O desafio do Foursquare é valorizar o que tem de melhor
- 14 de abril de 2013
- 19h00
- Por Filipe Serrano
* Publicado no ‘Link’ em 15/4/2013.
Entrei no Foursquare em 2010, logo que o aplicativo de geolocalização ganhou adeptos no Brasil. Ele já havia chamado a atenção dos participantes do festival South by Southwest no ano anterior e era tratado como um forte candidato a se tornar uma das redes sociais mais influentes, com o foco na localização.
Continua a ser uma promessa. Ao longo dos últimos três anos, o Foursquare ainda se mantém como uma rede social de nicho, para as pessoas que gostam de marcar os lugares aonde foram. Na linguagem do app, faz-se um “check-in” em restaurantes, bares, escritórios, estações de metrô – todo tipo de local cadastrado pelos 33 milhões de
usuários.
A quantidade de participantes ainda é pequena para uma rede que pretende fazer que a localização se torne uma nova camada da internet, como o fundador Dennis Crowley costuma repetir. Mas aqueles que utilizam o app são usuários fiéis que pouco ligam para esse objetivo. Gostam da proposta do Foursquare e fizeram mais de 3,5 bilhões de check-ins ao todo. Além deles, mais de 1,3 milhão de comerciantes também utilizam o aplicativo para acompanhar a clientela conectada e as opiniões sobre o serviço oferecido.
Nunca fui um usuário muito ativo. Em três anos, fiz 264 check-ins, recebi 17 badges (medalhas que são desbloqueadas conforme você participa), escrevi nove dicas e tenho 50 amigos.
Apesar de não participar tanto, gosto do aplicativo. Não porque quero divulgar para todos os seguidores onde eu estou naquele momento. No fundo, marcar onde você está – e ganhar pontos por isso – é a parte mais sem graça. Imagino que outros também sintam isso. O mais interessante, na minha opinião, é ler as avaliações de pessoas que já estiveram nos lugares que planejo visitar, pegar dicas de pratos e bebidas, saber sobre a qualidade do atendimento e se o preço vale o que o lugar oferece.
Além disso, ele é bom para procurar referências sobre locais diferentes quando estou sem ideias de onde ir. Com um sistema de busca, é possível encontrar, por exemplo, restaurantes de um tipo de comida específico num raio de poucos quilômetros.
O Foursquare já notava a relevância dessa ferramenta de busca incluída dentro do app e, no último ano, investiu em melhorias no sistema que permite descobrir lugares novos. A versão 6.0 do aplicativo, que acaba de ser lançada para iPhone e Android, dá ainda mais importância às buscas. Com um design novo, o app valorizou a posição do campo de buscas, agora logo na tela inicial. Na parte de baixo, fica o botão para fazer os check-ins tradicionais. Além disso, o novo aplicativo agora sabe indicar melhor lugares diferentes para os usuários, baseado nas avaliações.
A novidade foi lançada na quarta-feira, um dia antes de o Foursquare anunciar que recebeu US$ 41 milhões em uma nova rodada de investimentos. Crowley disse em entrevista publicada pelo All Things Digital que um dos focos é usar a base de dados de check-ins para construir novos produtos comerciais para empresas de publicidade, desenvolvedores e comerciantes.
“Você pode prever onde as pessoas vão estar, o que foi popular duas semanas atrás e o que pode vir a ser popular no futuro”, disse ele. “Nós podemos fazer isso e compartilhar não apenas com nossos usuários, mas também com desenvolvedores. As coisas que construímos estão fornecendo ferramentas de localização para toda a próxima geração de serviços de internet.”
Com isso, ele e sua equipe agora buscam formas para aumentar a receita da empresa, que no ano passado ficou em US$ 2 milhões, segundo a Business Week. A ideia é contratar mais funcionários para a equipe de vendas e investir em seus produtos comerciais.
É possível que o novo investimento revigore o Foursquare e, enfim, consiga fazer que o app ganhe mais valor para os usuários. Focar na descoberta de lugares novos é um bom começo.
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As colunas No Arranque e P2P (de Tatiana de Mello dias) migram para o site do Link a partir da semana que vem, em formato de blog.
• Coluna anterior 1/4/2013: O benefício da internet supera os seus efeitos negativos
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O benefício da internet supera os seus efeitos negativos
- 31 de março de 2013
- 16h02
- Por Filipe Serrano
Passar muito tempo online não emburrece
* Publicado no ‘Link’ em 01/4/2013.
Já faz quase cinco anos que o escritor Nicholas Carr publicou o artigo “Is Google Making Us Stupid?” (O Google está nos deixando burros?, em tradução livre), que foi a base para o seu livro A Geração Superficial, de 2010.
No texto publicado pela revista The Atlantic em 2008, Carr dizia que as longas horas que ele tinha passado na internet estavam modificando sua forma de pensar (e seu cérebro), de modo que ele já não conseguia mais manter a atenção a leituras longas e aprofundadas. Ao começar a ler um texto, Carr relatava que logo se distraía e sua mente era levada a outros temas. Segundo ele, essa distração incontrolável era consequência da internet e do hábito multitarefa que a tecnologia nos impõe. Consequentemente, as longas horas conectado estavam o acostumando a esta forma de pensamento em hipertexto, em que vamos de uma indagação a outra.
“Mesmo quando não estou trabalhando, também sinto a necessidade de ler e escrever e-mails, olhar as manchetes e posts de blogs, ver vídeos e ouvir podcasts, ou apenas de passear de link em link”, escreveu Carr em 2008.
Muitos leitores se identificaram com os relatos, sentindo que a tecnologia também os estava deixando mais distraídos e menos habituados ao pensamento linear, profundo e crítico.
Na época, alguns neurocientistas já haviam identificado pequenas modificações no funcionamento do cérebro de pacientes diagnosticados com “vício em internet”. Outros estudos publicados desde então chegaram a conclusões parecidas. Mas as pesquisas se baseiam em casos extremos, de pessoas que sentem uma ansiedade incontrolável quando não estão conectadas.
Não há comprovação científica de que a mudança provocada pela rede esteja deixando toda a sociedade mais superficial, distraída ou burra. Ninguém deixa de ser inteligente por passar muito tempo online. Talvez aquilo que nos define seja mais o que fazemos com o tempo que passamos online.
Não há dúvidas de que um longo trabalho de pesquisa traga um ganho intelectual. Se fazemos pausas para conversar com alguém no Facebook, mandar mensagens no WhatsApp ou assistir a um vídeo, não nos tornamos menos inteligentes. O problema, segundo os pesquisadores, surge quando deixamos de fazer outras coisas (como ler um livro, estudar ou fazer uma pesquisa) para simplesmente ficarmos procurando por uma distração.
Escrevo estas linhas em uma folha de papel, à caneta (coisa que não fazia desde o colégio), depois de passar dois dias sem acesso à internet durante uma viagem ao exterior.
Não é porque fiquei este tempo desconectado que me sinto menos ou mais distraído. Mas a falta de ter um recurso à mão para poder me localizar em um mapa digital, buscar informações sobre um lugar ou mesmo sobre a previsão do tempo foi para mim a pior sensação. Nem sempre as pessoas que você encontra sabem dar a informação correta e a indicação adequada. E outras mídias, como televisão e jornais, não estão em todo lugar. O benefício de ter internet disponível supera de longe os seus efeitos comportamentais negativos. O Google, muitas vezes apontado como ícone dos malefícios da rede, não nos deixou mais burros nos últimos cinco anos. Pelo contrário, ele facilita o acesso às informações de que precisamos. Desde que exista uma conexão disponível.
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Uma observação: nos dois dias desconectado, o que me salvou foi o aplicativo Trip Advisor, que reúne avaliações de viajantes sobre hotéis, restaurantes e passeios. Diferentemente de outros serviços, o app não exige conexão. Você pode baixar antes o guia das cidades que vai visitar e consultá-los mesmo sem internet. O mapa é precário, mas ajuda em situação de necessidade. Fora isso, todo o resto funciona. Ele é gratuito e em inglês. O app é um exemplo de que as empresas de tecnologia têm de oferecer serviços úteis mesmo quando não há internet. Muitas vezes é quando elas mais precisam de informação.
• Coluna anterior 17/3/2013: Empresas e usuários são os mais ameaçados por ataques
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Empresas e usuários são os mais ameaçados por ataques
- 17 de março de 2013
- 15h00
- Por Filipe Serrano
Países investem na defesa digital
* Publicado no ‘Link’ em 18/3/2013.
Desde o ano passado, o governo dos Estados Unidos tem feito uma campanha para alertar para o crescente problema de ataques online e a ameaça que eles representam não apenas à segurança do país, mas também para o funcionamento de serviços essenciais, como distribuição de energia, água e gás. A Casa Branca se preocupa que, com um ataque online, seria possível interromper o fornecimento deste tipo de serviço e provocar uma situação de caos que poderia levar meses para ser resolvida.
O alerta tem sido repetido por autoridades do país (tanto que o tema foi capa do Link em outubro do ano passado). Semana passada, foi a vez do diretor nacional de inteligência, James Clapper, falar sobre a vulnerabilidade dos sistemas digitais norte-americanos. “Essa capacidade (dos hackers) coloca todos os setores dos EUA em risco – do governo e redes privadas até infraestruturas essenciais”, afirmou, citado pelo Wall Street Journal.
Ainda parece que estamos longe de viver um drama digital tão grave, mas em 2013 já houve uma série de ataques que mostram que as consequências podem ser drásticas também para as empresas de internet e seus usuários.
Em fevereiro, por exemplo, empresas como Apple, Microsoft e Facebook divulgaram ter sido alvo de invasores digitais. Jornais como Washington Post e The New York Times também sofreram com ataques que se assemelham a ciberespionagem. Em outro caso, o Twitter disse que as contas de cerca de 250 mil usuários foram comprometidas numa invasão em que hackers tiveram acesso aos nomes das pessoas, seus endereços de e-mails e versões codificadas de suas senhas.
Mais recentemente, o Evernote também divulgou que hackers conseguiram acessar informações dos usuários (também e-mails e senhas criptografadas), que utilizam o serviço para armazenar online e sincronizar documentos, lembretes, fotografias e notas. O resultado: os 50 milhões de usuários tiveram de reconfigurar suas senhas. O Evernote também planeja adotar um segundo mecanismo de verificação de identidade.
Na semana passada, mais um caso chamou a atenção. O Serviço Secreto dos EUA passou a investigar como as informações pessoais de personalidades como a primeira-dama Michelle Obama, o vice-presidente Joe Biden, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, o ator Ashton Kutcher e os músicos Jay-Z e Beyoncé, entre outros, foram parar em um site aparentemente hospedado na ex-União Soviética.
O número de militares do centro de defesa cibernética dos EUA (US Cyber Command) deve crescer de 900 para 4 mil nos próximos anos. A União Europeia, a China (frequentemente citada como origem dos ataques) e o Brasil têm investido na melhoria de um sistema de defesa digital para evitar um efeito desastroso na infraestrutura nacional. Mas os casos recentes mostram que os usuários comuns têm sido os mais afetados por ataques do tipo. Afinal, são empresas privadas, e não os governos, que controlam a maioria dos serviços online que utilizamos.
Como no caso do Evernote, há um risco cada vez maior de perdermos nossos documentos e arquivos digitais armazenados nestes serviços. Só o Google, por exemplo, é dono de uma série de ferramentas que guardam nossos dados. Mas outras empresas, como Facebook e Apple, também armazenam cada vez mais informações sobre nós, o que leva o risco disseminado e descontrolado de os usuários terem arquivos e dados violados.
Aumentar a segurança sempre foi um desafio para as empresas de internet, mas a responsabilidade delas sobre os dados das pessoas aumenta à medida que cresce a quantidade de usuários. Seria importante também que os países se preocupassem, além de proteger sua infraestrutura de serviços essenciais, em pressionar as empresas de internet para garantir que o o meio digital e os cidadãos também fiquem protegidos.
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• Coluna anterior 4/3/2013: O mundo ainda não é tão conectado quanto parece
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O mundo ainda não é tão conectado quanto parece
- 4 de março de 2013
- 13h19
- Por Filipe Serrano
Celular leva a web para regiões carentes
* Publicado no ‘Link’ em 4/3/2013.
Embora a tecnologia esteja cada vez mais acessível no mundo, ainda assustam alguns números como os que foram divulgados na semana passada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) – e que mostram que ainda estamos longe de viver em uma rede global, conectada, como às vezes sentimos.
Segundo as estimativas da organização, que faz parte da ONU, até o fim de 2013 ainda 60% da população mundial de 7,1 bilhões de pessoas não terá acesso à internet. O cenário é ainda mais discrepante quando se compara a situação entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Enquanto na Europa 75% das pessoas terão acesso à web, na África o número será de 16%. A região Ásia-Pacífico, embora abrigue mais da metade das linhas de celular do planeta (6,8 bilhões), também tem uma população carente de conexão. Apenas 36% dela estará online. As Américas têm um horizonte um pouco melhor: 61 a cada 100 habitantes terão acesso à rede.
A situação é parecida quando se compara a quantidade de residências com internet fixa: 90% das 1,1 bilhão de casas que não estão conectadas ficam em países em desenvolvimento. Na África, são apenas 7% de residências com uma rede fixa; na Europa, 77%.
Além do acesso, a velocidade da banda larga também é um problema. No Brasil, por exemplo, pouco mais de 20% das conexões são de 10 megabits por segundo, enquanto em muitos países da Europa tal velocidade representa mais de 50% das conexões. Em países como China, Coreia do Sul e Japão, o número fica próximo a 90%.
É claro que a adoção tecnológica já foi muito pior. Há dez anos, apenas 10% da população mundial estava na internet, como mostram os dados da UIT, divulgados para coincidir com a realização da maior feira da indústria de telecomunicações, o Mobile World Congress.
A evolução, ainda que gradual, ocorreu ao mesmo tempo em que caíram os preços dos serviços de banda larga e de telefonia móvel. A UIT calcula que entre 2008 e 2012 houve uma redução de 82% no custo da internet fixa no mundo. “À medida que os serviços se tornam mais acessíveis, a banda larga fixa mostra um forte crescimento”, diz o órgão no relatório. “Mas, ainda existe uma grande lacuna entre as taxas de adoção da banda larga, com 6,1% nos países em desenvolvimento (e menos de 1% na África subsaariana), comparado a 27,2% nos países desenvolvidos.”
São principalmente as barreiras econômicas que impedem o aumento ainda maior do acesso à tecnologia. As assinaturas de planos de internet móvel, por exemplo, cresceram muito nos últimos anos. De 2007 para 2012, elas saíram de 268 milhões para 2,1 bilhões. Ainda assim, nos países em desenvolvimento, o que inclui o Brasil, o preço desse tipo de serviço ainda é muito maior do que na Europa ou nos Estados Unidos. Segundo o órgão, o custo dos planos de dados para celular representa entre 1,2% e 2,2% do PIB mensal per capita nos países desenvolvidos, enquanto no restante do mundo o valor da conexão móvel fica entre 11,3% e 24,7%.
“Tivemos um avanço extraordinário nos primeiros 12 anos do novo milênio, mas ainda temos de avançar muito”, disse o secretário-geral da UIT, Hamadoun I. Touré, durante a feira. “Dois terços da população mundial – cerca de 4,5 bilhões de pessoas – ainda estão offline. Isso significa que dois terços das pessoas do mundo estão trancadas para fora da maior e mais valiosa biblioteca.”
Para a UIT, é a internet móvel, e não a fixa, que provoca avanços nas regiões mais carentes do planeta. Em apenas três anos, a população da África com acesso à web móvel subiu de 3% para 11%. Algo parecido é visto também em regiões em desenvolvimento, que já têm uma quantidade maior de planos de dados do que o mundo desenvolvido.
Os desafios ainda são grandes. E há um longo caminho a percorrer para que toda a população tenha fácil acesso à informação e ao conhecimento. Quando chegarmos lá, aí sim saberemos o real impacto da tecnologia digital. Estamos só no começo.
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• Coluna anterior 18/2/2013: O que o discurso de Obama diz sobre o futuro da tecnologia
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O que o discurso de Obama diz sobre o futuro da tecnologia
- 17 de fevereiro de 2013
- 19h00
- Por Filipe Serrano
Presidente destaca novo modelo para a indústria
* Publicado no ‘Link’ em 18/2/2013.
Entre muitos aplausos, cumprimentos e palavras cercadas pela agenda política, econômica e internacional, Barack Obama tocou em alguns temas importantes relacionados à evolução da tecnologia em seu discurso ao Congresso dos Estados Unidos na semana passada.
O discurso anual, chamado de State of The Union, é um tradicional evento político do país realizado sempre no começo do ano, quando o presidente faz uma apresentação ou entrega um relatório sobre o “Estado da União” ao Congresso. É o momento em que ele dá sua visão sobre o que foi alcançado no último ano e o que o poder executivo busca fazer pelos próximos 12 meses.
No ano passado, por exemplo, Obama usou seu discurso para falar da importância de os Estados Unidos facilitarem a entrada de estrangeiros com formação qualificada que queiram desenvolver empresas de tecnologia no país. Seria uma forma de promover a criação de empregos. Entre os convidados especiais da primeira-dama Michelle Obama na ocasião – chamados para assistir ao discurso do presidente – estava o brasileiro Mike Krieger, um dos fundadores do Instagram (que publicou uma imagem sua com Michelle na rede social). Ao longo do ano, o presidente continuou a fazer pressão para que o Congresso faça uma reforma na lei de imigração com o objetivo de criar “vistos para startups”, uma categoria especial de autorização de permanência dedicada aos empreendedores estrangeiros.
No discurso deste ano, na terça-feira passada, Obama voltou a pedir uma reforma da lei de imigração. Mas, desta vez, o presidente preferiu dar ênfase à criação de empregos qualificados dentro dos Estados Unidos também pelas empresas do país.
“Nossa prioridade principal é fazer os Estados Unidos atraírem novos empregos e indústrias”, disse ele, citando números do aumento de vagas e nomeando o caso de fabricantes norte-americanos que voltaram a montar produtos dentro do país em vez de terceirizar a produção para o exterior. “Neste ano, a Apple vai começar a produzir Macs nos Estados Unidos outra vez”, disse Obama. Tim Cook, presidente executivo da Apple que assumiu o cargo de Steve Jobs, era um dos convidados da primeira-dama neste ano.
Para Obama, uma forma de “acelerar essa tendência” de as empresas criarem linhas de montagem nos Estados Unidos e atrair empregos é investir em novas tecnologias que podem melhorar a produção industrial e torná-la mais competitiva. O presidente citou especificamente o caso da impressão 3D, o método de criar modelos, objetos e peças usando máquinas que depositam material (como plástico) em camadas finíssimas até que o produto ganhe forma. Esse tipo de produção, para Obama, “tem o potencial de revolucionar a maneira como nós fazemos praticamente qualquer coisa”, disse. Ele também pediu ao Congresso o apoio para financiar a expansão de institutos dedicados a aprimorar a tecnologia de impressão 3D e “garantir que a próxima revolução na produção industrial seja feita bem aqui, nos Estados Unidos”.
Independentemente se essa revolução vai mesmo acontecer lá e não de uma forma disseminada em diversos países, existe uma mudança sobre aquilo que o presidente diz ser importante em questão de tecnologia.
O foco não está mais concentrado nas empresas fundadas por pequenos empreendedores que criam novos modelos de negócios baseados principalmente no ambiente online, e passa a ser no desenvolvimento de novos modelos tecnológicos para a indústria tradicional. Se antes a indústria era vista como um setor que deixaria de ter importância com o advento da economia digital, agora – ao menos no discurso do presidente –, ela volta ter um papel fundamental para o desenvolvimento de um país, se aproveitando tanto de novas tecnologias tão “revolucionárias” quanto das que abriram caminho para o digital.
Talvez seja mesmo da indústria, e não da internet, que vão surgir as próximas grandes startups de tecnologia do futuro. É algo a se observar, e que valeria de modelo também para o Brasil.
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• Coluna anterior 4/2/2013: A dificuldade das startups para superar barreiras tradicionais
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A dificuldade das startups para superar barreiras tradicionais
- 3 de fevereiro de 2013
- 19h00
- Por Filipe Serrano
*Publicado no ‘Link’ em 4/2/2013
Sites têm de seguir código de ética médico
A área da saúde é um dos muitos setores explorados pelas novas empresas de internet brasileiras. Não é à toa. Essa é uma área dispersa, de profissionais liberais que atendem em clínicas, muitas vezes pequenas, ou hospitais, e que valoriza muito a experiência cara a cara, na relação entre médico e paciente. Mas, usando a tecnologia de buscas e bancos de dados, essa dispersão pode ser organizada para facilitar a escolha de um serviço de saúde, seja um médico, um laboratório de exames ou um plano de saúde.
Todos nós que, em algum momento, temos de procurar um médico, dependemos sempre da indicação de alguma pessoa próxima para escolher um profissional. É algo que nos dá mais confiança, mas as opções acabam ficando restritas à nossa rede de contatos. E é justamente para que as pessoas tenham mais opções de escolha que muitas empresas criaram serviços focados em saúde.
Há vários exemplos de sites que surgiram nos últimos dois anos oferecendo agendamento de consultas e busca por médicos – Saútil, HelpSaúde (do fundador do Bondfaro, Gustavo Guida), ZapSaúde, ConsultaClick, Ache Seu Doutor, AvalDoc, Dr. Busca e YepDoc são alguns que operam no Brasil. A maioria se inspira no modelo – e no sucesso – do site norte-americano ZocDoc, que também ajuda a marcar consultas. É uma fórmula simples: o site procura médicos dispostos a aparecer no serviço, fornece uma ferramenta de agendamento para a clínica, e as pessoas podem buscar o médico de acordo com a especialidade, o plano de saúde e a localização.
Na semana passada, fui conhecer o escritório de uma dessas startups de agendamento, a BoaConsulta, criada por Octavio Domit, Adriando Fontana, Victório Braccialli Neto e a médica ginecologista Daniela Bouissou. Os quatro dividem o espaço instalado em um prédio comercial na Avenida Nove de Julho, em São Paulo. O escritório é pequeno, como o de muitas startups, dividido em três ambientes por “paredes” de vidro onde eles escrevem com pincel atômico ideias e projetos para o site.
O serviço recebeu três rodadas de investimentos desde que foi criado em 2011, que permitiram a expansão. Hoje ele processa cerca de mil consultas por mês. Os médicos e clínicas cadastrados são apenas de São Paulo, mas a ideia é que ele venha a atender um dia outras cidades brasileiras. Assim como os outros sites, eles também querem se tornar tão fortes no Brasil quanto o ZocDoc virou nos Estados Unidos.
Mas, apesar da expansão, na conversa com os quatro fundadores é possível perceber que algumas dificuldades passam por um problema que está muito ligado à regulamentação da profissão de médico. Com frequência, é preciso pensar se as ferramentas não violam as regras e códigos de éticas da profissão. E, nem sempre, algo que seria útil para a pessoa que busca um médico, pode ser adotada. Por exemplo, não é possível comparar preços das consultas pelo site ou listar os resultados de acordo com o valor – uma dúvida que é facilmente tirada com alguns telefonemas para as clínicas –, ou muito menos favorecer um ou outro médico nos resultados de busca.
Outra facilidade seria publicar avaliações de pacientes ou criar uma forma de saber o que seus amigos e conhecidos acharam do atendimento recebido de um ou outro profissional – mais ou menos como é feito em sites em que as pessoas escrevem avaliações de serviços, como hotéis ou restaurantes. Mas isso também esbarra em alguns pontos sensíveis, como a privacidade dos pacientes atendidos, e por enquanto é uma questão que não está resolvida.
Acredito que este não vai ser um problema só das startups de saúde, mas, à medida que mais empresas de internet se especializam em atender serviços de nicho, elas vão esbarrar em regulamentações e códigos profissionais que foram criados sem levar em conta o formato digital. Hoje a internet já é usada para procurar todo tipo de serviço – e os próprios consumidores valorizam a facilidade. E, por mais que existam empreendedores dispostos a criar essas ferramentas, eles também vão ter de superar a resistência de setores tradicionais para atrair clientes e manter o negócio.
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• Coluna anterior 21/1/2013: Busca social é um jeito útil de lidar com os dados dos usuários
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Busca social é um jeito útil de lidar com os dados dos usuários
- 20 de janeiro de 2013
- 14h41
- Por Filipe Serrano
Resultados do Google são menos subjetivos
* Publicado no ‘Link’ em 21/1/2013.
Estamos vivendo um momento marcante para a história da internet e do futuro de como encaramos a rede. E isso vem na forma da busca social que o Facebook apresentou na semana passada, que é chamada de “Graph Search” por Mark Zuckerberg.
Durante os últimos 14 anos, vivemos (e continuamos vivendo) na internet organizada à maneira do Google, em que os links e páginas são dispostos de acordo com uma série de cálculos para que encontremos aquilo que é mais relevante. Um dos principais fatores, que deu origem ao Google, é a maneira como o conteúdo da internet se relaciona entre si. E isso é feito, principalmente, de acordo com a quantidade de referências (links) feitas a uma página específica em outros sites. Quanto mais um site é linkado por outros, melhor ele aparece nos resultado nas buscas. Foi a partir daí que o Google cresceu e mudou de vez a maneira como usamos a web.
Mas nem sempre é fácil encontrar aquilo que procuramos quando as informações estão organizadas dessa maneira, principalmente quando não sabemos exatamente a melhor palavra para descrever o que buscamos. Quando uma conversa direta com alguém não resolve, como encontrar respostas no ambiente digital para uma dúvida como: “qual é aquela banda que meu amigo falou que era um Coldplay realmente bom”? Ou então: “o nome do vinho que, há um ano, meu amigo disse que tomou num restaurante espanhol”?
É difícil para uma empresa de internet criar uma tecnologia capaz de dar respostas a questões quando elas são pessoais. As referências necessárias passam pelas relações entre as pessoas e o que elas trocam, comentam, publicam e curtem.
Com o advento do Facebook, está ficando cada vez mais claro que existe um outro fator – o social – ainda mais importante para determinar a relevância daquilo que procuramos na internet. O que importa cada vez mais são as coisas que gostamos, páginas que curtimos, música que ouvimos, vídeos a que assistimos e tudo o que compartilhamos com as outras pessoas dentro dessa enorme rede paralela que o Facebook se tornou. O Google também tenta ser relevante neste aspecto, mas é o Facebook que tem o maior banco de dados com esse tipo de informação.
Aos poucos, nossos gostos e interesses passaram a ser também indexados, e é a partir disso que o Facebook pode ganhar força. A busca social ainda mal chegou ao público geral e começa a ficar disponível aos poucos para algumas pessoas que usam a rede social em inglês. Mas a ferramenta é um passo importante para a construção de uma internet mais inteligente, que entende melhor aquilo que nós buscamos.
Quando temos um lugar para procurar “bandas que meu amigo gosta” ou “restaurantes espanhóis que meus amigos frequentam”, abrem-se novas formas de se usar a internet e outros caminhos para encontrar as respostas que buscamos.
Talvez fiquemos ainda mais dependentes de uma rede assim, cada vez mais filtrada por gostos pessoais. E existem muitos aspectos negativos dessa indexação pessoal. O The Onion, site que publica notícias de mentira, parodiou o lançamento do Facebook com um texto que dizia na manchete: “Usuários de internet exigem menos interatividade”. No artigo, um personagem fictício reclama: “Toda vez que eu digito um endereço no meu navegador não quero ser levado para uma experiência completamente imersiva, interativa e multiplataforma”, repetindo bordões das empresas de internet. “Tudo o que eu quero é entrar em um site, ver o que está lá pelo tempo que decidir e seguir com a vida.”
As frases, mesmo de brincadeira, refletem a preocupação com o fato de ter interesses catalogados. Alguns usuários sentem que o Facebook fica cada vez mais chato com esse objetivo de levar a camada social para todos os cantos da internet. Mas pelo menos as informações são usadas para criar um serviço do qual os usuários podem se beneficiar, em vez de ficarem restritas a grupos de empresas anunciantes para fazer publicidade direcionada.
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• Coluna anterior 7/1/2013: O domínio do Google atrapalha ou incentiva a inovação?
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O domínio do Google atrapalha ou incentiva a inovação?
- 6 de janeiro de 2013
- 19h30
- Por Filipe Serrano
Busca universal usa os dados de outros sites
* Publicado no ‘Link’ em 7/1/2013.
Uma das maiores disputas comerciais envolvendo o Google e seu domínio do mercado de buscas terminou na quinta-feira com um resultado considerado extremamente favorável à empresa.
A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos investigava alegações de que a empresa adotava práticas que poderiam atrapalhar a competição comercial na internet norte-americana, como favorecer resultados de seus próprios serviços nas buscas.
Nada disso, porém, vai ser investigado detalhadamente pela agência reguladora, que tem atribuições que podem ser comparadas às do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no Brasil. Na decisão publicada no dia 3, a Comissão disse que não havia razões para levar a investigação adiante, alegando que as práticas do Google atingiam apenas concorrentes específicos, e não o mercado de internet como um todo.
A investigação preliminar, de acordo com a Comissão, foi feita principalmente sobre a ferramenta conhecida como “Busca Universal”, que usa todo tipo de busca do Google (textos, imagens, notícias, vídeos, mapas, entre outros) para gerar resultados que dão respostas diretas ao termos que usuários buscaram.
Isso permite que o Google mostre uma caixa com informações objetivas sobre o que a pessoa procura, sem entrar em outra página. Uma busca pelo nome de um restaurante, por exemplo, traz o mapa do local, o telefone, o link para o site e as avaliações das pessoas sobre o lugar. Essa caixa é exibida antes mesmo da lista de links da busca tradicional do Google, os chamados resultados “orgânicos”. Esses resultados mais comuns são gerados pelos algoritmos do Google que rastreiam a rede para organizar as páginas mais relevantes.
A única recomendação da Comissão foi que o Google crie um mecanismo para que as empresas, cujo conteúdo é usado para montar as caixas da busca universal – como sites em que as pessoas escrevem resenhas sobre restaurantes –, optem por não terem suas informações processadas pelo Google. Nos resultados “orgânicos”, o conteúdo das páginas dessas empresas continua a ser indexado da mesma maneira.
A Microsoft, que tenta fazer vingar o seu buscador Bing, era a principal interessada no caso do Google na Comissão e ficou despontada com o desfecho. Ela esperava que as práticas do Google fossem investigadas mais a fundo. “Sabemos que o Google promove constantemente e fortemente seus próprios produtos dos resultados. O Google+ é realmente mais relevante que o Facebook?”, provocou Dave Heiner, vice-presidente da Microsoft, em um longo comunicado publicado online.
O Google, porém, comemorou a decisão citando os benefícios que seus produtos trazem aos usuários. “A conclusão é clara: os serviços do Google são bons para os usuários e bons para a competição”, escreveu o vice-presidente sênior e diretor executivo de assuntos jurídicos do Google, David Drummond.
É difícil saber quem está certo nesta disputa, mas não é possível ignorar que o Google sempre teve uma postura bastante arrogante em relação ao conteúdo disponível online. Em muitos casos durante a sua história, o Google se beneficiou do conteúdo alheio para melhorar seus próprios serviços sem pedir permissão, seguindo sua meta de organizar todas as informações do mundo.
Essa postura tem origem na personalidade dos próprios fundadores da empresa, Sergey Brin e Larry Page. A revista Fortune publica em sua edição de 14 de janeiro, um extenso perfil de Larry age, que desde abril de 2011 é também o presidente executivo (CEO) do Google. Escrito pelo veterano jornalista de tecnologia Miguel Helft, o texto demonstra a vontade de Page de resolver problemas, sem se preocupar com as consequências ou quaisquer barreiras.
Claro que o resultado é muito benéfico para as pessoas. Mas, nesse cenário dominado pelo Google, é possível questionar: existe espaço para novas ideias que podem gerar outras empresas inovadoras que trabalhem os dados tão bem quanto ele? É difícil de acreditar. E não há sinais de que a dependência sobre os serviços do Google vá diminuir.
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• Coluna anterior 10/12/2012: Instagram começa a sentir os efeitos da sua popularidade
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Instagram começa a sentir os efeitos da sua popularidade
- 9 de dezembro de 2012
- 22h27
- Por Filipe Serrano
App já se estabelece como ‘Twitter das fotos’
* Publicado no ‘Link’em 10/12/2012
Faltam poucas semanas para o fim de 2012 e já não há dúvidas de que um dos principais acontecimentos do ano foi a ascensão do Instagram, que surgiu como startup e foi comprado pelo Facebook em abril. Mas o tipo do impacto que o aplicativo terá na internet só será realmente sentido em 2013. Afinal, suas fotos filtradas servem mais para embelezar o cotidiano das pessoas que usam redes sociais ou representam uma nova ferramenta para difundir informações online? Hoje, ele parece viver esse dilema.
Diferentemente do Twitter, o Instagram não foi criado para o tempo real, para que as pessoas dissessem “o que está acontecendo” naquele momento. O que o Twitter tem de objetivo, o Instagram tem de subjetivo. Muitos dos que adotaram o aplicativo querem mesmo é publicar imagens com uma estética única daquilo que acharam curioso e bonito – inclusive, como escape do tal “tempo real” da internet, como o Alexandre Matias já descreveu muito bem na coluna dele aqui ao lado. Não à toa, há muitas imagens de praias, montanhas ou cidades europeias, enfim, lugares ou cenas diferentes em que as pessoas estão ou estiveram.
Por outro lado, o aplicativo também tem servido para um propósito diferente, mais parecido com o do Twitter: divulgar informações, em formato de imagem, daquilo que os usuários presenciaram. O maior exemplo foi durante a tempestade Sandy, em Nova York, quando os usuários das regiões atingidas procuraram o Instagram para mostrar o que estava acontecendo.
Quem acompanha a área de tecnologia certamente se lembrará da fotografia do avião que pousou no Rio Hudson, em Nova York, depois de uma ave ter se chocado com a turbina, em janeiro de 2009. O Twitter ainda não permitia que os usuários publicassem imagens, mas aplicativos de terceiros, como o TwitPic, já eram usados para isso. E foi um usuário do serviço chamado Janis Krums que publicou uma das primeiras fotografias do acidente, mostrando os passageiros evacuando o avião na maior tranquilidade.
Fosse hoje, a imagem seria publicada no Instagram e linkada em outras redes, como o Facebook ou o próprio Twitter. Aos poucos, o aplicativo se torna a principal ferramenta para compartilhar imagens, tanto estéticas quanto informativas. Muitos já tentaram se tornar esse “Twitter das fotografias” que o Instagram está virando. Um deles, chamado Twitgoo, pergunta aos usuários: “O que você está vendo?”.
Muitas empresas de comunicação perceberam isso logo e também adotaram o Instagram para divulgar imagens relacionadas às notícias para dar mais valor ao conteúdo online. Aqui no Link, nós também fazemos isso em nossas coberturas em tempo real e a resposta dos usuários é sempre vibrante.
Embora o Twitter seja focado na sua plataforma em tempo real, o formato principal até hoje segue basicamente o padrão do texto e links (tweets com vídeos e fotos podem ser expandidos para mostrar o conteúdo). Seu app tem opção para publicar imagens, mas é no Instagram que as pessoas pensam – ou começam a pensar – na hora que querem mandar uma foto nas redes sociais.
E eis que na semana passada o Instagram decidiu bloquear a opção de ver imagens dos usuários diretamente no Twitter, numa tentativa de incentivar o acesso às imagens dentro de seu site ou de seu aplicativo.
A briga, que o New York Times chamou de Guerra da Foto, acendeu uma nova disputa da rede com o Facebook, que é dono do aplicativo. Conversando sobre o assunto com o diretor-geral do Twitter no Brasil, Guilherme Ribenboim (leia a entrevista aqui), ele disse que a decisão não beneficia o usuário. “Mas é uma decisão que eu respeito”, disse.
A perda da integração do Twitter pode ser um primeiro passo do Instagram para evitar que se torne essa plataforma em tempo real para fotos, voltando às características originais e ao seu lado mais subjetivo. Se esta for mesmo a sua intenção, o aplicativo corre o risco de perder a relevância que ganhou neste fim de 2012.
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• Coluna anterior 25/11: Como incentivar a tecnologia a partir do zero
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Como incentivar a tecnologia a partir do zero
- 25 de novembro de 2012
- 19h00
- Por Filipe Serrano
Vale do Silício surgiu sem capital do governo
* Publicado no ‘Link’ em 26/11/2012.
Há anos que o governo brasileiro discute maneiras de incentivar a produção de alta tecnologia no País. Um dos passos para isso seria a implantação de uma fábrica de semicondutores – material usado em componentes eletrônicos, que têm de ser importados para a produção de computadores, tablets e todo tipo de aparelho em território nacional.
Uma fábrica de semicondutores criada pelo governo federal, a Ceitec, já opera em Porto Alegre e seu principal projeto é um chip de rastreamento para gado. E, na semana passada, mais uma notícia nesse sentido foi divulgada: o financiamento federal para a Six Semicondutores. A empresa, do grupo de Eike Batista, dividirá a participação com o BNDES, a IBM – que detém as patentes – e com outros investidores menores, em mais uma tentativa de estimular a produção interna de microprocessadores e outros componentes.
Foi a produção de equipamentos assim que deu origem à região do Vale do Silício, quando um grupo de cientistas liderado por William Shockley decidiu fundar lá, em 1956, uma fábrica de transistores chamada Shockley Semiconductor Laboratory. Porém, é curioso rever que pouco da história que se seguiu teve – ou nem sequer precisou – da participação do governo do país, ao contrário do que se tenta fazer por aqui.
Logo depois de criar a empresa, oito colegas de Shockley não estavam satisfeitos com a condução dela e queriam fundar a própria fabricante. Entre eles estavam Gordon Moore e Robert Noyce, fundadores da Intel, e Eugene Kleiner, que mais tarde criaria com o sócio Tom Perkins um dos primeiros fundos de investimento do Vale do Silício, a Kleiner Perkins Caufield & Byers.
O grupo dos “oito traidores”, como ficou conhecido, porém, não tinha dinheiro para criar uma empresa, nem havia quem pudesse financiá-los. Afinal, na época, o mercado de tecnologia nem existia. Eles assinaram uma carta em conjunto explicando o seu problema e a ideia, e enviaram-na para banqueiros e empresas em Nova York. Arthur Rock, então um funcionário numa empresa de investimento, recebeu a carta. Ele sabia que seus chefes não poderiam fazer nada por eles, mas ficou comovido e decidiu ajudá-los.
Rock então colocou o grupo de cientistas em contato com Sherman Fairchild, que tinha uma empresa de tecnologia para a área militar. O empresário decidiu criar uma divisão de semicondutores para acomodar os cientistas, que foi transformada na Fairchild Semiconductor. A empresa funcionou bem pela próxima década, produzindo componentes eletrônicos e fazendo grandes avanços na área. Mas depois passou a sofrer mais concorrência e problemas internos apareceram. Foi quando Gordon Moore e Robert Noyce decidiram sair para fundar a Intel, outra vez com investimento de Arthur Rock.
Um dos que fizeram dinheiro apostando no crescimento da Fairchild e da Intel foi Mike Markula. Aos 32 anos ele já havia se “aposentado” com o lucro que teve com as ações das empresas. Pouco depois, em 1977, o investidor Don Valentine apresentou Markula a dois jovens que queriam produzir computadores pessoais, Steve Jobs e Steve Wozniak. Valentine não queria investir neles, mas achava que Markula deveria conhecê-los. Ele decidiu dar US$ 250 mil a eles e desenvolver o plano de negócios. Em troca, teria um terço da Apple.
Toda essa história é contada em detalhes no documentário Something Ventured (2011), pelos próprios investidores e empreendedores que, ao logo de mais de seis décadas, ajudaram a desenvolver o mercado de tecnologia, com consequências para o mundo todo.
Foi um momento histórico único, em que as relações entre esses investidores ajudaram a criar novas empresas. Não é algo que se pode replicar em outro país, em um período totalmente diferente. Hoje há muitos empreendedores e investidores pensando em novos projetos também no Brasil, da internet comercial à produção de equipamentos industriais. É certo que o País tem potencial e mercado para a área, mas é preciso pensar se é apenas o setor de semicondutores que fará diferença no futuro.
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