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Dilma resolveu fazer uma devassa nos convênios com ONGs. Suspendeu o pagamento por 30 dias. Em caso de problemas, a ONG terá mais dois meses para se regularizar.

É uma boa decisão. Costuma ser tomada em princípio de governo. Mas como eram todos companheiros , foram necessários os escândalos no Turismo e Esportes para abalar a confiança.

No caso do Ministério dos Esportes, não é preciso ir muito longe. Cerca de 20 ONGs estão dispostas a contar como funcionava o esquema montado pelo PC do B.

Naturalmente, a decisão de Dilma foi tomada a partir da repercussão dos escândalos. Sua intenção é boa, mas deixa um flanco inevitável: por que só agora? Uma devassa desse tipo não significa que o governo perdeu o controle?

O governo se move em linhas bem sinuosas. Dilma resistiu no princípio contra os que apedrejavam Orlando Silva. Diante de novas evidências, aceitou sua demissão.

Passados alguns dias, anunciou o devassa. No Palácio do Planalto, segundo notas nos jornais, há uma sensação de alívio com o fim de notícias negativas sobre o  Ministério dos Esportes.

 

 

Paris Hilton

Com a devassa em curso, o governo ganha mais um mês. E com isso, dá também uma sobrevida ao governador de Brasília, que é do PT e está enrolado no mesmo escândalo de Orlando Silva.

Vamos esperar que a devassa do governo-não seja a mesma de Paris Hilton, a loira que anuncia cerveja na televisão, isto é: apenas propaganda.

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As autoridades já admitem que o grande problema para a Copa do Mundo são os aeroportos. Cinco dos 13 escolhidos ainda têm suas obras apenas no papel: Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus, Recife e Salvador.

São obras que levariam sete anos para serem concluídas, contando-se planejamento, licenciamento e execução.

O que se revela agora sobre os aeroportos é algo que todos os viajantes sabem. A Copa do Mundo é apenas um pretexto, pois o crescimento da demanda é constante e até independe dos jogos.

Um caso dramático é o do Maranhão, estado de onde saem os ministros do turismo, ultimamente. O aeroporto de São Luis está funcionando com tendas improvisadas.

Os turistas que procuram os Lençóis Maranhanses voltam horrorizados com a improvisao. São Luis é uma cidade quente e é muito difícil para os viajantes trocarem um saguão refrigerado pelas tendas na rua.

Faxina num finger do aeroporto de Brasília.(foto FG)

Sarney pode dizer que aeroportos são de competência do governo federal. Mas deixar que o aeroporto desabe ,parcialmente, é um descaso também das forças políticas locais, tão poderosas junto ao governo do PT.

Com o tempo, os figurões de República terão de usar aeroportos militares pois serão responsabilizados pelo caos.

Os terminais provisórios de passgeiros que serão construídos para a Copa correm dois riscos: podem ser transformados em permanentes ou, em caso de muita urgência, replicar os métodos precários do aeroporto de São Luís.

Nesse campo, o Brasil se aproxima mais do Maranhão, quando o objetivo estratégico deveria ser o de aproximar o Maranhão do progresso de outros estados.

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21.agosto.2011 09:04:03

Turismo sobe no telhado

Sexta, publiquei um artigo no Estadão afirmando que o Ministério do Turismo precisava mudar. Abstraindo a corrupção e me fixando na incompetência, afirmei que era um absurdo gastar bilhões com Copa do Mundo e Olímpiadas e manter um Ministério do Turismo de baixo nível.

Hoje, a Controladoria Geral da União, CGU admite que 100 por cento dos 1644 contratos feitos pelo Turismo são irregulares.

O caso mais espantoso é do Fundação Universa que recebeu R$187,5 mil por uma simples página de relatório.

Turistas diante do Dedo de Deus, em Teresópolis.(foto FG)

Essa situação caótica no Turismo foi constatada e relatada em 2010. Ainda assim, o Ministério começou 2011 com um titular que não conhece o assunto, nem tem vontade de reparar os erros porque eles interessam a muita gente.

Os erros interessam aos políticos que fazem emendas e não as fiscalizam. O atraso na tomada de providências interessa às ONGs irregulares que podem seguir fazendo negócios com o Turismo.

Portanto, além do dinheiro desviado sistematicamente, deveremos computar os recursos que vamos investir, sem a competência necessária para melhorar a posição internacional do Brasil no turismo.

As coisas parecem tão absurdas. E no entanto, elas seguem seu rumo. O esquema atual subiu no telhado. Mesmo apesar da passividade geral, ele acabará caindo sob o peso dos próprios erros.

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A Secretaria Nacional de Defesa Civil e a CGU decidiram bloquear as contas de Nova Friburgo. Os gastos com as enchentes estão sob suspeita, especialmente os feitos com as empresas Vital Eengenharia e Terrapleno.

Friburgo recebeu R$10 milhões. As despesas com as duas empresas não convenceram à CGU que registra também transferências injustificadas de R$290 mil.

A CPI criada em Friburgo poderá avançar um pouco mais nesses temas levantados pela própria CGU. E se necessário, afastar o prefeito para apurar o restante das irregularidades.

Cartaz na porta da Câmara de Friburgo.(foto FG)

Vale mencionar que a leitura dos jornais de hoje aponta para um desfecho lento do caso de corrupção no Ministério do Turismo. Uma das envolvidas é a deputada federal Fátima Pelaes e como deputados tem foro especial, o processo vai para o Supremo Tribunal Federal.

Os envolvidos já perceberam isto. O advogado de um deles, o pastor Wladmir Furtado, dono da empresa Conectur, já anunciou a tática: vamos todos para o Supremo.

Esta é uma perversões do sistema parlamentar no Brasil. Os deputados têm foro especial e quando formam uma quadrilha, todos os seus cúmplices também são julgados pelo Supremo.

De um modo geral, este dispositivo legal significa anos de espera, esquecimento e, quase sempre, absolvição.

Se em Friburgo chegou a hora de investigar sem a presença dos investigados no poder, em Brasília chegou a hora de rever esta história de foro especial.

Deputados, pelo seu trabalho, precisam de liberdade de voz e voto. São pessoas como as outras e deveriam ser tratados assim.

Mudar essa situação é difícil. Muitos se elegem para fugir da polícia; outros querem resguardar sua imunidade para crimes futuros. E são exatamente essas pessoas que têm respaldo constitucional para mudar a lei.

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14.agosto.2011 21:30:18

Yes, nós temos laranja

Yes, nós temos banana/ banana pra dar e vender. O Brasil deu tantas voltas que a própria canção precisa ser atualizada: yes, nós temos laranja/ laranja pra dar e vender.

A notícia que mais me impressionou neste fim de semana foi a existência de um escritório em Brasília que era o endereço de 200 empresas muitas delas prestadoras de serviço ao governo.

                                        Foto FG

Quase todas elas produzem laranjas. De um modo geral, pessoas simples que você jamais imaginaria como um laranja de peso. Nem elas.

Terrenos baldios, ruas sem saída, prédios abandonados, os laranjas moram nos lugares mais surpreendentes.

É possivel que tenham existido no passado. E que existam também até em outros países. Mas, no momento, creio que o Brasil é o campeão de laranjas.

Talvez tenhamos  também muitas ONGs fantasmas. Mas sem os laranjas pouco iriam faturar. Quando os laranjas são abordados e ficam sabendo do montante de suas contas bancárias, eles suspiram. Um pouco como Bertrand Russel quando espalharam o boato de que estava namorado uma bela jovem inglesa:

-Primeiro vou saborear a notícia durante algumas horas e só depois vou desmenti-la.

Os laranjas sonham momentaneamente com suas contas bancárias. No minuto seguinte, com tôda sinceridade, dizem sempre: jamais vi tanto dinheiro na minha vida. Eu acredito pois na maoria são pessoas simples, sem recursos.

Na esteira das chamadas efemérides, estou sempre pronto a tirar certas palavras do baú, um político empolgado acabará propondo O Dia do Laranja. Os laranjas merecem.

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11.agosto.2011 09:17:42

Algemas e metáforas

Políticos usam as palavras com mais liberdade que os próprios escritores. O líder do governo, Cândido Vacarezza, afirmou que o Congresso não votou, esta semana, “porque há uma fadiga, um cansaço” entre os parlamentares.

Eles acabam de voltar do recesso. Tiveram um mês de férias, esta seria sua segunda semana de trabalho. Não se trata, com certeza, do cansaço que conhecemos, mas sim de um outro cansaço, sinônimo de crise na base do governo.

Qual a raiz da crise? Nela, têm um peso as prisões no Ministério do Turismo , as demissões nos Transportes, as promessas de faxina na Agricultura.

Algemas de pelúcia.

Mas não é só isso. Os deputados querem a liberação das emendas. Reclamam da crise econômica mundial e , alguns deles, como Jovair Arantes, do PTB, dizem que Dilma está preocupada com Londres, Nova York e Paris, todos distantes milhares de quilômetros de sua base eleitoral.

Dilma reclamou da operação no Turismo. Deveriam ter avisado, não podiam usar algema, enfim argumentos laterais, diante da evidência de corrupção.

De fato, não é preciso usar algemas. Mas o dispositivo legal exige que nos aviões, os prisioneiros uem algemas.

A crise não é das algemas. Ela é ditada por um momento internacional que pede contenção. Dilma está certa em acompanhar, atentamente, a conjuntura internacional.

Mas a crise tem outra face, além da econômica. No Brasil, o modelo de presidencialismo de coalizão está esgotado. Não dá mais para ratear ministérios entre partidos desesperados por dinheiro.

E os deputados querem mostrar que, sem dinheiro, não funcionam como base aliada. É preciso, na opinião deles, liberar as emendas e conter  Polícia Federal e a imprensa, na denúncias de corrupção.

Não há saídas no horizonte imediato. É tarde para deter o processo de denúncias. O sonho do Planalto é uma ilusão. Não é possível combater a corrupção e , simultaneamente, estruturar um governo no qual ela é importante moeda de troca. Alguma coisa deve mudar nessa equação.

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Comentários recentes

  • ZULA VIEIRA: ESTOU DENUNCIANDO QUE NO MARANHÃO TEM MUITAS FLAUDES NO SEGURO DEFERO QUE É COMANDAO PELA FEDERAÇÃO...
  • Fernanda: Mesmo sendo um movimento estratégico, sinto orgulho do meu país por recebê-los. Bem vindos! :)
  • Fernanda: Ainda que com atraso, desejo-lhe um feliz ano novo! Muita sorte e felicidade! :)
  • VOZ ATIVA: DESORDEM E CAOS EM SALVADOR >>> A polícia da Bahia em manifestação de máxima orquestração...
  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

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