Vietnã – Província de Dang Dinh

Então, ontem também foi dia de filmar na província de Dang Dinh. Mais precisamente na Estrada do Cemitério da pequena província a leste de Hanoi. Mais precisamente ainda, não era exatamente um cemitério. Só algumas poucas tumbas espalhadas em meio aos arrozais. E a pequena Mai Vy, atriz do nosso pequeno-grande filme, que, aos 10 anos fala melhor inglês que muito marmanjo, me pergunta: “Vocês também têm isso no seu país?”
Tem o que, Vi? Arroz? “Não. Isso!”. Isso o que? Plantações? “Não…Isso?” Isso o que? Tumbas? “É! Estas casas em que moram as pessoas que estão dormindo para sempre.”
Sim, Vi. A gente tem isso no Brasil também. Em todos os lugares as pessoas morrem. E a gente enterra, crema… Só não faz no meio da plantação… Mas a morte está em todo lugar.
A diferença é que aqui, e em toda Ásia, os mortos (que dormem neste mundo para acordar em outro), ganham mais presentes do que os vivos. Em toda casa, há um pequeno altar aos antepassados. Cultuados com carinho, ganham seus quitutes favoritos, frutas, bolinhos de arroz, incenso, e até cigarro. Mas melhor mesmo é que ganham dinheiro. É tradição das mais sérias por aqui literalmente queimar dinheiro (falto, claro) para os mortos fazerem bom uso dele lá do outro lado. E para que nunca falte aos deste lado aqui.
Diferente é também como se celebra (sim, deve-se celebrar sempre!) a partida de alguém. Hoje, enquanto filmávamos cenas do nosso caminhão (não por acaso, o filme se chama O Caminhão, que no próximo post explico mais), um funeral passou pela plantação, pelo cemitério e seguiu. O silêncio era quebrado por uma barulhenta harmonia que anunciava a passagem do cortejo. Em vez de preto, muita cor. De acordo com o grau de parentesco do morto, usa-se uma faixa colorida na cabeça. Os netos usam amarelo. Os amigos, branco.
E o ser que hoje virou antepassado era veterano de guerra. Os netos abriam o cortejo. Os amigos, todos devidamente fardados e lindos em sua nobreza, fechavam o desfile.
É… a vida e a morte são denomidores comuns. Mas cada um dá a ela a cor e o som de acordo. E fica de fato a sensação de que o que se leva desta vida é de fato a vida que a gente leva. Incluindo o funeral.
Amem!

Vietnam thoughts (ou das coisas que vejo por aí e ouço por aqui):
A gente acha sempre que já viu de tudo. Tenha 18 ou 81 anos, a arrogância é algo que quase sempre nos acompanha.
Mas há sempre algo que nos surpreenda. Há sempre palavras simples que contam mais que qualquer matéria de jornal. Há sempre imagens do cotidiano que contam mais que qualquer foto premiada.
E hoje, e então, entre um take e outro do curta que ajudo a filmar aqui (The Truck, O Caminhão), um velho vietnamita meio assim fora do contexto olhava as filmagens. Até aí, nada de novo no front. Filmagens e sets são sempre atração para a população local. Mas o velho, certa hora, como quem não ouviu pergunta alguma, mas tem a resposta certa, me diz, com seu parco inglês aprendido na Guerra:
“Faça um filme de amor. E não de guerra. Sun Tzu dizia que todos gostamos de belas palavras, porém poucos as transformam em atos. A guerra passa. A vida passa. O amor fica. Eu só guerreei, e, com medo, deixei meu amor passar. Tinha mais medo do amor do que da guerra. Você sabe o que é amor? Amar, minha filha, é como cuidar do arroz no campo. É todo dia. Se você ama, cuide do seu arroz. Só amor de que você cuida é capaz de ser teu alimento. O resto são palavras, e sementes, ao vento.”

Hanoi – Vietnã
Então, depois de meses de ausência do front, recomeço, sem muita explicação, mas com grande satisfação, este blog que vos fala desta vez do Vietnam.
O mote, o olhar periférico, que a tudo observad do centro da periferia para as periferias centrais de tudo, continua o mesmo. Mas o ponto de partida desta vez é a capital do Vietnã.
Antes que se perguntem, estou aqui para passar férias. E tirando férias das férias, estou também para rodar um curta-metragem. The Truck of My Father. O caminhão do meu pai, que, a meu ver, deveria se chamar It’s a dog’s life. É uma vida de cão a que os cães vietnamitas têm. Ainda que os ocidentais matem tantos outros animais para comer, é inegável que aceitar o fato de que alguns orientais matem cães para fazer não sabão, mas sopão, é difícilimo.
O filme não fala exatamente disso. Dirigido pelo grande amigo e talentoso Maurício Osaki, que me dá a chance única de passar minhas férias aprendendo um pouquinho mais a fazer cinema para, então, escrever melhor ainda sobre a sétima arte e me aventurar ainda mais em sets futuros, The Truck fala da infância de das descobertas feitas pela pequena Vi, uma garotinha de 10 anos de idade que descobre que o pai é muito mais, e também muito menos, do que ela pensava ser.
Assim tem sido o Vietnã para mim. É muito mais, e muito menos, do que eu (e a a maioria esmagadora) de brasileiros pensava ser. É mais encantador, intrigante, surpreendente, caótico e zen ao mesmo tempo. É menos amendrontador, perigoso, pobre, estranho. É um novo olhar a cada dia.
A partir de hoje inicio um diário de filmagens do curta. E outro de pequenas-grandes impressões desta terra encantadora.
Antes, é bom saber:
HaNoi significa ‘Cidade Entre Rios. Ou em que o rio corre em seu interior.’
O trânsito da capital do Vietnam é um grande caos de fazer inveja à 23 de Maio em sexta-feira à tarde antes do Natal, mas há uma espécie de caos zen que faz com que todos saibam que está tudo errado, mas que tudo vai dar certo no final.
‘A Serbian Film – Terror sem Limites’, polêmico por cenas com violência fictícia contra crianças, estreia no dia 26

Quatorze dias depois de ter sua cópia em 35mm apreendida pela Justiça do Rio, em 22 de julho, o filme A Serbian Film – Terror Sem Limites teve sua exibição liberada no País. Mas segue proibido no Rio por conta de ação encaminhada pelo DEM.
Além da liberação, após o distribuidor Raffaele Petrini, da Petrini Filmes, ter entrado com pedido oficial de esclarecimento ao Ministério da Justiça, o filme recebeu classificação indicativa de 18 anos. “Havia entrado com o pedido de classificação em 28 de junho, antes da polêmica e da proibição começarem, mas não recebi resposta nenhuma. Já imaginava que este seria um filme complicado por conta de seu tema, mas não imaginava que tomaria tais proporções. A proibição não diz respeito à qualidade do filme, mas sim à liberdade de expressão e à censura no Brasil”, disse Petrini ao Estado.
A carga polêmica se deve ao fato de conter cenas de sexo e violência. A Serbian Film conta a história de um ator pornô obrigado a entrar em um projeto obscuro, sendo submetido a barbaridades.
O procedimento que apontaria se a produção seria indicada para maiores de 18 anos, como foi decidido ontem, foi interrompido em 29 de julho, quando o procurador Fernando Martins, de Minas Gerais, entrou com uma ação pedindo a interrupção. “Finalmente a decisão saiu. E vamos esperar o desenrolar da situação no Rio”, disse Petrini.
No Rio, mesmo após a decisão do Ministério da Justiça, o filme continua proibido porque o partido DEM pediu a apreensão da cópia, alegando “verdadeira apologia a crimes contra crianças e um incentivo a práticas de pedofilia”. “O que não é verdade. Quem viu o filme reconhece claramente que é um ato político contra as barbaridades do mundo de hoje. Em poucas palavras: é um filme feito para chocar, com conteúdo político, sim, mas fundamentalmente é um produto de entretenimento, uma obra de ficção com posição clara contra a pedofilia e contra outras barbaridade”, declarou Petrini.
O distribuidor, que tenta recuperar a cópia em 35mm apreendida no Rio, vai lançar o filme nos cinemas em cópia digital, em várias capitais brasileiras, em 26 de agosto.


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AGORA
ENTREVISTA: FERNANDO MEIRELLES


Assim como em Ensaio Sobre a Cegueira e O Jardineiro Fiel, 360 tem locações, em vários países, com equipes e culturas diferentes trabalhando juntos. O que foi parecido, o que você trouxe do aprendizado anterior?
Desta vez rodei em alguns países diferente, mas o envolvimento da equipe e o processo todo foram parecidos com o Ensaio, tranquilo e agradável. Mais uma vez fiz muitos amigos de infância que sei que levarei pela vida.





do blog:http://rmnofoco.blogspot.com/2010/12/brasil-um-dos-piores-na-educacao.html
São Paulo
Então. Hit do dia hoje na internet não foi o churrascão. Não foi nenhuma piada do CQC, não foi nenhum twitt polêmico. Foi o vídeo da professora Amanda Gurgel, detentora de um salário diferenciado de professora pública no Brasil, que faz um discurso diferenciado na Câmara de Deputados em audiência pública no Rio Grande do Norte.
Vale perder cinco minutos de qualquer reality show para entender melhor o nosso reality horror show: http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lc…
E, vê lá, ela diz: ” Só quem está em sala de aula, só quem está pegando três ônibus por dia para poder chegar a seu local de trabalho, ônibus precário inclusive, é que pode falar com propriedade sobre isso. Fora isso, qualquer consideração que seja feita aqui é apenas para mascarar uma verdade, que é visível a todo mundo. Em nenhum governo, em nenhum momento, que nós tivemos em nossa cidade, nosso Estado, nosso País, a educação foi uma prioridade. “
Qualquer semelhança com o quadro negro de muitas e muitas escolas do restante do País e de São Paulo não é mera coincidência.
E, diante disso, pergunto: A escola pública está precária porque ‘os professores não se dedicam’ ou os ‘professores não se dedicam’ porque a escola pública (e o salário deles) está precária?
São Paulo – Zona Leste

MOTE
“A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida. A gente quer saída para qualquer parte. De preferência, DE METRÔ!”
Lembrando que blog não é jornal. Post não é matéria, eu, pessoa Flavia que cresceu em uma família diferenciada na Zona Leste, morou no Paraíso (ali do ladinho dos Jardins e que só teve a ganhar com a chegada do metrô Brigadeiro), em Londres (do ladinho de 5 linhas de metrô), já rodou muitas capitais (de metrô, claro), estudou na Zona Oeste (ali na USP, na época em que não tinha metrô), trabalha na Zona Oeste-Norte (No Limão, para onde vai de metrô), eu gostaria de tentar fechar com humor, isso:
Diferenciados e não-diferenciados de todo o mundo, uni-vos! Sejamos realistas! E peçamos o (im)possível! Metrô pra todo lado! Por uma São Paulo menos classista e racista (de ambos os lados)! E mais bem humorada, reeeca para todos e moderna! Porque eu e os outros diferenciados queremos poder ir de metrô fazer comprinhas no Shopping Cidade Jardim e deixar nossas Maseratti na ZL!
Fui! De Metrô. Claro.
Próxima estação: Diferenciada
São Paulo (Bairro do Limão, onde está a redação do Estado, para onde venho de metrô até o Barra Funda e atravesso a ponte porque ainda não há metrô do outro lado do rio)
Então. Pronto! Virou bagunça! Minha gente. Pera lá. Preconceito se combate com inteligência, ação e humor.
Quer ver? Ó o que o leitor Eduard postou:
GENTE DIFERENCIADA
Tem gente diferenciada no Metrô
Servindo os clientes nos bistrôs
E cuidando das casas da elite
Que adora vê-los na televisão
Como seres de outra dimensão
Dimensão que para eles não existe.
Essa tal gente diferenciada
Quando divide as calçadas
Desperta verdadeiro horror
E chega a causar ânsia
Quando a sua fragrância
Não é ao menos Azzaro.
Isso me faz refletir
Sobre o direito de ir e vir
E me força a dizer: Basta!
Mudemos a nossa sociedade
Pois nela na realidade
Existe o sistema de castas.
Eduardo de Paula Barreto
Vagão Diferenciado
Já a Juliana mandou a letra do pagodão que a galera vai cantar no churrascão! (paródia do Pagode na Cohab, do Negritude Jr)
Pagode Com Kassab
Tô votando no Kassab
E daqui da minha janela
Vejo estádio pacaembu e essa região tão bela
No Serra também tô votando
Pra ele não ficar sozinho.
Porque odeio camelô e quero meu bairro limpinho.
No meu rodízio eu só pego Taxi
pra rodar pela cidade
eu sou contra esse metrô
e a favor dessa desigualdade!
Pra chegar no bairro
Só no ar condicionado no maior astral!
Aqui em Higienópolis
Ninguém gosta de facilitar pra serviçal!

Churrasqueira diferenciada
Aí, o Lula se manifestou ontem em sua primeira visita no ABC depois de deixar a presidência e disse:
“Eu acho um absurdo porque isso demonstra um preconceito enorme. Eu pessoalmente não posso conceber que uma pessoa que estudou tanto, que uma pessoa que tem posses, seja preconceituosa e queira evitar que as pessoas mais humildes possam transitar no bairro onde moram”, disse Lula ao deixar o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, após receber homenagem.
O comentário foi semelhante ao feito pelo ex-presidente quando questionado sobre um artigo do também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o papel da oposição. No texto, FHC sugere que o PSDB pare de disputar os votos do “povão” com o PT.
“Sinceramente não sei como alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão. O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros.”, disse Lula na ocasião.
Aí, Pronto! A discussão que até agora era de logística, classes, inclusão social, territorial, astral enfim, virou política!
E tem mais, o Danilo Gentili fez uma piada que eu acho sem a menor graça! Eu posso até ser acusada de não ter senso de humor, mas eu, que já percorri a Marcha da Morte que os judeus percorriam na Polônia durante a Segunda Guerra, durante as filmagens do ótimo documentário Marcha da Vida (em cartaz, aliás), que já estive em mais de dez tipos de campos de concentração, não consigo, desculpe, não consigo achar a mínima graça quando o Gentili me vem com “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwiz.”
file:/C:/Documents%20and%20Settings/fy81960/Desktop/gentili.htm
Tem gente que acha que piadista e humorista tem licença poética. Mas eu tenho minhas limatações e não acho a mínima graça em piada racista, classista e anti-semita. Sei lá. Dar vários rolês pelos fundões de Birkinau acabaram com este ‘meu senso de humor’.
Aí, o Gentili gentilmente se retratou e disse: Peço perdão se falhei nesse meu objetivo com a piada q fiz esta tarde. Me coloco a disposicao da comunidade Judaica para me redimir.
e
Minha intenção como comediante nunca foi trazer nenhum outro sentimento ao publico que não fosse alegria.
aqui:
POIS É!!!
Pronto. Virou questão de racismo e preconceito agora? Ah não! Não!
Assim como a Ruth Rutman Rutman me disse hoje no facebook:
“para flavia guerra,
gostaria de não receber mais seus comentarios idiotas, guarde para quem os valoriza, não sei quem é flavia guerra
este e-mail não me acrescenta nada. Vá jantar no clube nacional com os pobretões q fazem esta campanha. Lá tem jantar com direito a discurso de vereador e deputado e menbrosdojudiciario dividindo a mesa.”
O meu comentário era uma piada a respeito do fato de que há quem em Higienópolis (seja judeu, japonês, chinês, boliviano, cearence, baiano, italiano, da ZL, do Capão, do Pacaembu, da Barra Funda enfim) prefira ter um terceiro supermercado Pão de Açúcar a uma segunda estação de metrô.
Duvida? Assista: http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/…;
A minha piada dizia: “mas pro povo ‘não diferenciado’, o pão de açucar valoriza mais! afinal, tem vários produtos importados da escandinávia lá. e o metrô vai atrair camelôs que trazer produtos importados da china! e isso, hoje em dia, tem até lá na Oscar Freire!
“
GENTEM, queridos leitores, pelamore! A discussão pode até ser politicamente incorreta, mas racista jamais. Como eu disse ontem que o buraco (e não só o do Metrô) é mais embaixo, o que a priori era (ou parecia ser) só uma questão de logística (distância ou necessidade de uma estação e/ou linha tão próxima da outra) serviu de pretexto para que recalcadas mágoas de ambos os lados diferenciados e não diferenciados começassem a se alfinetar mutuamente.
Locomover-se é preciso. Discutir não é preciso. Mas manisfestar-se é sempre necessário.
Foi convidado pro Churras? Então, RSPV!
Então, para os que pensam que o Churrascão foi cancelado digo: Não foi não. O criado pelo Danilo Saraiva foi só ‘modificado’ e vai ocorrer sim. Olha só: http://www.facebook.com/event.php?eid=11…
E um dissidente (sim, porque brasileiro tem de ‘dissidir’ até na hora de concordar) foi mantido: http://www.facebook.com/event.php?eid=17…
então, sabadão é dia de dar um rolê por Higienópolis e ver se a praça (Vilaboim e afins) é do povo (local ou diferenciado). A ver! e a vir!

London Tube, não é o metrô dos meus sonhos, mas é ótima base de comparação
São Paulo
Prólogo: Notícia publicada hoje no Estadão online afirma:
Polêmica. Hoje, o Ministério Público de São Paulo informou que solicitou ao Metrô e à Secretaria de Transportes Metropolitanos informações sobre as mudanças na Linha 6-Laranja. “Se a decisão for realmente técnica, o processo será arquivado. Mas se a decisão foi feita por pressão de um grupo de moradores, iremos discutir as razões”, afirmou o promotor Antônio Ribeiro Lopes.
A Companhia do Metropolitano de São Paulo nega que a recusa dos moradores de Higienópolis tenha influenciado a obra. “A Companhia está reavaliando a localização da futura Estação Angélica em razão de ela estar a apenas 610 m da futura Estação Higienópolis-Mackenzie e a 1.500m da futura Estação PUC-Cardoso de Almeida”, informou ontem o Metrô em nota.
Em entrevista ao Estadão.com.br, o presidente da associação Defenda Higienópolis, o empresário Pedro Ivanow, comemorou a decisão. “Um dos pontos que a associação levantou era a pouca distância entre uma estação e outra. Higienópolis não é contra o metrô, mas queria entender isso. Foi um movimento de esclarecimento”, destacou. Para ele, as piadas e os protestos organizados na internet são “parte da democracia.”
a íntegra segue aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,mobilizacao-para-churrasco-em-higienopolis-ganha-forca-na-internet,718391,0.htm
ENTÃO, a ‘pouca distância’ do metrô, diante do fato de que São Paulo possui de fato menos linhas e estações do que necessita, é um motivo compreensível para se deslocar uma estação para um local onde não há nenhuma outra estação vizinha.
Aqui, justifica-se.
Interessante é que, como comentei ontem, em volta do Palácio de Buckingham há CINCO estações de metrô e, segundo apurei no site do London Tube (http://www.tfl.gov.uk/assets/downloads/standard-tube-map.pdf), nenhum morador do palácio, muito menos a Rainha, nem morador das redondezas protestou e pediu o deslocamento de nenhuma destas estações. Interessante.
Lembro que só estou comparando a situação brasileira com a inglesa porque o metrô de Londres é o mais antigo do mundo e detentor de uma das maiores redes ferroviárias também. Aqui não entra nenhuma noção de complexo de vira-lata tupiniquim de minha parte. Não acho que os ingleses estão mais certos, mais errados, são melhores, piores etc etc. Entra aqui a base de comparação urbanística e estrutural. Com exceção de possuir uma corte real (ao menos oficial), Londres é uma cidade que tem muitas semelhanças com São Paulo por suas dimensões, ritmo de vida, trânsito caótico, distribuição geográfica, população heterogênea e forte tradição classista.

Churras no Facebook: Estão todos convidados!
HOUVE TAMBÉM QUEM, como a leitora Ruth, pontuasse que:
Na verdade trata-se da elite da rica Pacaembú(nada popular com suas mansões) que tinha enorme influencia no governo Kassab(DEM), colocando inclusive integrantes de sua associação em postos chaves de planejamento. definiram 2 estações uma ao lado da outra, para eviter uma estação perto do estadio(próximo as suas mansões). Como este governo, ao se desligar do PSDB, perdeu força junto ao governo do estado;o traçado foi revisto e prevaleceu o bom senso sim, com distancia equidistante entre as estações.
No Pacaembú não há nenhuma estação, ruas são fechadas e em muitas não há nem mesmo calçadas para pedestres: quem se acha sangue azul?”
ENTÃO É ISSO?! É mais do que justificável e compreensível que moradores (seja de que bairro for) não queiram vândalos membros de torcidas organizadas fazendo algazarra em suas calçadas e fachadas. Acontece que nem só os torcedores que vão aos jogos no Pacaembu serão (ou seriam) servidos pela estação. Acontece que nem todo torcedor e/ou membro de torcidas organizadas é vândalo. E os torcedores chegam de qualquer forma. Aliás, chegam de ônibus, a pé, de carro, de lotação… Quem sabe com a estação de metrô a vida de todos em dias de jogos e evento não melhore muito?
E, vejam só, sabem o estádio do Chelsea? Em Londres? Aliás, no West London que (bem diferente do East proletário, claro) é posh (assim bacana, classe média, média alta), bem quase um Higienópolis. Então, o Estádio do Chelsea está localizado na verdade no bairro de Fulham. E a somente dois quarteirões da estação de metrô de Fulham Broadway. O Chelsea é folcloricamente considerado algo como o São Paulo inglês. Time de bem nascidos. Mas, como o São Paulo, tem muitos torcedores diferenciados de regiões periféricas e moradores de zonas 3, 4, 5, 6 (as mais distantes, menos bem nascidas). E estes torcedores chegam como ao Chelsea Stadium? De metrô, claro.
Então. Nem todo torcedor é civilizado e preserva calçadas, fachadas e a paz da vizinhança dos estádios. Tampouco nem todo torcedor é mal educado, vândalo enfim.
Talvez em São Paulo não faça ainda sentido haver duas estações tão próximas umas das outras. Talvez os torcedores mal educados não sejam ainda passíveis de serem fiscalizados e controlados. Talvez esta discussão que, a priori, parecia meramente ‘logística’, tenha sido detonadora de uma luta de classes que há muito estava recalcada nos corações e mentes de diferenciados e não diferenciados.
O fato é que o buraco (não só o do Metrô) é mais embaixo. Tem boi na linha. E caroço neste angu. E fortes indícios de que o churrasco da amizade e da igualdade social paulistana e brasileira seja de carne de gato. Um não quer o metrô porque uma estação está muito perto da outra. Outro não quer abrir mão do mercado da esquina. Outro não quer perder o sossego do bairro para legiões de torcedores e fãs de shows de rock e diferenciados afins. Outro acha que acesso ao metrô é fato de inclusão social, de que quem tem de decidir isso é ‘o governo’. Outro diz que a decisão da mudança foi antes da associação de moradores de Higienópolis se manifestar oficialmente. Outro acha que a solução é criar uma entrada de serviço e outra social para o bairro. Alguém tem a ideia de usar o gancho para promover o churrasco dos diferenciados e descontentes com as diferenças sociais, a luta de classe, o preconceito, o racismo, o elitismo enfim. Acende-se a churrasqueira, os ânimos, a fogueira das vaidades. E é assim que começam as guerras. De torcida. Dos vizinhos. Civis.
Particularmente, acho a ideia do churrasco, se for pacífica e não danificar nada e ninguém (além do silêncio que vai ser devidamente quebrado), muito melhor que o tipo de protesto que vi em Londres há pouco, quando estudantes britânicos destruíram várias estações de metrô por conta dos cortes que o governo inglês promoveu na educação.
Quem sabe o churrasquinho e o jeitinho brasileiro sejam mais produtivos a longo prazo. E discutindo, e não brigando nem agredindo, mas sim tentando entender os dois lados (sim, inclusive o dos moradores de Higienópolis que não querem abrir mão de um supermercado, que não julgam necessário ter uma estação tão próxima de outra, que têm também o direito de se manifestar) que se vencem as guerras de classe.
Para terminar, um amigo inglês, que mora no Rio (no Arpoador) e nunca entendeu porque certos moradores de Ipanema não queriam metrô no bairro, disse hoje: “Este tipo de reclamação nunca houve em Londres, que eu me lembre. A sociedade inglesa é mais classista que a brasileira. Mas não faz diferença. Metrô não é questão de classe. É infraestrutura. O País tem de se desenvolver.”

Metrô dos Sonhos do blog do Igor C. Barros
( http://igorcbarros.wordpress.com/2010/07…)
São, São Paulo
Queridos, leitores, queridos!
Feliz! Não porque Higienópolis vai ficar sem metrô, nem porque o povo do Pacaembu tem a ver com isso também, nem porque o Capão merece mais metrô, mais cinema, mais escolas, mais tudo, muito menos porque o Itaquerão/Fielzão vai sair do papel, nem porque a Bastilha (real e simbólica já caiu. ou não), muito menos porque tem (ou não) metrô na USP.
Estou feliz porque estamos debatendo.Mais de 400 ’compartilhar’ (número atualizado quinta, às 20h45) no Facebook pra este post. Sabem o que é isso? Diálogo, debate! Eu sempre digo que, se o brasileiro cuidasse do seu quarteirão, bairro, cidade, estado, país como os fiéis cuidam do Corinthians, este reino tupiniquim ia ser de fato o Eldorado. Então, com ou sem churrasco de gato na laje do Shopping Higienópolis, por favor, debater é preciso!
Amanhã eu volto com um post mais consistente, viu Lucas? Post. Matéria o Metrópole deve estar preparando uma ótima e completa.
vou de metrô pra Zelê!
e vos deixo com o comentário do Zé Ninguém:
” Chefia, muito bonito tudo isso aí, mas por que ninguém vem brigar pela construção de metrô prá nóis, aqui no Capão Redondo?
É só porque não querem ir andando da Augusta até o Apê no Higienópolis?
E NÓIS NO CAPÃO REDONDO!? VAMO FICÁ SEM METRÔ?”
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