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Depois do IPO, Facebook vai ter de provar se é inovador

  • 4 de março de 2012|
  • 19h05|
  • Por Filipe Serrano

* Publicado no ‘Link’ em 5/3/2012.

A abertura de capital do Facebook em processo já é um marco para o futuro da internet e dos negócios que vão prosperar em um mundo influenciado por este novo gigante avaliado entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões.

Há oito anos, enquanto o Facebook surgia, era outra empresa que passava pelo mesmo processo de oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês): o Google. Por isso, é curioso observar o que a trajetória da empresa de Larry Page e Sergey Brin tem a ensinar sobre o caminho que será traçado pelo Facebook.

O surgimento do Google é muito diferente da criação do Facebook de Mark Zuckerberg. Enquanto a rede social era uma brincadeira de faculdade levada a sério, Page e Brin fundaram o Google a partir de um projeto de pesquisa para organizar as informações na internet e torná-las o mais relevante possível.

Em 2004, na época do IPO, o Google já era mais do que um buscador. Havia comprado empresas como a Pyra Labs, que criou o Blogger, e lançava um serviço de e-mail com 1 GB de armazenamento, o Gmail. O AdWords, seu sistema de publicidade que linka anúncios nas buscas, era exemplo de inovação. No mesmo ano, arrematou a Applied Semantics, cuja tecnologia foi incorporada para desenvolver o AdSense, sistema para distribuir links patrocinados pela rede.

“Temos orgulho dos produtos que criamos e esperamos que aqueles que serão criados no futuro tenham um impacto positivo ainda maior no mundo”, escreveu Page em 2004, então com 31 anos, no pedido de abertura de capital em uma carta a investidores intitulada “O Manual do Proprietário do Google”.

Houve efeitos negativos antes e depois do IPO, mas a empresa se expandiu apostando em produtos antes inimagináveis que trouxeram benefícios. Hoje o Google tem serviços de mapas, de tradução, de digitalização de livros, de buscas de diversos tipos de informação, incluindo por imagens e por voz. Ele tem o maior site de vídeos, o YouTube, em poucos anos fez o Android se tornar sistema para celulares mais usado e pretende comprar a Motorola. No fim de 2011, a receita trimestral ultrapassou pela primeira vez os US$ 10 bilhões. No ano, ele gerou US$ 37,9 bilhões – 96% disso vem dos anúncios –, também um recorde.

Por isso, ao olhar o Facebook, fica a dúvida: a rede social será capaz de expandir sua influência da mesma forma? E quais benefícios terá para a sociedade da era digital?

As aspirações, os comentários, as recomendações e bilhões de curtições dos 845 milhões usuários ajudam a rede social a moldar perfis de consumidores com mais precisão do que as simples buscas no Google. Aquilo que o Facebook chama de “contexto social” é responsável pelo alcance mais direcionado dos anúncios em suas páginas. A forma como analisa os dados de usuários é essencial para seu crescimento, atraindo anunciantes e receita, que em 2011 ficou em US$ 3,7 bilhões – 85% de anúncios.

Publicamente Zuckerberg diz ser menos ganancioso. Hoje com 27 anos, ele também assinou uma carta em tom de manifesto em que repete seu lema: “O Facebook não foi criado originalmente para ser uma empresa. Foi construído para realizar uma missão social – tornar o mundo mais aberto e conectado”.

Tal missão é levar o “contexto social” para além do Facebook. Para ele, os usuários se beneficiam quanto mais ações puderem compartilhar, seja ouvir música, assistir a filmes, ler notícias, etc. Para os sites que oferecem esses serviços, faz todo sentido se aliar. Atraem mais audiência ao se espalhar pelas pequenas redes de contatos dos usuários.

Para o Facebook, o benefício vem na forma de dados sobre o que as pessoas ouvem, assistem ou leem, em uma imensa pesquisa de mercado voluntária usada para aprimorar seu sistema de anúncios. O Google também faz isso.

Nos próximos anos, o Facebook terá de provar que pode ser inovador. Se conseguir, ainda veremos Zuckerberg fazer aquisições bilionárias, criar novos serviços para conectar os usuários de formas que nem imaginamos e expandir sua atuação para alcançar os outros bilhões de pessoas conectadas, por computadores ou celulares.

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• Coluna anterior  20/2: Novo consumidor é móvel, social e exige inovação

A Apple sem Jobs

  • 6 de outubro de 2011|
  • 15h56|
  • Por Filipe Serrano

Minha contribuição na cobertura da morte de Jobs publicada hoje no caderno ‘Economia & Negócios’:

O desafio da Apple sem seu fundador

‘Tivemos um primeiro ano excepcional. E 2011, como será?’ disse Jobs na apresentação do iPad 2 em março

Steve Jobs morre no período em que a Apple, por um lado, passa pelo seu melhor momento financeiro e, por outro, enfrenta uma crescente concorrência no setor de aparelhos móveis que o próprio fundador da empresa ajudou a criar, como o iPhone e o iPad, alterando o rumo da computação pessoal outra vez.

Nos últimos resultados apresentados, a Apple informou uma receita trimestral de US$ 28,5 bilhões, um aumento de 82% em um ano. O crescimento foi em grande parte gerado pelos produtos de computação móvel.

O iPad, a mais recente categoria de produtos da Apple, gerou US$ 6 bilhões. Os iPods – primeiro grande lançamento da empresa no setor de aparelhos móveis – deram US$ 1,3 bilhão. E só o iPhone, que ganhou um novo modelo na terça-feira, representou, sozinho, quase metade da receita trimestral da empresa: US$ 13,3 bilhões.

Durante a apresentação do quinto modelo do smartphone, na terça-feira, o presidente executivo Tim Cook afirmou que espera dominar ainda mais o mercado de telefonia móvel, do qual os iPhones representam 5% dos aparelhos vendidos.

“Olhamos para todo o mercado de handsets porque acreditamos que, com o tempo, todos os aparelhos vão ser smartphones”, disse Cook. “Esse é um mercado de bilhões. É uma enorme oportunidade.”

Concorrência. Ao todo, a Apple diz já ter vendido 250 milhões de unidades de aparelhos com o sistema iOS, o que inclui iPhones, iPads e iPods Touch. Mas enfrenta a concorrência cada vez maior do Google e seu sistema Android.

Jobs era um entusiasta dos então garotos do Google, Larry Page e Sergey Brin, e se voltou contra o buscador depois do lançamento do Android. No ano passado, Jobs chegou a expressar seu rancor em relação ao Google em um evento na sede da fabricante do iPhone: “A Apple não entrou no mercado de busca deles, então por que eles entraram no mercado de telefones?”

O lançamento, na terça-feira, do novo sistema de reconhecimento de voz do iPhone, chamado de Siri, e os recentes serviços de sincronização online podem ser vistos com uma resposta ao avanço do Google nas vendas de smartphones e de tablets.

O telefone da Apple usa tecnologias de busca semântica para reconhecer, por exemplo, quando uma pessoa precisa fazer uma busca na internet. Basta dizer “procure na Wikipédia por Neil Armstrong”, “o que significa mitose?”, “quantos dólares são 45 euros?”, foram alguns dos exemplos demonstrados pelos executivos da Apple durante o anúncio desta semana, do qual Jobs não vai ver os resultados.

Tecnologias como a que a Apple implementa agora no celular são vistas há anos como o futuro da interatividade tecnológica, mais contextualizada e adaptada à necessidade de cada pessoa no momento em que ela procura uma resposta rápida. E isso pode atrapalhar os negócios do Google se outra empresa passar a dar resultados melhores.

O iCloud, o arquivo digital de todo usuário da Apple, também é uma resposta a um tipo de serviço cada vez mais usado pelos usuários do sistema operacional móvel do Google, o armazenamento de dados e informações online e sincronizado.

Em uma de suas últimas apresentações de um produto, Jobs estava contente e, sobre o iPad 2, disse: “Tivemos um primeiro ano excepcional. E 2011, como será?”

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Urkontinent, a cerveja do Google

  • 4 de outubro de 2011|
  • 21h18|
  • Por Filipe Serrano

Não tem nada a ver com o Orkut.

(via BlueBus, via Huffington Post)

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