
Um dos mais importantes festivais de curtas-metragens do mundo, Vila do Conde também convidou o brasileiro para dirigir um dos filmes em homenagem ao aniversário do festival (ao lado de mestres como o americano Thom Andersen, de “Los Angeles Plays Itself”, e do bielo-russo Sergei Loznitsa, diretor de “Minha Alegria” e “In the Fog”, vencedor do prêmio da crítica em Cannes). O curta de Marin se chama “O Canto do Rocha” e mistura performance, documentário e ficção para contar a história de Alfredo Rocha, um ex-cantor de fado, ex-traficante, ex-presidiário (14 anos), faixa preta de caratê e atualmente dono de um café na rua de São Victor, região das Fontainhas do Porto, próximo à Ribeira, na cidade do Porto, em Portugal.
Vale a pena ficar de olho. É de diretores, filmes e festivais ‘off stream’ que ultimamente saem as melhores surpresas do cinema mundial.
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