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São Paulo tem vocação para se tornar um Vale do Silício?

  • 18 de março de 2012|
  • 19h07|
  • Por Filipe Serrano

* Publicado no ‘Link’ em 19/3/2012.

A capital paulista tem sido sede dos mais recentes movimentos de negócios na internet. Foi aqui que surgiu o Peixe Urbano, que inaugurou o frenesi das compras coletivas no País em 2009. Também foi aqui que os grandes da área (Google, Facebook, Yahoo e Microsoft) instalaram seus escritórios. Embora as filiais concentrem mais equipes de áreas comerciais que de desenvolvimento, a cidade tem sido um centro de negócios digitais cada vez mais importante. Afinal, o setor de tecnologia da informação emprega mais de 140,7 mil pessoas na região metropolitana, 34% do total de vagas com carteira assinada do País.

O crescente interesse em criar novos negócios de tecnologia tem atingido o mundo todo, mas a tradição da cidade como centro financeiro e comercial tem favorecido São Paulo no caso brasileiro. A cidade é o ponto de entrada de investidores estrangeiros em busca de oportunidades no Brasil, além de ter o maior mercado consumidor.

“Hoje há investidores vindo para o Brasil querendo montar modelos de negócios que já existem lá fora e não conseguem achar startups para comprar”, me disse Franco Lazzuri, que coordena a área de tecnologia do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), em uma visita ao local.

A organização funciona em um prédio dentro da área do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), no câmpus da USP, e atua desde 1998. É bastante conhecida no meio do empreendedorismo. Seus corredores abrigam 139 empresas nascentes, que passam entre dois e três anos e meio no conjunto e recebem consultoria para se estruturar e atrair os primeiros clientes e investimentos. Pouco mais de um terço é da área de tecnologia.

As empresas são selecionadas em uma avaliação que ocorre a cada quatro meses. É preciso ter um modelo de negócio e, principalmente, uma proposta inovadora. “Tem que ter inovação”, disse Sergio Risola, diretor-executivo.

Uma das empresas que acabam de sair de lá é o site Ningo, fundado por Paulo Rogério Vieira e Luis Roberto Pereira Leite. Funciona como um buscador de preços que também permite fazer compras, em diferentes lojas online, comprando diferentes produtos ao mesmo tempo. A ideia recebeu um investimento inicial para se expandir.

Em outras regiões do País, incubadoras como o Cietec, universidades, institutos especializados e empresas são responsáveis pelo avanço na área de tecnologia, mas São Paulo nunca conseguiu criar um parque tecnológico como outras cidades. Poucas iniciativas do poder público foram para frente, apesar do longo histórico de negócios na área e da presença centros especializados de pesquisa e de educação.

A mais recente delas, um projeto da prefeitura chamado São Paulo IDeias Novas (Spin), está “suspensa”, de acordo com a administração, à espera de aprovação do orçamento, sem previsão para ocorrer. A ideia era abrigar no Cietec, durante um ano, 100 projetos de alunos das principais faculdades da cidade, especialmente voltados para inovação e tecnologia. A previsão era que a seleção ocorresse neste mês para coincidir com o calendário das universidades.

“Todas as cidades do País não precisam ter todos os tipos de atividade”, disse o professor Marcus Vinícius Peinado Rodrigues, do Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “É importante ter uma política? É. Mas a falta dela não atrapalha o desenvolvimento da cidade (no caso de São Paulo).” Ele, Renê Fernandes, diretor do centro de empreendedorismo da FGV, e outros professores fizeram uma cartilha de políticas públicas para o empreendedorismo lançada na sexta-feira.

Para Fernandes, o caso do Porto Digital, em Recife, é exemplo de uma articulação entre poder público, a universidade e o setor privado que ajudou a desenvolver a área de tecnologia na região.

São Paulo depende menos do governo, mas os empreendedores e investidores daqui têm hoje o dever de manter vivo o ciclo de negócios se a cidade quiser desenvolver e continuar sendo uma economia que se reinventa.

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• Coluna anterior  5/3: Depois do IPO, Facebook vai ter de provar se é inovador

Por dentro da Zynga

  • 11 de outubro de 2011|
  • 22h49|
  • Por Filipe Serrano
Funcionários se aglomeram no vão central dos seis andares do novo prédio da Zynga em São Francisco. FOTO: FILIPE SERRANO/AE

Uma das startups mais quentes do Vale do Silício, a Zynga organizou hoje o primeiro grande evento de lançamento na nova sede inaugurada há poucos meses em uma área industrial de São Francisco.

A empresa aproveitou a presença dos cerca de 50 jornalistas para mostrar o prédio de seis andares onde trabalham cerca de 1.700 dos mais de dois mil funcionários da empresa. Aqui são produzidos os games mais viciantes — e que mais tiram dinheiro dos usuários — do Facebook.

O prédio costumava ser um antigo centro comercial. Tem um vão livre na área central de todos andares. E mesmo com a reforma, toda a tubulação fica à mostra e o tom de cimento predomina. As cores vêm dos desenhos que os funcionários fazem nos painéis espalhados pelo prédio. Em outros quadros, são pendurados logotipos dos jogos da Zynga e os dos games da concorrência.  Um corredor de luzes de LED levam ao lobbby na entrada do prédio, ocupado pelo restaurante da startup e alguns sofás. É ali que a Zynga fez a apresentação aos jornalistas.

Espaço de eventos fica no lobby do prédio.

O passeio pelo escritório foi conduzido por Eric McDougall, um dos líderes da equipe de marketing e que tem um cargo cujo nome é bastante sugestivo: “minister of cool”.

Ele mostrou os salões das equipes de produção de Mafia Wars e do Zynga Poker – dois dos jogos da empresa –, onde não era permitido tirar fotos. Na entrada de cada um, há um pequeno café para as pessoas se servirem e uma central técnica que Eric comparou aos assistentes das lojas da Apple. “São os nossos gênios”, disse. Eles ajudam funcionários que tiverem problemas com seus eletrônicos. No meio dos salões, há dois tipos de salas de reuniões: pequenos espaços fechados com vidros e grandes salas com sofás coloridos e design dos anos 70.

Restaurante central da Zynga entre os pilares que mantêm a cor de cimento.

As baias de trabalho têm formato em W de modo que ninguém senta frente ao outro e cada mesa tem espaço suficiente para pelo menos um desktop, um notebook e pilhas de papéis. Há poucas divisões, tudo para criar um ambiente de colaboração e troca de ideias, segundo McDougall. Apesar disso, ambiente é o silencioso e cada pessoa fica compenetrada em seu computador — na tela de muitos deles, dá para observar os jogos da Zynga. De repente uma pessoa entra e arremessa uma bola de papel em um colega, como se fosse acertar uma cesta de basquete, apesar de haver uma quadra esportiva no subsolo com duas cestas de verdade. Ao lado da quadra há uma academia de ginástica completa com dezenas de aparelhos — no momento em que os jornalistas passaram por lá três pessoas faziam exercícios. Uma das paredes da quadra de basquete é de vidro e divide o complexo esportivo com o salão onde trabalham a equipe de marketing e o “ministro do cool”.

Segundo ele, a ideia do CEO, Mark Pincus, é ter um espaço em que as pessoas circulem e façam exercícios físicos. “Por isso colocamos as melhores comidas e os doces no último andar e a academia no subsolo”.

Eric McDougall, “ministro do cool” .

O bar, chamado de The Well (o poço), também fica no mesmo subsolo. É onde os funcionários podem passar mais um tempo se divertindo e conversando nas longas bancadas de madeira. Nas tardes de sexta-feiras, segundo McDougall, o som de uma corneta lembra que a semana de trabalho está acabando e todos descem para o bar.  Em um canto do mesmo salão, há fliperamas de games antigos, como Tetris, Space Invaders, Overdrive e Dance Dance Revolution. Ninguém estava jogando.

Com exceção a referência aos jogos, é difícil de notar que você está em uma produtora de games.

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