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Quase um ano depois da tragédia, dois prefeitos caídos por corrupção(Teresópolis e Friburgo) o TCU vai apurar para onde foram os R$100 milhões destinados à serra fluminense.

A iniciativa partiu da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, aprovando um requerimento do deputado Glauber Braga, do PSB-RJ.

Os milhões que vieram para a serra são apenas uma fração daquilo que foi prometido: R$780 milhões. Isto também é algo que merecia uma fiscalização maior no Brasil.

Existe um abismo entre o que se promete no momento da tragédia e o dinheiro que, efetivamente, é destinado à atenuar as dificuldades das vítimas.

Situação em Campo Grande, Teresópolis, seis meses depois das chuvas.(foto FG)

Segundo os deputados, os R$100 milhões, R$70 ficaram com o governo estadual. Mas não há informações precisas de como o dinheiro foi gasto. Agora, é esperar o resultado da investigação do TCU, por sua vez, sobrecarregado com os trambiques de costume e, agora, com os das obras da Copa do Mundo.

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Caiu o prefeito de Nova Friburgo, Dermeval Barbosa Moreira Neto. O processo é semelhante ao de Teresópolis. Primeiro o prefeito é afastado temporariamente, depois em definitivo.
A acusação é a mesma na duas cidades: desvio de verbas, destinadas a atenuar os efeitos da tragédia do princípio do ano.
No caso de Nova Friburgo, a sociedade mobilizada conseguiu que os vereadores instalassem uma CPI independente do prefeito. Ela, certamente, vai concluir pelo seu afastamento.
A saida de Dermeval acontece no momento em que a cidade preparava uma série de manifestações de alerta, entre 11 e 14 de novembro.

Interior de um quarto, durante as chuvas do princípio do ano.(foto FG)


Tanto em Teresópolis como em Friburgo houve muita mobilização para denunciar os desvios. Isso canalizou a energia social e, de uma certa forma, impediu que ela se concentrasse em outra tarefa : preparar as cidades para as chuvas de verão.
O Ministério Público, por exemplo, teve de entrar em cena, ontem, pedindo a retirada de uma pedra de 2.500 toneladas no Jardim Ouro Preto, em Friburgo. Ela ameaça rolar e até hoje nenhum dos governos, estadual ou municipal, tomou providências.
Assim como caem os ministros no Cerrado, caem os prefeitos na Serra fluminense. A acusação é a mesma.
No caso dos ministros, o dinheiro usado em ONGs fajutas não volta jamais. Na Serra, são irreparáveis as vidas arruinadas e o tempo perdido.
Ficamos apenas com um gosto amargo da vitória , tendo de correr contra o relógio e a falta de verbas, enquanto não chegam as chuvas de verão.

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Dia frio e de chuva intermitente na serra. Quando a garoa estiava, minúsculas gotas d’água acentuavam o verde dos alfaces, rúculas, agriões. Meu objetivo era conhecer melhor o uso do agrotóxico na região, que exporta para o Rio.

Nessa viagem, pensava em deixar a tragédia em segundo plano. Foi o tema de todas as minhas viagens nesse ano. Do horror da destruição  nos primeiros dias à cassação do prefeito de Teresópolis.

As primeiras imagens foram de uma beleza inquietante. A região voltou a plantar com intensidade, mas num contexto muito perigoso.

A beleza das plantações num cenário de perigo.(foto FG)

As 37 pontes destruídas não foram reparadas. A recuperação das encostas não foi realizada. O que será dessas plantações nas chuvas? era a pergunta que fazia ao admirá-las.

Teresópolis é grande consumidora de agrotóxicos. Em muitos pontos da estrada, é possível ver a fumegação, sem as condições de segurança necessárias.

Aplicando o remédio sem maiores proteções no perímetro urbano.(foto FG)

O Sinam, sistema do Ministério da Saúde que monitora doenças notificáveis, registra em torno de 30 caos , em média, na região, de 130 mil habitantes. De um modo geral, em muitas áreas, existe subnotificação.

Muitos  duvidam da influência do agrotóxico no próprio corpo. O produtor José Antônio da Silva, por exemplo, as vezes acha que alguns problemas nos nervos da mão podem ter vindo do uso intenso.

Mas ele sabe também que isso é apenas um palpite. Mesmo perguntando sobre depressão, algo acontece com uso excessivo dos organofosforados, ele argumenta que já a teve, mas diante de razões mais concretas, como por exemplo dívida a pagar.

José Antonio planta alfaces americanas, rúcula e agrião.(foto FG)

Na região, foram encontrados 36 tipos diferentes de organofosforados. José Antonio chama atenção para a capacidade de alguns deles de matar as raízes. Ao serem usados em encostas, acabam ampliando o perigo nas chuvas.

A ajuda do governo para recuperar as lavouras foi menor do que o esperado. Mas, pelo menos, se avançou num ponto combinado com os produtores: a devolução das embalagens vazias.

Ainda assim, alem de aplicarem o remédio sem as condições adequadas, ignorando as dosagens precisas, sua situação é diferente das grandes plantações.

As famílias moram na pequena propriedade e se servem da água dos riachos que correm por elas.

Alfredo e outros esperam ajuda para o replantio.(foto FG)

No tronco da jaboticareira, as plantações ao fundo.(foto FG)

A dificuldade de obter um quadro mais completo está também nas empresas que vendem o agrotóxico. Muitas delas, segundo os produtores, se recusam a dar nota fiscal. Sumilex, Karatê, novos nomes de produtos vão surgindo muitos de origem desconhecida por eles.

Torna-se difícil o cálculo do consumo e sua relação com o hectares plantados. E consequentemente um projeto de redução do emprego da química..

As verduras são muito bonitas e a única coisa que conclui é de que é preciso saber mais. Trabalhei num caso dramático,que aconteceu em Venâncio Aires, uma região produtora de fumo no Rio Grande do Sul.

Ali um número grande de suicídios entre os agricuturos permitiu estabelecer uma relação entre os organafosforados e sua influência no sistema nervoso dos trabalhadores.

Verduras nos caixotes à espera dos atravessadores.(foto FG)

Na serra, não existem esses sintomas graves. Houve um aumento de suicídios mas entre pessoas que perderam  familares na tragédia, ou ficaram sem casa, ou as duas coisas juntas.

Daí a conclusão de que as chuvas de verão ameaçam suas vidas mais do que a química nossa de cada dia.

Os dois problemas deveriam ser trabalhados em conjunto. Mas é esperar muito, no momento. Até hoje,  o governo não terminou as obras de recuperação da própria estrada Rio-Teresópolis, por onde chegam os turistas.

Estufa na localidade de Xotó, Teresópolis

No trecho de mão única, os carros perdem longos minutos e até um vendedor de biscoitos vestido de garçon se estabeleceu na estrada.

As obras na estrada abriram emprego para o garcon de biscoitos.(foto FG)

 

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O furacão Irene se aproxima de Nova York. Na manhã de sábado já se terá uma ideia de seu impacto. Na classifiação de impactos, Irene é número dois podendo ser 3.

Mas avança num corredor que cruza estados. A decisão do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, de esvaziar cinco hospitais e asilos de idosos, foi uma importante medida. Lição do Katrina em New Orleans, onde um asilo afundou com seus ocupantes.

Os detalhes com que as medidas estão tomadas, hora de fechamento de cassino,equipes para restabelecer a luz, revelam um plano ensaiado. As mexidas de grande alcance, como a retirada de 250 mil pessoas de suas casas começaram ontem.

Irena,visto pela Nasa.

No momento em que acompanho a chegada de Irene em Nova Iorque, recebo o convite para a inauguração de um Centro de Ecologia Aplicada, em Teresópolis.

Eles compreenderam que as chuvas estão se aproximando, encostas não foram protegidas, e , portanto, há muita vulnerabilidade, embora não se conte com o volume de água do verão passado.

A iniciativa do trabalho é também da Associação das Vitimas das Enchentes. Junto com o Centro vão organizar um curso de 63 horas sobre como se comportar na emergência.

Pena que o governo seja lento e não mergulhe nessa tarefa com a sociedade de Teresópolis. Mas ainda temos alguns meses pela frente.

 

 

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Teresópolis – Abandonados pelo governo, moradores de Vieira, um distrito de Teresópolis, na divisa com Friburgo, decidiram reconstruir sua área, com os próprios recursos.

Vieira como muitos outros pontos de Teresópolis e Friburgo sofreu grandes estrados com as chuvas. Um  grupo de 12 pessoas, apoiando-se na escola pública Monsenhor Mário Benazzi, criou um regime de mutirão para construir casas para desabrigados.

Uma casa erguida, novos moradores brincam no terreno da outra.(foto FG)

Como conseguir dinheiro? Jantares, doações, tudo foi mobilizado para construir as quatro primeiras casas.

Uma delas já está habitada por um ajudante de caminhão que perdeu toda a familia no desastre. A outra está sendo concluida esta semana e, ao seu lado, mais uma será construida.

Cada casa está custando R$10 mil. Segundo um dos participantes do grupo, o advogado Renato Schuenk, as casas não são entregues com todo o acabamento.

Ela cuida de cinco filhos e um vizinho inválido: é a primeira da fila.(foto FG)

Os novos donos têm o essencial para morar e, com o tempo podem ir incorporando melhorias.

No momento, quem espera uma nova casa é Aparecida de Silva, 45, mãe de cinco filhos e cujo marido foi embora de Vieira.

Aparecida era voluntária na escola, fazia limpeza e ajudava na cozinha. Ao  lado de seu barraco destruido, vive Francisco Correa, 67 anos, inválido e abandonado pela família.

Lavoura recuperada é essencial para as familias da região.(foto FG)

Aparecida cuida dele também, enquanto espera sair dos escombros que adaptou para viver com os filhos.

Como ele vive num barraco que está caindo não teve direito ao aluguel social, R$500 que a Pefeitura paga por mês aos desalojados. Mas também não teve ajuda para o projeto de compra assistida, na qual o governo contribui nas prestações de uma casa.

O prefeito que acaba de cair, Jorge Mário, não chegou a se interessar pelo mutirão. É um sistema que não envolve empresas construtoras. Apenas um pedreiro responsável, Enderson da Rocha, conhecido como Lico, e voluntários que aparecem no fim de semana.

-Aqui, em duas semanas, a gente levanta uma casa.

Advogado Renato Schuenke, um dos articuladores do grupo.(foto FG)

Nessa área de Teresópolis, não é apenas o esforço de reconstrução que impressiona. É também a lavoura que voltou com toda força: os campos estão verdes, irrigados e monitorados pelos produtores. Até barracas de venda de legumes e hortaliças foram dispostas na estrada para Teresópolis.

Vieira fica a 38 quilômetros do centro da cidade. O objetivo é criar o mesmo movimento em outros bairros. Os organizadores não dispensam ajuda pública. Pelo contrário, lutam por manilhas e outros materiais e esperam que a Prefeitura ajude.

A diferença é apenas esta: fazem o que podem, enquanto esperando.

Tendas na beira da estrada, para vender legumes.(foto FG)

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Depois de tomar posse, morreu o novo prefeito de Teresópolis, Roberto Silva,67, conhecido como Robertão.

Robertão morre de enfarte antes de começar a governar.(foto FG))

Ele assumiu o cargo depois que a Câmara de Vereadores afastou por 90 dias o prefeito Jorge Mário, acusado de desviar verbas destinadas à reconstrução da cidade.

Robertão morreu de um infarte às três horas da madrugada e será velado no prédio da Prefeitura. Com a morte dele, que era o vice-prefeito eleito, assume a prefeitura o presidente da Câmara, Arlei.

Mas a luta das cidades serranas contra a corrupção continua e seu exemplo foi reconhecido no Globo, em editorial, como algo promissor para o pais. Foi dificil Robertão assumir. Ele teve que designar secretários e despachar no saguão porque o prefeito afastado não quis entregar a chave do gabinete.

Presidente da Câmara, Arlei, será o novo prefeito(foto FG)

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Olhares decisivos da platéia.(Foto FG)

Com grande plateia, imprensa nacional e 300 manifestantes na porta, a Câmara de Teresópolis afastou o prefeito  Jorge Mário por 90 dias.

Ele é acusado de desviar o dinheiro destinado às vítimas da enchente de janeiro e à reconstrução da cidade.

A votação foi por unanimidade. Depois de muitas manifestações de protesto, a população de Teresópolis estava mais silenciosa, esperando as eleições para tentar retirar os corruptos.

A votação desta noite revela como num período pré-eleitoral, os politicos são regidos pelo instinto de sobrevivência.

 

Com as câmeras apontas, unanimidade contra o prefeito.(foto FG)

A Comissão que fará a sindicância foi sorteada e os três nomes não têm credibilidade entre os eleitores. Mas serao pressionados pelos outros vereadores, pela opinião pública de Teresópolis e pelo vice-prefeito que assume esta semana. Ele se chama Roberto Pinto e é do PR. O prefeito que sai era do PT mas foi expulso.

Existem evidência suficientes para cassar o prefeito afastado. A principal foi a contratação de uma empresa chamada RW, que não tinha experiência em obras e começou como locadora de videos.

 

Além das câmeras, a pressão da platéia.(foto FG)

 

Com a queda, ainda temporária de Jorge Mário, o prefeito que assume vai examinar todos os contratos e a situação dos desabrigados, que se sentem esquecidos pelo poder público.

O pipqueiro apostou na porta, dentro ninguém pipocou.(foto FG)

 

Foi uma vitória da população de Teresópolis mas o afastamento de um prefeito que desvia verba de vítimas de uma tragédio é um forte indício  do grave estado da política brasileira. Foram 382, em números oficiais, os mortos nas chuvas de janeiro.

O vice Roberto Pinto assume Teresópolis.(foto FG)

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Numa sessão convocada para amanhã, a Câmara de Vereadores de Teresópolis deve afastar o prefeito Jorge Mário Sedlacek.

Foi uma longa luta da população que, desde março, faz protestos na rua para denunciar a inércia da prefeitura e os desvios de verbas para obras de reconstrução, após as chuvas do princípio do ano.

 

Jorge Mário, últimos dias de governo.(foto FG)

 

Num determinado momento, a Câmara de Teresópolis criou uma CPI que foi dominada pelos governistas. Os moradores decidiram esperar um novo momento.

Acontece que alguns partidos, como o PMDB, resolveram retirar o apoio a Jorge Mário. Ele era do PT mas perdeu também o apoio de seu partido e foi desligado da seção local, apelando para outras instâncias.

Não só deverá ficar de fora  do PT, definitivamente, como perderá o cargo de prefeito de Teresópolis, se forem confirmadas as previsões para a sessão de hoje.

Se ela acontecer, estarei na plateia, para contar como foi. Desde o dia posterior às chuvas, quando o ouvi declarar,no rádio que já tinha planejado a reconstruçao e que deveria custar mais ou menos R$700 milhões, fiquei desconfiado.

Era apenas instinto. Agora, é certeza.

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De novo subindo a serra fluminense. Sol límpido, céu azul com manchas brancas. Como estará Friburgo depois que os documentos da prefeitura foram levados pela Policia Federal?

Eram documentos relativos aos gastos com obras no valor de R$10 milhões. Em Teresópolis, onde as suspeitas contra o prefeito são muito fortes esta captura de documentos essenciais não foi possível.

Visitei inicialmente a igreja de Santo Antônio e vi que, lá, com ajuda da Fundação Roberto Marinho, as obras estão andando. Santo Antônio e outros santos já não estão cobertos de barros. Há rombos nos vitrais mas isso ficará para o fim.Estrutura de metal sustentam a igreja e as obras foram encomendadas à uma empresa especializada em restauração.

Na porta da Câmara Municipal encontrei manifestantes do Movimento Absurdo(WWW.movimentoabsurdo.blogspot.com). Eles se formaram como movimento através das redes sociais. Eram cinco e traziam megafone, faixas e cartazes.

Manifestante na porta da Câmara Municipal(foto FG)

Num dos cartazes, uma menina de uns oito anos aparece com os dizeres: eu sei o que vocês fizeram no último verão.

Mas o principal da propaganda era impedir uma CPI chapa branca. Exatamente o que aconteceu em Teresópolis e desarmou o movimento.

Preparando a manifestação na porta da Câmara

Os vereadores já aprovaram a CPI mas passaram o dia discutindo outras coisas, tentando vencer pelo cansaço as 50 pessoas que vieram pressioná-los.

A correlação de forças era favorável ao governo, oito vereadores contra quatro da oposição. Dificilmente a oposição  venceria. Mas no principio da noite, soube que a oposição venceu e saiu uma CPI de verdade..

Estruturas metálicas sustentam a Igraja Santo Antônio (Foto: FG)

O nível de consciência político na cidade cresceu.E deve crescer mais ainda com a vitória de hoje. O prefeito Dermeval Barboza acha que está havendo um equivoco e que todas as contas estão em ordem.

Por que não as entregou ao Ministério Público? Ele afirma que trocaram nove ofícios mas que os pedidos eram irrealistas quanto aos prazos.

Mas ele admite que parte da sociedade desconfia de corrupção. Alem disso, há outros problemas sérios no processo de reconstrução.

Revisitei o bairro de Duas Pedras e os prédios de cabeça para o ar. Havia novidades nos escombros: um carro preto que estava sob uma estrutura de cimento que se fragmenta.

Em Duas Pedras os prédios continuam virados (Foto: FG)

O prefeito quer retirar os moradores. Uma delas, Maria Silva, aproximou-se para me dizer que não sairá de jeito nenhum, pois seus pais moraram ali 60 anos. Os escombros continuam no mesmo lugar e as chuvas de verão podem destruir de novo o bairro.

Este carro apareceu nos escombros, em Duas Pedras (Foto: FG)

Em Córrego Dantas onde as máquinas trabalharam o acesso ficou mais fácil. Mas as ruínas estão intocadas. Algumas pontes foram consertadas em emergência e estão para cair de novo, se não forem reconstruídas.

Em Córrego Dantas, algumas casas ainda estão vazias (Foto: FG)

A grande obra que o prefeito promete é a construção de 54 casas populares. Mas o processo de rcuperação de Friburgo está precisando de muito mais.

Dois movimentos novos, Absurdo e Plural me passaram seus dois manifestos e o grupo de 50 pessoas na platéia da Câmara parecia muito consciente do papel de cada vereador. Na verdade, eles fizeram com nome dos cinco que foram contra a criação de uma CPI.

Descia a serra no fim da tarde, um pouco preocupado. Os políticos têm a fórmula para se proteger. Luta-se contra uma CPI e se ela surgir a tarefa é controlá-la.

Vivendo isso na escala da cidade é muito pedagógico. Lido nas nas páginas dedicadas à Brasília fica meio abstrato. Será que vão desanimar com a clássica jogados dos governos?

Numa carta aberta, o movimento Plural traça um quadro mais grave . Acha que a crise da cidade é muito profunda que ainda há bairros sem luz e que uma epidemia dengue é provável no próximo verão.

São apenas seis meses, estamos no inverno, mas o que se discute muito é o que fizeram no verão passado e o que deixaram de fazer para o verão que chegará nos próximos meses.

Isoladamente, os moradores tentam a reconstrução (Foto: FG)

 

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O Rio de Janeiro vive uma situação delicada. No interior, a PF vasculha os documentos da prefeitura de Nova Friburgo e as denúncias de corrupção em Teresópolis ficaram mais diretas com a aparição de uma testemunha.

Só em Nova Friburgo, foram gastos R$10 milhões mas o Ministério Público ainda não encontrou a comprovação dessas despesas.

Em Teresópolis devem ter chegado R$7 milhões e o prefeito contratou empresas especializadas em locação de vídeo para obras de engenharia.

Como se não bastassem essas denúncias, o gabinete do deputado Luiz Paulo Correa da Rocha, fez uma pesquisa e demonstrou que o governo do Estado utilizou R$147 milhões, sem licitação.

Esses gastos então foram muito estranhos: foram autorizados um dia depois da vigência do estado de calamidade pública, que permitia a dispensa. Para não se chocar com a lei, a autorização foi assinada com data anterior.

No mesmo dia, o Estado de São Paulo anuncia que a publicidade  anual do governo do RJ subiu 117%. Agora, o governo vai gastar R$120,7 milhões para retocar sua imagem.

Interessante observar as cifras e sua relação. Para a tragédia na Serra, R$147 milhões, para a publicidade R$120,7 milhões. Quase a mesma coisa. Não há nenhum critério hierárquico nos gastos.

Intervenções no muro da Henrique Dumont, em Ipanema.(foto FG)

Isso acontece no Rio, depois da crise provocada pela queda de um helicóptero no sul da Bahia. Subitamente, a imprensa carioca descobriu as relações entre governo e empresários. A imagem do atual governador piorou em função das descobertas.

Nada que não se resolva com algumas campanhas milionárias. A fórmula de injetar dinheiro na publicidade não é nova.

Tentei denunciar esse processo no passado. Dizem que não é exclusivo do Rio. E que teria sido também uma realidade em Minas.

O problema de se apoiar em instituições como a imprensa, ou mesmo a igreja católica, é o surgimento de uma grave crise. Nesse momento, as instituições não podem ser fieis, pois  sua  sobrevivência histórica está acima de tudo.

Por mais que se injete dinheiro, por mais que se omitam notícias vitais, a situação nunca mais será a mesma.

As pessoas descobriram, com um imenso atraso, é verdade, que não vivem num paraíso tropical, apresentado com imagens do crepúsculo, música e depoimentos de cariocas maravilhados com sua própria existência.

Um dia, a realidade pode não prevalecer, mas, pelo menos, dá as caras. Nossa missão é mostrá-la para que não seja escondida e  que os inocentes do Leblon, como no poema, passem o óleo suave nas costas, mas não esqueçam de tudo.

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  • ZULA VIEIRA: ESTOU DENUNCIANDO QUE NO MARANHÃO TEM MUITAS FLAUDES NO SEGURO DEFERO QUE É COMANDAO PELA FEDERAÇÃO...
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  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

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