Em São Paulo, às 19h de uma segunda-feira
- 5 de fevereiro de 2012
- 23h39
- Por Filipe Serrano
* Publicado no ‘Link’ em 6/2/2012.
A maior parte das pessoas não se animaria, numa segunda-feira à noite, a sair do trabalho para ir para outro lugar ficar quatro horas falando, com entusiasmo, sobre trabalho. Só que estas não são pessoas preocupadas em ter um bom emprego. São empreendedores, investidores ou interessados em ideias que estão surgindo na internet brasileira.
A primeira edição do BR New Tech em 2012 recebeu 310 pessoas na semana passada exatamente para isso. Entre diversos outros encontros do tipo, o BR New Tech atrai cada vez mais participantes e é exemplo de como a comunidade de empreendedores de internet e tecnologia tem crescido no País. Ele é organizado todo mês desde dezembro de 2010 pela rede de empreendedores Brazilian Innovators e tem se tornado um dos principais “meet ups” de empreendedores de paulistanos – a maioria dos que estavam lá no dia. O termo se refere ao site MeetUp, usado para organizar encontros do tipo.
Na noite de segunda, não havia assentos para todos e pelo menos 17 pessoas viram as apresentações de pé. “Não tinha nem 30% disso no começo”, me disse um dos participantes – dono de um site de vendas de imóveis diretamente com proprietários. Já passava das sete quando os organizadores deram início ao encontro, afirmando que em 2011 a palavra “networking” (a possibilidade de fazer contatos) foi eleita a principal característica do BR New Tech.
E o networking é incentivado na prática. Todos os participantes têm dois números nos adesivos de identificação. Eles representam os grupos de networking. Depois das palestras, as pessoas devem se encontrar com aquelas que têm o mesmo número. Cada grupo é formado por cerca de 15 pessoas e cada uma tem 30 segundos para se apresentar, falar do seu projeto ou o que faz. O tempo é controlado no cronômetro do smartphone. Quem se interessa pelo trabalho do outro logo estende o braço na roda e passa um cartão de contato – de papel.
No grupo de que participei estava a fundadora de uma empresa de games e aplicativos, o criador de um site de venda de móveis e decoração projetado por designers, entre outros empreendedores. Outros queriam começar um negócio e alguns estavam lá só para conhecer pessoas e buscar uma vaga na área.
A ideia era que houvesse dois grupos de networking, mas quando a primeira rodada termina, muitos já começam a conversar e os contatos são feitos de forma natural pelas próximas duas horas. Na entrada do auditório, bebidas são servidas, e o clima é de bar.
Para a maioria, essa é a parte mais importante. Gustavo Guida, ressaltou isso. Ele é fundador do Bondfaro, comprado pelo rival Buscapé em 2006, e hoje tem um buscador de consultórios médicos. Entrevistado no palco por dois empreendedores que fazem um videocast sobre startups, Guida disse que uma das dificuldades quando criou o Bondfaro era a falta de reuniões assim. “Todos ficavam com medo da concorrência.”
Além dele, o gerente de expansão internacional do Tumblr, Josh Nguyen, falou por 20 minutos sobre a experiência da startup nova-iorquina e o crescimento do site no País. Ele passou a semana no Brasil com uma equipe em busca de um representante brasileiro para o site. O País é hoje a segunda maior audiência do site, atrás só dos EUA.
Durante o encontro, ainda ocorre o “pitch”, momento em que empreendedores sobem no palco para apresentar seus projetos. O termo em inglês tem muitos significados, mas no caso quer dizer algo como “vender a ideia”. Cada um dos três empreendedores da noite – uma plataforma de vídeo (Visib), um site de delivery (iFood), um aplicativo do Facebook para organizar viagens de aventura (Tripku) – tinha dez minutos para falar sobre seu projeto e responder a perguntas do público.
Na plateia ou no palco, há projetos engatilhados, outros em desenvolvimento, alguns prestes a ser lançados, e todos em busca de atenção a cada mês (a próxima edição é no dia 28). Para muitos, é este primeiro contato que vai ser o termômetro de uma ideia que pode virar um grande serviço de internet. Tudo isso em uma noite de segunda.
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• Coluna anterior 23/1: Crowdfunding brasileiro quer acelerar em 2012
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Brasil, o país do Tumblr
- 31 de janeiro de 2012
- 15h43
- Por Filipe Serrano
O Brasil já é o segundo país que mais utiliza Tumblr. O publicador de blogs criado em 2007 por David Karp tem 4 milhões de páginas criadas por usuários brasileiros, um crescimento de 680% em um ano. Ao todo, os visitantes do País acessam 2 bilhões de páginas do serviço por mês. Em junho, a quantidade era de 313 milhões.
Os números foram apresentados na noite de segunda-feira, 30, pelo gerente de expansão internacional do Tumblr, Josh Nguyen, que fez a palestra inicial do BR New Tech. O encontro é um evento mensal de startups, organizado pela rede Brazil Innovators.
Na primeira visita ao País, Nguyen disse que veio com uma equipe ao Brasil para entender esse crescimento. “Queremos ter alguém no Brasil para representar o Tumblr, fazer contatos, conversar com a imprensa”, disse ele ao blog. Perguntado se o site ganhará um versão em português, ele afirmou que sim. “Definitivamente vamos fazer isso.”
Para ele, 2011 foi o ano que os brasileiros adotaram de vez o Tumblr. Os usuários aqui são mais ativos do que a média, e passam 32 minutos no site a cada visita, comparado a 23 minutos da média global.
Clique nas imagens para ampliá-las.
Leia mais:
• A surpresa que veio do Brasil
• O garoto prodígio da vez
• Preguiçoso e social
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Crowdfunding brasileiro quer acelerar em 2012
- 23 de janeiro de 2012
- 7h00
- Por Filipe Serrano
* Publicado no ‘Link’ desta segunda 23/1.
Eles ajudaram a lançar discos, a apoiar trabalhos fotográficos, a filmar documentários e até a financiar uma caravana hacker pelo Brasil. Os sites brasileiros de crowdfunding foram tendência ao longo de 2011 e os criadores dos principais plataformas de financiamento coletivo (como o conceito é conhecido) esperam difundir o tema em 2012 e ampliar a quantidade de projetos financiados.
Em um ano marcado pela mobilização digital, os sites de crowdfunding brasileiros criaram plataformas para conseguir financiamento com doações de pequenas quantias de cada usuário pela internet. Geralmente há uma recompensa aos doadores, e, assim, os sites têm ajudado a captar recursos para projetos de todos os tipos.
Há os serviços que apostam em propostas criativas, como o Catarse.me. O site completou um ano na semana passada. De 278 projetos que buscaram financiamento por meio do site, 146 foram bem sucedidos – isto é, conseguiram recursos suficientes para alcançar a meta (o dinheiro só é liberado se o projeto consegue mobilizar pessoas suficientes para atingir a meta). No total, R$ 1,3 milhão, doado por mais de 15 mil pessoas, foi usado para financiar os projetos divulgados pelo Catarse.
O que o site aprendeu com a experiência? “No começo, era um modelo recheado de dúvidas”, diz Diego Reeberg, um dos fundadores. “Depois de um ano, a gente percebeu que sim, que no Brasil é possível aplicar o modelo. Mas isso é pouco perto da capacidade que temos. Fazendo uma analogia a carro, 2011 foi um ano para dar a ignição, ver se conseguia fazer o carro pegar, e agora é a hora de correr, acelerar”. O Catarse se prepara para mudar o layout no mês que vem e trazer melhorias no código do site, que é aberto a qualquer programador que quiser usá-lo.
Apesar de ter ajudado a financiar 30 projetos em 2011, Bruno Pereira, um dos fundadores do Movere.me, acredita que ainda é preciso quebrar a desconfiança das pessoas que lançam seus próprios projetos na rede. Para ele, o site ainda funciona como “um Sebrae”, ajudando os criadores a fazer todo o planejamento de cada projeto. É por isso, diz ele, que a maioria das iniciativas que teve sucesso era da área cultural. “Por causa de leis de incentivo, é um setor mais acostumado a captar dinheiro”, diz.
Outra barreira a ser superada é a ideia de que a divulgação dos projetos depende apenas dos próprios sites de crowdfunding. No Catarse, a maioria das doações vem de pessoas que fazem parte da própria rede de contatos dos criadores de cada projeto. “Diria que são 70% dos financiamentos”, afirma Reeberg.
O Queremos, um dos pioneiros a usar o conceito de crowdfunding, também deve estrear uma nova versão do site em um mês. O site começou em 2010 organizando uma espécie de “vaquinha” online para trazer bandas ao Brasil. Em 2011, foram mais de 20 shows de bandas como LCD Soundsystem e Vampire Weekend, todos no Rio.
“Estamos com planos de expandir, ir para outras cidades e abrir a outros gêneros”, diz Bruno Natal, um dos fundadores. “A gente pretende estar inserido em mais lugares, trabalhar com mais artistas e até em parceria com eles, usando o Queremos como um selo”, afirma. Por ter um modelo simples de financiamento (o usuário paga e, se o show der certo, pode receber o dinheiro de volta), o Queremos foi um dos que mais fizeram sucesso. Mas nem todos os sites de crowdfunding são voltados para a área cultural.
O engenheiro André Gabriel percebeu que o modelo poderia ser uma boa forma de arrecadar recursos para projetos sociais. Como tinha vontade de trabalhar nesta área, ele criou há três meses o Lets.bt para promover as pequenas doações. Entre alguns dos projetos no ar, há formas de ajudar pessoas que sofreram com as chuvas em Minas Gerais, por exemplo.
“Agora que grandes organizações estão entrando em contato com a Let’s. A velocidade do terceiro setor é mais lenta do que a dos projetos criativos”, disse. André diz que os novos projetos podem atrair outros interessados na plataforma de financiamento coletivo.
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Porto Digital terá escritório em SP até abril
- 19 de janeiro de 2012
- 14h00
- Por Filipe Serrano
O Porto Digital planeja abrir um escritório em São Paulo para servir de base para empresários de Recife (PE) fazerem negócios na capital paulista.
O diretor de inovação Guilherme Calheiros disse nesta quinta-feira que havia uma demanda das empresas sediadas no parque tecnológico de Recife em ter um local de apoio na cidade. Segundo ele, muitas das 200 empresas do Porto Digital têm clientes no Sudeste e a região representou 25% do faturamento de R$ 1 bilhão em 2010. O parque tecnológico foi criado há 10 anos na região do centro histórico de Recife e é gerenciado pela organização social, financiada pelo governo federal e de Pernambuco.
O escritório em São Paulo servirá tanto como espaço de trabalho e de reuniões para os empreendedores de Recife quanto para os empresários de São Paulo buscarem contato com as empresas pernambucanas. ”Esperamos que em abril já comece a funcionar”, disse Calheiros, que trabalha no Porto Digital desde 2006.
Ele e o presidente do Porto Digital, Francisco Saboya, estão em São Paulo nesta semana para olhar os possíveis locais para alugar. “Vimos alguns lugares na Paulista e na Berrini”, disse.
A iniciativa busca sobretudo aproveitar o aumento de investimentos estrangeiros em empresas de tecnologia no Brasil, já que fundos de capital de risco têm se instalado no País.
“Temos grandes multinacionais no Porto Digital, mas precisamos transformar uma empresa local também em uma empresa grande e só se faz isso com capital”, disse. “Há empresas com faturamento de R$ 10 milhões, mas queremos que elas atinjam R$ 100 milhões ou R$ 1 bilhão no futuro.”
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FailCon terá edição brasileira
- 18 de janeiro de 2012
- 16h38
- Por Filipe Serrano

A conferência FailCon terá uma edição brasileira neste ano. O encontro vai ocorrer em Porto Alegre em 3 de abril, de acordo com os organizadores. A programação ainda não foi divulgada.
A edição brasileira é organizada pelas empresas Ionatec e Woompa. De acordo com Rafael Chanin, da Ionatec, a ideia é ter pelo menos sete palestrantes. Três presenças já estão confirmadas: Fábio Seixas (Camiseteria), Fernando Tornaim (Kzuka) e Manoel Pimentel (ICA-TI).
“Também vamos fazer uma atividade com o público, em que eles vão poder compartilhar rapidamente alguma história de fracasso, mostrando o que aprenderam com os erros”, disse Chanin.
A FailCon surgiu em São Francisco, organizada por Cassandra Phillips e Diane Loviglio. A primeira edição ocorreu em 2009. A participação delas no encontro brasileiro não está confirmada. Os participantes se reúnem para discutir projetos que não deram certo e debatem porque certas startups fracassaram (daí o nome do encontro).
O site do evento é http://www.brazil.thefailcon.com/.
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Catarse completa um ano
- 17 de janeiro de 2012
- 17h15
- Por Filipe Serrano
O Catarse completa um ano nesta terça-feira. O site é uma das principais startups brasileiras que apostam no modelo crowdfunding. Para comemorar o primeiro ano, os fundadores divulgaram um infográfico que dá uma ideia da quantidade de projetos financiados por meio do site.
(Clique na imagem para ampliá-la)
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A visão de Peter Thiel
- 9 de janeiro de 2012
- 16h00
- Por Filipe Serrano
O investidor e fundador do PayPal, Peter Thiel, fala sobre a importância de criar empresas com um propósito.
Vi no StartupDigest.
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Lições de Jobs
- 20 de dezembro de 2011
- 22h18
- Por Filipe Serrano
Em um trecho final da biografia Steve Jobs, o autor Walter Isaacson faz uma longa citação do fundador da Apple. Jobs refletia sobre suas realizações e o seu legado e no meio da citação disse a seguinte frase (traduzida aqui por mim a partir de uma edição em inglês):
“Eu odeio quando as pessoas se chamam de ‘empreendedores’ quando na verdade o que estão tentando fazer é lançar uma startup e então depois vendê-la ou torná-la pública para que possam pegar o dinheiro e continuar em frente. Elas não estão dispostas a fazer o trabalho necessário para construir uma empresa de verdade, o que é o trabalho mais difícil nos negócios. É assim que você realmente dá uma contribuição e acrescenta algo ao legado daqueles que vieram antes. Você constrói uma empresa que continuará tendo um significado por uma ou duas gerações à frente. É o que Walt Disney fez, e Hewlett e Packard, e as pessoas que construíram a Intel. Eles criaram uma empresa para que ela durasse, não apenas para ganhar dinheiro. É o que eu quero que Apple se torne.”
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O tamanho das compras coletivas no Brasil
- 13 de dezembro de 2011
- 18h19
- Por Filipe Serrano
Os criadores do agregador de compras coletivas Save Me, comprado pelo grupo Buscapé no ano passado, criaram um canal online para monitorar os sites de ofertas no País em parceria com a consultoria de comércio eletrônico eBit, do mesmo grupo.
O InfoSaveMe traz informações sobre faturamento, cupons vendidos, ticket médio (valor médio gasto em cada compra), a quantidade de ofertas ativas e o “valor economizado” com os descontos oferecidos. Os relatórios são semanais e há informações desde o início de outubro.
Abaixo, o infográfico com os dados de novembro divulgados pelo site:
Clique na imagem para ampliá-la.
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Moeda virtual além dos games
- 24 de novembro de 2011
- 17h13
- Por Filipe Serrano

A Tutudo prepara o lançamento de uma plataforma de pagamentos mais aberta para expandir a atuação da startup fundada nos Estados Unidos pela empreendedora Mayara Campos e pelo investidor Pierre Schurmann.
A ideia é que a plataforma esteja disponível a qualquer site de comércio eletrônico que queira adotar o serviço de pagamentos na venda de seus produtos e que todo o gerenciamento funcione com o modelo de autoatendimento. ”Se você tem um site, um blog e quer vender um e-book, preenche um cadastro e o site gera um widget e você passa a utilizar como forma de pagamento”, disse Schurmann ao blog nesta quinta-feira.
A ideia é ir além dos games sociais, área que a Tutudo atua com maior presença desde o início das operações em junho, oferecendo uma moeda virtual (chamada de tutus) para a compra de itens em jogos sociais de parceiros, como os games para Orkut e Facebook da Vostu.
“Vamos abrir para outros conteúdos digitais, como ingressos, cursos online, música, vídeo, qualquer coisa que não seja e-commerce de produtos físicos”, disse ele, que é um dos filhos da Família Schurmann e também parceiro da Bossa Nova Investimentos. O CEO afirma que a Tutudo fez acordos com parceiros para levar a plataforma a 15 mil “publishers”, disse ele, sem querer dar detalhes. “São blogueiros, empresas de serviços eletrônicos.”
Pierre acredita que o serviço pode se tornar uma alternativa a outros tipos de métodos de pagamentos para fazer compras na internet, como PagSeguro. “Existem pessoas que querem optar por outro serviço”, diz. “Vamos ter um serviço que faz a análise do perfil compradores e essa inteligência vai ser um diferencial importante.”
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