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Como posso fazer o que queres lobo?

Lupus,lupi, declinava-se assim. E a lembrança da fábula de Esopo, recitada na escola, me veio com a nova crise que se desenha. Desta vez é o Ministro do Trabalho Carlos Lupi. Parece com todas as outras cinco.

Vai-se a primeira pomba- recitava o professor de português. Vai-se o sétimo ministro neste primeiro ano de governo. Um deles, Nelson Jobim, saiu por excesso de franqueza.

As coisas se repetem com detalhes idênticos : ONGs, tarefas não realizadas, dinheiro para os cofres partidários; basta trocar o nome dos personagens para contar  toda a história.

Aliás a Policia Federal suspeita que todos os envolvidos andaram fazendo um curso comum sobre como desviar dinheiro, falsificar notas fiscais e  até a idade da ONG.

Lupi é macaco velho. Fez-se na política como um abnegado assessor de Brizola. Nada que possa descrever, substitui a foto de Orlando Brito. Mimetizado naquela atmosfera, o brilhante fotógrafo brasileiro consegue contar, com um simples clique, grandes histórias da corte brasiliense.

Presente, passado e futuro na foto de Orlando Brito (Obritonews)

Com essa personalidade, Lupi deveria procurar, o mais rápido e discretamente, sair de cena. Os dirigentes do PC do B também são macacos velhos. Mas de outra forma. Ainda acreditam na força de guerra fria para vitimar a verdade.

Por que Lupi sairia? Não estaríamos aplicando a ele a lógica do próprio lobo, no dialogo com o cordeiro: o responsável não é você mas seu secretário executivo?.

Vamos voltar à foto. Dilma sequer olha para o beijo na mão. Ela desvia o foco para bem distante, como fez quando Sérgioo Cabral, num inglês bastante acidentado, desfiava elogios à ela no sambódromo: the first woman president of Brazil.

Lupi dificilmente vai à televisão envolver a imagem de seu partido, o PDT e , como os comunistas,  construir uma blindagem através da mitificação do passado. Talvez fique apenas alguns dias e, depois, resolva sair para provar a inocência de sua gestão.

A divulgação pela CGU da existência de 500 contratos sem fiscalização, no Ministério do Trabalho, indica que o governo sabia que Lupi era o próximo.

Vamos assistir, mais uma vez, ao mesmo filme. Menos dramático, mas revelador quando se escolher o novo ministro.

Estamos apenas trocando peças de uma engrenagem imutável? Ou será que, no sétimo ministro demitido , já se pode perguntar se não há algo errado com a maneira de compor um governo?

Quem se lembra das verbas que não foram para as estradas, dos convênios engolidos no turismo, dos dribles à prestação de contas no programa Segundo Tempo?

Lupi  deveria pedir licença e sair, mas a sucessão de atores em cena não alterou ainda a essência do script. É possível retirar as ONGs da sala.Mas é muito ingênuo supor que o problema está apenas nelas, sobretudo as que foram criadas com o único objetivo de levantar grana.

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28.outubro.2011 09:57:16

Mudanças à brasileira

O Ministério dos Esportes foi pacificado da mesma forma que o do Turismo. O sistema de divisão do poder permanece inalterado.

No Turismo, caiu um ministro entrou outro aliado de Sarney. Há diferenças entre os dois? O atual ministro é mais articulado, atuou na educação e tem experiência administrativa.

Houve portanto uma melhora, dentro da rigidez inabalável de manter o ministério sob a influência de Sarney.

Caiu Orlando Silva, entre Aldo Rebelo. Este com mais experiência parlamentar, com posições próprias sobre Raposa Serra do Sol e o Código Florestal.

Os jornalistas enfatizam também de suas campanhas contra o uso de palavras estrangeiras, seu projeto criando o Dia do Saci Pererê, a combinação, em sua estante, de efígies comunistas  com imagens de santos catóicos.

O que querem dizer é o seguinte: a mudança foi para melhor.

A trajetória de Gastão Vieira também autorizava dizer que a mudança no Turismo foi para melhor.

É uma resignação  típica . Acho que está na raiz da longa sobrevivência da ditadura militar.

A palavra de ordem é sempre buscar algo positivo nas ações do governo, para evitar  confrontos prolongados.

Dilma muda os nomes mas não altera os esquemas herdados. No passado colonial, tínhamos a capitanias hereditárias.

Esporte é com o PC do B; Turismo, Minas e Energia pertencem ao Sarney. E assim por diante.

Sarney já estatizou o museu com suas imagens e documentos. É um faraó acabado.

Pelo menos, no último escândalo, discutimos alguma coisa sobre o comunismo. Chegamos ao princípio do Século XX, com múmias mais recentes.

O difícil será mergulhar na agenda atual: economia verde, erradicação da miséria, Copa do Mundo sustentável.

PS: leia o artigo de hoje no Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-o-vento-levou-,791649,0.htm

 

 

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Brasília-  Estou na capital para um seminário. Nada a ver com os escândalos. Mas aqui na corte, só se fala nisso.  O Brasil é hexa na modalidade queda de ministros: Orlando Silva cai e o PC do B , parece, continuará com o Ministério dos Esportes.

Orlando Silva aparelhou o ministério para o PC do B, que o defendeu com unhas e dentes. As ONGs, que pegaram o dinheiro e não comprovam seu uso , também são ligadas ao PC do B.

O ministro foi punido, seu partido não. O PC do B se comportou de uma forma que merecia a mesma punição que o próprio Orlando.

Sempre se dizendo um partido experiente, afirmando ter passado por várias situações difíceis, sua reação às denúncias foi elementar.

Produziu um programa de televisão para incensar o comunismo no Brasil. Não era isto que estava em jogo. Usou, indevidamente ,a imagem das pessoas. E não respondeu às acusações de frente.

Sinceramente, não esperava que  seus dirigentes fossem tão estreitos. Eles se dirigem a uma opinião democrática tentando infantizá-la, como se estivessem num pais sem liberdade de imprensa.

No movimento estudantil, chamávamos os quadros do PC do B de a tigrada. Isto por causa da frase de Mao: o imperialismo é um tigre de papel.

É surpreendente, tantos anos depois, que a tigrada reduza o mundo a uma guerra  de propagandas.

Fala–se que Aldo Rebelo será o no novo ministro. Ele tem mantido posições independentes da esquerda, a partir de sua própria reflexão.

Mas daí a contestar o aparelhamento do estado pelo PC do B vai uma grande distância. O esporte continuaria nas mãos de um partido, alimentando suas finanças e seu crescimento.

Impressionante a mediocridade do governo. Não consegue dar um passo adiante, na liberação da máquina do estado de seus ocupantes espúrios.

Pela mesma lógica, demite alguém do Sarney, mas coloca outra pessoa do Sarney no Turismo.

Não acredito que Orlando Silva seja o culpado sozinho. O governo, com a renúncia do Ministro e a continuação do cargo com o PC do B, tenta nos passar esta ideia.

Assim como o PC do B, o governo desistiu de fazer sentido. Resolve apenas mudar um pouco, para deixar tudo como está. Inauguramos, sob inspiração da tigrada, o grande salto no mesmo lugar.

 

 

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Coisas do jornalismo. Escrevi um artigo sobre o conselho de Lula a Orlando Silva: resistir aos ventos fortes.

Mostrei como era frágil a argumentação do governo e previ que, pelo menos a médio prazo, não daria certo.

Quando terminei o artigo, surgiu a notícia de que Orlando Silva será investigado pelo STF, que atendeu ao pedido do Procurador Roberto Gurgel.

Não sei se Orlando Silva dura até sexta-feira. Se vão enterrar logo sua passagem pelos Esportes ou vão prolongar as cerimônias fúnebres.

No momento em que encerro o texto( na linguagem técnica se chama deadline) sinto a necessidade  de trabalhar uma nova formulação.

Equlilibrio na corda bomba é esporte que exige treinamento.(foto FG)

Bem que hesitei, ao supor que o esquema   teria mais algumas semanas de vida. Quando Orlando Silva declarou que se sentia indestrutível, percebi que a coisa tinha atingido também sua mente. Os deuses enlouquecem aqueles que querem destruir.

No caso de Orlando Silva, talvez não tenha sido preciso intervenção divina. O PC do B  também perdeu o contato com a realidade.

A decisão autoritária de se defender martelando os fatos é escandalosa numa programação normal de tevê.

Talvez fosse cômodo criticá-los por mais alguns dias. Preciso de um tempo para refazer o trabalho porque se Orlando Silva amanhecer no cargo, no princípio de semana, certamente será uma atração turística

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Esboço de um artigo para semana. Lula aconselhou o PC do B a resistir com Orlando Silva. É preciso enfrentar firme a ventania, não se deixar arrastar por ela-teria dito.

O orientais aconselham o contrario. Dobrar-se para que a ventania passe e não nos arraste com sua força.

Os orientais buscam a sabedoria, com essa frase. Lula busca o poder com a sua afirmação. Eu tenho a força, parece dizer como um personagem de histórias infantis.

Há casos, na história, em que figuras históricas enfrentaram a ventania sem se dobrar. Alguns foram vitoriosos. Mas todos tinham algo em comum: uma grande causa .

Qual é a causa do governo ao enfrentar a ventania? É uma causa clandestina: a legimitidade de se usar o aparato do governo para construir a estrutura partidária.

Ela tem validade à boca pequena, entre militantes de partido que, com suas perspectivas revolucionárias, se acham acima do bem ou do mal.

Espelhinhos no Xingu já não trazem a alegria do passado.(foto FG)

Mas é abertamente antirepublicana e não pode ser defendida à luz do dia. Portanto, o governo está no olha do furação sem uma ideia para defender.

Daí ter caído na simplicidade da pergunta: cadê as provas? Ora não é apenas o recebimento do dinheiro na garagem que está em jogo. São quase 50 milhões de contas não prestadas. Onde estão as provas de que foram gastos com honestidade?

O governo e o PC do B estão devendo provas e, para confundir, pedem provas. Sua decisão de resistir é apenas um gesto de força de Lula que se sente invencível por duas razões: a popularidade interna e o reconhecimento internacional.

Ele parece não compreender que são fatores dinâmicos. Uma pessoa bem informada na oposição ao Irã já não o considera um interlocutor, tantos equívocos cometeu em relação ao pais.

As ventanias no país não são idênticas umas às outras. O sudoeste aqui significa chuva. A ventania trazida pela corrupção nos esportes é de fácil compreensão popular, em tempos de Copa do Mundo. É portanto um vento de tempestades.

Os populistas do passado diziam que as denúncias não pegavam porque seus eleitores acreditavam que eram apenas perseguições políticas.

As condições de hoje permitem informar melhor. Espelhos e miçangas sempre serão distribuídos, mas são mínimas as chances de gritarmos Caramuru.

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Com a decisão de Dilma de manter Orlando Silva o cargo, vamos ter mais algum tempo de crise e revelações sobre a extraordinária máquina que o PC do B. Inclusive tempo de diversão.

Esse escândaloestá ficando cheio de w. No princípio da semana, apareceu Wacilon, da Associação dos Funcionários do Tribunal de Contas. É do partido, levou dinheiro e não prestou conta.

Agora, aparece Wadson Ribeiro, chefe de gabinete do ministro Orlando Silva e candidato derrotado pelo PC do B. Suas entidades levaram R$9,4 milhões.

Nesse ritmo, daqui a pouco aparecem Wellingtons ,Washingtons . Leio que Wadson inclusive é candidato a prefeito em Juiz de Fora. Elementar, caro Wadson; não vai dar certo.

Voltando ao início do alfabeto , antes mesmo de Agnelo,destaco o Amendoin, líder comunitário no Rio,candidato derrotado pelo PC do B. Quando o jornalista perguntou pelo dinheiro destinado à sua entidade, respondeu: se você souber me diz, porque também gostaria de saber.

Através do humor, Amendoin se aproxima da nossa situação de perplexidade: para onde foi tanto dinheiro?

O Tribunal de Contas calcula em R$49 milhões a soma dos gastos que precisam ser melhor demonstrados. Muitos dos gastos aprovados, por outro lado, foram usados na estruturação do partido. O relatório do Procurador Geral da República, pedindo abertura de investigação, tem 100 páginas.

Lendo a história, no Globo, de uma fábrica de artigos esportivos, em São Paulo, tenho a sensação de estar na China., sem a produtividade chinesa. Financiada pelo governo, que através do Ministério dos Transportes já injetou R$17,3 milhões, ela produz artigos esportivos.

Não acho coisa do outro mundo injetar dinheiro em empresa de mutuários, quando os governos injetam tanto dinheiro em estruturas industriais clássicas e no sistema financeiro.

Acontece que o presidente da entidade que recebe o dinheiro, José Amorim, é do PC do B. Sua filha, Janaina Amorim, é delegada na convenção estadual do partido.

São muitos os exemplos de uso da máquina estatal para o crescimento partidário. Não é  na coisa nova na história política brasileira..

Nessa caso específico, de um partido centralizado, a ocupação é mais racional, no sentido de obter o máximo do espaço de governo que se detém.

Duvido que tenham surgido grandes fortunas pessoais disso tudo. Grande parte dos recursos garantem a máquina partidária e sua sobrevivência eleitoral.

O que me pareceu mais rico até agora foi o PM João Dias, dono de academias de kung-fu e com tres carros importados, na garagem.

O caso do terreno de que Orlando Silva comprou por R$370 mil me pareceu impossível de processar na cabeça: economizar toda a vida para comprar um terreno de repouso em cima de um oleoduto da Petrobrás…

É muito patriotismo. O PC do B já tem um dirigente  trabalhando na direção da Agência Nacional de Petróleo. Agora, terá outro dirigente repousando sob um oleduto da Petrobrás.

Uma das coisas que acredito na propaganda do PC do B : o partido está crescendo. A questão é como está crescendo e o que isso representa para um já degradado processo político brasileiro.

 

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No programa em que se defende do desvio de verbas destinadas às crianças pobres, o PC do B cometeu uma injustiça com a história cultural brasileira.

Apresenta o poeta Carlos Drummond de Andrade como um intelectual comunista, tentando se agarrar na imagem do poeta para atenuar o grande desgaste que o  partido sofre  no momento.

Não deveriam colocar Drummond nessa enrascada. De fato, a poesia de Drummond viveu momentos de grande sensibilidade social. Em 1945, ele lançou o livro Rosa do Povo, considerado um marco na sua fase política, no sentido mais amplo.

A poesia de Drummond não cabia nos rígidos cânones estéticos do Partido Comunista. Nem sua individualidade poderia ser conformada nos limites do centralismo democrático.

Os fatos desmentem o PC do B. Drummond veio para o Rio de Janeiro para ser chefe de gabinete de Gustavo Capanema que ocupava o Ministério da Educação e Saúde Pública.

Em 45, convidado por Luis Carlos Prestes, deixou o ministério para participar do comitê de redação do jornal comunista Tribuna Popular. Meses depois, Drummond abandonava o jornal por não concordar com sua orientação.

Já em 1949, Drummond e um grupo de intelectuais abandonam a Associação Brasileira a dos Escritores exatamente por discordarem da orientação esquerdista.

Sua posição clara: a entidade não devia ser usada com fins políticos. Isso está em todas as suas biografias.E mesmo em suas entrevistas, como a que concedeu a Geneton Moraes Neto, em Dossiê Drummond.

Esses fatos não fazem de Drummond, autor de Carta de Stalingrado, um poeta anticomunista. Mas não autorizam que seja apresentado como um dos grandes intelectuais comunistas da história do Brasil.

O que o PC do B fez em sua propaganda foi o que chamamos ,vulgarmente, de forçar a barra. O objetivo de se escudar na imagem de Drummond para escapar de acusações de desvio de verba fica claro.

Da mesma forma,  foi um exagero o uso da imagem de intelectuais que tiveram longa passagem pelo comunismo, como Jorge Amado, ou que se mantêm fieis às teses de esquerda, como Oscar Nyemeier.

Os intelectuais comunistas não são acusados nesse processo e sim o PC do B. E além do mais, fica no ar uma impressão falsa de que existe uma continuidade entre eles e o PC do B. Eles nunca pertenceram, especificamente, a esse partido que está enrolado com a prestação de contas de R$49 milhões das ONGs amigas, que controla a UNE  e o Ministério dos Transportes.

Que importância tem o uso da imagem de Drummond numa história em que o realmente grave é o desvio de dinheiro público?

O PC do B apenas prossegue um caminho trilhado por outras forças modernas, como o PT, que está arruinando o conceito de política. Nesse caminho, as evidências não importam; importam apenas as versões.

Pensam assim: inventamos que o Drummond foi um intelectual comunista, um ou outro gato pingado tentará estabelecer a verdade dos fatos, mas seu esforço aparecerá apenas como mais uma versão. Não existe verdade, existem apenas diferentes posições ideológicas.

É um modo de pensar que contribui para uma falsa história da cultura brasileira mas sobretudo para a decadência da política , para o abismo que se cava entre ela e as pessoas não participam diretamente de sua trama.

Sobretudo é um modo de pensar que justifica barbaridades e, para mim, só faz reforçar as suspeições sobre o Programa Segundo Tempo, sobre os quadros dirigentes do PC do B e o próprio partido.

Para chegar ao desvio de merendas escolares, é preciso uma longa trajetória intelectual de desvio da verdade histórica e do assassinato de reputações.

Drummond, na sua existência cotidiana, foi um funcionário público, inclusive no Estado Novo. Essa relação de intelectuais e governo no Brasil já foi estudada pelo sociólogo Sérgio Miceli, autor do livro Intelectuais à brasileira,porque, pelo menos no passado, envolveu grandes nomes de nossa cultura. É um ângulo que aborda a realidade de anos de trabalho.

Como centenas de  intelectuais do Século XX, Drummond aproximou-se do comunismo e se afastou dele com uma rapidez maior que a média, ao constatar, entre outras coisas, que era incompatível com a liberdade artística.

Esses são os fatos biográficos. Se voltarmos atrás, veremos que os próprios intelectuais que saudaram a publicação de Rosa do Povo, como é o caso de Álvaro Lins, não viam na poesia de Drummond um trabalho que agradava aos comunistas. Os poemas, dizia Lins, em 1947, eram voltados a sensibilizar as elites, tinham inspiração popular ” mas um estilo aristocrático”.

É justo tirar a imagem Drummond dessa enrascada com a merenda das crianças.

 

 

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20.outubro.2011 08:44:01

Segundo tempo, fim de jogo

Ardem fogueiras nas ruas de Santiago e Atenas e a policia de Ohio sai à caça de animais selvagens, depois que o dono do zoo abriu as jaulas e se matou.

Chegam à La Paz os índios que marcham contra uma a construção de uma estrada na Amazônia boliviana e Morales amarga uma derrota nas eleições para magistrados. A maioria rejeitou sua proposta.

No Brasil, a grande e importante notícia: o saneamento básico, de 2000 a 2008, cresceu apenas de 52,2% para 55,1%, muito pouco para nossas necessidades. Nesse passo, só universalizamos o serviço em 2060.

A Fundação José Sarney no Maranhão foi estatizada. O povo maranhense vai pagar agora pelo culto da personalidade. Foi condenado à pobreza no século XX se já está sendo pendurado pela eternidade.

Belos olhares maranhenses para um quadro que não muda.(foto FG)

É um povo admirável sobre muitos aspectos, sobretudo sua capacidade de enfrentar os desastres. Minha passagem por Trizidela do Norte, nas cheias, me convenceu de que se voltassem sua energia para mudanças políticas não seriam forçados a cultuar Sarney com seus impostos.

O argumento é de que a história republicana precisa ser preservada. Se a república no conjunto não se interessou pelo culto a Sarney, por que obrigar os maranhenses a isso?

Estive nas praias da Itália,como repórter, quando os refugiados da Albânia chegavam do longo pesadelo que foi o socialismo albanês. Eles viam a televisão italiana, acompanhavam o futebol e já estavam com a cabeça no Ocidente.

Os comunistas não perceberam que algo havia mudado e há muito tempo. Agora, o portal do PC do B afirma que é necessário impor um controle à imprensa por causa das denúncias contra Orlando Silva.

Milhões foram desviados, segundo o TCU, o próprio Procurador diz que a situação é grave e pede inquérito no Supremo. Mas o PC do B afirma que tudo é invenção da imprensa golpista e prega o controle “democrático” dos meios de comunicação.

Felizmente, ainda dá para para rir. A Associação dos Funcionários do TCU pegou $2,5 milhões dos Esportes e não demonstrou os gastos.

O presidente que assinou o convênio, ligado ao PC do B, chama-se  Waucilon Carvalho de Souza. Não hesitou em pegar o dinheiro, vacila ao devolvê-lo .Ah, Waucilon.

Quando os albaneses se lançaram ao Adriático em busca da liberdade, o velho esquema comunista ainda não tinha se dado conta de fracasso.

Com um ex-ministro, Agnelo Queiroz, e um ministro, Orlando Silva debaixo de fortes acusações, com denúncias fundados explodindo em todos os cantos,  os comunistas do Brasil  acreditam que ainda estão no segundo tempo.

Fim de jogo, camaradas.

 

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-Se você souber para onde foi o dinheiro, me diz que eu quero saber.

Esta frase foi dita por Paulo César Martins, coordenador do Instituto Rumo Certo, filiado ao PC do B, respondendo sobre o destino dos R$11,3 milhões do programa Segundo Tempo, que seriam aplicados na Rocinha.

Isso saiu no Globo de hoje, onde há um levantamento dos principais projetos do programa Segundo Tempo.

Por seu lado, a Contas Abertas fez um balanço dos projetos do Segundo Tempo e concluiu que R$25,5 milhões foram destinados a duas entidades que têm dirigentes do PC do B, entre 2006 e 2001.

Na pequena cidade baiana de Conceição do Jacuipe, a Associação Cultural, ligada ao PC do B, recebeu R$9,8 milhões para construir uma fábrica de xadrez,soma equivalente a três vezes o que a Prefeitura da cidade conseguiu captar do Ministério.

Uma boa síntese de tudo está no próprio Tribunal de Contas que pede de volta às entidades conveniadas com o Ministério dos Esportes cerca de R$49 milhões, usados sem comprovação adequada.

Tudo isso mostra a singularidade da cultura política brasileira. O Ministro dos Esportes foi aplaudido por uma claque ao afirmar que não havia provas de que recebeu dinheiro na garagem.

A presidente da República afirma também que o ministro é de sua confiança e , como todos os acusados, merece a presunção da inocência.

O visível aparelhamento do ministério, com a inequívoca distribuição de dinheiro para cabos eleitorais do PC do B, não é considerado um tema importante, ou pelo menos, digno de questionamento.

Tudo o que interessa é o os americanos chamam de revólver fumegante e, na cultura brasileira, batom na cueca.

O paciente acúmulo de dados, a relação entre as inúmeras dotações de verbas do Ministério- tudo isso escapou aos debates de ontem no Congresso.

No fundo, a sensação que tem é de que é legítimo destinar dinheiro em grande quantidade para cabos eleitorais, ou gente que concorre pelo partido para acrescentar uns votinhos à legenda.

A cultura política pressupõe que o Ministério pertença a um partido e deva ser usado para que ele cresça e aumente sua esfera de poder.

O que se condena apenas é receber dinheiro na garagem do Ministério. Ou melhor, receber dinheiro e ser filmado.

Assim mesmo, se for filmado como Jaqueline Roriz, tem condições de escapar. Depende do ângulo, da luz, da composição.

Parecemos o marido que foi descoberto com outra na cama pela própria mulher e, no dia seguinte, com um bouquê de flores, volta para ela e pergunta: você vai acreditar no que viu ou vai acreditar em mim?

 

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Quando estoura um escândalo no Brasil, os acusados, de um modo geral, negam e tentam resistir no seu cargo. Alguns resistem. Sarney e Renan Calheiros são um exemplo da resistência bem sucedida.

Mas há uma diferença na capacidade de resistência e ela é determinada pelo contexto eleitoral. Sarney e Calheiros se elegem de qualquer maneira. Muitos de seus eleitores ignoram as acusações contra eles, outros são simplesmente agradecidos por seus favores.

O encontro dos bigodes.(ilustração Cadu Tavares)

O caso de um escândalo no PC do B é diferente. Em tese, remanescentes do stalinismo são capazes de negar qualquer fato ou de atribuir um duplo sentido às palavras mais transparentes.

Acontece que o PC do B tem uma base de eleitores urbanos. Há estudantes que votam no partido. No Rio, alguns intelectuais têm se revelado fieis eleitores e, em Porto Alegre, a deputado Manuela Dávila é favorita nas eleições de 2012.

Tudo isso significa que o PC do B não pode usar a mesma tática de Sarney e Calheiros. Seria menos eficaz .

Mas, por outro lado, o PC do B tem se mostrado um aliado de confiança. Vota com o governo, esvazia investigações contra aliados e, segundo as denúncias, até dinheiro para a campanha presidencial teria destinado.

O alvo principal das investigações não deveria ser apenas a participação de Orlando Silva, mas o próprio programa Segundo Tempo.

Os principais jornais e revistas já denunciaram algumas vezes o aparelhamento do programa. Pelo menos, Veja e Estado de São Paulo, Correio Brasiliense, já mencionaram as ONGs amigas do PC do B  atuando no Segundo  Tempo.

Colunistas esportivos dos maiores jornais, dizem agora que sempre desconfiaram do que se passava no Ministério dos Esportes.

As denúncias vêm se arrastando e agora ganham nova dimensão. Sou bastante experimentado para não ter muitas ilusões. Em 2008, kits de merendas do Segundo Tempo foram usados pelo PMDB do Rio na conquista de votos. Foram apreendidos dentro do diretório do partido, quando preparava o trabalho de boca de urnas.

O processo morreu no TRE, assim como as notícias sobre o tema desapareceram no segundo dia. Nem todo escândalo no Brasil pega. Teoricamente, é possível roubar merenda de criança pobre ao longo de todo o século.

As chances do escândalo ser levado a sério, dependem ,em primeiro lugar, de uma denúncia no interior da quadrilha que opera o desvio. Mas dependem também da pressão das  outras quadrilhas que se sentem alijadas e querem parte do botim.

A agenda da política brasileira, com todas as suas deformações, se desloca, no momento, para a Copa do Mundo. Quem sabe, através do governo do esporte, grande parte da população acabe entendendo a lógica do governo em geral?

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  • Fernanda: Mesmo sendo um movimento estratégico, sinto orgulho do meu país por recebê-los. Bem vindos! :)
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