Terminou de madrugada a Conferencia de Durban, na África do Sul, prolongando o Protocolo de Kioto. Isto representa uma vitória parcial do Europa, Brasil e África do Sul e outros dos 193 paises que lutavam por uma saída.
Foram convencidos a participar do documento EUA, China e Índia, os mais relutantes. A ideia é a de reduzir as emissões em até 40 por cento, em relação aos níveis de 1990.
Na verdade, o que foi aprovado é um mapa do caminho para 2015.
Pelo que entendi, o instrumento legal mesmo será assinado apenas em 2015, passando a vigorar a partir de 2020. Só a partir de um próximo acordo , estariam todos os países legalmente comprometidos com as reduções de emissão.
Muitos entre as 193 nacões representadas protestaram, pois acham o acordo frágil. Os Estados Unidos, por exemplo, que nunca ratificaram o Protocolo, dependem de uma decisão do Congresso. E a China deve acompanhar seus passos. Juntos produzem 40 por cento das emissões planetárias. A Índia foi a que mais resistiu a reduções legalmente impostas.
Não se pode dizer que Durban foi um fracasso. Mas não se pode dizer também que foi um grande sucesso.
O Brasil se saiu bem nas negociações e conseguiu o objetivo que era, de certa forma,prolongar Kioto e, nesse curso, atrair para as reduções legalmente impostas alguns dos maiores emissores de CO2 do mundo.
No twitter da responsável da ONU, Christiana Figueres, ela escreveu: em honra de Mandela: o que parecia impossível aconteceu.
A imprensa européia nessa manhã de domingo não foi otimista, chamando o texto de Durban de acordo mínimo pois não implica ainda em reduções legalmente obrigatórias para todos. Fez-se o possível, reconhecem todos que sabem como é complexa uma negociação com 193 paises envolvidos.
A interpretação do New York Times considera que o acordo de Durban começou a desmantelar o Protocolo de Kioto no que tinha de mais de mais problemático: a isenção de responsabilidades legais para países como a China, Índia e Brasil.
Mas isso faz parte do mapa do caminho adotado pela Europa e o Brasil. Era preciso manter Kyoto para superá-lo na frente.
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De volta da Amazônia foi possível perceber como o Oriente Médio não só é principal foco de tensão mundial como produz crises em série.
Refiro-me aos três temas em cartaz: eleições no Egito, massacres na Síria, tumultos na embaixada britânica no Irã.
No caso egípcio, as manifestações voltaram ao auge porque os militares ofereceram uma limitada visão de democracia. Não querem submeter seu orçamento ao exame do país.
Eles sabem o que fazem. Segundo a imprensa internacional, os militares são uma grande empresa. Administram US$1,3 bilhões enviados pelos Estados Unidos e têm inúmeras empresas, muitas delas usando soldados como trabalhadores. Produzem milhões de dólares de lucros que não são contabilizados abertamente.
Um especialista nas questões militares egpícias , Robert Springborg, sintetizou assim, na Newsweek, a posição dos militares:” não querem nem mando nem governo, mas também não querem ser mandados ou governados”. Querem apenas continuar enriquecendo.
Na Síria a novidade da semana foi o relatório da Comissão da ONU, que tem à frente, Paulo Sérgio Pinheiro. Dado inédito: 250 de crianças mortas.
Leio relato do jornalista James Harkin que conseguiu entrar incógnito, na cidade de Homs, o alvo maior da repressão de Bashar al- Assad. O clima é de guerra e toque de recolher.
Isolada pela Liga Árabe, condenada pela ONU, a Síria infelizmente ainda vai produzir mortos, antes que o ditador caia.
Finalmente o Irã onde o conflito não está sendo entre oposição e governo mas entre militantes islâmicos e potências ocidentais. A invasão da embaixada britânica foi um caso grave que leva insegurança a todas as representações diplomáticas ocidentais.
Se o Irã não garante nem as embaixadas e está no centro das atenções estrangeiras é sinal de que adotou a provocação. E num momento em que Israel fala em bombardear e uma forte corrente nos Estados Unidos ainda defende um ataque preventivo.
Não dá para ignorar o Oriente Médio nem por um fim de semana. Lá, a crise tende sempre a se agravar.
No caso da Síria, o Brasil tende a se alinhar com os críticos da repressão. Dilma trouxe uma nova nuance nas relações com o Irã. Ainda assim, será difícil uma posição de equilíbrio nessa tragédia em movimento.
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Salvo um imprevisto, o pedido de admissão da Palestina à ONU deve ser o tema da semana. O Brasil decidiu votar a favor do pedido que será apresentado no dia 23. E com esta decisão, expressa também o desejo da maioria dos países latino-americanos.
Existe muita preocupação no governo de Israel. O pais atravessa uma fase de isolamento. Atritos com a Turquia e o Egito foram os mais recentes problemas que a diplomacia israelense enfrentou.
No caso do Egito, a situação é complexa. Os populares querem uma política mais dura com Israel. O governo egípicio resiste porque sabe que a ajuda militar vinda dos EUA está condicionada às boas relações com o vizinho.
Muito possivelmente, o pedido da Palestina vai resultar numa admissão como país observador, mas com possível acesso ao Conselho de Direitos Humanos.
A posição que o Brasil apresenta na ONU expressa o desejo de que o processo de paz avance. Algo de positivo existe em tudo isso, pois os atentados cessaram, momentaneamente, e a demanda palestina conduz o debate para o front diplomático.
Decisões da ONU não costumam impressionar o governo de Israel, sobretudo quando a direita o controla. Mas têm uma grande consequência política.Duas variáveis importantes: a retomada das negociações diretas e uma nova chance para os dois grandes grupos palestinos se entenderem.
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Hoje é sexta e, como em todas as sextas, deve haver protestos na Síria. Infelizmente, também como em todas as sextas, com gente assassinada pelas forças de repressão.
Estados Unidos e Europa decidiram pedir a saída de Bashar al Assad e programam mais sanções contra a Síria.
Um relatório da ONU indica que Assad está cometendo crimes contra a humanidade.
O Brasil continua achando necessário negociar com o governo sírio. E é contra sanções porque elas atingem também o povo do pais e não apenas os dirigentes.
Na Índia, teremos também uma sexta-feira importante pois Anna Hazare sairá da prisão para comandar demonstrações nos parques de Deli. Na Índia democrática, a luta é contra a corrupção. Assim como o Brasil, a Índia cresce e descobriu que a corrupção é um obstáculo para um crescimento maior.
No caso da Índia, resta-nos apenas comparar. Mas no da Síria, era preciso que o Congresso chamasse o ministro Antônio Patriota para uma discussão.
É difícil mudar a posição brasileira que quer ser diferente da americana e européia. Mas, pelo menos, é necessário mostrar que nem todos concordam com ela. Faria bem ao Brasil
Na ausência de um Congresso ativo, a política externa é feita com exclusividade pelo Itamaraty que não se sente obrigado a responder.
Guimarães Rosa dizia que quem muito evita acaba convivendo. Se nosso parâmetro é , em todo os casos, ter uma posição diferente da americana, na verdade nossa posição é determinada pelos EUA.
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A delegação formada pelo Brasil, Índia e África do Sul foi recebida pelo presidente Assad na Síria e voltou com muitas promessas.
Assad reconheceu que o Exército se excedeu e prometeu suspender a repressão em duas semanas, quando termina o Ramadan.
Alguns diplomatas sírios prometeram também que o país terá uma democracia pulripartidária, até o final do ano.
O Brasil, quando resolveu intervir no caso do Irâ, aproximou-se da Turquia. Nessa delegação a Turquia ficou de for a. Ela é diretamente atingida porque os refugiados sírios estão cruzando a fronteira.
O primeiro-ministro turco, Tayip Erdogan, disse, com toda a clareza: Assad está atirando contra seu povo.
A Síria não quis receber o chanceler turco porque sabe que é dificil enganar o vizinho. As promessas que fez ao Brasil, India e África do Sul, são apenas uma tentative de romper o isolamento.
Sob pressão americana, os países árabes se distanciaram do governo sírio que já matou 2000 pessoas nesses quatro meses.
Um dos elos da Síria com a ONU é exatamente a comissão composta pelo Brasil. Se o preço da mediação é não condenar as mortes dos oposicionistas, ele compensará realmente se Assad cumprir o que promete. Mas as chances são pequenas.
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Evoluiu a posição do Brasil sobre a Síria. O pais já aceita um texto de censura ao governo de Bashar al Assad e também algum tipo de sanção, desde que seja consensual.
Ações militares contra a Síria estão descartadas no momento. Na verdade, a experiência na Líbia não é nada animadora.
A evolução do Brasil no caso sírio não é isolada. A Rússia anunciou também a disposição de apoiar um texto de censura.
Mas as sanções europeia e americanas talvez tenham sua eficácia, uma vez que implicam em congelamento de contas bancárias e proibições de visitas de dirigentes sírios aos países da Comunidade e aos EUA.
Assad dificilmente recuará na disposição de esmagar seus opositores. O pai, Hafez, comandou as operações que mataram dez mil pessoas em Hama.
No texto do princípio da semana, lembrei que o Congresso brasileiro deveria convidar Patriota para explicar a posição do Itamaraty. Os fatos acabaram impulsionando a mudança, sem que o Congresso se desse conta delas.
Como é possível que o Congresso não se dê conta do mundo e ignore a importância das decisões brasileiras no campo da política externa? Conheço o medíocre mecanismo de ocupação das comissões especificas, na Câmara e no Senado. É um atraso porque não realizamos uma necessária diplomacia parlamentar.
O Human Rights Watch acusa o Brasil de apresentar uma série de exigência para apoiar a moção de censura. Uma delas é a de que seja condenada a violência dos manifestantes.
Tudo bem, a violência de um modo geral deve ser condenada. Mas colocar num mesmo plano a violência de quem joga pedras e de quem avança com os tanques é exagerado. Nesses quatro meses, quem está morrendo é gente da oposição a Assad.
De qualquer forma, um pouco empurrado, o Brasil, ao lado dos outros países democráticos, vai condenar uma sangrenta ditadura
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Repórteres internacionais começam a chegar ao Quênia e Etiópia, onde estão alguns campos de refugiados que socorrem a população faminta do sul da Somália. A região no conjunto é chamada de Chifre da África.
São 3,7 milhões de habitantes, num pais sem governo, que vivem uma seca, segundo algumas testemunhas, de mais de três anos.
Os refugiados saem a pé de suas pequenas lavouras. As vezes tentam trazer seus animais de carga, mas muitos já morreram ou não resistem à caminhada.
Nem todos os retirantes têm sapatos ou sandálias e alguns chegam com os pés destruídos ao refúgio no Quênia.
As áreas atingidas, Bakool e Lower Shabelle, são controladas pelos muçulmanos do movimento all Shabab, cujas milícias,no passado, expulsaram as organizações humanitárias do sul da Somália.
Esta é a maior seca vivida na região, desde 1992. A chegada dos fotógrafos vai mobilizar a opinião pública internacional.
Tem sido assim. Primeiro, saem as fotos dramáticas e , depois, governos, entidades assistenciais e até artistas começam uma campanha para atenuar a fome na África.
O Brasil vai ocupar a direção da FAO, órgão da ONU que se ocupa dos alimentos. O novo dirigente brasileiro é José Graziano.
O dirigente da FAO foi assessor de Lula, que, por sua vez, afirma que pretende ajudar à África a vencer, entre outros, seu problema alimentar. É hora de mostrar trabalho.
É um momento importante, embora a grande fome na Somália tenha chegado só agora ao noticiário. Cerca de seis pessoas em 10 mil morrem de fome. A ONU define tecnicamente o estágio de fome a partir de duas mortes em 10 mil.
São necessários, segundo a própria ONU, US$1,6 bilhão para a fome no Chifre da África e, até o momento, os países chamados a ajudar, não compareceram.
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Não acredito que exista alguma proposta de paz no Oriente Médio que seja aceita sem reservas. A de Obama tem uma vantagem de ser apoiada pela ONU e pela Rússia, entre outros. Mas foi rejeitada também, pelo menos nas primeiras horas.
Pesquisando um pouco as linhas de 1967, anteriores à guerra vencida por Israel, cheguei à conclusão de que há pontos entre o discurso de Obama e o de Netanyahu, Premier de Israel, que poderiam ser desenvolvidos.
Obama fala de ter as linhas de 67 como base. Netanyahu considera essa proposta inaceitável. Mas Obama fala também de algumas trocas de terra, para complementar o acordo. Netanyahu fala na disposição de Israel de ceder algum território em troca da paz.
As linhas de 67 não são uma fronteira política. Eles foram na verdade a reprodução das linhas do armistício de 1949, uma solução militar.
Depois disso, Israel já devolveu o Sinai e cerca de 80 por cento da Faixa de Gaza. O argumento principal para a não aceitaçao das linhas de 67 é o da segurança.
Era importante saber que terras Israel abre mão, ou pelo menos saber que áreas não pode devolver por questão de segurança. As colinas de Golan, por exemplo.
Uma frase de Obama ressalta que os entendimentos têm de levar em conta a segurança de Israel.
Sinto que através de algumas frases , Obama e Netanyahu ressaltam sua concordândia. Ambos estão pressionados pela chegada de setembro, quando a ONU pode reconhecer o estado palestino.
E ambos podem ficar isolados se não encontrarem até lá um discurso comum. A situação é tão complicada que qualquer vestígio de esperança pode cair na ingenuidade. Mas as linhas de 67 são apenas um dos problemas. Sobre refugiados palestinos, há toda uma discussão em aberto. É um tipo de situação na qual é preciso avançar passo a passo.
Obama anunciou o seu. É seja cedo ainda para classificá-lo de um tropeço.
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Apesar de todo o aparato repressivo, os sírios se manifestaram contra o governo em vários pontos do país, inclusive em Damasco. Seis pessoas foram mortas, tres em Homs, duas em Deraa e uma nos arredores da capital.
Segundo alguns oficiais do escritório de direitos humanos da ONU cerca de 850 pessoas já foram assassinadas, desde o início dos protestos contra o governo de Bashar Assad.
Conforme previmos no primeiro post matinal, a sexta-feira seria um dia muito importante. O Exército e polícia política ocuparam muitos pontos das cidades onde há mais protestos. Um morador de Banyas informou que os militares estão aquartelados em mesquitas para evitar protestos.
Mesmo sem imprensa internacional cobrindo , com as ruas ocupadas pelo Exército, 850 mortos e 11 mil prisioneiros politicos, o povo sírio está resistindo.
Como não possui, como a Líbia, grandes reservas de petróleo, os protestos internacionais têm sido mais discretos.
As fronteiras da Síria, sobretudo com Israel, e a repercussão do destino sírio na complexa situação libanesa são fatores que pedem um cuidado maior das grandes potências.
A relatora especial da ONU para Moradia Adequada, Rachel Roinik acusa as autoridades brasileiras de desapropriar e desalojar as pessoas à força, sem respeitar seus direitos. A relatora aponta a existência do problema nas principais cidades brasileiras: São Paulo, Rio, BH, Porto Alegre, Curitiba e Fortaleza. A denúncia foi feita em entrevista as agência internacionais.
A acusação se refere, principalmente, às obras de infraestrutura para a Copa do Mundo e Olimpíadas. É um caso que deveria ser analisado pelo governo e autoridade olímpica. Se continuar assim, pode não só atrasar obras como tirar o próprio apelo dessas festas esportivas.
Em São da Barra, num outro contexto, obras de infraestrutura portuária, proprietários continuam bloqueando a entrada do Porto Açu, construído por Eike Batista.
O empresário passou as negociações para o governo do Estado que vai desapropriar as áreas para a construção de um distrito industrial. Como imaginei, a situação não é muito complicada. Os proprietários querem receber o valor das terras no contexto da valorização da área, por estar próxima ao porto. Ao que tudo indica, o governo quer pagar preços que não levam em conta este fator.
Deduzi isto das entrevistas e se a situação perdurar, devo ir a São João da Barra para escrever sobre o tema. Já houve ali uma paralisação entre trabalhadores que limpavam o leito da estrada e queriam aumento de salário e um adicional pelos riscos.
Tanto no Porto de Açu, como em Jirau e Santo Antônio, grandes obras de infraestrutura, a informação é de que as obras não serão atrasadas.Mas o eixo dos conflitos salariais e de propriedade está se deslocando para as regiões onde nem trabalhadores nem proprietários têm cobertura sindical ou associações de classe.
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2011