Cartaz no metrô de Londres alerta: “Há coisas que você só faz quando está bêbado.”
Londres e Marrocos
Marrakesh – No Marrocos, a turista acidental jantava em um tradicional restaurante na praça mais famosa da cidade, Jemaa el-Fna, quando ouviu uma informação exclusiva do garçon:
- Aqui servimos álcool. E, depois das dez, também se pode fumar shisha.
A turista, acostumada a ver seus compatriotas ingleses entornar mais de três, quatro, cinco pints em uma noite, não entendeu. E perguntou ao vizinho de mesa, um norueguês acostumado a ver o governo (e somente o governo) ter permissão de controlar a venda de bebidas alcoólicas em seu país, respondeu:
- Isso. Álcool eu já sabia que era proibido em países muçulmanos, mas shisha eu achava que era como no Egito, ou até mesmo em Londres, onde qualquer pub da esquina pode botar uma mesa para seus clientes fumarem.
A amiga inglesa entendeu o boicote alcoólico, mas ficou sem saber qual era a ‘tal da shisha’.

Horas depois, a jornalista brasileira aqui, escuta:
Você, que mora em Londres, e mora no sul, onde está cheio de gente de tudo quanto é lugar, e vive comprando docinhos árabes lá para os lados do oeste, em Marble Arch, diga aqui parra esta londrina do norte, o que é esta shisha? É haxixe em árabe? Pode fumar haxixe aqui?
- Nada disso, dear. Shisha é só mais uma forma para se dizer narguilé, water pipe, cachimbo de água. Entendeu?
- Entendi mas não compreendi. O que há de mau em fumar um inofensivo cachimbo de água que nada mais tem que um pouco de melaço, tabaco e fruta dentro? Se for assim, em Londres ninguém mais vai poder sair na rua. Todo mundo fuma naquela cidade.
A turista ocasional e londrina acidental retruca:
- Mas já não se pode Esqueceu que é expressamente proibido fumar agora até em pubs, casas noturnas e festas em locais fechados?
O jornalista árabe, que ouvia a conversa no computador ao lado, em plena sala de imprensa do Festival de Cinema de Marrakesh, o maior da África, faz questão de explicar:
- Olha, até dá para fumar haxixe e maconha na shisha. Mas o water pipe foi banido não porque seja droga. Se os chineses usavam para fumar ópio, os árabes em geral só fumam tabaco. A sociedade marroquina chegou à conclusão de que os cafés onde se fumava a shisha em geral atraía traficantes, prostitutas e era ponto de crimes e brigas. Ainda há alguns escondidos, mas são raridade. E a gente sabe o tipo de gente que freqüenta. Moça de família não vai nestes lugares.
As duas fizeram cara de “entendi”. E deixaram a shisha para fumar oficialmente em Londres. E se contentaram em tomar um bom vinho no ‘circuito alternativo’ dos restaurantes e mercados ‘especializados’.

Londres – De volta à capital mundial da pint, o cartaz no vagão da Nothern Line (a linha norte do metrô londrino), chama atenção.
Enquanto um moço dorme abraçado à sua ‘garrafa de cerveja’ de estimação no ‘banco da praça’ e deixa à mostra suas pernas semi-nuas debaixo de uma frugal saia de bailarina. Para completar, o singelo dizer:
“Há coisas que você só faz quando está bêbado. Perder o caminho de casa não devia ser uma delas.”
Arrematando: Tome conta da sua saúde, das suas posses e da sua felicidade nesta temporada de festas de fim de ano. Planeje antes e chegue seguro em casa.
Assinado: Policia dos Transportes Britânica e Prefeitura (na verdade, espécie de sub-prefeitura) da cidade de Westminster.
Ora, ora, ora. Well, Well, Well.
Ao ver a jornalista tirar fotos com seu celular do cartaz, o cidadão, natural de Cardiff, em Gales, a cerca de quatro horas de Londres, pergunta:
- Tanto cartaz bonito no metrô. Logo ali tem um do Beckham, por que você está mais interessada no cara bêbado de sainha?
Complicou. Cultural Conundrum. Como explicar para o companheiro de vagão que já estava (quase) acostumada a ver meninas caindo de bêbadas pelas calçadas londrinas depois dos embalos de sexta e sábado à noite, mas que campanha para ‘bêbado chegar em casa direitinho depois de cinco, seis, sete.. pints na festa da firma no fim do ano` era mais pitoresco que a Troca da Guarda real.
O moço, que desde sempre sabe que uma ‘pint’ nada mais é que a unidade métrica equivalente a aproximadamente 568 mL, ou cerca de dois chopes, emendou com uma bela bronca:
- Não sei o que tem demais. Beber é uma tradição britânica. Se a gente não toma, no mínimo, uma pint, não relaxa. E agora vem este prefeito e f…. com ‘nosso esporte nacional’. Com esta crise toda, o que vai sobrar neste país para a gente ser feliz?
A ‘nova amiga’ não soube responder. Lembrou das capas de jornais. Quando não é a crise econômica, a separação da Madonna e do Guy Ritchie, o assassinato do baby P, tudo que a imprensa britânica mais fala é “Será o fim da nossa Happy Hour?”
Motivos não faltam. Recentemente, o governo britânico decidiu encampar uma “Guerra contra o álcool”. Proibiu a venda de bebidas em lojas de conveniência depois da meia-noite Beber no metrô, que garantia cenas de alta tensão, como bêbados à beira de despencar na linha do trem, também agora é contravenção das mais sérias.
Para completar, as tradicionais promoções foram proibidas. De agora em diante, nada de atrair clientes com as sedutoras:
“Tudo que você conseguir beber por apenas 10 libras.”
” Mulheres bebem de graça”
Oferecer bebida como prêmio para jogos também está fora de questão.
“Não se trata de moralismo. É questão de saúde. O pais gasta cerca de 25 bilhões combatendo e tratando o consumo excessivo de álcool todos os anos. O inglês precisa aprender que não precisa beber até cair toda vez que quer se divertir”, disse a porta-voz do governo.
Como explicar isso para o ‘amigo do trem’, que bebe muito mais que 21 pints por semana, a cota recomendada pelo Ministério da Saúde.
“21 doses por semana são menos de três pints por dia. Impossível ser feliz assim. Acho que vou comprar um carro e parar de andar de metrô. Assim deixo de ficar p… com estes anúncios idiotas. E já que não dá para dirigir bêbado, compro um carro brasileiro e passo a usar álcool só no carro. Vocês botam álcool no carros no Brasil, né? Que desperdício!”, brincou o passageiro.
E arrematou: “Aposto que vocês são muito menos beberões lá no Brasil, não?”
Salva pelo gongo. “Minha estação chegou. A gente termina esta história depois de curar a ressaca de réveillon.”
Para encerrar este capitulo, fato mais que real:
Londres

A amiga brasileira pergunta ao amigo polones:
- Vamos a um sound-system?
O polones, nascido e crescido em Varsovia, retruca:
- Sound-system? Aquelas festas do sul? Onde esta cheio de negao? Por que voce quer ir a um lugar destes?
A amiga, que acaba de filmar um pequeno video sobre a historia da musica negra no agitado sul de Londres, responde:
- Porque estou sempre atras da historia da boa musica. Tenha ela que cor tiver. E a boa musica inglesa tem seu berco no sul. ‘E la que nasceram os sound-systems. O ska, o reggae e ate o rock que a gente ouve hoje deve muito aos musicos imigrantes do caribe que ainda vivem la.
O amigo continua sem entender:
- O sul para mim ‘e sinonimo de gangues, assassinatos, traficantes e gente bebada. Esta eu passo.
A amiga, que entende mas nao compreeende o medo injustificado do amigo, mostra a ele o video que fez:
- Se chama Voice for the Voiceless (Voz para os sem voz). Veja se gosta e se muda esta sua cabeca loira polonesa:
Cinco minutos depois, ele se limita a retrucar:
- Legal. Mas ainda assim eu passo. Por que voce nao convida a Helena? Ela, ainda que polonesa, casou com um frances negro. ‘E um cara otimo. Ate os pais dela, que sao do interior da Polonia, gostam dele. E olha que na primeira vez que eles vieram a Londres ficaram admirados com quanta gente de outras racas havia aqui. Eu prefiro musica tecno. E por mim estes ‘sem voz’ vao continuar calados.
No entanto, o sul de Londres nao se cala. Sua musica toca em alto e bom som. Nas cabecas e nos sound-systems mundo afora.
Em respota a todos os leitores que tanto fazem este blog ser o que é:
Será que ela mexe o chocalho? Ou o chocalho é que mexe com ela?

Morena… extraída, e emprestada, do blog
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Baseado na observação de fatos reais, alguns meses atrás
Londres
O rapaz encontra a moça na biblioteca de uma tradicional universidade Londrina. Passa por ela três vezes antes de abordá-la. Toma coragem, senta-se ao lado e pergunta:
- Você por acaso sabe onde ficam a impressoras a laser?
A moça, que estava entretida com o vídeo do show da Madonna em Wembley, não entendeu. Afinal, as impressoras estavam a menos de dois metros de distância.
Diante da não boa desculpa, o moço confessou:
– Eu só queria um pretexto para falar com você. Vejo você aqui todo dia. Estuda aqui? Que curso está fazendo?
Enquanto as caixinhas de conversa do messenger pipocavam na tela do computador, a moça explicava:
- Sim, estudo. Faço um mestrado.
Legal! Estudo administração. Mas não aqui. Estudo na London School of Economics. Só venho aqui porque é mais tranqüilo, apesar de ser um bairro mais violento.
A moça, cuja referência de violência são fatos como os ataques do PCC na periferia de São Paulo e as barricadas que fecham a Linha Vermelha no Rio de Janeiro, não conseguia entender como um bairro que tem o índice de três assassinatos por ano podia causar tamanho alarme no imaginário de uma cidade em que vivem milhões de pessoas de todos os continentes. E limitou-se a responder, meio ‘lost in translation’:
- É… A biblioteca é boa mesmo. O bairro não é o que a gente costuma ver na TV quando o assunto é a Inglaterra…
O moço, que não tinha outro assunto para inventar, inventou que precisava estudar para os exames de fim de verão e se foi.
No dia seguinte, a cena se repetia. Ela, concentrada nas conversas virtuais. Ele, passava de cá para lá, de lá para cá. Até que ele parou e despejou:
- Olha, você vem sempre aqui que eu sei. E sei que sai sempre as oito da noite. Amanhã é sexta. Por que amanhã você não sai comigo e vamos jantar num vietnamita. Você gosta de spicy food?
- Gosto, claro. Vamos sim. Combinado. Amanhã às oito.
-
No dia seguinte, ele, como já de costume, passou pela mesmo computador na janela que ela sempre escolhia. Mas nada de moça, nem de janela (do windows) aberta na tela. Nada de conversa virtual, nem real, naquele dia. Ele esperou até as oito, oito e meia. E se foi.
Na segunda, a cena se repetia. Ela voltara a abrir as janelas do windows no computador da janela. Ele voltou a passar por ela. Desta vez, chegou por trás. Tocou o ombro da moça e disse:
- Você me deu um bolo na sexta, não? Me deixou aqui plantado esperando.
Ela tentou explicar. Tentou dizer que não tinha anotado o telefone dele. Que ele era quem tinha o número dela. E que ele, confiante no combinado, não tinha ligado para ela para reconfirmar. Ela tentou contar que teve de trabalhar na sexta à noite. Que às vezes trabalha sextas a noite, sábados, domingos, feriados, Natais, reveillons…Mas não teve tempo.
Ele se limitou a interromper e lançar:
- Claro. Que besta eu fui. Porque você iria querer sair comigo. Você deve ter pensado: “Eu não. Eu é que não sou louca de sair para jantar com um negão em plena Londres.” Porque sair comigo, não é? Eu sou só mais um negro. E você é branca, européia…
Ela, pela primeira vez, viu no moço um negro. Até então, ele era um moço bonito. Fez cara de confusa e disse:
- Você não me conhece! Não sabe de onde venho. Eu sou brasileira…
Ao ouvi-la proferir com voz carregada, e de fato sincera, ainda que um tanto ingênua, ele não a deixou terminar… E se lembrou da música que adorava dançar com os amigos brasileiros que tinha em Nova York, sua cidade natal, onde ele cresceu em ‘um lugar chamado Bronx’, e disse:
- Sim! Você é brasileira. Todo brasileiro tem sangue crioulo! Vocês têm olhos coloridos!!! Achei que você era italiana ou espanhola. Sabe como é… Muita gente aqui em Londres, e na Europa, é racista para c…. Mas você é brasileira. É outra coisa! Olha, vamos marcar de ir a um sound system aqui no sul e você vai se acabar de dançar funk, ska, reggae. Tem até um dia em que tem show de capoeira lá. Achei que você estava me esnobando. Mas já vi que a gente pode se divertir muito juntos. As brasileiras são funky, não são? Não ficam bancando as difíceis. Vocês são as mais funkies e hot mulheres do mundo! Se é que você me entende…
Ela entendeu. Ele, de moço bonito passou a moço gringo. Daqueles que acham que toda brasileira leva um chocalho amarrado na canela. Ela, que esbanja e toca, ainda que mal, com orgulho sua alfaia de maracatu, que jamais vai trocar um ensaio na escola de samba do seu bairro por nenhum sound system, atravessou o samba e não soube dizer a ele se ela mexia o chocalho. Ou se o chocalho ê que mexia com ela. A dona dos olhos coloridos teve medo. Não da violência do sul de Londres. Mas de ser a eterna ‘moça funky do chocalho’ que ‘tem um tufão nos quadris’. Ela se lembrou das ancas brasileiras que em geral estampam os cartazes e fotos que conclamam “vá ao Brasil’. E calou. E cantou: Meus olhos coloridos me fazem refletir…

Deu no The London Paper: Colour Conundrum
Conundrum: Uma questão difícil e complicada que só possui um resposta conjuntural
Londres
Color Conundrum. A notícia movimentou os jornais ingleses no mesmo dia em que o primeiro afro-americano foi eleito presidente dos Estados Unidos da América.
Filho de pai negro e mãe branca, Barack Obama mostra ao mundo que “yes, we can” misturar raças para formar de fato um mundo globalizado e multicultural. Ou não?
Colour Conundrum. Assim o The London Love, a seção de “Assuntos do Coração” do The London Paper, o jornal distribuído no metrô de Londres que todos amam odiar, resumia o resultado de recente pesquisa feita por um outro jornal, The Observer, este sim o jornal ‘para inglês culto ler’.
A pesquisa: O quão multiracial e plural é Londres quando o assunto são os lençóis?
O resultado: Pouco, muito pouco. Cerca de quatro em cada dez moradores de Londres nunca mantiveram relações sexuais com alguém de outra cor. 43% dos entrevistados afirmou “que tal idéia jamais passou por suas cabeças.”
Ou seja, uma das cidades mais multi-étnicas do mundo quando o assunto é a divisão das calçadas é uma das mais segregacionistas quando o assunto é a divisão do mesmo edredom.
Os jornais ingleses querem saber: É racismo sexual ou só as leis da atração em funcionamento?

Lewis Hamilton e a namorada ‘Pussycat Doll’ Nicole Scherzinger
Pergunte a Lewis Hamilton, o jovem inglês que virou herói de uma Inglaterra que ultimamente anda tão melancólica quanto as tardes de outono. Primeiro negro a se tornar campeão da Fórmula 1, um dos mais amados esportes da Brittania, Hamilon virou assunto de mesa de bar com a mesma desenvoltura que a queda-da-bolsa e os jogos do Chelsea. “É muito emblemático ter um negro vencendo o campeonato de um esporte que sempre foi tão elitista. É para mostrar ao mundo que a Inglaterra é um país multi-étnico”, analisava o designer gráfico de Brighton no vagão da linha Central do metrô na segunda-feira.
Em tempos em que mais vale um bom marketing na mão que as ações da bolsa despencando, a igualdade é verde e carrega a insígnia “In God we Trust’.
De volta ao impasse colorido, os especialistas ouvidos tentaram explicar. Mas, pelos menos se é para brasileiro ler, a explicação deixou um gosto de ‘contra outra’ no ar. Para inglês se convencer, a emenda ao soneto de incompatibilidade foi:
“Nós somos atraídos por aqueles que são como nós, que têm nosso biotipo, características, até mesmo por alguém que usa nossas cores preferidas. Portanto, não é de se surpreender que sempre nos atraímos por pessoas da mesma origem étnica que a nossa”, afirmou a ‘especilista em relacionamentos’ Louise Van Der Velde.
Talvez Louise não conheça muito bem a árvore genealógica de Obama. Talvez ela nunca tenha ouvido falar da tão apregoada mestiçagem brasileira. Mas o fato é que a explicação encontra eco nos corações e mentes de muitos ingleses. “Eu até tenho amigos de outras raças, mas para namorar quero alguém com minha cultura e meus valores”, afirmou uma leitora inglesa.
A ‘autora aqui’ quer saber: Desde quando ‘valores para namorar’ são a mesma coisa que ‘regras da atração’? “Desde que relacionamentos passaram a ser vistos como investimento e não algo espontâneo. A busca de um parceiro se torna mais desafiadora quando nós olhamos fora do nosso grupo étnico”, contrapôs a psicóloga Donna Dawson.

O ‘novo presidente’ Obama e seus avós maternos
E a mestiçagem brasileira? Será a exceção que confirma a tal da regra da atração? Será que Dawson e Van Der Velde deveriam dar um passeio por São Paulo e almoçar na casa de uma das tantas famílias mezzo italianas/mezzo japonesas, cujos filhos e netos já estão dando frutos mezzo baianos/mezzo paulistanos?
O Brasil está anos luz de ser o tal do país sem racismo em cujos lares reina a paz racial e a igualdade. Mas há que se admitir. É um país multicolorido muito antes que o mundo se tornasse multifacetado. Por isso, Dawson, que “gostaria que os jovens ingleses se misturassem mais” não desconsidera a possibilidade de ‘dar um rolê pela Bahia”. E descobrir que brasileiro, para o bem e para o mal (e com todo racismo nas entrelinhas que tais eufemismos carregam), pode ser chocolate, pardo, jambo, marrom, marronzinho, café-com-leite, negro, negão, neguinho, negro…
“Acredito que o mundo se tornou um lugar menor em todos os sentidos, onde as raças se encontram e se misturam mais”, conclui Dawson.
Ou não. Fica o conundrum: O que será que Obama acharia disso?

Steve ‘Galvão’ Rider com Hamilton: É…..É da Inglaterra!
confira: http://www.itv-f1.com/VideoExclusives.as…
Londres
“Você merece! Nós merecemos! O país precisava desta injeção de ânimo! Este título é para todos nós, para nosso povo, para provar que ainda somos capazes! Porque estamos passando por um momento tão difícil, sempre nadamos, nadamos e morremos na praia! Que felicidade você nos deu hoje!”
Este podia ser o discurso do Galvão Bueno após a vitória de Felipe Massa no último domingo quando, em pleno Intergalos, o ‘nosso’ menino do Brasil poderia ter sido campeão da temporada 2008 de F1 e ter tirado os torcedores brasileiros da ‘vontade’ que os mata há tempos.
Mas não. Este era o discurso do ‘Galvão Bueno para inglês ver’. Steve Rider é o nome dele. “Broadcaster” (ou o bom e velho ‘narrador”) de longa data, Rider (um sobrenome ‘nascido para o ofício’) não se contenta em só narrar as corridas para a inglesa ITV. Vai literalmente para a pista (e o pit) mostar o quão grande é seu acesso e o quão sortudo era ele por ter o privilégio de ser o primeiro jornalista/apresentador a falar com o mais novo campeão do mundo na noite (tarde no Brasil) de domingo. Lewis Hamilton da Inglaterra!
Era do garoto de Briton, e dos britânicos, o título desta temporada. A Londres, que veste azul dos Blues (o Chelsea) nos fins-de-semana, mas a mesma Londres onde os alunos das universidade batem ‘um rugby’ no campinho em vez de bater uma pelada. A Londres que está mais empolgada com as novas linhas de metrô e a valorização imobiliária que o East London vai ganhar com a chegada das Olimpíadas em 2012 do que com as medalhas que o país abocanhou em Beijing. Esta mesma Londres ‘redescobriu’ que a Brittania ainda é a terra de nomes como Jack Stewart, Damon (ainda que apagado) Hill, Nigel Mansell, McLaren, a extinta Jaguar, Williams…
O que é pior que ver o Brasil perder uma Copa do Mundo de futebol para a França em um bar da esquina de Paris? Nada. Mas ver a ‘pátria de pneus slik’ perder para o inglesinho Hamilton e ouvir brincadeirinhas mais que espirituosas dos ‘companheiros de bar’ não fica muito atrás no pódio dos ‘grandes momentos de desgosto do esporte’.
“Que mané brasileiro! Este título é nosso. E nós merecemos! A gente sempre amarela no final, inglês perde tudo que disputa. Até as ações da Bolsa a gente tá perdendo agora!”, ironizava o inglês de Bristol para a torcedora canarinho, com uma pitada de vermelho Ferrari no sangue.

No site da ITV, a legenda diz: “Massa deu tudo no Brasil, mas mesmo assim perdeu o título”
“Well, Massa did well. Maybe next year” (Massa mandou bem. Mas quem sabe no ano que vem), ironizava o operador da bolsa e da mesa ao lado.
O advogado, que gosta mesmo é de jogar poker e foi ao pub com os amigos só para não ficar sozinho em casa, confessou: “Eu achava que o Massa era espanhol. E este tal de Hamilton? Com esta cara, tinha pinta era de brasileiro.”
Diante de um domingo de típico ‘cinza inglês no ar’, Ron Dennis, o mitológico Chairman & CEO da McLaren, diretamente de Interlagos para a ITV, resumiu: “Estamos tão acostumados com esta chuvinha em Londres. Ela tinha de estar aqui em São Paulo nos trazendo sorte hoje!”
Na mesma terra em que Senna era mestre nas pistas molhadas, desta vez São Pedro deu aos paulistanos um típico presente-de-grego. Chuva de primavera para inglês correr.
De volta à ‘terra do fog’, onde o outono tem sido particularmente rigoroso (Há uma semana, nevou pela primeira vez em 74 anos em outubro), duas rodadas de pints (a dose de cerveja britânica) e centenas de voltas depois, o publicitário brasileiro resumiu bem a melancolia para ‘brasileiro sentir’ no domingo chuvoso: Que saudades do Galvão!
Em marcha de protesto, estudantes italianos são barrados pela polícia ao tentar entrar no auditório principal do Festival de Cinema de Roma
Roma
O passado è uma terra estrangeira.
Este é o nome de um dos filmes italianos mais comentados do Festival de Cinema de Roma, que começou há uma semana e que neste ano homenageira o cinema, e a cultura, brasileira.
Em tempos em que a Itália, e o mundo, passa por tempos turbulentos, relembrar o passado é, como bem diz o clichê, uma forma de não deixar que os erros de outrora se repitam no futuro. Ou não.
O filme, dirigido por Daniele Vicari, fala da busca descontrolada de muitos jovens hoje por dinheiro fácil. “É a história de dois amigos. Um é um advogado, sempre foi estudante modelo. O outro ganha a vida em jogatina. Por uma combinação de fatores e falência das instituições e princípios em que acreditavam, os dois acabam se perdendo por caminhos que não têm volta. E esta idéia do filme nasceu da minha observação. Toda hora vejo notícias de jovens de classe alta que se envolvem em crimes e jogos em busca do dinheiro fácil. E ele não existe”, explicou o diretor.

Correndo em paralelo no festival, Sangue dei Vinti (Sangue dos Vencidos) fala de uma outra juventude. Um tanto distante já, mas não menos responsável pelo universo em desencanto em que se encontra o tal “mundo pós-moderno’. Baseado no romance famoso de Giampaolo Pansa, o filme joga luz exatamente no túnel escuro que é a participação italiana durante a Segunda Guerra Mundial. Polêmico, o longa-metragem dividiu a platéia que lotava a sessão do filme no domingo. Pudera. O Sangue dos Vencidos revela com lente de aumento a vida de uma família que, no fim da Segunda Guerra, vê o campo de batalha se instalar em sua sala de jantar. O filho é Partigiano. A filha decide integrar a Repubblica de Saló (maiores explicações se fazem necessárias e virão). Mas não é preciso ter assistido à obra -prima de Pasollini para entender o que significa ter um filho republicano e uma filha fascista dividindo a mesma tavola.

Cena de Sangue dei Vinti
Enquanto o passado é discutido, os estudantes italianos continuam em ‘greve de estudo’. A polícia, como queria o primeiro-ministro Berlusconi, não ocupou as escolas, mas os liceus e universidades continuam ocupados pelos estudantes que se recusam a aceitar a nova reforma do sistema educacional italiano proposto pela ministra da educação Gelmini.
Em pleno festival, os estudantes da Sapienza (a mais antiga e prestigiada universidade pública de Roma) ocuparam o pavilhão de entrada da ‘città del cinema` (oficialmente o Parco della Musica) durante o festival. Enquanto os astros passavam pelo tapete vermelho, os capacetes azuis dos carabinieri ganhavam as primeiras páginas de todos os jornais do país.
Depois de descobrir que a repórter que vos escreve estava em Roma a serviço do cinema, mas desviou de rota devido a ‘turning points’ (viradas) no roteiro político e social da cidade, um amigo jornalista italiano pergunta:
“Os brasileiros não sabem do que está acontecendo aqui? Os jornais não cobrem isso? Não se fala que a Itália está voltando aos tempos do Mussolini? Se é que um dia deixou de estar.”
O outro amigo, também italiano e também jornalista, pondera: “Calma, também não é para tanto. Muitos italianos (mas, não se esqueça, só metade votou no Berlusconi, há outra metade de um país que não concorda com isso) estão com medo da crise, da constante chegada de mais e mais imigrantes. Italianos, que sempre tiveram tradição de não se abrirem ao estrangeiro e de serem racistas, veêm nos imigrantes a ameaça a seus privilégios e sua segurança.”
Se o clima esquentava na conversa, o sangue fervia nas veias dos policiais e estudantes. “Festival de Cinema: Cassetadas e barreiras”, dizia um exagerado La Repubblica (um dos principais periódicos italianos) no dia seguinte.
Daqui eles não saem…
Enquanto o país tenta tirar melhores notas, na tela do Festival de Cinema, um documentário chama atenção:
Predappio in Luce, de Marco Bertozzi.
Um raio-X da história de Predappio, a cidade natal de Benito Mussolini. Um filme nostálgico, que investiga porque, em pleno século 21, a pacata cidade italiana é palco de comemorações fascistas e recebe todos os anos levas de turistas e seguidores de Il Duce. Incômodo e necessário, que prova que, queira ou não, o passado não é uma terra estrangeira, não é um imigrante rejeitado e não se pode deportar feito os ‘romans’ que ‘sumiram’ das praças italianas no último ano.
O passado mora ao lado. E, infelizmente, Predappio não é tão longe da Repubblica de Salò.

Cena de Predappio in Luce
Não é por acaso que Il Divo e Gomorra (duas recentes obras-primas do novíssimo cinema italiano) tenham sido produzidos hoje por jovens diretores. “Se o cinema tenta explicar o mundo em que vivemos”, disse um crítico italiano, “não é por acaso que estejamos vendo estes filmes”. “Assim como não é por acaso que se a Alemanha já produziu (e já foi alvo) de tantos filmes que discutem sua participação na Segunda Guerra e sua responsabilidade, pouco se vê, fala ou filma sobre a participação italiana”, completou.
Como bem diz outro grande clichê, quem não entende os erros do passado, está condenado a repeti-los.
‘Nel mezzo del camin di sua vita’, a Itália, como bem disseram os organizadores do Salva l’Italia (a manifestação que no sábado levou milhares de pessoas ao Circo Massimo em Roma para protestar contra o governo Berlusconi), a Itália (e os italianos) é (e será sempre) melhor do que quem a governa. Estejam estes governantes na margem esquerda, direita, centro, ou na terceira margem do rio.
Roma Caput Mundi

Na noite de quarta, Spok Frevo Orquestra bota a Piazza Navona para ferver
Na noite de ontem uma multidao tomou a Piazza Navona e a transformou em um verdadeiro carnaval brasileiro. Comecava o Festival de Cinema de Roma, que neste ano da uma resposta ao clima de xenofobismo que tem tomado conta das conversar italianas e homenageia o Brasil. Orquestra de Frevo (a magnifica Spok Frevo Orquestra), Vanessa da Mata, musicos da Bahia. E uma festa multicultural e multicolorida na Cidade Eterna lembrou que Roma ja foi a capital do mundo.
Hoje, a cidade eterna amanheceu cinzenta. Sob a chuva fina, a mesma Piazza Navona foi tomada pelos estudantes italianos, que tomoram tambem as ruas de Roma e a transformaram em um verdadeiro campo de guerra intelectual.
É pena que os lideres do futuro que em Londres se reuniram na terca-feira para discutir quem domina o que em um mundo globalizado e “sem fronteiras” nao puderam hoje entonar as palavras de (de)ordem que os jovens italianos fizeram ecoar pelas ruas que abrigam monumentos como o Foro Romano, o Pantheon, a Fontana di Trevi… Desde que a nova lei foi decretada, escolas foram tomadas, pais e alunos foram as ruas e muito barulho se tem feito contra o que promete ser uma nova “entrada da Italia na Idade Media educacional”.
A julgar pelas medidas tomadas pelo governo Berlusconi, que decretou uma nova lei para promover reformas urgentes no sistema educacional italiano, nao havera muito espaco nos bancos das escolas do pais para formar “lideres do futuro”. E muito menos havera uma festa como a dos alunos de Londres. O se vai ver sao demissoes, corte de gastos, diminuicao da carga horaria, controle intelectual… E como uma das mais polemicas medidas da Lei Gelmini (que leva o sobrenome da ministra da educacao italiana, Maristella Gelmini), a partir de ja os estrangeiros deverao estudar em turmas separadas dos italianos. A alegacao: Eles nao dominam o italiano e fazem com que a classe se atrase nos estudos.

Hoje, jovens (quase) lideres do futuro italianos botam a mesma Piazza pra ferver
Hoje ha cerca de 2 milhoes de filhos de imigrantes nos bancos das escolas italianas. Somente no Brasil, ha cerca de 20 milhoes de descentendes de imigrantes italianos em todos os niveis da sociedade.
Ja na lista de bolsas do programa da Gra Bretanha nao ha nenhum jovem lider italiano. “A bolsa è so para paises em desenvolvimento. A Italia faz farte dos G8″, explicou uma bolsista brasileira.
Sabado, o Salva Italia (movimento do Partido Democratico de oposicao, e de esquerda) promete se unir aos estudantes e tomar as ruas de todo o pais para protestar. Como se diz em italiano, “magari”! (Tomara!)
Mas, se Se a Lei Gelmini “pegar”, talvez a Gra Bretanha tenha de rever seus criterios…

Para ingles (e principalmente, brasileiro) ler: A Ditadura comeca com a ignorancia.
Qualquer semelhanca com o atual estado deploravel das escolas publicas brasileiras, infelizmente,nao é mera coincidencia
Jovens ‘líderes do amanhã’ em confraternização em famosa moradia estudantil no centro de Londres
O local da festa mais lembrava um daqueles cenários de Sociedade dos Poetas Mortos. Mais de uma centena de estudantes de mais de uma centena de países em desenvolvimento. Sri Lanka, Brasil, Venezuela, Argentina, Índia, Peru, Romênia, China, Japão, Serra Leoa… Todos escolhidos entre milhares… Todos diferentes. Todos com um denominador comum: Socialmente relevantes. Todos congratulados com um dos programas de bolsa de estudos mais famosos do Reino Unido. A noite era de celebração. E de ‘troca de cartões de visita’.
“Somos os líderes de amanhã. Nós vamos dominar o mundo”, dizia o argentino para a colega brasileira, que preferiu ironizar: “Prefiro pensar no hoje mesmo. Toda vez que algum brasileiro pensa em dominar o mundo, descobre que lá fora tá um sol lindo e dominar o mundo é tão boring (entendiante). Melhor aproveitar o dia lindo.”
O Venezuelano estava mais interessado em fazer amigos e influenciar pessoas. “Brasil? Que ótimo! Somos vizinhos!” “Por quê? Você também vive em New Cross?”, respondeu a ‘vizinha’ desavisada. “Não! Somos vizinhos de continente!”, respondeu o ‘síndico’ sul-americano.
O indiano estava mais interessado em explicar como era fazer a guarda às margens do Ganges e, ao mesmo tempo, como conseguiu mudar da carreira de ‘polícia’ para ‘desenvolvimento humano’. O romeno, psicólogo, que se especializa em matemática, ou na ‘difícil ciência da matemática das decisões’, não entendia muito como um diretor de cinema pode ser um ‘líder de amanhã’.
O argentino ajuda a explicar: “Os artistas, como a diretora de cinema aí, acham que nós, que estudamos leis, economia, desenvolvimento, somos superficiais e sérios ao mesmo tempo. Já que um país sem cinema é um país sem rosto, a face dos cineastas é sempre mais divertida que a nossa.”
A ‘aprendiz de diretora’ contenta-se em dizer: “Não disse isso. Só disse que enquanto o mundo anda em crise, o cinema caminha, seja a 24 quadros por minuto seja no digital mesmo.”
E o romeno (que não se lembra que a Romênia venceu o Festival de Cinema de Cannes 2007 com um filme sobre o controverso tema do aborto e que o Brasil venceu o Festival de Berlim 2008 com o nada feliz Tropa de Elite) muda de assunto: “Não vejo muitos filmes, nem estrangeiros nem romenos. Mas, se os brasileiros são todos felizes, os romenos são melancólicos. Só não me pergunte por quê.”
“Vamos deixar de falar e partir para o que interessa. Quem vai amanhã no seminário de desenvolvimento mundial em tempos de crise? Mas, antes, melhor, quem quer tomar uma pint (dose de cerveja, que poderia ser bem traduzida como o ‘choppinho inglês’)?”, encerra o japonês.
E assim caminham os jovens líderes de um futuro próximo. ‘Sério’ ou ‘divertido’, sempre ‘em desenvolvimento’.

“Gordon Brown deveria visitar esta exposição para entender o verdadeiro valor das coisas.”
Assim bem pontuou Nicholas Serota, presidente da fundação Tate Gallery, que abriga, entre outras, a Tate Modern, templo da arte contemporânea às margens do rio Tâmisa.
Serota, que detèm um dos mais importantes cargos do mercado de artes do mundo, referia-se à mostra que o brasileiro Cildo Meireles abria na segunda-feira à noite, no terraço da Tate Modern.
Em tempos de crise bancária, em que, como o próprio Cildo comentou ao Estadão, “o clima está pesado em Bank District” (o setor financeiro da capital inglesa), vale sempre lembrar quanto vale um dollar. Ou é por quilo?
Como mensurar o valor da arte, do dinheiro, dos países, do risco, da paz e da tranqüilidade do cidadão inglês que, excluindo o Chelsea, o Manchester e a separação de Madonna e Guy Rithchie, não tem falado em outro assunto que na ‘tal da crise’.
Como? Como bem ‘indicou’ Serota, dando um pulinho na Tate. Para começar o passeio, um clássico: Zero Dollar.
A obra, que traz notas de dóllares americanos valendo exatamente o que mostram as cédulas, ou seja, nada, ironicamente, continua mais atual do que nunca. Para terminar, “Como construir catedrais”. Como? Para erguer grandes catedrais, e impérios, como mostra Cildo, na obra interativa: Com muito osso em cima. E muita moeda, e ouro, embaixo.
Em jantar para convidados, na abertura da restropectiva de Cildo Meireles na Tate Gallery, Nicholas Serota discursa em homanagem ao artista brasileiro
Cildo permanece atual, orgânico, irônico e, mais do que nunca, visceral. Capaz de falar com os grandes especialistas da Tate e, ao mesmo tempo, dizer muito aos leitores do Metro e do London Papel, os jornais do metrô, que todos os dias elegem ‘uma notícia boa do dia para fazer uma vida mais sadia.”
Em tempos de crise mundial, notícia boa tem sido raridade. E mais, vende jornal sim!
Público londrino descobre ‘Como construir catedrais’

Enquanto as ações, a chuva fina, e a temperatura despencam em Londres, o Brasil ainda especula como, quando e quanto vai sofrer com a tal da ‘crise mundial’.
Mas, se em terra Brasilis os efeitos são, por ora, sentidos no vai-e-vem da bolsa e da balança cambial, na terra Britania o tamanho do estrago já anda ameaçando o aconchego dos lares ingleses. Não se admire se o índice de brigas e separações por incompatibilidade de gênios (e de carteira de investimentos) aumentar nos próximos anos. Casais, amigos de bar, vizinhos e ‘colegas de banco de ponto de ônibus’ têm tido muito assunto além de falar do tempo na capital londrina. “Será que vai chover hoje? E a bolsa? Viu? Caiu de novo! Pelo menos os Blues venceram ontem”, dizia um moderninho morador do Barbican para o amigo no caminho do trabalho. Enquanto os Blues (mais conhecido como o Chelsea, comandado pelo Big Phil, o ‘nosso’ Felipão Scolari) ganhar, ainda há esperança para uma ‘working class’ que, em vez de realizar ‘O Sonho da Casa Própria’, está mais interessada em não perder sua vaguinha nos ‘Concil Buidings’ (a Cohab inglesa).
Mas, muito além das preocupações dos analistas, investidores e especuladores, há uma classe imensa de ingleses (de fato, inglesas) que anda sofrendo com a tal da ‘globalização das economias, culturas, hábitos e costumes’ do mundo pós-moderno.
Provas? Confira em
The Brazilian W…. confira: http://uk.youtube.com/watch?v=kKRKo113xw…
Mais provas? Abaixo:
Deu no The London Paper! Ao lado das análises, do noticiário esportivo e das fofocas que jamais podem faltar nos grandes tablóides britânicos, faça chuva, sol ou boa economia, uma leitora preocupada perguntava para a ‘ouvidoria geral’ do periódico:
“Cara Dr. Anjlee, outro dia “I went for a Brazilian”. Tudo parecia bem durante e logo depois. Mas no dia seguinte acordei com uma alergia estranha no local. É possível pegar alguma doença com ‘a Brazilian’?
A especialista acalmou a leitora preocupada:
“A priori, a Brazilian, quando feita segundo as regras de higiene, é inofensiva. A alta temperatura do procedimento mata quaisquer bactérias que existam no material utilizado. Pode ficar tranqüila. Faça sempre a Brazilian sem medo.”
Ufa! O mundo despenca, o risco Europa, EUA e afins atingem níveis alarmantes, mas o risco Brasil ainda é nulo. Pelo menos, para a especilista do London Paper.
A propósito, “go for a Brazilian’ é o jeitinho inglês para dizer “Fiz uma Brazilian Wax”. Nada mais que uma inofensiva, e revolucionária (segundo celebridades fãs da técnica, como Gwyneth Paltrow) depilação de não deixar pêlo sobre pêlo. ou quase…
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