Depois que os macaquinhos sumiram da piscina, ele começou a aparecer. Disputa as mesmas árvores só que usa o rabo para se prender a elas.
O gambá é impopular por muitas razões. A primeira delas: é associado ao mau cheiro, por causa do liquido que produz nas axilas. É sua defesa.
A segunda razão é ser sanguinário. O gambá se embriaga com o sangue das vitimas. A crença popular é de que gosta de cachaça e que para capturá-lo basta deixar a bebida ao seu alcance.
A palavra gambá pode ter vindo do tupi-guarani e ser uma alusão à sua bolsa. Os marsupiais têm uma bolsa com mamilos no ventre e os fihotes ficam protegidos ali, até saírem para o mundo.
Um gambá não devia freqüentar clubes esportivos. Pode ser morto por gente que não gosta dele. Mas a espécie é dura na queda. Suporta veneno mais que um boi suportaria e, além disso, sabe fingir de morta para escapar dos inimigos.
Parece que vive só. Mas dizem que no tempo da reprodução, os gambás andam em grupo. As fêmeas liberam o cheiro para atrair o macho.
Mas nosso gambá está fora do jogo. Na metrópole, é apenas um sobrevivente que come de tudo e ficou para apagar a luz. Lúcido como um gambá.
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Não é sociologia, nem pretendo ser científico. Desde o carnaval, constato que as caixas coletoras do bairro estão transbordando.
A lei da física que impede que dois objetos ocupem o mesmo espaço ao mesmo tempo é, suavemente, contornada nesses exemplos que colhi.
Mas como gari visual, observo que novas coisas aparecem no chão e são filhas da informática.
Registro que as coisas deixadas na água, orgânicas ou não, acabam se integrando à paisagem. Não defendo que continuem ali: é apenas uma constatação.
Assim como a cidade precisa ser varrida muitas vezes, só a avenida Rio Branco é limpa 12 vezes por dia, ela precisa ser observada sempre.
Pretendo continuar o trabalho por anos. Quem sabe no final, chegamos à alguma conclusão edificante? No momento, a abundância se expressa de forma discreta, nas caixas transbordando.
Em alguns países mais ricos, móveis e objetos deixados na rua revelam a tendência a renová-los e fazem a alegria de jovens montando seus primeiros apartamentos.
O Rio de Janeiro vive um boom imobiliário ( e um bum dos bueiros), progressivamente os prédios mudam de mão. Reportagem da Veja fluminense apresenta hoje um grupo de corretores que está ganhando mais de R$100 mil mensais, só em comissão.
Entre julho de 2009 e junho de 2010, o preço do metro quadrado subiu 88 por cento na Zona Sul. No ano passado, foram lançadas 19976 unidades. E tudo vende muito rápido.
Tags: explosão imobiliária, Lixo, rio de janeiro
A manhã no Rio foi fria. Não tanto pela temperatura, que andava pelos 20 graus, mas pelo vento que veio do sul, que aumentava a sensação. Entre a temperatura e a sensação vai sempre uma distância. Na Antártida, esta distância é mais forte ainda. Quando o sol se livrou das nuvens, tudo ficou mais claro: era apenas uma fria manhã de sol e as coisas melhoravam a cada minuto.
Vejo as fotos do frio no sul do pais, especialmente em São Paulo. Em certos momentos, os termômetros marcavam três graus.
Como não registrei a entrada do inverno, registro-a agora, nessa onda de frio. O inverno é dos períodos mais agradáveis no Rio. Ontem tivemos chuva e dia cinzento. Mas agora o clima é típico de inverno, com sol e, às vezes, um vento mais frio.
Tags: Inverno, Lagoa, rio de janeiro, São Paulo
Para um logotipo de Olimpíadas, o do Rio já tem sua história. Lançado na virada do ano, aceito pela população, ganhou as páginas internacionais, sob suspeita de plágio. De fato, tem alguma semelhança com a marca da Telluride Foundation, que atua no Colorado, com temas filantrópicos. Há também uma certa semelhança com a marca do carnaval de Salvador, de 2004.
Todos, no entanto, parecem se inspirar numa das mais conhecidas pinturas do Século XX: A Dança, de Henri Matisse. Um dos donos da agência Tátil, que desenhou a marca, Fred Gelli, afirma que, na verdade, a inspiração foi o Pão de Açúcar, revelando algumas imagens do processo de criação. No meu escritório da rua Alice, posso compreender o impacto visual do Pão de Açúcar. No entanto, a força do quadro pode ter influenciado inconscientemente a todos os autores, do Colorado ao Carnaval de Salvador. Isto é uma característica pós-moderna , a mistura de épocas, abordagens. Os intérpretes do quadro de Matisse falam em integração cósmica, em solidariedade humana, em festa. Alguns afirmam que o quadro é uma referência à Sagração da Primavera, de Stravinsky. Observo, porém a forma circular da composição. Isso deve ter encantado os criadores, porque um círculo encanta desde o começo do mundo. Em sânscrito, chama-se mandala. Jung discorre longamente sobre mandalas, no livro O Homem e seus Símbolos. O mandala é tido como a forma que ,na meditação , facilita, integrar-se com o universo. O Comitê Olímpico vasculhou marcas mas só descobriu a da Telluride Foundation, tarde demais, no primeiro dia de janeiro. A marca já estava lançada. O único conselho que posso dar agora, sob o risco de ser processado por plágio pela Johnnie Walker : keep dancing.
Tags: logotipo, olimpiadas, rio de janeiro
Acorda, já é 2011 e você precisa trabalhar. Esta é uma piada do humorista Dom José Cavaca. Mas serve para mim, que começo hoje. Para dizer a verdade, comecei ontem. Bom ano novo. Aqui no Rio, há grande euforia. A cidade é uma das que mais crescem no mundo; o estado, pela primeira vez na história recente, abriu mais postos de trabalho que São Paulo. E houve a conquista do Complexo do Alemão. Isto era para o Rio um pouco como o castelo para o personagem de Kafka: ficou anos esperando entrar numa porta que sempre esteve aberta. No Alemão, ela sempre esteve aberta, desde que se usassem blindados com esteiras.
Outro fator de otimismo:o Rio está embalado no sonho olímpico. Muitas coisas me preocupam, sobretudo transportes e o aeroporto. Mas há uma lacuna séria: a interface nacional. A Olimpíada é um teste para todo o Brasil, no mundo globalizado. E o governo designou o Ministério dos Esportes para o PC do B, que tem a tradição de aparelhar. E o Ministério do Turismo, para Pedro Novais, com 80 anos e nenhuma experiência no setor.
Falta apenas designar a autoridade olímpica e pode sair outra bobagem daí. O prefeito Eduardo Paes está montando uma estrutura paralela para coordenar o processo. Será que a autoridade olímpica vai montar outra? Por que não fazer do próprio prefeito a autoridade olímpica?
Nesta hipótese, seria menos um emprego para aliados. Dilma resistirá? Hoje é dia de posse. Leio que Hugo Chávez estará por aqui. Onde estará no ano que vem? a Venezuela decresceu 3,5 por cento e tem a maior inflação do continente:27 por cento.
Será um ano de muitas reportagens. Onde fica o blog nisso! É um espaço de maior latitude. Nem tudo o que se diz no blog, imprimimos em jornal. Não por ser impróprio. Mas jornal pede sempre mais economia no texto, mais foco, menos observações subjetivas. O blog, nesse caso, vai funcionar como um making of da reportagem.
É um prazer está começando. Estive tão ansioso que fiz pequenas reportagens até da minha janela. E não é que aconteceram coisas? Só um blog pode relatá-las.É um prazer estar de volta ao ofício. Até breve
Tags: autoridade olimpica, Copacabana, reveilon, rio de janeiro
2011