Para empreender online, é preciso sair do filtro pessoal
- 1 de abril de 2012|
- 19h17|
- Por Filipe Serrano
* Publicado no ‘Link’ em 2/4/2012.
Em uma passagem do livro The FIlter Bubble (O Filtro Invisível, ed. Zahar), Eli Pariser discorre sobre a origem de grandes ideias que, de tão inovadoras, abrem caminho para outros tipos de pensamento. A discussão não é nova e já foi até tema do livro de Steven Johnson De Onde Vêm As Boas Ideias, de 2010. Para Pariser, é o contato com experiências de vida diferentes, com outras visões e opiniões, que estimula outras formas observar e interpretar o cotidiano e, assim, faz que a pessoa saia da sua linha de visão tradicional.
O argumento de Pariser é que hoje estamos menos sujeitos a viver essas experiências diferentes. E, na internet, temos menos contato com outras formas de pensamento senão as nossas próprias e as de pessoas próximas, que tendem a ser parecidas conosco. A situação, segundo ele, ocorre por causa de filtros de personalização criados por Google, Facebook, Amazon, Netflix e outros que buscam adivinhar o que o usuário quer, baseado nas suas escolhas anteriores e nas de outros usuários com gostos semelhantes.
O argumento de Pariser, correto ou não, faz refletir como o crescente interesse por novos negócios na internet brasileira e mundial tem ocorrido muito mais por causa de uma profusão e uma intensa troca de novas ideias do que apenas por um simples “boom” de startups.
Um passeio pela lista de novos negócios de internet da Associação Brasileira de Startups, a Abstartup, revela isso. Mais do que um novo empreendimento, cada uma das mais de 219 empresas cadastradas representa uma ideia. Boas ou não, são ideias em busca de destaque e de apoio para que elas se desenvolvam ou continuem em crescimento.
No meio dessas empresas, há por exemplo um site chamado Busca Sela. Ainda em versão de teste, ele serve como um buscador de produtos para montaria. Pode parecer estranho, mas para os interessados no tema, como é o caso de um parente meu, a ferramenta digital facilitaria muito a busca por produtos do tipo, muitas vezes difíceis de encontrar em cidades menores.
Além da associação, aceleradoras que fazem os primeiros investimentos em pequenos negócios de internet também têm o papel de alavancar estas novas ideias. Recentemente, no Rio, a aceleradora 21212 organizou seu primeiro evento para “lançar” as startups que passaram pelo seu programa de investimento inicial. Os vídeos das apresentações estão disponíveis no Vimeo http://vimeo.com/by21212com). E é possível notar como há ideias incríveis, que propõem novos modelos de negócios online, em crescimento no Brasil por causa de iniciativas como essa.
Em muitos casos, as ideias não são novas, mas baseadas em modelos de negócios que já se estabeleceram nos Estados Unidos ou na Europa. De qualquer maneira, o potencial de o Brasil desenvolver novas grandes empresas de internet em um ou dois anos é enorme e maior do que jamais houve.
O que fez surgir este momento então? A ideia de Pariser de que estamos perdendo a capacidade de inovar não é verdadeira ao menos nesta área do empreendedorismo digital, nem no Brasil, nem em países desenvolvidos.
Meu palpite é de que é exatamente a geração que cresceu com a internet, teve oportunidades de conhecer novas experiências exatamente por causa da abertura e do crescimento econômico do País nos últimos anos, que deu origem a este movimento.
Desconheço se há pesquisa que indique isto, mas o que se vê hoje são empreendedores de 35 , 30 anos, ou menos, que vieram principalmente de cursos de administração e de MBAs, com boas ideias e vontade de ter um negócio próprio e diferente. Isso porque perceberam uma oportunidade de negócio exatamente porque conheceram experiências diferentes das que estavam acostumados e, muitas vezes, entraram em contato com elas exatamente por causa de ferramentas digitais presentes na internet. Ainda estamos longe de ter um ambiente de inovação digital estabelecido, mas o caminho está traçado. Basta não se fechar na rede.
Siga o blog também no Twitter e no Google+.
–
• Coluna anterior 19/3: São Paulo tem vocação para se tornar um Vale do Silício?
- A Educação no século 21
- A alma do negócio
- A crise na terra dos reis
- Album de Retratos
- Alvaro Siviero
- Andrei Netto
- Animal Reflexão
- Antero Greco
- Aprendendo no Mundo
- Ariel Palacios
- Arquivo Estado
- BOB
- Bate-pronto
- Blog da Garoa
- Casa
- Ciência Diária
- Cleide Silva
- Cláudia Trevisan
- Coluna do Ming
- Combate Rock
- Conto de Notícia
- Conversa de bicho
- Copa 2014
- Correr por aí
- Cristina Padiglione
- Daniel Gonzales
- Daniel de Barros
- De$complicador
- Dener Giovanini
- Denise Chrispim Marin
- Dentro da rede
- Diego Zanchetta
- Direito e Sociedade
- Edison Veiga
- Edmundo Leite
- Entenda seu IR
- Estadinho
- Estante de Letrinhas
- Fernando Dantas
- Fernando Nakagawa
- Flávia Guerra
- Força de Expressão
- Fredric Litto
- Fábio Gallo
- Gustavo Chacra
- Haisem Abaki
- Herton Escobar
- Homem Objeto
- Jamil Chade
- Jornal do Carro
- José Paulo Kupfer
- José R. Toledo
- João Bosco Rabello
- João Luiz Sampaio
- Julia Duailibi
- Livio Oricchio
- Luiz Américo
- Luiz Carlos Merten
- Luiz Horta
- Luiz Zanin
- Lúcia Guimarães
- MBA de A a Z
- Macaco elétrico
- Marcelo R. Paiva
- Marcius Azevedo
- Moda
- Modo Arcade
- Mural dos Concursos
- Música Sertaneja
- NY Local
- Nhom
- No azul
- O papai, as gêmeas e a mamãe
- Paladar
- Paul Krugman
- Pelo Interior
- Ponto Edu
- Prósperi
- Públicos
- Quiroga
- Radar Cultural
- Radar Global
- Radar Imobiliário
- Radar Político
- Radar Tecnológico
- Radar da Propaganda
- Radar do Emprego
- Reclames do Estadão
- Ricardo Chapola
- Ricardo Guerra
- Ricardo Lombardi
- Roberto Lobo
- Roberto de Lira
- Robson Morelli
- Rodrigo Martins
- Roldão Arruda
- Rolf Kuntz
- Seus Direitos
- Sonia Racy
- Sua oportunidade
- Tatiana Dias
- Trending Pop
- Trânsito
- Tutty Vasques
- Ubiratan Brasil
- Vencer Limites
- Viagem
- Vias Alterlatinas
- William Capita Machado
- Wilson Baldini Jr.


