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A filha de Kadafi, Aisha, uma advogado que atuou na equipe que defendeu Sadam Hussein, entrou em campo esta semana para defender o pai e seu regime. Ela mesma convidou o New York Times para uma entrevista, onde manifesta o medo de que seus três filhos sejam mortos num bombardeio.

Aisha promete reformas, denuncia a existência de terroristas entre os que se opõem ao regime do pai e repete alguns dos argumentos do próprio Kadafi e do irmão Saif al Islam.

O depoimento de Aisha, como não poderia deixar de ser, traz algumas contrainformações planejadas, ao afirmar, por exemplo, que os comandantes militares que aderiram aos rebeldes ainda mantêm contatos com o governo e que só estão do outro lado porque temem por suas famílias.

Ela faz uma advertência aos norte-americanos: no Iraque a oposição disse que os invasores seriam recebidos com rosas e até hoje são recebidos à bala.

Aisha Kadafi defende o pai e seu regime

Redigi um artigo mais longo sobre política, focado na questão da Líbia. Sairá no Estadão. Nele, defendo a tese de que a democracia liberal ao tentar seu regime através das bombas pode estar incorporando os mesmos elementos religiosos que existiam no marxismo ou no fascismo. A ideia de que existe apenas um modo de vida e deve ser imposto para salvar os que estão fora dele é perigosa. A política pode estar produzindo coisas piores do que a religião, nos seus piores momentos. Confiram sexta, no Estadão.

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02.abril.2011 08:12:42

Uma estranha semana

Aos sábados costumo escrever um post leve, de um modo geral sobre os lugares que frequento.
Esta semana, no entanto, foi muito estranha. Tivemos a morte de José de Alencar, o episódio envolvendo o deputado Jair Bolsonaro, 12 mortes, entre elas a de quatro funcionários da ONU, por intolerância religiosa; água contaminada vazando em Fukushima, guerra civil na Líbia e na Costa do Marfim, ufa.
Como se não bastasse tudo isso, explodiu mais um bueiro da Light em Copocabana, criando um clima de terror no bairro. Não foram concluidas, no meu entender, as histórias sobre revoltas em Jirau e Santo Antônio, assim como a crise em várias grandes obras. Os sindicalistas tentam ser a ponte com o governo, depois de abandonarem os trabalhadores desses canteirose. Esperam novos acordos, novos afagos e novos empreguinhos do governo.
Na Câmara, Tiririca emprega humoristas que lhe dão ideias e no país continuamos crimes bárbaros, como esse que levou a vida de duas irmãs, em Cunha, em São Paulo, na fronteira com o estado do Rio.
Não há espaço para nada além de seguir as notícias com a lingua de fora. A intolerância racial e religiosa continua sendo o mais dramatico pois são pessoas se agredindo ou se matando com o veneno de suas ideias. A estupidez que começou na Flórida, com a queima do Corão, redicalizou-se com os assassinatos. Provavelmente, entre os 12 mortos havia muçulmanos também ofendidos com a queima de seu livro sagrado.
Eu que falaria de natacão esta semana, só achei uma foto para ilustrar a semana.

Uma semana difícil.(Foto FG)

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Depois da morte de 500 pessoas e o registro de um milhão de desalojados pela guerra civil, o Conselho de Segurança da ONU resolveu censurar,hoje, o ditador da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo. Já estava ficando problemática a concentração de atenções na Líbia, enquanto na Costa do Marfim a repressão continuava.

Uma guerra civil esquecida

Ainda é cedo para dizer que a Costa do Marfim tem um novo governo, o de Alassane Quattara, vencedor nas eleições presidenciais. Os rebeldes disseram que as tropas de Gbgabo se dissolveram como manteiga quente e a tomada da capital foi bastante fácil.

O ditador ainda mantém o controle da maior cidade do pais, Abdijan, e os rebeldes marcham para tomar o estratégico porto de São Pedro. É importante que o Brasil siga os acontecimentos e se pronuncie quando necessário. Lula sofreu críticas por visitar Gbagbo porque o Brasil estaria respaldando um ditador. Mas agora que o ditador está prestes a cair, seria interessante olhar um pouco para a África. Entre os críticos de Lula, havia os que condenavam fortalecer um ditador e outros que achavam irrelevante a relação com o continente africano. Considero importante a relação com a África e acho até que a queda de figuras como Gbagbo pode abrir mais oportunidades para o Brasil.

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Os rebeldes tomaram hoje a capital de Costa do Marfim. É um fato que terá mais importância do que se espera. Já havia mencionado a crise humanitária em Costa do Marfim e o silêncio brasileiro.

Mas a vitória das forces de Alassane Quattara, que venceu e não leveou as eleições, vai colocar em cheque a nova doutrina de Obama sobre o papel dos EUA no mundo.

Quattara é o vencedor em Costa do Marfim

Os norte-americanos vão invadir outros países quando houver massacres contra a população e sempre junto com uma base aliada. Os jornalistas norte-americanos já perguntavam por Costa do Marfim. Lá o ditador Laurent Gbagbo matou muita gente e provocou um êxodo em massa. Havia uma crise humanitária da mesma dimensão ou mais grave que na Líbia.

O fato de ser um país africano, sem recursos estratégicos, contribuiu para que o Ocidente abandonasse Costa de Marfim. O  supreendente é que mesmo sem a ajuda externa que os rebeldes líbios tiveram, eles estão triunfando.

Nesses primeiros momentos, ainda é preciso analisar a evolução dos fatos, Costa do Marfim mostra uma lição: crises humanitárias em paises com petróleo são mais graves do que em países pobres. Rebeldes vencendo com força própria acabam produzindo um processo potencialmente mais estável.

Fim de linha para Gbagbo

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Nessa manhã de sábado, constatei uma semelhança entre Brasil e Rússia. Dilma se distanciou de Lula na política sobre o Irã; Medvedev se distanciou de Putin na questão da Líbia. A política externa acabou dividindo tanto aqui como lá criadores e criaturas eleitorais.
Vladmir Putin referiu-se aos ataques à Líbia como algo da Idade Media. Medveded afirmou que essas declarações eram inaceitáveis. Lula afirmou que a luta entre oposição e governo no Irã era uma briga de torcidas de futebol; Dilma votou a favor de uma investigação sobre direitos humanos no Irã, algo que o governo anterior negava.

Putin-Medvedev


A divergência na Rússia causa mais embaraço. Ninguém sabe quem será o próximo presidente e ninguém que ser o primeiro a interferir na divergência dos dois. Existe nessa comparação uma divergência entre Putin e Lula. O primeiro enviou um telegrama a Medvedev afirmando que as relações comerciais Rússia-Líbia eram muito importantes e a posição do governo atual poderia ser uma traição aos interesses do país.
Aqui no Brasil, Lula ainda não se manifestou sobre a mudança de posição a respeito do Irã. Aqui no Brasil não se especula sobre qual dos dois será o próximo presidente.

Lula e Dilma

São semelhanças de um sábado de manhã. Durante a semana, posso desenvolver aspectos mais profundos: a relação dos governos russo e brasileiro com a economia. Ambos gostam de influenciar as grandes empresas, combinar projetos de estatais com empresas privadas, enfim ambos experimentam uma forma em que não apenas governam mas se instalam também à frente do poder econômico. O esforço do governo brasileiro para derrubar Roger Agnelli da Vale, baseado também na força dos fundos de pensão, é algo bastante russo. As comparações têm limites: os russos costumam prender a exilar adversários econômicos da política estatal e há no país o péssimo hábito de matar jornalistas dissidentes.

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21.março.2011 07:26:02

Lembrança do Haiti

No simpático discurso de Obama no Theatro Municipal, a idéia de apresentar o Brasil como modelo para o mundo árabe ficaria mais completa se falasse também do Haiti.

É compreensível esquecer o Haiti num dia em que o mundo está tão complicado: aumentou a pressão no reator 3 de Fukushima, foguetes e balas cruzam o céu da Líbia.

O problema é que no Haiti, Estados Unidos e Brasil estão envolvidos diretamente e hoje acontece a eleição presidencial com dois fatos novos. A volta de Jean-Bertrand Aristide e possível vitória da primeira mulher presidente do Haiti: Miniande Marigat. Chegou a ser favorita, hoje não é tanto mais.

Fila para primeira eleição, após ocupação brasileira.(Foto FG)

Um outro ponto importante para se lembrar do Haiti é o futuro da Líbia. É um país que tem petróleo e pode financiar seu nation building. Mas terá problemas de instabilidade política semelhantes ao que o Haiti vive no momento. Vai precisar no mínimo da experiência acumulada dos EUA e Brasil para transmitir a outros países que entraram numa estrada extremamente complicada como esta que os leva a Tripoli

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O Rio está tendo grandes dicussões no processo de se preparar para receber Obama. O projeto inicial continha, na agenda, um discurso de Obama na Cinelândia. Ele fez um discurso no Cairo, outro em Praga, esse seria um pronunciamento voltado para a América Latina.

A escolha do lugar foi objeto de críticas porque os bares seriam fechados e ninguém poderia usar mochilas. O prefeito Eduardo Paes chegou a afirmar que a mudança para o Teatro Municipal o salvou de ser o primeiro prefeito a fechar o Amarelinho, um bar tradicional do centro da cidade.

Envoltos na discussão, alguns cariocas que eram contrários queriam um Presidente dos EUA fazendo discurso no lugar, e, simultaneamente, prosseguir na sua vida cotidiana. Mas o mundo vive um momento muito especial: o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução para intervir na Líbia, onde a situação é muito grave, apesar dos conflitos mais sérios do dia terem acontecido no Yemen, cujo governo matou 41 vários manifestantes hoje.

O cotidiano de uma sexta-feira já mudou. As portas do Flamengo estavam tomadas por soldados do Exército, porque Obama vai chegar de helicóptero no campo de futebol do clube. Ao sair, vi uma mulher fantasiada de branco que parecia, de longe, uma Estátua da Liberdade. Fazia uma performance que está ficando comum por aqui: pessoas fingindo de estátua. Ela estava acompanhada de um malabarista e pediam dinheiro aos carros parados no sinal. Apenas isso.

Novidades no cotidiano do Rio(Foto FG)

Não era uma estátua da liberdade. Enganava, de longe . Nem toda sexta-feira o Exército guarda o Flamengo, jamais vi performance tão produzida como aquela no sinal. Logo conclui que tudo isso está acontecendo porque não é sempre que nos visita um presidente dos Estados Unidos.

Obama, como lembrou o embaixador Marcos Azambuja, numa entrevista, vai falar num palco onde cantaram grandes tenores e sopranos internacionais. Mas, concluo, ficará mais inacessível porque também não é sempre que o Conselho de Segurança intervém na Líbia.

Por mais importante que seja a visita, não se pode esquecer da gravidade da crise em Rondônia, nas usinas de Jirau e Santo Antônio. Lá trabalhadores queimaram mais de 300 ônibus, queimaram alguns alojamentos e a obra parou. Milhares de pessoas sairam ou foram retiradas e agora se encontram em abrigos em Porto Velho. A Força Nacional os canteiros , a pedido do governador Confúcio Moura. Um fim de semana cheio, com a Líbia, Obama no Rio e motins nas usinas de Rondônia. E acompanhando o desastre em Fukushima e os efeitos do terremoto no Japão

PS: No Estado de São Paulo dessa sexta-feira, publico um artigo analisando alguns aspectos da visita de Obama.

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Leio na coluna do Anselmo Goes, uma nota enviada por Marceu Vieira, informando que o ditador líbio Muamar Kadafi tem R$1,2 bilhão investidos no Brasil. Os investimentos são na Bahia, Vale do Salitre, onde a família Kadafi pretende produzir alimento. Ainda segundo a nota, a Lafico (Lybian Arab Foreign Investiments) está associada à Odebrecht no Codeverde, Consórcio do Vale do do Rio Verde.

Kadafi investe também no Brasil e Venezuela

A notícia mostra a coerência de Kadafi porque a tática dos líbios também na Vanezuela é investir, entre outras coisas, em terras e produção de alimentos. Com o bloqueio das contas de Kadafi e a crise em que mergulhou a Líbia, o que acontecerá com os investimentos no Brasil? Qual seria o estatuto legal desse dinheiro aplicado aqui?

Em outros lugares do mundo, o tema seria objeto de uma audiência pública no Congresso. O nosso não deu importância à crise nos países árabes muito menos à guerra civil instalada na Líbia.

Quando menciono a necessidade de precisar o futuro desse dinheiro, não significa nenhuma condenação. A família Kadafi investiu no Financial Times, possui parte das ações do Juventus, time de futebol da Itália, e foi incensada pelo London School of Economics. No momento, cada um dos sócios explica como ficará a parceria. O Financial Times, por exemplo, congelou a participação líbia, mas o Juventus não decidiu o que fará.

O Brasil está cada vez mais dentro do mundo globalizado, mas o Congresso finge ignorar.

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Gostaria de escrever mais sobre a Líbia. Mas é difícil entender o que se passa, mesmo quando se percorrem os principais jornais do mundo. O tempo passou a ser um fator decisivo. Os rebeldes deram 72 horas para Kadafi sair do pais sem ser perseguido. Dificilmente isto vai funcionar. Eles querem ganhar tempo pois as tropas de Kadafi avançam em alguns fronts, Zawiyae Ras-Lanuf.

Entregues a si próprios, os rebeldes dificilmente podem vencer forças profissionais e melhor equipadas. Falta água, munição e o mundo discute o que fazer.

Os rebeldes pediram hoje o bloqueio aéreo da Líbia. Creio que esta alternativa, levantada desde o princípio, já deveria estar em curso. Mas as dificuldades no campo diplomático são grandes. A Rússia, por exemplo, acha que os líbios devem resolver o problema entre eles, vetando a intervenção militar. Se a Rússia e China vetam não há como o Conselho de Segurança adotar nenhuma medida.

A OTAN anunciou que estava apressando o estudo de uma participação militar. Em outras palavras, reconhece a gravidade da situação dos líbios e indica que pode intervir. Mas tudo ainda no plano das declarações, porque o tempo passa e Kadafi parece estar sendo mais rápido do que os outros.

Mesmo a Rússia e a China poderiam talvez aceitar o bloqueio aéreo. É uma decisão que visa apenas evitar que a população civil seja bombardeada.

O tempo está correndo rápido para todos, menos para os jornalistas que estão concentrados num hotel em Trípoli. Cento e vinte repórteres esperam uma entrevista coletiva de Kadafi. Ele disse que viria, as forças de segurança cercaram o hotel. Ele não apareceu e os jornalistas se perguntam se não estão presos numa gaiola dourada, um hotel cinco estrelas, enquanto esperam um Kadafi que não chega.

Lembranca das manifestações:agora é guerra

Se os líderes têm melhores dados que os nossos, talvez saibam também qual o momento certo de evitar o massacre da oposição na Líbia. A impressão que tenho é que essa hora já chegou, o que não chegou foi o acordo sobre o que fazer

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O New York Times publica hoje um artigo do escritor líbio Mohammad Al-Asfar mostrando, entre outras coisas, como foi importante para a  história do país o massacre na prisão de Abu Salin. Neste presídio de Trípoli, 1287 detentos foram assassinados de uma só vez. Um dos presos era irmão do escritor. Ele já descreveu o massacre em duas de suas novelas.

Nem todos como Al-Asfar tinham parentes na cadeia. Mas muitos se horrorizaram com o massacre. Os presos foram reunidos no pátio onde explodiram granadas; do alto do presídio soldados metralhavam a multidão, e finalmente, percorreram o amontoado de feridos matando com tiros de pistola quem ainda agonizava.

O escritor não é do tipo que aponta causas definitivas de nada. Ele apenas considera que o massacre foi um momento em que ficou mais claro o regime de opressão que domina a Líbia.

Uma das manifestações contra o massacre de Abu Salim

O artigo escrito no calor dos combates é cheio de esperança numa nova Líbia, democrática que valorize as pessoas pelo mérito e não por origem tribal, o pais moderno que a juventude pede.

E deixa claro que os líbios não devem ser julgados por atentados contra aviões, desaparições de visitantes e outras atrocidades, pois agora o mundo sabe que eram responsabilidade apenas da ditadura de Kadafi

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  • ZULA VIEIRA: ESTOU DENUNCIANDO QUE NO MARANHÃO TEM MUITAS FLAUDES NO SEGURO DEFERO QUE É COMANDAO PELA FEDERAÇÃO...
  • Fernanda: Mesmo sendo um movimento estratégico, sinto orgulho do meu país por recebê-los. Bem vindos! :)
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  • VOZ ATIVA: DESORDEM E CAOS EM SALVADOR >>> A polícia da Bahia em manifestação de máxima orquestração...
  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

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