Lições de Jobs
- 20 de dezembro de 2011|
- 22h18|
- Por Filipe Serrano
Em um trecho final da biografia Steve Jobs, o autor Walter Isaacson faz uma longa citação do fundador da Apple. Jobs refletia sobre suas realizações e o seu legado e no meio da citação disse a seguinte frase (traduzida aqui por mim a partir de uma edição em inglês):
“Eu odeio quando as pessoas se chamam de ‘empreendedores’ quando na verdade o que estão tentando fazer é lançar uma startup e então depois vendê-la ou torná-la pública para que possam pegar o dinheiro e continuar em frente. Elas não estão dispostas a fazer o trabalho necessário para construir uma empresa de verdade, o que é o trabalho mais difícil nos negócios. É assim que você realmente dá uma contribuição e acrescenta algo ao legado daqueles que vieram antes. Você constrói uma empresa que continuará tendo um significado por uma ou duas gerações à frente. É o que Walt Disney fez, e Hewlett e Packard, e as pessoas que construíram a Intel. Eles criaram uma empresa para que ela durasse, não apenas para ganhar dinheiro. É o que eu quero que Apple se torne.”
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iCEO
- 6 de outubro de 2011|
- 22h20|
- Por Filipe Serrano
Na Macworld de 1999 o ator Noah Wyle se fez de Steve Jobs antes de o próprio CEO da Apple entrar no palco para mais uma de suas apresentações. Em seguida, Jobs faria o lançamento do iBook, uma linha de notebooks mais baratos da Apple, influenciados pelo design do iMac, lançado um ano antes. Noah Wyle interpretou Jobs no filme Piratas do Vale do Silício (1999), que conta a história da fundação tanto da Apple e quanto da Microsoft.
E quem não viu o filme, #ficadica.
Noah Wyle comentou a morte de Steve:
“Minhas condolências e pensamentos estão com a família dele que certamente vai sentir falta dele como um marido e pai. Interpretá-lo no Piratas do Vale do Silício foi desafiador e um papel que me faz sentir muito realizado com a minha carreira. Tive a honra de conhecê-lo pouco antes de o filme ser exibido e fiquei impactado com a sinceridade e o seu senso de humor auto-depreciativo. Perdemos um visionário cujas inovações vão continuar a impactar a nossa sociedade para sempre.”
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A Apple sem Jobs
- 6 de outubro de 2011|
- 15h56|
- Por Filipe Serrano
Minha contribuição na cobertura da morte de Jobs publicada hoje no caderno ‘Economia & Negócios’:
O desafio da Apple sem seu fundador
‘Tivemos um primeiro ano excepcional. E 2011, como será?’ disse Jobs na apresentação do iPad 2 em março
Steve Jobs morre no período em que a Apple, por um lado, passa pelo seu melhor momento financeiro e, por outro, enfrenta uma crescente concorrência no setor de aparelhos móveis que o próprio fundador da empresa ajudou a criar, como o iPhone e o iPad, alterando o rumo da computação pessoal outra vez.
Nos últimos resultados apresentados, a Apple informou uma receita trimestral de US$ 28,5 bilhões, um aumento de 82% em um ano. O crescimento foi em grande parte gerado pelos produtos de computação móvel.
O iPad, a mais recente categoria de produtos da Apple, gerou US$ 6 bilhões. Os iPods – primeiro grande lançamento da empresa no setor de aparelhos móveis – deram US$ 1,3 bilhão. E só o iPhone, que ganhou um novo modelo na terça-feira, representou, sozinho, quase metade da receita trimestral da empresa: US$ 13,3 bilhões.
Durante a apresentação do quinto modelo do smartphone, na terça-feira, o presidente executivo Tim Cook afirmou que espera dominar ainda mais o mercado de telefonia móvel, do qual os iPhones representam 5% dos aparelhos vendidos.
“Olhamos para todo o mercado de handsets porque acreditamos que, com o tempo, todos os aparelhos vão ser smartphones”, disse Cook. “Esse é um mercado de bilhões. É uma enorme oportunidade.”
Concorrência. Ao todo, a Apple diz já ter vendido 250 milhões de unidades de aparelhos com o sistema iOS, o que inclui iPhones, iPads e iPods Touch. Mas enfrenta a concorrência cada vez maior do Google e seu sistema Android.
Jobs era um entusiasta dos então garotos do Google, Larry Page e Sergey Brin, e se voltou contra o buscador depois do lançamento do Android. No ano passado, Jobs chegou a expressar seu rancor em relação ao Google em um evento na sede da fabricante do iPhone: “A Apple não entrou no mercado de busca deles, então por que eles entraram no mercado de telefones?”
O lançamento, na terça-feira, do novo sistema de reconhecimento de voz do iPhone, chamado de Siri, e os recentes serviços de sincronização online podem ser vistos com uma resposta ao avanço do Google nas vendas de smartphones e de tablets.
O telefone da Apple usa tecnologias de busca semântica para reconhecer, por exemplo, quando uma pessoa precisa fazer uma busca na internet. Basta dizer “procure na Wikipédia por Neil Armstrong”, “o que significa mitose?”, “quantos dólares são 45 euros?”, foram alguns dos exemplos demonstrados pelos executivos da Apple durante o anúncio desta semana, do qual Jobs não vai ver os resultados.
Tecnologias como a que a Apple implementa agora no celular são vistas há anos como o futuro da interatividade tecnológica, mais contextualizada e adaptada à necessidade de cada pessoa no momento em que ela procura uma resposta rápida. E isso pode atrapalhar os negócios do Google se outra empresa passar a dar resultados melhores.
O iCloud, o arquivo digital de todo usuário da Apple, também é uma resposta a um tipo de serviço cada vez mais usado pelos usuários do sistema operacional móvel do Google, o armazenamento de dados e informações online e sincronizado.
Em uma de suas últimas apresentações de um produto, Jobs estava contente e, sobre o iPad 2, disse: “Tivemos um primeiro ano excepcional. E 2011, como será?”
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