Balanço final! Senta, porque tem assunto à beça!
Cá estou eu para fazer um balanço da segunda edição deste fabuloso festival que foi o Telefônica Sonidos – Festival Mundo Latino, que trouxe a Sampa um grupo de brilhantes artistas brasileiros e hispanohablantes de todas as partes para apresentações elegantes, ricas, divertidas e inesquecíveis.
No primeiro dia do festival, no palco Jazz Latino, estiveram Hamilton de Holanda, nosso jovem e fabuloso bandolinista, e Chucho Valdés, um pedaço vivo da história da música cubana, fundador do Irakere, filho de Bebo Valdés, também pianista e ex-diretor do Tropicana Club, uma das mais quentes e badaladas casas noturnas dos anos 40 em Havana.

O piano percussivo e cheio de suingue de Chucho agrada e muito ao público brasileiro que enfrenta a fria noite de quarta-feira balançando com o mestre cubano. Quando Hamilton se une a Chucho é que a coisa pega fogo de vez! A platéia fica eletrizada durante os improvisos e explode quando os dois retornam aos temas. Uma festa!

Na segunda noite, o mesmo palco reúne dois grandes compositores, arranjadores e instrumentistas, mais uma vez, um cubano e um brasileiro: Omar Sosa e Jaques Morelenbaum. “Jaquinho” esteve no estúdio da Rádio Eldorado Brasil 3000 e me contou que foi ele que indicou Omar Sosa como convidado. Os dois já trabalham juntos há alguns anos, resultado disso é o disco “Ceremony” gravado por eles com a Big Band da Rádio do Norte da Alemanha. E a parceria não para por aí, o público presente no show do dia 25 pode conferir em primeira mão, algumas composições do que será o próximo disco lançado em parceria por Sosa e Morelenbaum.
O show foi uma celebração musical que começou com Sosa, um autêntico portador da cultura Yorubá subindo ao palco com as evocações a Elegua, entidade que abre os caminhos para a felicidade. O que veio depois foi pura magia!
A sexta-feira dia 26 prometia ser explosiva, com shows de misturas muito calorosas e aguardadas: no palco Jazz Latino estiveram a grande revelação do ano: a jovem cantora Tulipa Ruiz, na esteira do super sucesso de seu primeiro disco “Efêmera” e o cubano Alex Cuba.
Simpaticíssimo, um garoto com a cara do Robinho, Cuba veio ao estúdio da Eldorado bater comigo um papo divertidíssimo!

No palco Pop Urban, a mescla sonora iria trazer Carlinhos Brown e a “orquesta” cubana de salsa Los Van Van, conduzida pelo maestro Juan Formell – com seus 40 anos de atividade levando a musica de baile cubana a todas as partes, sempre atualizada, misturada e revigorada pela mistura com rock, pop, hip hop, jazz, funk e por aí vai.

Brown, como sabemos é uma verdadeira entidade na MPB, um sacerdote do ritmo que representa a música brasileira pelo mundo afora com extrema criatividade, elegância e carisma.
A próxima atração do palco Pop Urban era a mais que esperada reedição do dueto entre Marisa Monte e a mexicana Julieta Venegas. Com a mítica diva brasileira, não conseguimos falar...
...mas la Venegas me disse que foi uma experiência incrível cantar para o público brasileiro que cantou junto com ela praticamente o tempo todo!
E sabe quem eu encontrei por lá? A Sol Pereyra, cantora, compositora e multiinstrumentista argentina que acompanha Julieta desde a época de seu disco Unplugged.

A Sol, que toca sempre no programa Solo Latino, e veio ano passado lançar seu disco “Bla bla bla” me disse que amou estar no Brasil com Julieta pela segunda vez.
E o que encerraria essa noite foi um show simplesmente fenomenal! Os venezuelanos Los Amigos Invisibles subiram ao palco para o que o vocalista Julio Briceño, o Chulius, chamou de 45 minutos de “las canciones más prendidas para tocar en festivales” de Los Amigos, e 15 minutos com Seu Jorge, que com eles ensaiou uma parte bossa nova e um hino à América Latina da autoria do “muso” carioca.

Chulius me contou que as crianças venezuelanas são praticamente alimentadas com música brasileira!
Esta foto me mostra num momento de concentração e aquecimento com Chulius e Catire – o baixista de Los Amigos!

Outro que consegui garfar para umas palavrinhas foi o meu adorado Emmanuel Horvilleur, que tocaria no dia seguinte com Dante Spinetta, revivendo o inesquecível e doidíssimo duo Illya Kuryaki and the Valderramas. Segundo Dante, eles se reuniram não só para fazer shows, vem disco novo por aí também.

O querido Emma, que disco após disco mostra ser influenciado por música brasileira, me falou, sobre suas incursões com seu filho pelo verão baiano!
E então chegou a sexta-feira, último dia dessa linda celebração de parentesco musical. Ao palco Jazz Latino subiram o espanhol Pitingo e nossa diva mezzo-cubana Marina de La Riva. Os dois vieram ao estúdio da Eldorado Brasil 3000.
Entre outras coisas, o elegante e belo Pitingo, se mostrou emocionado por tocar no Brasil pela primeira vez e exibiu um brilho intenso no olhar, ao contar pra nós como foi ter seu nome na calçada da fama do Flamenco, em Múrcia, na Espanha, ao lado do nome do mestre Enrique Morente, exatamente 10 anos depois de ser derrotado num concurso realizado na mesmíssima calçada.
Marina, que já é de casa na Eldorado, contou que tinha amado ensaiar com Pitingo e que o show seria um arraso. Ela ainda brincou que como filha de cubano, ficou “zangada” por ter sido escalada para cantar com um espanhol, mas amou dividir o palco com um artista tão talentoso e naturalmente musical como Pitingo.
O show deles começou com Pitingo arrepiando a platéia, acompanhado por outra estrela: o maestro Juan Carmona (ex-Ketama) ao violão. As bulerias (um dos diferentes estilos de flamenco) cantadas com alma apaixonada e extremo fôlego deixaram os presentes hipnotizados.
Marina subiu ao palco trazendo sua suavidade e seu glamour e os dois se acompanharam em algumas do repertório mais “souleria” (soul + buleria) do espanhol. Mas o que foi a maior delícia foi que ao terminar a apresentação, Pitingo e Carmona desceram do palco e mandaram uma roda de flamenco, sem microfone nem nada, no gogó e na guitarra flamenca. Pura raça, pura paixão. O público extático agradeceu!
Enquanto isso no palco Pop Urban, o público aguardava ansioso pela entrada dos mexicanos Camila. Durante a apresentação, todos cantavam junto, loucamente!
Ainda viriam os mineiros do Jota Quest, comemorando 15 anos de carreira, tendo como convidados os rapazes do Illya Kuryaki and the Valderramas. Outro show super-aguardado.
E para encerrar a noite e o festival, Victor e Leo, o mega sucesso da música sertaneja contemporânea fizeram outro aguardadíssimo show.

Ao fim e ao cabo dessa experiência transcendental, constato que existe sim interesse, por parte dos brasileiros, pela música feita por nossos “hermanos”; o idioma não deve ser mais encarado como uma barreira e como disse Carlinhos Brown, temos muito a ganhar recebendo e trocando com esses grandes e talentosíssimos artistas, que nos conhecem e nos admiram muito culturalmente e tem muito mais a nos oferecer do que um mero “I Love you, Brazil”.

Meus agradecimentos à Dani Coen, fotógrafa show de bola que me acompanhou na cobertura e fez todas as fotos dos dias dos shows
Estou oficialmente em férias, mas imersa na latinidade! A aventura pelo mundo da música latina continua no www.sololatino.com.br



Comentário by Dani Coen
Querida, show de bola foi estar ao seu lado na correria dos bastidores, boas ferias e até o proximo sonidos !!!! bjsss