Salvo um imprevisto, o pedido de admissão da Palestina à ONU deve ser o tema da semana. O Brasil decidiu votar a favor do pedido que será apresentado no dia 23. E com esta decisão, expressa também o desejo da maioria dos países latino-americanos.
Existe muita preocupação no governo de Israel. O pais atravessa uma fase de isolamento. Atritos com a Turquia e o Egito foram os mais recentes problemas que a diplomacia israelense enfrentou.
No caso do Egito, a situação é complexa. Os populares querem uma política mais dura com Israel. O governo egípicio resiste porque sabe que a ajuda militar vinda dos EUA está condicionada às boas relações com o vizinho.
Muito possivelmente, o pedido da Palestina vai resultar numa admissão como país observador, mas com possível acesso ao Conselho de Direitos Humanos.
A posição que o Brasil apresenta na ONU expressa o desejo de que o processo de paz avance. Algo de positivo existe em tudo isso, pois os atentados cessaram, momentaneamente, e a demanda palestina conduz o debate para o front diplomático.
Decisões da ONU não costumam impressionar o governo de Israel, sobretudo quando a direita o controla. Mas têm uma grande consequência política.Duas variáveis importantes: a retomada das negociações diretas e uma nova chance para os dois grandes grupos palestinos se entenderem.
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Não acredito que exista alguma proposta de paz no Oriente Médio que seja aceita sem reservas. A de Obama tem uma vantagem de ser apoiada pela ONU e pela Rússia, entre outros. Mas foi rejeitada também, pelo menos nas primeiras horas.
Pesquisando um pouco as linhas de 1967, anteriores à guerra vencida por Israel, cheguei à conclusão de que há pontos entre o discurso de Obama e o de Netanyahu, Premier de Israel, que poderiam ser desenvolvidos.
Obama fala de ter as linhas de 67 como base. Netanyahu considera essa proposta inaceitável. Mas Obama fala também de algumas trocas de terra, para complementar o acordo. Netanyahu fala na disposição de Israel de ceder algum território em troca da paz.
As linhas de 67 não são uma fronteira política. Eles foram na verdade a reprodução das linhas do armistício de 1949, uma solução militar.
Depois disso, Israel já devolveu o Sinai e cerca de 80 por cento da Faixa de Gaza. O argumento principal para a não aceitaçao das linhas de 67 é o da segurança.
Era importante saber que terras Israel abre mão, ou pelo menos saber que áreas não pode devolver por questão de segurança. As colinas de Golan, por exemplo.
Uma frase de Obama ressalta que os entendimentos têm de levar em conta a segurança de Israel.
Sinto que através de algumas frases , Obama e Netanyahu ressaltam sua concordândia. Ambos estão pressionados pela chegada de setembro, quando a ONU pode reconhecer o estado palestino.
E ambos podem ficar isolados se não encontrarem até lá um discurso comum. A situação é tão complicada que qualquer vestígio de esperança pode cair na ingenuidade. Mas as linhas de 67 são apenas um dos problemas. Sobre refugiados palestinos, há toda uma discussão em aberto. É um tipo de situação na qual é preciso avançar passo a passo.
Obama anunciou o seu. É seja cedo ainda para classificá-lo de um tropeço.
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ilhares de pessoas saíram às ruas em protesto contra o governo de Bashar Assad na Síria e 16 delas foram mortas pelas forças da repressão.
As manifestacões foram realizadas depois de os Estados Unidos anunciarem o congelamento da conta de líderes do governo sirio, algo que já aconteceu também na Europa.
Após um feroz período repressivo, esperava-se uma queda no movimento contra Assad. Isso não aconteceu.
Um residente em Homs afirmou que, pela primeira vez, a marcha reuniu cinco mil pessoas na cidade.
A repressão na Síria acontece no dia seguinte ao discurso de Obama, afirmando o apoio norte-americano aos movimentos que pedem democracia no Oriente Médio.
Acontece que a a crise síria, na fronteira com Israel, é um obstáculo à paz. Apenas mais um obstáculo. Tanto Israel como Hamas rejeitaram a proposta de Obama para a região. A base da proposta era o reconhecimento de dois estados, com base nas fronteiras de 1967 e uma Palestina desmilitarizada.
Antes de especular sobre o futuro da proposta de Obama, entretanto, é bom esperar o encontro de hoje na Casa Branca entre o presidente americano e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
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Havia um certo ceticismo em torno da proposta de Obama para o Oriente Médio. Afinal, na semana passada, o emissário para a paz na região, George Mitchell, jogou a toalha e abandonou o cargo.
O discurso de hoje feito para ser uma continuidade de seu discurso no Cairo foi centrado na questão da paz entre Israel e Palestina.
Obama propõe que a existência dos dois estados tenha como base as fronteiras de 1967 e uma Palestina desmilitarizada.
As primeiras reações são favoráveis nos sites americanos. Mas, como não poderia deixar de ser, muitas questões não foram ainda respondidas.
A primeira delas é se Israel, que considera um grande problema de segurança abrir mão das fronteiras conquistadas, aceitará as linhas de 67?
O infográfico do Estadão, mostra essas fronteiras.
http://www.estadao.com.br/especiais/as-d…
A outra pergunta: como tornar a Palestina desmilitarizada? Até que ponto o Hamas, por exemplo, defensor do fim de Israel, estaria disposto a ter o estado palestino apenas com uma polícia?
É uma proposta. Em torno dela vai gravitar, nos próximos dias, a esperança, tantas vezes frustrada, de uma paz duroudora com a existência dos dois estados.
Obama afirmou que através da força moral da não violência, os países árabes conseguiram mais, em seis meses , do que o terrorismo, em décadas.
O impulso que as forças populares trouxeram faz com que os Estados Unidos se voltem para a região, prometam investimento e apresentem uma proposta de paz mais ousada que as anteriores.
Há s variáveis complicadas. Benjamim Netanyahu afirmou em Israel que aceita trocar “terras da patria” por uma paz estável. Ao mesmo tempo classificou as fronteiras de 67 como inaceitáveis. Ele viaja para encontrar Obama e a posição de Israel ficará mais clara, depois da reunião na Casa Branca.
No dia em que Obama fez sua proposta, Israel aprovou a construção de 1520 casas de colonos, no lado oriental de Jerusalém.
Obama fez uma proposta prevendo o estado palestino mas a ONU já iria mesmo reconhecê-lo em setembro. Haverá alguma convergência entre o movimento americano e o da ONU? Ou Obama quis apenas se antecipar?
O tema vai crescer daqui para setembro. Deve sair nas próximas horas a posição brasileira outra referência ainda a considerar.O Brasil defende a existência de dois estados, reconhece a Palestina com as fronteiras de 1967 mas não se manifestou ainda sobre a desmilitarização.
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Apesar de todo o aparato repressivo, os sírios se manifestaram contra o governo em vários pontos do país, inclusive em Damasco. Seis pessoas foram mortas, tres em Homs, duas em Deraa e uma nos arredores da capital.
Segundo alguns oficiais do escritório de direitos humanos da ONU cerca de 850 pessoas já foram assassinadas, desde o início dos protestos contra o governo de Bashar Assad.
Conforme previmos no primeiro post matinal, a sexta-feira seria um dia muito importante. O Exército e polícia política ocuparam muitos pontos das cidades onde há mais protestos. Um morador de Banyas informou que os militares estão aquartelados em mesquitas para evitar protestos.
Mesmo sem imprensa internacional cobrindo , com as ruas ocupadas pelo Exército, 850 mortos e 11 mil prisioneiros politicos, o povo sírio está resistindo.
Como não possui, como a Líbia, grandes reservas de petróleo, os protestos internacionais têm sido mais discretos.
As fronteiras da Síria, sobretudo com Israel, e a repercussão do destino sírio na complexa situação libanesa são fatores que pedem um cuidado maior das grandes potências.
Muitos observadores acham que o entendimento pode ser bom para a Palestina. Outros acham que é um obstáculo do processo de paz.
A reação de Israel foi de censura: o Fatah tem de escolher entre o diálogo com Israel ou uma aliança com o Hamas. Esta foi a resposta curta e simples do primeiro ministro de Israel,Benjamin Netanyahu.
Na imprensa internacional, os leitores na maioria consideram que o acordo aumenta as possibilidades da instalação do estado palestino. Mas muitos perguntam: com que recursos, se o país não tem agricultura nem produção industrial e depende tanto da ajuda exterior?
O ideal seria que o Fatah colocasse como uma das cláusulas do acordo o reconhecimento da existência de Israel, que obtivesse do Hamas um recuo no manifesto desejo de varrer o país do mapa do Oriente Médio.
A esperança de que o processo de paz continue passa por isto, embora a presença do Hamas na mesa,mesmo indireta, seja sempre uma garantia de endurecimento nas próprias negociações. Enfim, na região o otimismo dura apenas alguns segundos, ou se trata de uma ilusão de ótica.
Há dois fatores que podem impulsionar o Hamas à moderação: o movimento dos jovens que querem mais liberdade na faixa de Gaza e o declínio do presidente da Síria Bashar Assad, que reprime violentamente a oposição no seu país. Assad é um grande aliado do Hamas.
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2011